Sweet Dreams
1 Chapter I - Enemy Within
Notas iniciais
Dedico à bfletcher por atormentar tanto minha paciência para postá-lo aqui. Obrigada menine pela enorme ajuda. E por ser minha Beta. *-*
Minha primeira história, então sejam gentis.
Divirtam-se.
Encontrava-me sentada em um pequeno café, esperando pacientemente por meu pedido.
Observava atenta as folhas amareladas ou laranja-avermelhadas desprenderem de seus galhos.
O Outono era realmente muito bonito naquela pequena cidade do interior do Oklahoma. Uma mensagem no meu celular retirou-me do devaneio, tinha de me reportar à delegacia o mais rápido possível. Fui até ao balcão do estabelecimento, peguei meu café e saí apressadamente.
Em menos de 10 minutos já estava passando pela porta da frente da delegacia.
- Susan, o que houve? – perguntei à secretária.
- Morgan quer você na casa dos Morfee, agora. – encarou séria.
- Estou indo. Sabe o que aconteceu por lá?
- Não. Só me pediu para lhe passar o recado.
- Então foi feito.
Peguei as chaves do meu carro. Um Mustang GT Cobra preto recém tirado da concessionária.
Tomei o rumo da mansão da família mais reclusa e tradicional da cidade. O som, ligado no último, tocava Iron Man.
Parei diante do portão de ferro que levava para dentro do terreno. O local parecia fervilhar de legistas, policias e alguns funcionários que faziam depoimentos. Antes de chegar a casa, um policial parou-me. Observou o carro, depois me encarou.
- Seu cartão de identificação moça? Isto é local restrito... Nenhum cidadão pode entrar.
- Restrito? Pensa que sou quem? – olhei seu crachá. Claro que não era daqui. Esses policias da capital se achavam. – Sou Talbot. E acho que não preciso dizer mais que isso, para ser entendida claramente, não?
- Ahn... Desculpa Talbot... Eu pensei que fosse diferente.
- Bom pensou errado. Onde está Morgan?
- Dentro da mansão no lado leste, sala de estar.
- Obrigada.
Passei pelos portões faraônicos, bem desenhados. Antigamente aquela família fora a mais importante da redondeza. O caminho possuía árvores dos dois lados, tudo remetia à época de glória daqueles nobres.
Entrei. E parei diante da cena do crime. Os corpos dos Morfee estendidos na sala- de- estar estavam irreconhecíveis. Todos no local pareciam chocados com o homicídio.
- Enfim, saio por menos de 23 minutos da delegacia para tomar um café... E Jack o Estripador resolve passar a dizer ‘oi’? Francamente... – disse sarcástica, enquanto sorvia um gole de café.
- Infelizmente Talbot, pensamos que seja o Assassino de Salém. Sei que está atrás dele algum tempo... Conhece o estilo dele.
- Claro que é ele. Acha que Mary Poppins apareceu aqui com seu guarda-chuva? Ninguém deixa um banho de sangue assim... – reclamei irônica.
Olhei novamente os cadáveres. Tinham sinais de envenenamento e torturas. Apresentavam cortes nas regiões da costela, coluna vertebral, e braços. A cabeça pendia mole no corpo, e os olhos virados nas órbitas de um modo bizarro e grotesco. Os dedos quebrados e ombros distendidos completavam o quadro magistral. Todos vestidos em túnicas negras.
- Só pode ser ele. Está vendo o sinal do Ankh embaixo dos corpos? Só ele deita as vítimas neste sinal feito com seus próprios sangues. O que os legistas disseram?
- O envenenamento foi feito por acônito. Mas foi ingerida em uma pequena dose, para paralisar os corpos. Não para matá-los. Então eles ainda estavam lúcidos quando ele os torturou.
- A imprensa foi avisada?
- Claro. Mas não sobre como os assassinatos ocorreram. Só que morreram de forma desconhecida.
- É mais fácil dizer que foi suicídio. Assim ninguém vem nos importunar. Não é assim que vocês fazem? Toda vez que alguém morre de forma desconhecida ou que não querem levantar suspeita formulam um suicídio?
- Talbot. Preste atenção no que diz... – reprimiu.
- Estou falando sério. Quer me demitir? Não vai encontrar outro que faça meu serviço.
- Está chateada. Eu entendo. Achar essa cara é importante para você... Mas não diga blasfêmias... Quero que redija um relatório, antes que os legistas levem os corpos. Deixo Connor aqui com você.
