Notas iniciais
Me pergunto quem vai deixar de boiar.


Fragmentos da memória de um ninguém

Ele estava parado do outro lado da calçada daquela casa novamente, encostado na parede, a rua estava vazia e escura como sempre e isso era perfeito para aguardar aqueles dois. Já estava os seguindo por muito tempo, faltava pouco para eles chegarem.
Olhou para o chão não acreditando que seria obrigado a fazer aquilo, as coisas não eram para percorrer esse rumo.
Como isso foi a acontecer? Tudo era tão perfeito antes, tudo parecia tão certo...


"- ChulKwan! — ela chamou seu nome e virou vendo-a sorridente caminhando em sua direção.
— Onde está indo vestida desse jeito? — indagou observando que ela estava muito bonita, devia ficar assim apenas para ele..
— Festa no trabalho, vim aqui rapidinho ver como vocês estavam… — sorriu de forma doce.
— Belo vestido, Sabrina — sorriu seu melhor amigo.
— Obrigada, Cha… — ele se levantou a segurando pelo braço.
— Vá para casa e troque por algo decente! — mandou a encarando muito sério, seus olhos se mostravam frios e viu Sabrina tremer os lábios assustada.
— Chul.. — sua voz saiu quase sem fôlego.
— Anda! — gritou.
— ChulKwan, para. Ela está bem vestida e você não pode tratar assim uma mulher — seu amigo o fez soltar o braço dela — Vá se divertir — sorriu para garota.
Olhou o braço da garota, estava com as marcas dos dedos.
— Sa… Desculpe, eu sou um louco ciumento — machucou a garota que tanto ama, ele não era assim.
— Não faça mais isso, nós já não tínhamos conversado antes? Até outra hora — e deu as costas indo embora.
— Eu não sei o que me deu… — bagunçou o cabelo assustado com sua atitude.
— Relaxa, só controle isso, é perigoso — bateu em suas costas"

Como foi tão tolo em não perceber suas intenções antes? Lógico que a desejou quando a viu desde o começo, por isso se metia sempre e o transformava em vilão.
— Foi assim que você a conquistou, babaca! — brincou com a arma em suas mãos enquanto ria — Te mato com um tiro, dois tiros ou três tiros… — cantarolou — Ele a beijou, a abraçou e… Essa parte devo perguntar a eles!
Aí ouviu algumas vozes e reconheceu que eram as deles.
— Eu vou preparar a comida hoje, todo dia você que prepara — aquele idiota tinha já até rotina com ela.
— Claro, você não sabe cozinhar! — ela parecia feliz.
— Que? Claro que sei cozinhar, eu cozinho muito bem — não, ChulKwan sabia muito bem que seu amigo não sabe cozinhar nada.
— Seu paladar é de rato, só pode! — debochou.
— Você é um anjo, mas na hora de ofender tem a língua voltada para o mal — ele parecia nem um pouco ofendido.
— Você desperta esse meu lado — agora ele pôde ver o sorriso dela e para sua infelicidade, ela estava feliz demais.
Agora mesmo que não poderia deixar as coisas assim, de forma alguma!
— Olá — foi atravessando a rua com as mãos pro alto mostrando sua arma e quando eles o viram foram apressar os passos — Não faria isso se eu fosse vocês — mirou a arma na direção deles — Eu só quero conversar, estou com saudades dos velhos tempos!
— ChulKwan, vá embora! — o rapaz colocou a sua namorada atrás dele — Tente se acalmar e depois vamos conversar, principalmente sem essa arma em suas mãos..
— Por que sem ela? — sorriu jogando a cabeça de um lado para o outro — Ela foi minha única companhia nesses dias tão solitários — e começou a gargalhar — Sabrina, venha conversar comigo e sorria para mim..
— Só quando você jogar essa arma longe — mandou.
— Vocês estão rejeitando a minha amiga? — pareceu chateado — Assim como rejeitaram..
— Você bateu na Sabrina…
— Cala a sua boca! Céus, você se meteu entre a gente!! — destravou a arma.
— Não faça nada!! — Sabrina parou na frente do rapaz.


— Saia da frente dele! — ele tremeu os lábios segurando o choro, enquanto via aquela cena tão romântica — Você era uma garotinha tão má, você sorria pra todo mundo, usava maquiagem e deixava o cabelo solto. Se você me obedecesse seria tão fácil a nossa vida..
— Você não ver o quão doentio era o seu ciúme? — Sabrina perscrutou carregada de nojo.
— Não, eu tinha paciência. Eu deixava você ter amigos, ouvir músicas de boygroups e até mesmo trabalhar..
— Mas reclamava disso tudo.. A culpada disso tudo fui eu, devia ter cortado desde o começo, mas achava bonitinho algumas coisas, mas aí só foi aumentando e aumentando o nível… — ela estava arrependida, estava arrependida de o amar? Aquilo estava sendo doloroso demais — Só me deixe e vá, por favor…
— Eu te amo Sabrina, eu te amo apaixonadamente! — ele estava chorando, estava chorando como um idiota na frente dela e principalmente na frente daquele imbecil que sempre achou que era seu amigo.
— Isso não é amor!! — ela berrou — Isso é obsessão!
— Não dúvida dos meus sentimentos — e corrigiu sua mira e o rapaz se meteu na frente.
— Então não faça nada, se seus sentimentos por ela são verdadeiros — pausou — Não faça nada! — pediu.
— O que você sabe dos meus sentimentos? — deu sorriso e apertou o gatilho.
— NÃAAAAAAAAAAAAAOOO!!! — Sabrina entrou em desespero na sua frente, enquanto o corpo com a cabeça estourada estava caído na sua frente e ele ria.
— Cadê ele? Cadê? Morreu! — debochava.
Ela se jogou no chão chorando, chorando… Ninguém do bairro ousava colocar o rosto na janela…
— Por quê?? Seu monstro!!! — ela o olhou com puro ódio.
— Eu não sou isso, eu te amo!
— Apenas me mata, se você me ama… Por favor, me mate.. Eu não tenho mais motivos para continuar viva…
Era isso mesmo que ela queria? Ele estava ouvindo direito? Sua Sabrina não era assim, ela tinha sonhos, tinha sorrisos e tinha um brilho no olhar, onde aquela garota foi parar?
Ele esticou o braço que estava com a arma, na direção de sua doce amada...

Fragmentos da memória de um ninguém off


— Hey hey, calma campeão! — deu de cara com um homem loiro o tranquilizando.
— Eu matei alguém? -estava se sentindo sufocado e estava pingando de suor.
Tentou interromper as lágrimas.
— Não houve nenhum caso nas redondezas sobre assassinato, deve ter sido um pesadelo qualquer que está confundindo sua cabeça — bateu em seu ombro — Vamos para sala, tem um pessoal lá querendo te conhecer..
— Deixa só me ajeitar — levantou com dificuldade e foi para o banheiro, encarou sou reflexo se perguntando o que significava tudo aquilo… Nunca viu aquelas duas pessoas na vida, se bem que não lembrava de nada e os rostos estavam um pouco embaçados… — O que eu fiz? A matei?

Notas finais
Espero que tenham gostado.