Notas iniciais
Espero que gostem.

O projeto estava baseado em afastar os jovens das regiões próximas do crime. Começou antes de eu nascer, na década de 70. O objetivo era promover a saúde para os moradores de Port Angeles, conscientizar os menores de idade e afastá-los do crime. Promovíamos música, dança, palestras... O evento demorou a se concretizar, mas, após inúmeros esforços e ajuda dos patrocinadores, a coisa foi se solidificando. Por fim, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, enfermeiros, nutricionistas e assistentes sociais compunham a equipe responsável pelos menores de idade. Hoje, há mais de 300 crianças e adolescentes se inscrevendo para passar a semana lá. Uma escola nos dava abrigo e as salas de aula eram o suficiente para dormirmos. Era servido café da manhã, almoço, jantar, ceia e um lanche (suco, frutas e biscoitos) entre as refeições.

Cheguei lá junto aos meus amigos, como era de costume. Após nos alimentarmos, nos acomodamos perto de Alice e Rosalie. Ao todo éramos eu, Emmett, Jacob, Alice, Rose, Jasper e Sam. Reunimos-nos em uma longa mesa, onde havia crachás com os nomes de todos os jovens e trabalhadores inscritos. Até então eu estava bem. Ria de um comentário de Emmett quando Ali, em tom discreto, depois fixar os olhos em um ponto, me avisou.

— Amiga, ele está vindo.

Rapidamente varri os olhos pela quadra. Não demorei a encontrar o homem de cabelos cor de cobre.

— Quem é? – indagou Emmett ao meu lado em uma voz protetora.

— O de camisa preta e jeans escuro.

Jake, por estar sentado atrás de mim em uma cadeira, envolveu seus braços pelo meu corpo em um abraço amigável.

— Fica fria, menina. A única pessoa quem tem o direito de se sentir mal é ele por jogar fora uma garota tão boa quanto você.

Foi impossível não sorrir por aquelas palavras.

— Finalmente nosso menino chegou!

Alice se levantou para abraçá-lo. Os outros não me deram oportunidade de sequer falar. A gente voltou ao assunto que tratávamos antes.

Em voz alta, Rose indagou em um timbre humorado:

— Edward, cadê os bons modos? Não vai falar com Bella e os meninos, não, homem?

Eu, particularmente, esperava ser ignorada nesses momentos. Foi isso o que fiz com ele no aniversário da Alice, ora. Como esperaria por menos?

Entretanto, para o meu azar, ele simplesmente disse:

— Pra quê?

Enquanto se distanciava, foi Jake, ainda abraçado à mim, quem quebrou o silêncio perplexo perante as palavras:

— É... Essa será uma longa semana.

— Sujeitinho sem educação! – exclamou Emmett indignado.

Alice, diferente dos demais, assim como Rosalie, observaram as costas de Edward até o homem desaparecer do campo de visão. A atitude dele foi uma surpresa tão desagradável que fez seu pequeno queixo despencar. Algo na frase, na postura dele, simplesmente não condizia com suas últimas duas palavras.

— Algo está errado. – murmurou Alice.

Conhecia o homem há tempo o suficiente para chegar à conclusão tão rapidamente.

Impossível negar o peso daquelas palavras sobre mim, mas, para a minha paz de espírito, decidi mandar para o inferno. Até porque havia pessoas lá que me amavam. Queriam o meu bem. Meu círculo de amizade pode não ser tão grande, porém eram amigos verdadeiros. Pessoas de bom coração. Não vou ficar chorando só porque Edward foi um tremendo grosseiro. Eu mereço mais do que isso.

Com este pensamento, horas mais tarde, após o almoço, estava sentada na sala onde seria feita a reunião do meu grupo de estudo. Por chegar primeiro, arrumei as cadeiras da mesma maneira dos anos anteriores – todas organizadas em círculo. Acabei viajando na maionese, lembrando-me de acontecimentos de anos atrás...

Conheci Edward naquele evento. Eu tinha dez anos de idade. Não lembro quando o menino começou a me chamar a atenção. Só sei que, em algum momento, o observava enquanto estávamos lá. Não tínhamos o menor contato, nem mesmo éramos amigos. Eu simplesmente o observava de longe ao tomar as refeições ou tocar na banda – ele toca guitarra e, quando um dos cantores não podia cantar, o substituía.

Naquela época ninguém, absolutamente ninguém sabia disso. Anos mais tarde, Alice e Rosalie passaram a ir. Foi aí que houve uma leve alteração em nossa interação. Por Alice já conhecê-lo, era nítido que eles iriam continuar se falando lá. Diferente de mim, a menina sempre foi bastante comunicativa e em pouco tempo a mesa onde comíamos estava cheia de gente. Dentre essas pessoas, estava Edward. Eu sempre ficava empolgada, torcendo intimamente para se sentar ao meu lado ou conversar mais comigo. Como não acontecia, ficava na minha. Não era algo de importância suficiente para me abalar, mas eu ficaria satisfeita caso ele me notasse.

No decorrer do tempo o encontrava na casa de Alice quando nos reuníamos para comemorar seu aniversário ou simplesmente passar o dia lá. Um dia estávamos somente eu, Rose, Alice e Edward. Eu havia completado dezesseis anos. Ele, três anos mais velho que eu, já alcançava uma estrutura corporal de homem. Já media um metro e oitenta de cinco de altura. Os braços não eram nem magros, nem musculosos em demasiado. Ele, basicamente, estava na medida certa em todos os aspectos.

Não me recordo direito daquele dia, apenas que parecíamos um casal. Após almoçarmos e comermos o pavê de chocolate preparado por mim, lavamos a louça, sustentando uma conversa agradável. De vez em quando jogávamos água um no outro em meio a risos travessos. Durante o processo notei os olhos atentos das meninas em minhas costas, nos observando. Não liguei para isso. Até então Rose ficou em um sofá enquanto eu, ele e Ali partilhávamos do menor. Em dado momento a pequena foi se sentar ao lado da loira. Por fim, eu e Edward nos deitamos lado a lado enquanto assistíamos Moulin Rouge. Nossa, como gostei daquela proximidade, de senti-lo tão perto de mim...

Após aquela tarde, não me surpreendi ao ouvir as duas fazendo insinuações sobre nós dois – longe da presença dele, é claro. Virou uma piada interna. Eu negava tudo, lógico. Elas diziam que eu gostava dele, que sentia ciúmes... Não admitiria tão facilmente. Até que, uma noite, na primeira ida de Rose para o evento, conversava comigo aos sussurros.

— Amiga, admita. Você gosta dele.

Já deveríamos estar nesse tema há quase uma hora. Podia ouvir as meninas ressonando no alojamento. A loira dividia comigo um colchão inflável de casal.

— Não, amiga. É impressão sua. Nem sei o motivo de insistir tanto nesse assunto.

— Bella, é verdade. Acha mesmo que não percebi o sorriso que deu ontem quando ele disse que estava bonita?

— Não foi nada de demais.

— Então porque não sorriu da mesma forma quando Sam disse o mesmo?

Rolei os olhos, mesmo ela não podendo ver.

— Anda, fala.

Tentando encontrar as palavras corretas, proferi:

— Não é exatamente gostar. É um interesse.

— É a mesma coisa!

Se não estivéssemos num lugar onde todos dormissem, certeza que as palavras seriam gritadas, não murmuradas.

As coisas começaram a mudar de verdade quando atingi meus dezoito anos. Acabara de ingressar na faculdade de dança e estava inclusa num grupo de pesquisa. Precisava entrevistar pessoas acerca do tema que escolhemos apresentar. Uma das pessoas com quem entrei em contato foi Edward. Marcamos de nos encontrar num Shopping bem longe de onde ele morava, mas de fácil acesso pra mim.

