Sweet Disposition
3 Don't be afraid
Cap. 2 – Don’t be afraid
— Irc... – Praguejou Dorcas, torcendo o rosto ao retirar as luvas que usara há pouco. – É impressão minha ou a Prof.ª Sprout está usando plantas cada vez mais nojentas?
— Pelos menos são as mais úteis. Viu o que uma simples folhinha dessas pode fazer? – Lily retrucou, acenando com a varinha para que suas próprias luvas ficassem limpas.
— Não exatamente, mas temos você para isso. – Sofia riu. – E aí, pelo jeito está bandeando mais para o lado de curandeiro, não é?
— Bem, eu... eu realmente ainda estou na dúvida.
— Entre se auror ou curandeira? Ora, Lily, mas você ama cuidar das pessoas. Eu já quase te vejo como uma nova Madame Pomfrey. – E começou a rir compulsivamente ao levar tapa na cabeça por Lily.
— Mas ao mesmo tempo quer estar em batalhas. É isso? – Dorcas perguntou, colocando as luvas no bolso do casaco. – Olha, você pode tentar ser os dois. Se quiser, pergunto à minha mãe se existe algum auror-curandeiro ou algo assim. Deve ser útil alguém que saiba tratamentos rápidos em batalha.
— Você realmente faria isso? – A ruiva parou, perguntando com os olhos quase brilhando.
— Ué, claro.
— Ah, nossa, muito obrigada!
— Dorcas Meadowes, ajudando a achar seu futuro desde 1960. – Sofia ironizou, desviando de um novo tapa. – Agora, falando sério, você devia falar também com a McGonagall. E... pensem como será divertido nós três no mesmo canto!
— Bem, eu não vou ser exatamente uma auror.
— Ah, Dorcas, mas estará no Ministério, não estará? – Lily perguntou, sorrindo.
— Isso pode ter certeza. Nem que seja como Ministra da Magia.
— Hm, você definitivamente não vai ganhar meu apoio para isso... Tá, parei, parei. – E Sofia ergueu as mãos, rendendo-se ao notar Dorcas erguendo a sobrancelha.
E, calmamente, as três seguiram rindo para o Salão Principal, desejando um apetitoso almoço.
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— Ei, onde estavam? Não vimos vocês no final de aula de Herbologia. – Dorcas perguntou, no momento em que os Marotos jogaram-se no banco da mesa da Grifinória.
Peter tentou surrupiar um pedaço da batata do prato da Meadowes, mas ela encarou-o com os olhos cerrados, como quem diz “Se atreva...”, no que o garoto sorriu amarelo e voltou a atenção para o próprio prato.
— Fomos pegar e completar um pergaminho com algumas ideias para a seleção de hoje. – Sirius respondeu, calando-se em seguida ao começar a comer.
— Eu tenho que me lembrar de dar um beijo na Prof.ª McGonagall por essa nomeação. – James comentou, os olhos brilhando.
— Eu prefiro que não, Potter. – A voz séria da citada fez o pobre garoto congelar no banco.
— Hm, ah, professora! Estava aí? – E virou-se para encará-la, notando sua sobrancelha arqueada. – Está radiante hoje, professora, sabia? E, hm, deseja algo comigo?
— Só vim pedir para que faça jus ao seu cargo e que escolha bem seus jogadores. Já estamos ganhando há quatro anos e acostumei-me com a taça em minha sala. E Merlin sabe que o Prof. Slughorn já se exibe demais sem taças, imagine com uma de quadribol.
— Ah, pode deixar, esse ano é nossa, Minerva. – E logo empalideceu. – Digo, Prof.ª McGonagall.
No que ela assentiu e saiu calmamente.
— Devia chamá-la para ir à Hogsmeade. – Remus comentou calmamente, bebericando um delicioso suco de uva.
— Cala a boca, Moony.
— Hm, James, que horas mesmo vai ser a seleção do time hoje, hein? – Sofia perguntou, brincando com uma batata em seu prato, evitando encará-lo.
— Bem, como hoje só tem uma aula depois do almoço pra maioria e como tenho reunião de monitores de noite, ficou para três da tarde. – Depois sorriu. – Por quê? Vai assistir? O Remus e o Peter vão, deviam ir também. Vocês todas. – E, com o canto do olho, observou Lily, esperando alguma reação. Mas a mesma apenas deu de ombros enquanto continuava a comer. Segurou um muxoxo.