- Fico melhor sem ele... Vai perturbar-me o raciocínio.
- Eu insisto.
- Ok. Mas se ele me importunar com perguntas de iniciantes, juro que se junta a eles. – apontei minha arma para os mortos.
- Estranho seria se ele não juntasse em algum momento. – gargalhou.
O caso do homicídio logo se espalhou pelos jornais do Condado de Harper. Uma pequena população supersticiosa, ainda mais no mês das Bruxas. A pista mais concreta que tínhamos é que o assassino era de Massachusetts, por isso o nome.
Saí um pouco de dentro da casa, dirigindo-me a varanda. Peguei meu celular e comecei a digitar um número. Tocou algumas vezes até ser atendido.
- O que foi? Faz anos que não nos falamos mais.
- Por mais que eu odeie dizer isso eu preciso da sua ajuda.
- O que houve? – sua voz ficou séria.
- O Salém passou para me dizer ‘oi’.
- Droga. Você continua em Harper, Oklahoma?
- Uhum.
- Chego ai em mais ou menos duas horas. Por que não procura outro para ligar?
- Você está me devendo um favor, Dean Winchester. Livrei tua cara da cadeia...
- Certo. Quase me esqueci dessa. – desligou.
A grande casa Luís XV, ricamente mobilhada estava silenciosa como uma tumba. Apenas os legistas terminavam as autópsias. O ar fedia a formol. Retirei uma câmera da mochila para terminar o serviço. Estava agachada diante dos corpos.
- Vai demorar muito Talbot? – a voz de Connor soara ansiosa.
- Está com medo de se juntar a eles? – debochei.
- Engraçada. Estou morrendo de rir. Só estou achando estranho esse Ankh.
- Não sejamos ignorantes Connor. Este símbolo significa vida eterna para os egípcios. A morte é só uma passagem para eles...
- Grande ironia. – deu meia volta saindo da sala.
- Vamos embora. O resto é dos legistas.
Saímos daquela casa fúnebre. Fui encontrar Dean e Sam no café que tinha ido mais cedo.
O aroma exótico do café pairava no local. Os irmãos Winchester estavam sentados na última mesa. Sam usava uma camiseta azul marinho, jeans e botas. Sua altura espantosamente alta impressionava; o cabelo escuro jogado sob seu rosto lhe dava um ar mais juvenil, porém em seus olhos percebia-se o brilho de uma grande inteligência e experiência. Esta foi a primeira vez em que eu o vi. Já seu irmão mais velho Dean, usava uma jaqueta de couro, camiseta branca, jeans desgastados e botas. Esboçava no rosto um pequeno sorriso calmo. Juntei-me a eles.
- Katherine, estava falando com o Dean e bom, queria saber de onde vocês se conhecem?
- É uma longa história. Posso resumir dizendo que o conheço de quando era um caçador solitário. Talvez o resto fique para outro dia?
- O que tem o assassino? – Dean foi direto ao assunto.
- Disse ‘oi’ e se foi. Já matou quatro.
- E o que tem isso de sobrenatural?
- Muita coisa. Ele nunca deixou rastros. As armas dos crimes nunca têm digitais.
Dean encarou-me com olhos indagadores. Saímos do café para não falarmos o resto em público. Sam quis dar uma volta pela cidade, sobrando eu e Dean. Sentamos no capô do Impala para conversar. Ou seja, discutir.
- Você está diferente de seis anos atrás.
- Eu cresci Dean. Não sou aquela garota de 17 anos mais.
- Não mesmo. Está pior que antes. Mais séria.
- Ossos do ofício. – mexi no anel do meu dedo anelar.
- O que aconteceu depois daquele desencontro?
- Parei de caçar. Estudei. E entrei para a polícia, na área de criminalística. Minha base em história e línguas que fiz antes me deram crédito. Você não mudou.
- Tecnicamente não.
Dean olhou-me. Realmente minha aparência tinha mudado, agora meus cabelos negros como piche estava preso em uma trança frouxa e lápis delineavam meus olhos azuis.
- Agora usa roupas formais? – debochou.
- Só para o trabalho.
Já era tarde quando separamos. Indiquei um bom hotel para eles e combinamos de jantarmos mais tarde. Enquanto isso no quarto dos Winchesters, Sam discutia.
- Dean de onde a conhece? Por que nunca me contou?