Na semana anterior ao encontro, eu conversava com Alice e Rose na casa da pequena. Tomávamos refrigerante na varanda acompanhado de batatas-fritas. Papo vai, papo vem, chegamos ao assunto onde o tema principal era o motivo que algumas pessoas que conhecíamos estavam solteiras, embora tivessem personalidades maravilhosas. Tudo ia bem, até que o nome de Edward foi citado.

Enquanto as duas debatiam, eu disse, me abaixando para colocar o meu copo no chão:

— Não, Edward Cullen está sozinho porque quer, é diferente.

Não sei se foi o que eu falei, como falei ou se as duas coisas juntas. Só sei que as meninas começaram à praticamente gritar. Foi uma cacofonia infernal. Elas diziam que eu gostava dele há anos. Já eu procurava me retratar, voltar atrás do que tinha dito. Por não adiantar nada, berrei:

— Ah, quer saber? Dane-se! Eu sempre gostei dele, está legal? O homem sempre me chamou a atenção, tá? Nunca o vi somente como colega.

As duas comemoraram pulando e se abraçando. Foi impossível não rir da cena incomum.

Se separando de Rose, Ali disse:

— Sabe que existe a possibilidade de rolar alguma coisa entre vocês no cinema, né?

Como o cara iria praticamente fazer uma viagem para se encontrar comigo pra entrevista, chegamos à conclusão de que poderíamos marcar um cinema.

— Como assim?

— Ora, pode rolar um beijo entre vocês no tempo que passarem no cinema. Lá tem o clima propício. É levemente frio, estarão bem próximos fisicamente e é escuro.

— Amiga, ele não me vê dessa forma. – avisei em descrença.

Pegando o celular no bolso do short, Rose indagou:

— Alice, me passa o número de Edward.

— Pra que?

— Pra eu perguntar se ele beijaria Bella no cinema.

— Não! – gritei indo de encontro dela pra pegar o aparelho – Não faz isso, amiga.

— Acha que isso não aconteceria, né? – os olhos de Alice eram maliciosos.

— Ai, gente, sejamos realistas. Isso não aconteceria. Não porque me acho feia ou algo do tipo, mas sim porque é difícil conseguir nos imaginar juntos. Somos diferentes em inúmeros aspectos. – expliquei calmamente.

— Bella, minha linda. – Ali tinha um meio sorriso diabólico nos lábios – Fique atenta ao seu celular essa noite. Vai chegar uma mensagem pra você.

Quase meia-noite, enquanto eu assistia à um episódio de Supernatural, meu aparelho telefônico vibrou. O apanhei e abri no Whatsaap. Alice me enviara o print da conversa dela com Edward.

Edward, vem cá. Você beijaria a Bella no cinema?

Sim.

No dia em questão acordei cedo o suficiente para me arrumar sem pressa – ou seja, quatro horas antes do horário marcado. Avaliei minhas roupas minuciosamente, tentando imaginar o que as peças transmitiriam. O short preto com a regata combinando poderia significar que eu estava querendo que rolasse alguma coisa entre nós enquanto o vestido longo de alças poderia significar que eu não queria nada. Por fim, após quase passados sessenta minutos, escolhi uma calça preta, blusa azul escura e sandálias cor vinho de salto. Penteei os cabelos e os enrolei nas pontas antes de jogar o fixador para preservar os cachos durante a tarde. Não passei muita maquiagem. Apenas o suficiente para realçar minha beleza – rímel, delineador, lápis e um batom rosa claro. Afinal, existia a ínfima possibilidade de rolar um beijo e sair borrada de batom vermelho era um transtorno o qual não gostaria de passar.

Cheguei primeiro. Então, após uma breve troca de mensagens, resolvi comprar os nossos ingressos enquanto ele depois se encarregaria da pipoca e da bebida.

Edward chegou trinta minutos antes de a sessão começar. Cumprimentamo-nos num abraço gentil antes de se sentarmos em uma mesa da praça de alimentação para assinar o documento da entrevista – já a havia feito o questionário, portanto faltava só a assinatura dele. Tivemos uma conversa leve, mas, devido ao nervosismo e não estar exatamente acostumada a partilhar de uma tarde sozinha ao lado dele, me enrolava quando dizia alguma coisa. Enfim, consigo me expressar bem melhor por meio da escrita.

Faltando dez minutos, fomos para a fila, onde comprou pipoca e refrigerante para nós. Finalmente, nos sentamos nas respectivas cadeiras do cinema.

Sim, comi a pipoca toda. Estava faminta. Acordei cedo e saí de casa sem comer nada. Quando acabou – poucos minutos depois do filme ter iniciado – comecei a questioná-lo acerca do que acontecia. Eu nunca tinha assistido Resident Evil, portanto não era de se surpreender que eu nada soubesse sobre a história. Ele as respondia sem hesitação.

Eu tenho a mania de encostar-me à pessoa quem for assistir filme comigo. Isso não era surpresa. Então, ele não reclamou quando encostei meu braço no dele. Em outro momento virei a cabeça e notei que a dele estava na altura da minha – qual é, temos diferença de vinte e cinco centímetros de altura. Deveria ser desconfortável permanecer naquela posição. A outra mudança foi eu receber pequenos beijos na bochecha sem aviso prévio. Acompanhado disso, a mão dele deslizou pelo meu braço, que até então descansava no meu colo, usando a ponta dos dedos para acariciá-los. Aquela visão foi tão boa que dei um sorriso. Então, finalmente, beijou mais uma vez minha bochecha, enquanto eu virava lentamente a cabeça na direção dele. O ósculo, enfim, foi intenso ao ponto de eu ser pressionada contra cadeira.

Depois disso, não tenho ideia sobre como foi o filme – só descobri depois, ao assistir na Internet. Nós só fazíamos nos beijar, abraçar, acariciar – não teve nada além da união de nossas bocas. Quando Edward me abraçava eu abria um sorriso genuíno. Ok, eu não gostava da ideia de ficar com alguém assim sem ter nenhum tipo de sentimento em jogo, mas... Sei lá. Aquele momento parecia certo. Não havia maldade ou malícia por nossa parte. Nós dois compartilhamos de um momento tão bom ali... Não queria que acabasse. Pela primeira vez descobri, embora superficialmente, como era se sentir desejada, como era ficar assim com um homem.

Eu havia tido essa experiência só uma vez. Aos catorze anos meu caminho se cruzou com o de um menino em especial. Conversávamos bastante e acabei gostando dele. Marcamos cinema. Foi uma droga. Não valeu a pena. O clima entre a gente era esquisito, nos beijamos três vezes somente... Às vezes o silêncio pairava sobre nós. Não queria repetir aquela experiência.

— Foi ótimo não termos chamado as meninas. – murmurou contra meus lábios.

Dias antes, por mensagem, Edward me perguntou se eu chamaria Rose e Alice. Eu disse que, se ele quisesse, poderíamos chamá-las. Ao ler as palavras “não, tudo bem. Vamos só nós dois, mesmo” sorri, ansiosa para o dia chegar o mais rápido possível.

— Eu sei. – respondi o abraçando – Foi bem melhor assim.

Ao término do filme, o ouvi dando um suspiro de pesar. Provavelmente gostava tanto quanto eu que não pudéssemos continuar na sala.

Saímos para passear um pouco pelo Shopping. Olhei imediatamente para baixo ao sentir minha mão ser envolvida por algo. Para a minha surpresa, era ele quem a segurava. Nossa, adorei o contato!