— Não vai comer agora também?! – Sirius exclamou, franzindo o cenho, ao notar que Sofia, como no café, apenas brincava com a comida. – Não está com alguma besteira de dieta, está?
— O quê?! Não, não, só estou pensando... – Mexeu o nariz levemente e, por fim, levantou-se. – Vou... resolver umas coisas, vejo vocês na aula.
— Não vai esperar a sobremesa? – Sirius perguntou, ligeiramente incrédulo, mas garota já saía, meneando a cabeça, enquanto ajeitava os cabelos em um rabo-de-cavalo. – O que deu nela?
No que Lily e Dorcas entreolharam-se levemente, antes de darem de ombros para Sirius e voltarem a comer.
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Lily mexia a poção dentro do caldeirão mecanicamente, sua mente vagando enquanto todos na sala concentravam-se em seus próprios trabalhos. O pesadelo, felizmente, agora parecia-lhe um momento longínquo de sua madrugada, o que a deixava muito mais relaxada. Nada como uma boa manhã de montes de matérias sendo enfiadas em seu cérebro. Boa o bastante também para empurrar para longe qualquer lembrança sobre a agradável conversa que tivera com James. Meneou a cabeça. Nada de pensar nisso, Lily, lembre-se que está relaxada. Relaxada. E suspirou, sentindo o pulso doer de tanto mexer.
— Um pouco mais de concentração, certo, doce Lily? – A voz de Slughorn fez Lily sobressaltar-se. Encarou a poção que ainda não estava na coloração correta e corou levemente.
— Hm, claro, professor, desculpe.
Quando professor se afastou, sentiu-se observada e, ao olhar para o outro lado da sala, notou Severus desviar o olhar rapidamente. Suspirou. Desde que os ânimos haviam se acalmado após a briga que tiveram no quinto ano, vinha sendo daquela forma. Olhadas de esguelha e passos apressados. Suspirou novamente. Se quiser, ele que venha falar comigo. E com um bom pedido de desculpas. E, decidida a ignorá-lo, pegou seu livro de poções, concentrando-se na poção. Vibrou silenciosamente quando a mesma atingiu a cor certa.
— Psst, Evans, preciso de ajuda. – Ouviu a voz de James na vindo da mesa atrás de si, mas olhou para Sofia ao seu lado, esperando ter apenas se confundido. Mas a Dumont apenas encarava pensativamente sua poção. – Lily, aqui, ó. – Bufou baixinho antes de virar levemente a cabeça para trás, encarando-o com o canto do olho. – O que a gente faz depois de mexer duas vezes para o lado anti-horário? – E seu olhar imediatamente recaiu para a poção de James, que estava laranja, ao invés de amarela.
— Tem no livro, Potter.
— É, eu sei, mas continua nessa cor. O que eu faço? – E arrepiou nervosamente os cabelos pretos. Lily crispou os lábios por alguns segundos, observando a poção. Suspirou.
— Você colocou as cascas de pinhão antes de mexer?
— Hã... era para pôr?! – E sorriu amarelo, no que a ruiva revirou os olhos.
Lily virou-se para frente, pôs sua própria poção em um frasco e voltou a virar-se para James. Sua mania de perfeccionismo coçando em suas mãos.
— Certo. Continue mexendo, agora para o lado horário, enquanto eu pego as cascas e as coloco e, depois, apenas um pouco dessa raiz aqui, então acho que vai consertar o erro a tempo. – E, coçando levemente o nariz com as costas da mão, começou a descascar o pinhão.
Se olhasse um pouco para cima, viria James prender o riso enquanto continuava a mexer seu poção tranquilamente, suas cascas de pinhão seguras em seu bolso.
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— Vamos? Daqui a pouco a seleção começa, quero pegar um bom lugar antes do fã-clube particular dos meninos. – Dorcas falou, revirando os olhos em seguida. Lily assentiu, rindo levemente.
— Eu, hm, vão na frente, certo? – Sofia murmurou, subitamente nervosa.
— Hm? Ah... Ah! Ok, veremos você lá. – E Dorcas piscou levemente antes de sair com Lily.
Sofia correu para seu Salão Comunal, dizendo apressadamente a senha e subindo as escadas para o dormitório feminino. Foi em direção à porta do seu quarto¹, mas a mesma foi aberta por Summer Stevens, uma garota com quem dividiam o local, que secava os cabelos.
— Hm, oi. – Cumprimentou, enquanto dava espaço para Sofia correr para dentro do aposento e começar a vasculhar suas coisas. – Vai assistir a seleção do time hoje?