- Achei que não fosse importante. Nunca pensei que fosse me ligar mais. Isso foi há seis anos. – sentou ligando a TV e abrindo uma garrafa de cerveja.
- Dean o que você aprontou? – ficou em frente à TV, olhando-o.
- Virou psicólogo para me encher de perguntas? Poupe-me! Ela tinha uns 17 anos quando a conheci. Satisfeito? – tomou um grande gole da bebida.
- E o que mais?
- Nada Sam. – Encostou-se ao sofá.
- Ela é diferente das outras... – sentou na mesinha de centro.
- Ela tem problemas de atitude se é isso que quer saber. Perdeu os pais misteriosamente, morou com os tios e foi isso.
— Ex-caçadora?
- Como soube?
- Reparei em um talismã dentro do carro.
— Muitos podem carregar esse tipo de coisas.
- O dela era um oriental e pelo visto muito raro.
- Eu a vi pela primeira vez com o Bobby. Ele a ensinou muita coisa sobre a profissão.
- E o que mais?
- Virou interrogatório?
- Ande Dean...
- Eu ajudei em alguns casos. Por ordem do Bobby. Saia daqui Sam. – concentrou-se na TV.
- Não vai jantar?
- Não to com fome.
- Milagre te ver sem fome! Enfim, eu vou indo...
Sam pegou o carro e foi até ao pequeno restaurante que tinha marcado com Katherine. Estava faminto. Enquanto estacionava, viu o carro dela parado em frente ao local. Com certeza estava lá fazia algum tempo. Já que estava atrasado. Entrou, procurando uma mulher de terno negro formal, mas ao invés disso, viu-se uma garota de jeans justos e desbotados; com uma blusa preta que continha o emblema de um pentagrama nas costas. Os cabelos longos soltos esvoaçavam por causa do ar condicionado e usava maquiagem nos olhos. Sam teve um leve susto quando se aproximou e viu que era Katherine. Talvez entendesse o porquê de Dean ter gostado dela. Sentaram um de frente ao outro na mesa. Pediram um yakissoba.
- Não te reconheci no primeiro instante.
- Não ando de terno 24 horas por dia. Além de hoje ser sexta.
- Ah sim. Entendo. Enfim, eu gostaria de te fazer umas perguntas antes, posso?
- Sinta-se a vontade Sam.
- Dean disse que foi ex-caçadora. Posso perguntar por que não é mais?
- Cansei Sam. Tinha meus próprios problemas a resolver. – olhou para seus olhos castanhos.
- Entendo. Eu tentei pular fora disse também, mas alguma coisa sempre me arrasta de volta. Soube que é ótima tradutora de línguas antigas.
- Bom eu tento. Estudei muito com meus tios. Viajei um tempo. Bobby me disse que são os melhores.
- Tentamos. – forçou um pequeno sorriso.
- Por que Dean não veio?
- Disse estar sem fome. Não sei qual é o problema dele. Em que podemos ajudar?
- Andei pesquisando e pensei que o Salém seja um espectro ou outra coisa do gênero. Como faz tempo que estou fora desse rumo Bobby me indicou vocês.
- Como disse, ele não deixa rastros... Digitais... Nada?
- Não. Nem pegadas ele deixa.
- Vou pesquisar o máximo possível. Nunca ouvi de algo assim.
Sam acabava de terminar seu prato, enquanto Katherine somente remexia em seu macarrão.
- Sem fome?
- Devo estar. Desculpe. Eu estou nervosa. –remexeu no anel.
- Também estaria se fosse você.
Katherine olhou diretamente para Sam.
- Sam, quero que faça um favor para mim.
- Claro. O que?
- Quero que venha comigo para minha casa, tenho um livro que preciso que entregue ao Dean.
- Ok.
Saíram do restaurante. Tudo parecia tão calmo naquela cidade, como se nada tivesse acontecido. Sam sentou no banco do carona do carro dela. Realmente era um belo carro. Ligou o som baixo, deixando tocar Smells like Teen Spirit. Tomaram a rua principal e depois foram por uma estrada que passava por fora da cidade.
- Porque mora tão longe do centro?
- Não sou muito bem vinda pelos colonos. Não sou daqui não é mesmo?
- Entendo. Nunca somos bem vindos.