Antes de irmos embora – meu pai ia me buscar – passamos na livraria. Afinal, sou nata amante dos livros. Escolhi Nada Dura para Sempre de Sidney Sheldon para a minha coleção.

Ao anoitecer, meu pai me ligou avisando que estava chegando.

— Agora vou ter que ir. – anunciei ao pararmos perto da saída.

Ainda estávamos de mãos dadas.

— Gostei muito da nossa saída de hoje.

— Eu também.

Após um breve silencio acompanhado pelo meu breve arquear de sobrancelhas, Edward se inclinou para me dar um último beijo de despedida.

— Tchau. – sussurrou.

Os dois primeiros dias transcorreram bem, sem grandes acidentes. Bella, como era de se esperar, aparentava lidar consideravelmente bem com aquela situação. Edward também. Todos que vissem o comportamento dos dois chegariam a essa conclusão. Todos menos Alice, é claro. Os olhos da baixinha eram perspicazes demais para chegar a esse resultado – que tudo ocorria na mais perfeita ordem. Os conhecia há tempo demais. Ela conviveu ao lado deles anos suficientes para não estranhar certos olhares, certas atitudes. Até o tom de voz poderia denunciá-los. Foi devido a isso que abordou Rosalie na fila do café da manhã no terceiro dia.

— Amiga, preciso da sua ajuda. – murmurou quando procuravam uma mesa vazia para sentarem.

— Pode falar.

Acomodaram-se numa mesa um pouco mais distante das demais na quadra, uma de frente para a outra. A sorte é que a loira acordava mais cedo que os amigos. A pequena aproveitou para terem minutos de privacidade. Afinal, era um assunto para se tratar em privacidade.

— O que foi? – levou um copo de suco à boca.

— Olha, eu tenho uma hipótese e preciso de você para observar duas pessoas para comprová-la.

Desconfiada, indagou em um tom cúmplice, cerrando os olhos:

— É sobre quem eu estou pensando?

— Se os nomes que passaram pela sua cabeça forem os de Bella e Ed, sim.

— Ok. Escuta, começa pelo início pra eu entender. Qual é essa hipótese?

— A minha hipótese é que nenhum dos dois esqueceu o que aconteceu e acabam demonstrando isso de algum modo.

— Precisa da minha ajuda por qual motivo?

— Observar o comportamento deles. Quatro olhos funcionam melhor do que apenas um par.

— Beleza. Estou dentro. Bella tenho mais propriedade para analisar. Já Edward, não.

— Ele pode deixar comigo. É só me contar como ele está agindo.

— Olha, Bella disse que já o superou. Até tem demonstrado isso nesses dias, levando-se em consideração que convive ao lado do menino.

— A garota é uma romântica nata. Seu gênero favorito de filmes é romântico e mais de 90% dos livros que lê também é de romance. Por anos teve uma queda pelo cara e não me surpreenderia se estiver abalada esses dias porque é obrigada a conviver com Ed. Acha mesmo que é verdade já ter esquecido o homem?

— Uma nota de três dólares chega a ser mais verdadeira do que essas palavras dela.

— Pois é.

— Assim, só o que percebi de Edward é que, diferente dos anos anteriores, tem ficado abraçado com várias meninas. Até achei estranho.

Empolgada, quase derramou o café sobre si.

— É disso que estou falando, Rose! Ed nunca fez isso antes! Sabe o que também foi atípico? Quando o pessoal está reunido e Bella inserida na conversa, ele não para de passar a mão no rosto. Fica de cara fechada, sabe? Inquieto. Não para de se mexer.

— Ok, ok. Agora não entendi nada. Pra mim o cara só está agindo como um completo babaca.

— Aí é que você se engana, gata! Leve isso para a sua vida! Nem sempre as pessoas demonstram alguma coisa falando. Às vezes, quando um sentimento é muito forte, algo nos incomoda ou coisa do gênero e não queremos comentar sobre o assunto, o nosso corpo nos entrega de forma inconsciente. Até agora, os fatos apontam que ele se sente desconfortável na presença de Bella. Se há um desconforto...

— É sinal de que há outro sentimento por trás. – completou Rosalie – Estou dentro. Só tenho uma sugestão.

— Qual?

— Precisamos mexer uns pausinhos de vez de quando para observarmos como Edward vai agir. Sabe outra peça que poderemos inserir nesse tabuleiro? Jake. É óbvio que gosta da Isabella, mas, embora tenham até certa química juntos, não vai arriscar perder a amizade dela se declarando pra garota. Sabe que ela não está na dele. Podemos usar esse garoto ao nosso favor. É claro, sem o menino perceber para não machucá-lo. Jacob é um garoto maneiro demais para ser ferido assim.

— Então está fechado!

— O que está fechado? – Edward indagou, sentando ao lado de Alice – Bom dia, meninas.

— Bom dia. – respondeu a loira – Nada de demais. Só estamos tentando finalmente marcar um cinema pra semana que vem.

Os outros não demoraram a chegar. Emmett, Sam e Jas logo se sentaram perto deles. O humor de Edward estava maravilhoso, rindo das piadas de Emm. Levava uma conversa bem amigável com os ali presentes. Não demorou a notar que se daria muito bem com os dois rapazes. Dez minutos depois chegou Jake. Sentou-se na ponta de mesa. Mais tarde, Bella puxava uma cadeira para se acomodar na ponta da mesa, ao lado do amigo. Vestia uma justa bermuda jeans um palmo acima dos joelhos e uma blusa tomara que caia amarela que delineava o busto, mas caía soltinha no tronco. Para completar o look, calçava um tênis de fundo branco, estampado de pequenas flores de cores quentes. Os cabelos estavam presos na trança embutida.

— Bom dia, gente.

Antes de sentar, passou por cada um distribuindo um leve beijo no topo da cabeça dos amigos. Fez isso com todos, é claro, menos com Edward por motivos óbvios.

— Finalmente apareceu, gata. Começava a pensar que tinha sido abduzida. – comentou Jasper em um sorriso amigável.

— Acabei me demorando em passar a maquiagem e arrumar o cabelo. – explicou antes de tomar um gole do suco – Que acham? Gostaram?

De fato, um batom roxo fora pintado nos lábios. Os cílios pareciam maiores devido ao rímel e usava lápis preto para contornar os olhos.

— Sem dúvida! Está gata demais, menina!

Isabella aceitou o elogio de Jacob sorrindo, para, logo a seguir, encostar a cabeça no ombro dele por um breve momento.

Edward abriu sorriso quase imperceptível de tão sutil quando Bella surgiu em seu campo de visão, demorando-se mais do que deveria na figura feminina. Entretanto, a expressão deu lugar à uma carranca em reação ao elogio do outro e, ao ver a menina se encostar no ombro dele, deu um suspiro pesado e discreto enquanto fechava os olhos, apertando a alça da caneca com mais de força do que o necessário. A reação não passou despercebida da atenção das duas amigas.

As garotas prepararam tudo no terceiro dia. Alice colocou uma dose de laxante no suco de Riley, apenas o suficiente para ficar impossibilitado de cantar após o almoço. Dez minutos depois procurou Edward, o avisando da necessidade de substituir o cantor – até porque o pobre coitado não sairia do banheiro em menos de uma hora.

Enquanto os instrumentos eram testados, as duas conversavam sentadas na plateia.

— Me sinto mal pelo homem. Não queria prejudicá-lo. – confessou a loira.

— Nem eu, mas foi necessário. Foi a única forma dele se ausentar. Isso era crucial.

— Eu sei.

— E aí? Conseguiu fazer a alteração no programa das músicas?

— Obviamente. – respondeu excitada – Ele vai ter uma baita surpresa ao ler o título da última canção na lista.