— O quê?! Ah, sim, sim, você vai?
— Acho que sim. – Franziu o cenho. – Mas por que tanta pressa? – E, no momento em que Sofia virou-se para encará-la, segurando o que procurava em uma mão e a roupa que vestiria em outra, Summer piscou os olhos, surpresa. – Ah. Bem, boa sorte. – E jogou a toalha que estava em seus cabelos em sua cama e saiu.
— Obrigada... – Sofia murmurou, encarando a vassoura em suas mãos.
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O vento frio fez a pele de Lily se arrepiar e seus cabelos esvoaçarem. O frio era um pouco atípico para a época, mas não era novidade o clima dali resolver dar reviravoltas. Olhou imediatamente para cima, mas o céu estava sem nuvens, o que a fez suspirar aliviada. Observou os jogadores voando de um lado para o outro esperando o início do teste e agradeceu por estar bem sentada na arquibancada, ao invés de lá em cima, no meio do vento. Esse era, dentre outros, um dos motivos por nunca ter se interessado em jogar quadribol.
— Ah, olha, ela chegou! – Dorcas ao seu lado exclamou, batendo palmas levemente de empolgação.
Peter, ao lado de Dorcas, e Remus, ao lado de Lily, arregalaram os olhos.
— A Sofia vai tentar?! – O Lupin perguntou, incrédulo. Lily deu de ombros. – Mas... por que ela não disse nada?
— Para ter menos pressão, talvez. Eu e Dorcas ficamos sabendo apenas porque a vimos treinar sexta passada.
— E ela vai tentar para o quê? – Peter perguntou, observando a Dumont montar na vassoura, um pouco nervosa, enquanto James e Sirius iam ao encontro dela.
— Artilheira, eu acho.
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— Então era por isso que mal estava tocando na comida hoje? – Sirius perguntou, ajeitando-se na vassoura.
— Hm, é, sim.
— Ah, cara, se você passar vai ser divertido. Artilheira, não é? É bom saber trabalhar comigo. – James disse, os olhos brilhando, enquanto assanhava os cabelos da garota, que revirou os olhos, ajeitando o rabo-de-cavalo. – Boa sorte. – E saiu, olhando ao redor para saber se alguém mais viria, preparando-se para começar o teste.
— Você... nunca tinha dito. – Sirius comentou, tamborilando os dedos no taco que logo mais usaria para rebater balaços.
— Foi só uma ideia maluca que me veio nas férias. – Deu de ombros. – Se eu não passar, tudo bem.
— Ah, mas você vai.
— Não pegue leve comigo, hein?
— Eu nunca pretendi isso. – E sorriu. – Boa sorte, Sofia.
E James chamou a atenção de todos. Hora do teste.
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— Vocês viram a velocidade com que ele pegou o pomo?! – James ia dizendo, os cabelos um pouco grudados na testa pelo suor. – Isso juntando ao McDowell, que eu não fazia ideia de que era tão bom goleiro. – Começou a tirar as luvas, enquanto Sirius se atirava em uma das poltronas do Salão Comunal da Grifinória. – Nossos dois batedores já são muito bons, obrigado, e agora temos os três melhores artilheiros de toda Hogwarts.
— Fico lisonjeada, James, e pode deixar que eu fico com a humildade. – Sofia falou, arqueando a sobrancelha, mas com um sorriso de orelha a orelha.
— Ó, certo, certo. – Arrepiou os cabelos. – Escutem o que eu digo, caros grifinórios, a taça será nossa esse ano de novo. – E esticou os braços, espreguiçando-se. – Bem, vou direto para o chuveiro. Temos jantar e depois reunião daqui a pouco, com ronda logo após, não Lily, Remus? – Ambos assentiram, no que James saiu.
— Hm, alguém está afim de uma partida de xadrez? – Remus sugeriu, acenando com a varinha e fazendo com que o jogo viesse direto do seu quarto. Lily levantou-se, animada, e ambos sentaram-se em uma mesa, por sorte vazia, para jogar.
— Foi um bom teste. – Sofia comentou, observando o jogo.
— Se era para jogar daquele jeito, devia ter feito o teste antes. – Sirius retrucou, sorrindo, enquanto se levantava, no que a garota meneou a cabeça. – Bem, vou subindo também. Parabéns de novo.