Sua casa era de um tom azul acinzentado. O jardim continha algumas roseiras, que tinha florido apesar de estar fora de estação. Estacionou o carro diante da garagem e entram na casa. O local era abarrotado por livros, em prateleiras organizadas. Parecia com a casa de Bobby só que muito organizado. Katherine foi até a escrivaninha de mogno e revirou as gavetas, até encontrar um livro grande e pesado em couro preto.
- Você tem muita coisa por aqui... – disse ao olhar os livros.
- Sempre é bom economizar para se comprar estas belezinhas...
- Alguns são bem raros. Tem uma versão do Martelo das Bruxas? – pegou nas mãos.
- Você é bem inteligente Sam. Claro que eu tenho uma cópia. Os poucos originais deste livro estão na Biblioteca do Congresso, Museus, e a primeira versão está guardada nos arquivos do Vaticano.
- Não imagino que você tenha lido tudo isso.
- A maioria sim. Alguns foram compras recente. Tenho de lê-los ainda.
- Parece o Bobby. A casa cheia de escrituras, livros e um tanto de outras coisas... v – não terminou a frase, para não ofendê-la.
- Velhas?
- Sim.
- Gosto destas coisas. Velharias e antiguidades. São coisas valiosas a meu ver... Contém segredos valiosos.
- Com certeza.
Katherine foi até a sua direção. Entregando o livro. Sam olhou-o demoradamente, não tinha idéia de como abri-lo. Katherine o levou até ao restaurante novamente para pegar o seu carro.
Sam a convidou para ir até ao hotel, mas seu pedido foi declinado. Entrou no quarto e Dean continuava no mesmo estado monótono e preguiçoso de que tinha deixado.
- Vai continuar neste estado de transe até quando? – Sam abriu uma latinha de cerveja.
- Até quando eu quiser. Como foi o jantar?
- No mínimo muito interessante a meu ver.
- Como assim?
- Acho que sei o que viu nela. – desenho um sorriso malicioso nos lábios.
- O que?
- Isso fica para outra hora... Ela me pediu para te entregar isso. – jogou o livro no colo de Dean.
- Só isso? Não disse como abrir?
- Não. E eu vou dormir. Amanhã vamos começar cedo. Vou até a delegacia ver os arquivos.
Sam deitou-se enquanto Dean continuava na sala, olhando o livro. Como abri-lo. A única coisa que tinha era em sua capa uma fenda redonda, parecia uma chave. Resolveu guardá-lo. Não sabia o que fazer com ele. Resolveu dar uma volta de carro, já que não conseguia dormir, Sam juntou-se a ele.
___ x ___
Katherine entrou no apartamento dos Winchesters. Um silêncio sepulcral pairava sobre a casa.
- Dean? Sam? — Chamou-os algumas vezes, mas ninguém respondeu.
Andou pela casa tentando fazer o mínimo de barulho possível, observando tudo. Nenhum sinal deles. O último local que faltava era o quarto. Talvez estivessem dormindo. Atravessou o pequeno corredor, parou diante da porta abrindo-a vagarosamente, olhando para dentro. Viu diante daquela escuridão, o cabelo louro escuro de Dean. Aparecendo entre todos aqueles cobertores, dormindo feito pedra.
Foi até ele, cutucando suas costas.
- Dean? Dean acorda... Preciso falar com você.
Ele não se mexeu. Procurou o interruptor para ascender à luz. O quarto iluminou-se. Olhou em volta, tudo estava normal, mas perto da cama havia uma pequena mancha escura. Katherine abaixou tocando aquele líquido viscoso. Seu olhar ficou preocupado.
Chamou Dean novamente e não obteve resposta. Retirou os cobertores de cima dele para acordá-lo. Entrou em choque.
Dean Winchester estava esquartejado sobre a cama. Os cobertores estavam encharcados com sangue, o mesmo material escuro que estava pingado no chão. Katherine gritou. Não sabia o que fazer, seu corpo tremia violentamente. Lágrimas escorriam pela sua face. Ela havia causado sua morte. Tudo girava a sua volta. Até que olhou na parede perto da cama. Havia um bilhete. ‘‘ Este jogo foi feito para dois. O próximo que se intrometer sofrerá pior. Não deveria tê-lo chamado. ’’
Katherine sentou-se no chão, desamparada. Seu corpo ainda tremia, respirava com dificuldade.
Notas finais
~ Deixam reviews e vocês curam esta pobre autora de exaqueca. Reviews fazem milagres! ~
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