— Qual seria?

— Part of the List. Ne-Yo.

Alice disse em assombrosa admiração:

— Você é ardilosa!

— Obrigada. – o sorriso não podia ser mais genuíno – Agora precisamos trazer Bella pra cá e colocá-la sentada aqui.

Sentaram-se na primeira fileira, bem próximas de onde Edward cantaria. Seria extremamente fácil fazer contato visual ali.

— Não se preocupe. O destino está agindo ao nosso favor. – Alice proferiu ao olhar para trás.

Bella vinha acompanhada pelos meninos – Jake, Emmett, Jasper e Sam.

— Eu precisarei sair daqui, Rose, pra ela sentar. – levantou – A trarei pra cá e ficarei lá atrás. Não direi a ela o motivo. Depois me relate absolutamente todas as reações de ambos, ok? Não deixe passar nada.

— Pode deixar comigo.

Demorou-se um pouco ao ouvir a voz do amigo:

— Que droga é essa? Não vou cantar isso.

O homem que tocava violão se aproximou:

— Você sabe a letra completa?

— Sei.

— Então por qual motivo não quer cantar?

— Simplesmente não quero. É difícil entender? Nem sequer a ensaiamos.

— Eu o acompanho pelo violão, não se preocupe. Se o problema é o fato de não termos a ensaiado, eu sei a cifra. O acompanho com o violão.

— O problema é que não quero cantar isso. Nem estava no programa! – reclamou. Havia algo por detrás de sua voz que Alice não conseguiu identificar.

— Velho, relaxa. Não tem nada de demais. Eu vou dar a deixa pra entrar com a letra.

— Só pode estar de brincadeira comigo.

Encarando a loira, a baixinha falou:

— Isso vai ser interessante.

As meninas poderiam escolher um lugar melhor pra eu sentar. Qual é? Eu não precisava estar praticamente cara a cara com o homem.

Enfim... Usei aqueles minutos para bater fotos ao lado de meus amigos. Fazíamos poses sérias, engraçadas... Uma que ficou bem fofa foi de Jake me beijando na bochecha enquanto eu gargalhava pelas cócegas que Emmett fazia em mim. Os outros haviam se posicionado atrás de nós, fazendo diferentes caretas. Adoro registrar momentos assim.

Ao todo dez músicas foram tocadas – todas agitadas o suficiente para nós levantarmos para dançar. Aproveitei que uma das canções tinha uma guitarra muito semelhante ao flamenco e improvisei sequências. Os meninos quase me empurraram para eu assumir a frente para os presentes me verem dançar. Não fui. Apenas queria curtir o momento ao lado dos meus amigos, esquecer, pelo menos por poucos minutos, a presença do meu ex-namorado. Ao todo, foi divertido demais poder me soltar daquela forma acompanhada das pessoas que amo, sem nenhuma inibição ou vergonha.

Os garotos terminaram de tocar e nos sentamos de novo – ou foi isso o que pensamos. Edward permaneceu no lugar enquanto os demais se retiravam – menos o violonista, quem mantinha ainda o instrumento em posição. Começou a dedilhar e a letra de uma música a qual não esperava ouvir saiu dos lábios de Edward.

A iniciou em uma voz baixa, sem encarar a plateia. A postura enriqueceu, mostrando forte diferença de minutos anteriores. O sorriso sumiu. Posicionou-se de forma bastante introspectiva. Chegando ao refrão ergueu a cabeça, cantando em voz grave. Segurou o microfone com força – mesmo sentada, eu conseguia ver os nós dos dedos tornarem-se brancos.

A mudança tanto no semblante quando corporal era surpreendente. Era como se eu visse um homem carregado de uma emoção a qual ele não queria expressar. Parecia se identificar completamente com o significado da letra, ao ponto de se entregar a ela a partir da metade. Em certos trechos sorria triste por segundos, passava a mão pelos cabelos ou fechava os olhos com demasiada força. Deixara o homem alegre em um esconderijo no íntimo e alguém amargurado tomava forma aos poucos, à medida que a canção evoluía.

Para a minha surpresa, a partir da metade da música, cantou encarando-me longamente. Desviava o olhar por ínfimos segundos, mas os voltava para mim sem demora. Eu sabia que era minha mente pregando-se peça mais uma vez, mas parecia direcionar as palavras para mim. Definitivamente, isso nunca aconteceria.

Não pude desviar a atenção da performance. Tamanha intensidade me surpreendeu. O rosto vermelho na parte mais forte, as veias saltando do pescoço, a grave voz rouca... Definitivamente, parecia haver entrega ali. Sem dúvida era impressão minha, é claro.

Para a perplexidade de todos, assim que a terminou, Edward saiu do salão, sem dar explicação para ninguém.

— O que foi aquilo, Ali? – indagou Rose em absoluta perplexidade.

— Isso, minha amiga, é a máscara começando a se romper.

Ao observar a expressão séria tomando conta das pequenas feições, Rosalie indagou:

— Qual é o problema?

— Estou achando que vai ser um processo duro para ele.

Na fila do jantar, horas depois, a baixinha iria ver marcas nas mãos dele, como se tivesse socado alguma coisa seguidamente. Ao ser indagado, fez pouco caso, afirmando ter se machucado sem querer. Ela não acreditou.

Semanas após o segundo encontro, conversava com ela pelo celular. Bella estudava para as provas que iriam terminar na quarta-feira, mas isso não a impediu de proporcionar alguns minutos de seu tempo para lhe dar atenção.

De: Edward

Para: Bella

Amor, eu quero ver você. Quando suas provas terminam?

De: Bella

Para: Edward.

Na quarta de manhã. Devo sair da sala lá pras nove da manhã. Por quê?

De: Edward

Para Bella: Para eu saber o dia em que podemos marcar de nos ver.

Ele começou a dar dias e horários diferentes. Terça e quinta ela não podia porque tinha aulas de ballet, jazz, sapateado e hip-hop. Sexta tinha flamenco adiantado e dava aulas para as turmas de iniciante e intermediário. Na parte da manhã estudava.

Mal sabia que, inicialmente, ela pensou que expressar o desejo de vê-la era da boca pra fora. Entretanto, ao notar a sua insistência, percebeu que falava sério.

De: Bella.

Para: Edward.

Quer mesmo se encontrar comigo?

De: Edward.

Para: Bella.

Sim.

De: Bella.

Para: Edward.

Quarta-feira eu costumo passar o dia em casa, estudando. De noite tenho aula de moderno e ponta de contemporâneo.

De: Edward.

Para: Bella.

Posso buscá-la na faculdade? Posso chegar nesse horário que me falou.

De: Bella.

Para: Edward.

Claro.

De: Edward.

Para: Bella.

Ótimo. Podemos ir para onde?

De: Bella.

Para: Edward.

Olha, podemos vir para cá.

De: Edward.

Para: Bella.

Sua casa?

De: Bella.

Para: Edward.

Sim.

De: Edward.

Para: Bella.

Está louca? Imagina como vai ser quando seus pais me virem entrando contigo.

Bella achou melhor não comentar que eles passavam o dia todo no hospital – a mãe era enfermeira e o pai médico. Só retornavam de noite, não antes das oito horas. Pensou que, se o garoto tivesse que ir pra casa dela, chegaria um momento da conversa em que não teria outra saída além de responder a verdade. Por fim, para a surpresa dela, foi esse o ocorrido após cinco minutos.

De: Edward.

Para: Bella.

E para onde vamos?

De: Bella.

Para: Edward.

Tem uma lanchonete perto da faculdade. Podemos ir pra lá.

De: Edward.