Ela assentiu, antes de cansar de assistir Lily pensando na próxima jogada ou de Dorcas calmamente enfiando sua língua na boca da Peter e decidir subir também, para um bom banho. Agora muito mais relaxada.
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— Boa noite. – Dumbledore cumprimentou, quando todos os monitores sentaram-se. – Como estive ausente no começo do ano, só pude falar com vocês agora. Creio que ainda terão ronda hoje, então irei direto ao ponto. Muitos daqui acompanham o jornal ou tem pais no Ministério, estou certo? Então devem estar plenamente cientes de que o mundo lá fora não está em paz como Hogwarts. – A maioria encarou as próprias mãos. – Temo que... por uma pequena ignorância do Ministério de achar que não devem saber de tudo, o que anda acontecendo está um pouco pior do que sabem. E, como era de se esperar, comecei a me alertar sobre própria segurança de Hogw-
— Desculpe interrompê-lo, professor, mas nós te-
— Com o perdão pela minha arrogância, Sr. Potter, sim, temos a mim como diretor. Mas receio dizer que este ano infelizmente estarei um pouco ausente, devido aos meus próprios afazeres quanto ao que está acontecendo. – James assentiu, suspirando. – Felizmente, não há nada ainda com que o se preocupar com relação à escola, mas tenho que pedir-lhes para que me ajudem e aos seus professores, a manter a ordem e a segurança de Hogwarts. Não é raro, em tempos como esses, ocasionais brigas de opiniões eclodirem, ou outros tentarem a sorte andando pelos corredores à noite. Só peço que tentem evitar que isso ocorra e que tentem ao máximo se unirem e unir os outros alunos. Não queremos que ninguém de Hogwarts resolva perder seu rumo, queremos? — Alguns menearam a cabeça, outros ficaram calados, outros suspiraram. – Receio ter que ir agora, mas Filch quer lembrar-lhes algumas proibições. Ele também lhes entregará seus horários e locais de ronda. Boa noite.
E saiu, deixando um silêncio cortante na sala.
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— Ei, Carter, pode trocar comigo? – Remus chamou o aluno da Lufa-Lufa, que franziu o cenho. – Eu sei que a minha área é maior que sua, mas é que... ahn... eu tenho uma lição de DCAT para amanhã que não tive tempo de fazer. – E coçou a nuca levemente, sentindo as bochechas corarem com a mentira.
— Hm... ok. Mas fica me devendo essa, Lupin. – Falou, sorrindo.
— Claro, claro.
E suspirou aliviado ao observá-lo sair. Não sabia bem o que estava fazendo. Com o canto do olho observou Liv prendendo melhor o distintivo de monitora em seu casaco. Durante o discurso de Dumbledore, reagia a cada palavra do mesmo com admiração misturada ao que o próprio diretor expressava ao falar. Assentia, ficava séria, preocupada, resignada. Remus sentia-se culpado por quase rir em um momento tão sério. Mas o assunto era sério demais, tanto que sentia cada pêlo do seu corpo se arrepiar ao simplesmente pensar sobre, e as reações da garota lhe pareceram tão ingênuas que observá-las o fez relaxar por breves segundos. Nunca conversara muito com a garota, pois a mesma sempre fora bastante reservada, assim como ele próprio, mas agora sentia ganas de saber que tipo de menina era aquela.
Liv Baudelaire o deixava curioso.
Aproximou-se e pigarreou levemente, no que Liv virou-se para encará-lo, imediatamente inclinando a cabeça, confusa.
— Hm, oi! – Ela exclamou levemente, colocando as mechas incrivelmente pretas para trás das orelhas. – Algum problema?
— Oi, e não, não. É só que... bem, vamos monitorar em lugares próximos e pensei que... – Meneou a cabeça levemente. – Poderíamos ir juntos, já que não temos dupla dessa vez.
— Mas... se não me engano não era o Carter que ia mo-
— A-ah! É, é que ele... pediu... para trocar, já que ele... hm... gostava do lugar. – E quase bateu na testa pela mentira deslavada. Mas não podia simplesmente dizer que a achava um pouco louca e queria saber se estava certo. Ou algo assim.
— Ah, certo, então.
— Tudo bem para você? Se não quiser, tudo bem, eu acho.
— Não, não. Sua companhia é boa. – E olhou para a porta, por onde os outros alunos saíam. – Vamos?
— Claro, claro.
::
¹dormitórios com vários quartos para cada gênero. Porque, né, tem muita gente em Hogwarts e tals.
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