Para: Bella.

Até que horas pode ficar?

De: Bella.

Para: Edward.

Posso ficar o dia todo. Só tenho que sair lá pras seis horas, porque às sete tenho aula.

De: Edward.

Para: Bella.

Seus pais deixam?

Foi inevitável. Teve de falar a verdade.

De: Bella.

Para: Edward.

Edward, eu fico sozinha em casa. Eles passam o dia no hospital e só chegam a partir das oito da noite.

De: Edward.

Para: Bella.

É sério isso? Por isso me chamou para ir à sua casa?

De: Bella.

Para: Edward.

Sim.

Os dois combinaram tudo. Ele a buscaria na faculdade e iriam para a casa dela. Bella decidiu não contar para ninguém, nem para as duas amigas. Estava mais nervosa pela ida dele do que com a prova. Sem dúvida aconteceria mais coisa do que beijos e abraços – fala sério, ele estava com mais de vinte anos, assim como ela. No dia anterior tiveram mais uma conversa. Enfatizou não ter nenhuma experiência nessa área, ao que ele respondeu que queria vê-la relaxada. Desejava lhe proporcionar prazer e, enquanto ela permitisse, era isso o que lhe daria.

Finalmente a espera acabou. Acordou bem cedo – o céu ainda estava bastante escuro – com a desculpa de estudar. Isso sempre acontecia, mas, dessa vez, é porque perdera o sono. Demorou a dormir, ansiosa para que chegasse logo o momento dos dois. Escolheu uma legging preta – uma que ele gostava porque ficava bem justa no corpo –, uma blusa solta no corpo, coturno preto e casaco – o tempo estava chuvoso e frio.

Ao entrar na sala de aula, acomodou-se em uma das mesas próximas à porta. Tentou se concentrar o máximo possível nas anotações, mas estava difícil. Era a primeira vez que ficaria sozinha na companhia de um homem durante o dia inteiro. Ok, no decorrer da vida surgiram meninos por quem ela se interessou, porém não deu em nada. Não tinha experiência nenhuma nessa área. Recebeu uma mensagem dele avisando que estava saindo de casa e que a esperaria na lanchonete ao lado da faculdade segundos antes da professora entregar a prova.

Saiu da sala meia hora antes do previsto. Foi até a cantina para lanchar. Logo depois se dirigiu ao banheiro para escovar os dentes. Respirou fundo três vezes antes de sair dali. Estava muito ansiosa devido ao que estava prestes a acontecer.

Enquanto caminhava, várias coisas se passaram pela sua cabeça. “E se ele não vier?” “E se eu estiver cometendo um erro?” “E se...?” Por fim, os pensamentos silenciaram ao vê-lo parado do lado de fora da lanchonete usando um jeans escuro, tênis, blusa com a estampa do Metallica, casaco grosso e uma mochila preta nas costas. Ao se deparar com a imagem feminina, um pequeno sorriso desenhou os lábios.

A recebeu com um beijo carinhoso e um abraço apertado.

— Bom dia, bebê. Como foi a prova? – indagou interessado ao se separar dela.

— Acho que bem. Não estava tão complicada.

Minutos depois chegaram ao apartamento onde ela morava. Não era longe da instituição de ensino. Os primeiros segundos foram constrangedores para ela antes de ele se inclinar na sua direção e beijá-la. Haviam se acomodado no sofá, um ao lado do outro. Não demorou a retirarem os casacos. Inicialmente foi devagar, sem pressa. Depois a exploração de ambos se dava de forma mais intensa, ao ponto de gemerem um contra a boca do outro. Como o sofá era em formato de L, ele se acomodou na extremidade, permitindo que ela sentasse em seu colo. As mãos pareciam estar em toda área do corpo dela, fazendo-a adorar o toque masculino.

Ao esfregar gentilmente um dos seios dela com o polegar por cima da blusa, indagou numa voz rouca:

— Está sentindo, amor?

Ela acenou positivamente com a cabeça antes de voltar a beijar-lhe o pescoço. A sensação ainda não era intensa ao ponto de gemer, mas apreciava aquilo. Quando os lábios dele tocaram-lhe a orelha, arquejou, agarrando-se mais ao corpo masculino.

Separou-se o suficiente para lhe sussurrar:

— Amor, se quiser geme, grita... Não prende não, tá?

Foi o suficiente para baixinhos gemidos saírem da boca da menina enquanto ela enterrava o rosto no espaço entre o ombro e o pescoço. Voltou a beijar a boca dele por longos minutos, um ósculo lento, provocante. Àquela altura dos acontecimentos conseguia sentir o membro duro entre as pernas. Teve certa dificuldade para desvencilhar-se.

— Rapidinho, amor. – pediu em um sorriso.

— O que foi?

A confusão mudou para deleite quando ela retirou a blusa, revelando somente um top preto tomara que caia cobrindo os seios. As mãos dele tocaram-lhes antes dela se inclinar contra sua boca. Não demorou muito para sentir os longos dedos envolvendo a lateral do tecido ao explorar seu pescoço.

— Posso?

Separou-se de Edward para encará-lo. Procurava em seus olhos sinais de que, de alguma forma, futuramente iria se arrepender se dissesse sim. Por fim, por não encontrar nada de ruim ou comprometedor, apoiou a face contra o peito antes de falar:

— Só abaixa.

Assim que sentiu o tecido abaixado e a pele exposta, voltou a beijar-lhe, pressionando o tronco contra o dele. Só se afastou ao ouvir:

— Deixe-me ver você, amor.

Com os lábios crispados recuou o corpo, revelando os seios.

Os olhos eram profundos ao comentar:

— Você é muito linda, amor.

A rouquidão de admiração na voz arrancou um suave sorriso de Bella.

Quando o dedo os alcançou, os ombros dela se encolheram de prazer e um arquejo escapou-lhe.

— Deita no sofá, bebê.

Acatou ao pedido. Ele não tardou para se posicionar sobre ela, as mãos alcançando-os. Bella não soube dizer por quanto tempo ficou ali, gemendo de prazer, contorcendo-se embaixo do homem. A sensação era tão intensa que por vezes sentiu uma deliciosa agonia. Perdeu a noção de tempo. Somente conseguia sentir o enorme prazer proporcionado por Edward em dois pontos específicos. Não tinha ideia do quanto aquilo lhe poderia ser prazeroso. Manteve os olhos fechados na maior parte do tempo. Nas poucas vezes que os abriu encontrou-o observando atentamente suas reações. A todo o momento era questionada da maneira que mais gostava enquanto ele mudava o jeito e a velocidade. Só lhe restava respondê-lo em uma voz grogue.

Demorou para Bella estabilizar a respiração quando voltou a beijá-la. Ao se separar dela – nesse momento se apoiava para manter-se erguido – a mão direita desceu o peito até alcançar o cinto da calça.

— Abre pra mim. – pediu em um fio de voz.

Surpreso, indagou:

— Sério?

Ao confirmar, o homem ergueu o tronco, abriu o cinto e retirou o membro da calça. Realmente não esperava que Isabella fosse envolvê-lo com a mão, nem que fosse continuar até gozar. No começou, interrogou:

— Já fez isso antes, né?

— Nunca.

Incrédulo, comentou um sorriso se formando:

— Não é possível.

Permaneceram vários minutos na mesma posição – deitado por cima do corpo feminino, de olhos fechamos. Desfrutavam no contado pele contra pele. Os dois sem roupa a cobrir-lhes o tronco e descalços. Bella distribuía beijos pela testa, acariciando as costas suavemente. Ao lado havia uma estante de mogno. Pelo vidro viu a imagem deles refletida. Queria guardá-la no fundo da mente para não esquecê-la.

Passaram um bom tempo conversando sobre diferentes assuntos. Não deixaram de dar as mãos, trocar selinhos ou acariciar o rosto do outro. Compartilhavam de um momento único, só dos dois – e nenhum deles queria que acabasse.

Se baseando nas palavras dela, perguntou:

— Sente falta de a verem assim, né?

— Como?

— Como uma mulher.

Era verdade. Passara a vida vendo as amigas saindo para encontros ou em um relacionamento amoroso – ou algo próximo disso. Ela sequer chegara perto de um. Havia colocado na cabeça que apareceria alguém que iria querê-la. Infelizmente, os anos se passavam e nada mudara. Não queria continuar solteira. Queria uma pessoa ao lado, viver algo verdadeiro. É claro, não seria perfeito. Não era sonhadora ao ponto de imaginar um conto de fadas se tornando realidade. Todavia, almejava algo sólido, verdadeiro.

Portanto, após silenciosos minutos, lhe beijou de leve.

Ao retornar do banheiro, Edward parou de pé ao lado dela.

— Podemos ir para o seu quarto, amor?

— Claro. – respondeu erguendo o top.

— Quer ser levada no colo?

— Oi?

— É. Vai querer?

— Acho que não é uma boa ideia.

— Por que não?

— Não sou exatamente a pessoa mais leve do mundo.

— Vem logo.

Antes de o cérebro processar o motivo de Edward se inclinar tanto sobre ela, a menina já estava em seus braços, sendo carregada para o quarto. Durante o pequeno caminho ria protestando – embora, é claro, tivesse adorado.

Quando a colocou na cama, o homem pensou:

— Quero ver esse sorriso mais vezes.

Aquele dia ficou gravado na mente de ambos. Houve intensa entrega dos dois lados. Compartilhavam de algo novo, especial, principalmente Isabella – ele já havia tido experiências como essa no passado, mas não com tanto sentimento, o que transformava aquele momento completamente em uma coisa única.

Encaminharam-se para a cozinha somente quando o estômago já reclamava. Ao se levantarem da cama, ele se postou atrás dela, abraçando-a. Pararam na frente do espelho do armário de Bella. O reflexo era digno de uma foto. Os longos cabelos castanhos levemente bagunçados moldavam o rosto. Um sorriso genuíno desenhava os lábios. Havia um brilho diferente nos olhos dele.

— Eu adoraria ter uma foto assim contigo no meu quarto, sabia? – murmurou Edward antes de beijar-lhe a bochecha.

Almoçaram na sala. Bella apenas tomou um suco de morango – lanchara tarde na faculdade, então não sentia fome. Ao se acomodarem no sofá, ao ver a pequena distância o qual os separava, o homem disse:

— Por que está tão longe? Vem pra cá.

— Achei que poderia ficar ruim pra comer.

— Vai, nada. Vem aqui.

Aproximou-se com cuidado. Ele descansou o braço nos ombros dela, usando uma das mãos para se alimentar. O prato foi apoiado na almofada, acomodada em suas pernas.

— Você come rápido assim mesmo ou é pra passar mais tempo comigo? – inquiriu após ver o quão rápido levava a comida à boca.

— As duas coisas.

Antes de ir embora, voltaram para o sofá, ela sentada no colo dele. Já haviam se vestido, porém ele subiu a blusa dela e abaixou o top, mantendo as mãos nos seios da menina. O toque não era mais estranho para ela.

Não queria sair, mas era preciso – em menos de uma hora começava a aula dela e os pais iriam chegar.

— Amor, vamos tornar isso sério. – pediu em um murmúrio.

— Como assim? – Bella realmente não entendeu.

— Vamos ter um relacionamento de verdade.

Após um longo suspiro, Isabella perguntou escolhendo bem as palavras:

— Será que você não está confundindo prazer com sentimento?

Encarando um ponto por cima do ombro dela, respondeu:

— Não sei, amor. Realmente não sei. – voltou a encará-la – Só sei que sinto muita saudade de você, que quero estar em sua companhia. Você me faz falta. – encaixou as mãos no rosto da menina como se tocasse uma obra de porcelana, tamanha a delicadeza, encostando a testa na dela – Não imagina o quanto sinto saudade de você, bebê.

— Eu também, meu amor. Vamos esperar mais um pouco, tá? – murmurou, aproximando ainda mais o corpo do dele, usando a destra para envolver a lateral do rosto masculino – Precisamos ter certeza dos nossos sentimentos. Não quero que nenhum de nós saia machucado disso.

— Estamos vivendo algo lindo. Não vamos nos ferir.

— A menos que conheçamos genuinamente os nossos sentimentos. – pontuou carinhosamente – Vamos esperar mais um pouco. Assim, se me propuser isso mais uma vez, não haverá dúvida.

O semblante tomou um leve ar de tristeza, mas não a contra disse. Ela tinha razão. Pena que, futuramente, alguém iria cometer um erro e ambos pagariam por ele.

Há quase dois meses não via a menina. Mais uma vez combinaram de se ver escondido. Iria passar o dia na casa dela, sem ninguém saber. O problema é que, para seu azar, a mãe de Bella ainda estava em casa. Portanto, esperava ansioso há trinta minutos numa lanchonete perto da casa dela.

Ao receber mensagem dizendo que Renée já saíra, quase correu pela rua. Queria chegar logo no apartamento dela, estar com ela... Deus, era quase uma necessidade física, a qual crescia cada vez mais no âmago. Não sentira nada assim antes. Não compreendia o motivo de a garota deixá-lo desse jeito. Ele mesmo a achava inocente, até ingênua. Só queria tê-la para si mais uma vez.

Quando Bella abriu a porta – usava um short preto curto e uma camisa solta no corpo – não esperava ser recebida em um beijo tão caloroso. Ele a puxou contra si assim que a porta foi aberta. A menina teve até dificuldade de trancá-la sem quebrar o beijo. Em um segundo se abaixou o tronco sobre o dela, murmurando:

— Vem aqui.

Não entendeu o motivo disso até segurar suas cochas e erguê-la em seguida, envolvendo as pernas femininas na cintura masculina. Atravessou a sala em cinco passos largos. Adentrou no quarto, depositando-a cuidadosamente na cama. Bella se deitou para, em seguida, Edward de acomodar sobre o corpo dela.

— Que foi, amor? – perguntou lhe acariciando os cabelos cor de cobre – Estava ansioso para ficar aqui comigo?

— Muito, amor. Muito ansioso.

Longos minutos se passaram, aproveitando do toque do outro. Por fim, ergueu a cabeça e depositou um beijo nos lábios dela, o qual se tornou mais e mais intenso.

— Senti saudade de você, amor. – murmurou espalhando beijos pelo pescoço de Isabella.

— Eu também.

Não demorou para a camisa ser retirada e ela gemer, agarrando-se contra o menino. Edward se encaminhava para baixo, até alcançar o tecido. Pôs os dedos na barra do short antes de indagar, encarando-a:

— Posso?

Após segundos de silêncio, respondeu:

— Pode.

Retirou a peça, junto da roupa íntima. Aquela tarde para os dois de forma distinta – para ela a descoberta de como é ser amada e desejada. Para ele, como era compartilhar desse momento com uma pessoa quem, de fato, o ama – foi especial. Quando pensou no assunto, imaginava que poderia sentir-se exposta perante o homem. Entretanto, para a surpresa dela, não foi assim. Não se sentiu exposta, nem medo. Apenas descobriu, da maneira mais maravilhosa e prazerosa possível, o quão lindo era partilhar de momentos como aquele. Se não era perfeito, chegava bem perto.

Às cinco da tarde Edward lutava contra o sono nos braços de Isabella. Ela o tinha pedido para dormir, mas ele não queria. Portanto, os dois se encontravam no quarto dela, a nudez coberta pela coberta roxa. Aproveitou esses minutos para pensar sobre o relacionamento – poderia chamar assim? Há cerca de cinco meses estava assim com ele. Nem soube dizer como teria começado. Várias vezes os amigos faziam conferencia por Skype. À medida que a noite avançava, um por um saía – faculdade e trabalho. Por fim, restavam só os dois. Definitivamente a questão não era estarem sem sono – ela gostava de madrugar. Já ele, meia-noite sentia sono. Gostavam de conversar, passar o tempo juntos, mesmo se fosse pela tela de um computador. Aí começavam a acontecer coisas um tanto... Curiosas.

Uma noite ela visitava outras páginas da Internet, lendo uma entrevista de Domingo Ortega, famoso nome da dança flamenca. Até esquecera-se rapidamente que Edward estava lá. Ao voltar para a conversa, o viu parado, olhando para a tela, os braços na mesa e a cabeça apoiada neles.

— Ficou tão quieto... Que foi?

— Gosto de olhar pra você.

De outra vez, se despediam às quatro da manhã – ambos tinham compromissos dentro de poucas horas. Ela, como sempre, digitara:

— Durma bem. Sonhe com as anjinhas.

Para o que ele respondera:

— Eu não gosto delas. Só quero você, amor.

Semanas mais tarde passavam o dia na casa de Alice. Ela chamou Bella, Edward, Sam e Rosalie para lá. Bella e Edward sentavam no sofá assim como os demais, assistindo Matrix. A menina começou a sentir um toque na perna tão sutil que parecia ser imperceptível. Por trajar uma bermuda maleável, havia cruzado as pernas. Passaram-se dois minutos, e, devido ao toque permanecer de vez em quando, encarou Edward, acomodado ao seu lado. Ele não desviou o olhar do filme. Então, decidiu fazer algo. Usou a mão direita para mexer nos cabelos, pousando-a centímetros da dele. Aos poucos, em movimentos lentos e pausados, quebrou a distancia até que, por fim, Edward embalou a mão dela nas suas. Passaram a tarde assim. Foi um gesto simples, mas causou forte emoção no coração de Isabella.

Por fim, não demorou até receber uma mensagem de Edward.

Eu sei que você pode não gostar de ler isso, mas me arrependo de ter dito que não queria nada sério contigo meses atrás. Arrependo-me muito, porque hoje vejo que estava errado. Isabella, estou gostando muito de você, mas estou com medo de nos precipitarmos.

Ao ler as palavras pelo celular sabia que não haveria volta. Vivia algo novo em sua vida, pela primeira vez substancial com um homem. Não queria jogar aquilo fora. Mesmo se ocorresse de se machucar ou as coisas não derem certo no futuro, não iria desistir daquilo. Em pouco tempo passou dias magníficos ao lado dele. Não conseguia distinguir se era só da parte dela, mas, por detrás dos toques, do olhar, das falas de Edward... Parecia existir algo além do desejo. Parecia haver sentimento. Bella sentia medo de acreditar nisso porque não gostaria de ter o coração partido, porém as ações dele para com ela eram carregadas de sentimentos, os quais cresciam pouco a pouco, como as sementes jogadas em terra adubada.

Quando ele pegou no sono após muita resistência para manter-se acordado, Isabella tentou se levantar para ir beber água. Ele estava deitado de lado, um braço sobre o corpo dela. Ao subir o tronco, sentiu ser puxada para baixo. Não entendeu o que acontecia no primeiro instante, mas, ao olhar para Edward, percebeu que, mesmo dormindo, foi quem a puxara para continuar na posição, ao lado dele. Não esperava pela reação. Ficou tão contente que voltou a se deitar, decidindo que a sede não era importante.

Às cinco e meia acordou Edward por meio de leves beijos no rosto, chamando-o.

— Amor, acorda.

Quando abriu os olhos, pediu:

— Bebê, vamos ficar juntos.

— Já estamos, não?

— Sabe o que quis dizer. Vamos namorar. Eu quero ter um relacionamento contigo de verdade. Já nos tratamos praticamente como namorados. Só não nos comportamos assim perto dos nossos amigos porque você não quer. Eu quero assumir você como namorada.

A menina não teve alternativa. Tinha certo receio, é claro – conhecia alguns amigos de Edward e não gostava deles, coisa que poderia interferir na convivência dos dois. Resolveu ignorar o medo e aceitar. Após segundos de silêncio, o homem a beijou ardentemente, descendo a mão até chegar entre as pernas da menina.

Consegui sair antes de o ensaio terminar. Corri para tomar banho no banheiro da escola de dança. Em vinte minutos já trajava o short azul marinho no meio das cochas, blusa rosa a qual deixava parte das costas de fora, sandália preta de salto. Passei rapidamente o batom extremamente pigmentado deixando os lábios cor vermelho sangue, máscara de cílios e lápis preto. Os cabelos caíam soltos em leves ondas.

Peguei a bolsa antes de sair apressada para encontrar Edward, quem me esperava do lado de fora.

— Oi, amor. – fui abraçada por ele, quem me beijou de leve – Demorei?

— Não tanto. – me avaliou de cima abaixo, segurando a minha mão quando começamos a caminhar – Está gata, hein.

— Ora, vou conhecer seus amigos hoje. Não vou aparecer toda acabada.

— Não é acabada, nada. – apoiou o braço nos meus ombros, puxando-me para si e depositando um beijo nos cabelos – Você é linda!

Trinta minutos depois chegamos ao destino. A casa se localizava num bairro de classe média baixa onde havia comércio aberto. Quando entrei o lugar abrigava um mar de gente. Não era tão grande ou luxuosa quanto a de Edward. As pessoas ali pareciam mais simples também. Nenhuma roupa de marca ou champanhe. Ali deveria abrigar cerca de sessenta jovens entre dezoito e vinte e nove anos no quintal reunidos em grupos. A música alta alternava entre pop, rock e ritmo latino.

Um homem alto de face sorridente, jeans brancos e camisa polo nos recebeu de braços abertos.

— Edward, meu amigo. – o abraçou – Demorou pra chegar.

— Foi por uma boa causa. – se separaram – Ela teve ensaio hoje. Estava na academia desde as sete da manhã. Conseguiu dar uma desculpa pra sair mais cedo do ensaio de sapateado pra poder vir.

— Então é a famosa Bella, né? – dirigiu-se a mim em olhos curiosos

— Sim. Prazer. – sorri tímida.

— Sou James. Garota, você é linda! Com o devido respeito, irmão, é claro.

— Valeu. – agradeci – Falou como o Michael Corleone em O Poderoso Chefão.

— Ele é viciado no filme. – contou Edward – Sabe as falas e leu o livro cinco vezes.

— É um clássico, ué! Olha, tirou na sorte grande, menina. É gente boa pra carai esse homem aqui. A casa é sua, Bella. – apontou para onde se referia – As bebidas estão na geladeira. Na mesa de lá tem uma porrada de doce. Na da ponta, salgados. Os frios logo ao lado.

— Onde a galera está? – indagou Edward segurando a minha mão.

— Conversando na pista de dança improvisada. Juntamos dinheiro pra comprar sorvete. Dica, não ignorem as moedas de dez centavos. Elas podem fazer milagres nessas situações. Se ainda não esqueci completamente a matemática ensinada na escola, vão trazer cinco caixas.

— De quais sabores? – o assunto me chamou a atenção. Sou fã de doces!

— Chocolate, creme, morango, flocos e passas ao rum.

— Engraçado... São os meus sabores favoritos. – comentei pendendo a cabeça para o lado.

— Eu sei. Ed me contou quando vinha pra cá contigo. A garota do meu amigo viria pra cá. Queríamos lhe fazer um agrado, Bella.

Fui acolhida por todos. Nenhuma menina riu irônica ou trocou risinhos maldosos quando eu abri a boca pra falar. Pelo contrário. Interessavam-se pelo o que eu tinha a dizer e me fizeram prometer que eu dançaria após Edward contar que minha vontade era ser bailarina coreógrafa.

Logo comecei a conversar com Leah, a namorada do Josh – o aniversariante. Era bastante agradável, só dois anos mais nova que eu. Era calouro da faculdade de psicologia. Tentávamos convencer nossos namorados a nos puxarem para dançar.

— Qual é, Ed. Não vai ser tão ruim. – pedi manhosa segurando-lhe o braço.

— Vamos lá, Josh! Garanto que vou fazer uma surpresinha pra você mais tarde se me acompanhar. – a outra soou maliciosa.

— Desculpa, meninas, mas não dançamos. – avisou James levando a lata de Coca aos lábios.

— Quer saber? – virei para Leah – Venha comigo. Se nossos homens não querem dançar, a gente vai sozinha pra pista de dança.

No caminho para lá, anunciei, quando nos distanciamos o bastante para eles não ouvirem:

— Só vamos fazer uma coisinha antes.

— O que tem em mente? – minha cúmplice parecia empolgada.

— Tem vergonha de dançar de maneira extremamente provocante?

— Nenhuma.

— Então vamos fazê-los se arrepender por não terem nos acompanhado.

Após pequena alteração na playlist do computador, nos encaminhamos para a pista – adicionamos Dirty, Slave for You, Buttons, Three, Toxic, etc. De imediato Naughty Girl da Beyoncé começou a tocar para dançarmos livremente. Rebolávamos, brincávamos com nossos cabelos, passávamos as mãos nos próprios corpos. Desligamos do que acontecia ao redor para curtir o momento.

Não demorou a sentirmos os olhares de nossos namorados sobre a gente. Rimos satisfeitas por termos alcançado o objetivo. Observando a expressão facial deles, além de gostarem profundamente do que viam, haviam se arrependido amargamente por não estarem ali conosco. Pelo menos, se estivessem lá, poderiam nos tocar.

Após seis músicas, devido ao calor, Leah amarrou camiseta branca em um nó, deixando a barriga de fora e escondendo os seios.

— Boa ideia. – sorri maliciosa – Farei o mesmo, só um pouco diferente.

Retirei a blusa em meio aos gritos comemorativos dela. O que impedia o topless era meu top preto decotado. Naquela altura do campeonato, os dois praticamente babavam. Edward até largou a bebida de lado, me observando em puro estado de desejo. Caso eu me aproximasse o suficiente, sem dúvida sentiria o volume extra na calça. Estavam encostados contra a parede, poucos metros de distância. Joguei a peça para o meu namorado, quem a apanhou no ar.

Depois de quase três horas dançando ininterruptamente, eu e Leah nos afastamos para beber água. No caminho fui puxada pelo braço por alguém. Por ir atrás, ela não notou meu sumiço repentino. Aos tropeços, vi quem era. Edward me levava para dentro da sala, onde estava vazio – afinal, a festa acontecia do lado de fora.

— Foi proposital, né? – me encostou contra a parede e colou os lábios nos meus.

Quando encontrei oportunidade para falar – as mãos se ocupavam dos seios enquanto beijava meu pescoço – falei entre arfadas:

— Surtiu efeito? Arrependeram-se de não estar lá conosco?

— Pra cacete. Você estava me deixando louco lá. – murmurou contra minha pele, a voz rouca.

Colocou-me no colo e subiu as escadas. Entrou num quarto vazio, trancando a porta. Havia um banheiro confortável dentro do aposento, o qual foi bem aproveitado por nós.

Saímos de lá quarenta minutos depois – desse tempo, dez usei para ajeitar o cabelo molhado, corrigir a maquiagem e ajudar Edward a se livrar das insistentes marcas de batom. Não dava para esconder os fortes arranhões nos braços masculinos, então só me restava torcer para ninguém perguntar por aquilo.

Quando voltamos para a pista, vi o exato momento em que outro casal saía pela cozinha – tinha uma nítida marca de chupão no pescoço de Leah e Josh ajeitava a camisa amarrotada.

Ao nos juntarmos novamente e observar os olhares cúmplices de nossos namorados, perguntei:

— Isso foi combinado, né?

— Sim! – respondeu numa fingida expressão de inocência.

Edward me abraçou por trás e Josh beijou a face da namorada, caindo na risada.

— Gostou da nossa escapada? – sussurrou para mim.

— Sem dúvida. Adoro momentos assim contigo.

— Te amo, bebê – disse carinhoso antes de depositar um ósculo no meu pescoço.

Virei-me para beijar-lhe a boca.

O parabéns foi cantado no pôr do Sol. James, antes de cortar o bolo, já que um coro pediu por discurso, falava:

— Quero agradecer por todos vocês aqui presentes. Sabem que o meu objetivo é na verdade reunir meus amigos de longa data. Isso vale mais do que qualquer festa: comemorar o aniversário ao lado das pessoas que estiveram me acompanhando e apoiando em meio a tantas dificuldades. Bella, foi ótimo conhecer você. Todos aqui já se conhecem uns aos outros e você foi a novata a ingressar nesse grupo maluco. Espero que tenhamos conseguido fazê-la se sentir a vontade. E é isso.

Senti minhas forças se esvaindo aos poucos. Dormir poucas horas de noite, eu precisei acordar bem cedo para três ensaios seguidos de sapateado, jazz e moderno. Além disso, passei a tarde conversando e dançando. Meu corpo já começava a pedir pelo descanso.

Às oito da noite ninguém havia ido embora – e nem eu queria isso. Sentamos em uma roda, cantando músicas lentas sob o azul escuro estrelado do céu. O ambiente era extremamente calmo enquanto Edward , acompanhado por outro menino, tocava violão. Entretanto, por me ver bocejando pela quinta vez em menos de dez minutos, Edward indagou:

— Está bem, amor?

— Sim. É só cansaço. – respondi encostada no seu ombro. Estava na posição há quase meia hora.

— Quer ir pra casa?

— Querer eu não quero, mas... Realmente estou ficando cansada. Final de ano sempre acaba comigo.

— Ok. Vamos nos despedir de James, Leah e o resto do pessoal, tá? Vou levá-la pra casa.

Levantamos e encontramos o aniversariante retornando com dois copos de sorvete nas mãos.

— James. – chamou Edward, acenando para ele se aproximar – Estamos indo.

— Já? Ah, é pra você, Bella. Leah pediu pra pegar pra você também. – entregou o copo de plástico para mim.

— Valeu! – aceitei de prontidão, já colocando de imediato uma colherada na boca.

— Sim, já vamos. Ela está cansada.

James aproveitou o tempo usado por Isabella para se despedir das pessoas para conversar com o amigo.

— Todo mundo aqui gostou dela.

— Percebi. Leah até o fez buscar sorvete pra ela. A mulher não é de dar comida assim pra alguém.

— Faça essa garota feliz. Dá pra notar o quanto se gostam. Ela é uma boa menina, irmão. Você me conhece. Sabe que sinto cheiro de gente sacana de longe. Não é o caso dela. Cuide bem da sua mulher, meu irmão, a proteja. Essa o merece.

— Eu sei, cara. Eu sei.