Sweet Desire
43 Capítulo 40 - Ponte Mapo
Notas iniciais
Olhei para o relógio do táxi querendo saber pela milésima vez que horas eram, estava me sentindo muito amendontrada e apreensiva para encontrar logo o meu amigo, mas aquele trânsito parado e o taxista que parecia não querer deixar eu soltar em qualquer lugar da ponte, estavam simplesmente me enlouquecendo.
Observei a rua pela janela notando que estava começando a chuviscar e torci para que isso não deixasse o V ainda mais para baixo, fiquei vendo os pingos no vidro pensando no que falaria e como o ajudaria, mas minha cabeça estava uma verdadeira confusão de pensamentos.
Me assustei com o carro parando de repente e o taxista já irritado com a minha insistência de descer, mandou descer e para minha sorte era em um ponto antes da ponte.
— Onde ele deve está? — questionei saindo correndo desesperada.
Depois de um tempo de corrida comecei a me sentir muito ofegante e exausta, não tinha nem corrido por muito tempo.
Virei para trás notando que tinham poucos metros de distancia de onde soltei.
Esse é o grande problema de não ser uma pessoa atletica, nesses momentos não consegue nem fazer atividades normais como correr...
— Certo. Seja forte! — fechei minhas mãos e respirei fundo.
Comecei a correr o mais depressa que poderia, o finalzinho da minha barriga estava doendo, eu estava dando topada no invisivel e até mesmo perdi um dos meus chinelos, mas ignorei aquilo tudo.
— V! V! — gritei desesperada, mesmo sem ao menos o ver.
Eu já começava sentir minhas forças indo embora, só que continuava cerrar os punhos e tentando manter o ritmo, cada segundo é precioso.
Olhei para o outro lado e consegui enxergar uma pessoa encostada na ponte, pela cor do cabelo...
— Ai meu Deus! — parei tentando tomar folego para o gritar e por segundos que pareceram anos consegui — V! V! TaeHyung!!! — mas aquele transito estava abafando totalmente os meus berros.
Só tinha uma alternativa, não era uma boa e nem muito segura, mas era a unica maneira de conseguir impedir que ele faça alguma burrada.
Fechei os olhos e logo abri observando os carros que passavam, alguma hora deve dar.
— 1, 2, 3... — fui atravessar, mas um carro quase me pegou.
Os motoristas businaram irritados, mas o V nem sequer percebeu nada fora do normal.
— Mais uma vez... — peguei fôlego e corri.
Meu coração estava praticamente parado, minha cabeça girava e os sons das businas me davam calafrios, mas parei me segurando no bloco de concreto que dividem a pista da direita e da esquerda.
Olhei para frente e tive a certeza de que aquele era o V, estava ainda parado olhando para baixo.
— V! V! — ele nem ao menos se mexeu.
Pulei o bloco de concreto e meu coração disparou mais rápido que a primeira vez, pelo visto coisas perigosas dão ainda mais medo quando são repetidas...
— Agora — sai correndo assim que abriu um espaço e me joguei para faixa de pedestre me ralando toda — V! — me levantei indo correndo até ele.
Ficou calado vitando o nada respirando calmante.
— Hoseok tem razão, dá muito medo mesmo... — suspirou.
— V... Está tudo bem... Não precisa fazer nada- sorri tentando o tranquilizar
— Não está tudo bem... — balançou a cabeça negativamente — Eu sou um monstro.
— Não, você não é — tentei me aproximar, mas ele deu um passo para trás.
— Eu te machuquei — escorreram lágrimas pelo seu rosto — Me lembro disso, eu te tocando e você chorando... Eu te machuquei...
— Não, você não me ma-machucou — neguei.
— Eu sou o ChulHwan e você é a Sabrina — deu um sorriso tão carregado de tristeza — Eu sinto muito por ser ele... — limpou as lágrimas e nada adiantou.
— Você é o V que eu conheci, eu sou a Sulkin e nada vai mudar isso... — deixei bem claro.
— Será que não estar conseguindo entender? Eu não sou uma boa pessoa! — ele bagunçou o cabelo, dando as costas e caminhando.
— V, V — tentei o segurar.
— Me larga! — parou me olhando com raiva — Por que estar aqui? Ahm? — cruzou os braços me desafiando com o olhar — Por que? Afinal, já sabemos muito bem o que irá acontecer no final, Sabrina. Você escolhe ele e me deixa de lado, então não finja se importar comigo agora!
— Eu não sou Sabrina! — gritei.
— Não?! — riu — O que tenho que fazer para suas memórias voltarem assim como as minhas? — foi se aproximando puxando meu cabelo e me soltou de forma bruta.
— Nada, nada — abracei meu próprio corpo começando a chorar por não encontrar o V na pessoa parada na minha frente.
— Não chore, por favor não chore... — pediu parecendo perturbado — Droga! — ele se agachou e tampou o rosto — Sempre soube que era um merda, mas não a merda do próprio Hittler — chorou.
— Você não é isso.. — fui até ele me abaixando na altura dele.
— Eu sou pior do que isso... Eu.. E-eu com minhas próprias mãos... — olhou para elas enojado.
— Foi o Sr. Becker que escreveu... — o lembrei — Nada aconteceu porque você queria...
— Eu já senti por uns segundos desejo de vingança nessa vida — sua boca tremeu e me olhou nos olhos — No dia em que vi vocês dois se beijando na cozinha... Eu sou ruim como o ChulHwan, sou ele.
Bateu em seu peito aparentando querer tirar algo dali e seu choro saiu como se sua alma estivesse gritando.
— Assim que te vi, eu, eu senti que você me completava... Mas eu sabia que havia matado alguém... Eu sempre soube que não era bom o suficiente para te fazer feliz — tocou meu cabelo e minhas bochechas — Eu queria te proteger de mim, mas no final de tudo...
— O passado do livro não importa, vamos recomeçar aqui, agora — segurei suas mãos.
— Não, não... Sabrina, dói tudo... — levou suas mãos ao peito — Tudo se rasga por dentro assim que alguma imagem do passado volta... Eu prefiro morrer..
— Não! Não repita isso — fiz ele me olhar bem nos olhos — Você vai se recuperar!
— Não vou, eu sou um lixo... Eu não posso permanecer vivo, seu pai mesmo sabia disso — pareceu muito convicto.
Neguei, neguei várias vezes e ainda gritei.
— Nunca mais fale uma coisa dessas, se você morrer, eu morro junto!
— Você precisa ficar com o Chang Soo... — ele estar insistindo em usar os nomes do livro.
— Você vai ficar conosco! — deixei claro.
Ele se levantou me ignorando.
— Vamos para casa! — mandei — Vamos para casa!
Continuou agindo como se não me ouvisse.
— Vamos para casa a-go-gora! ! — berrei.
— Me deixa aqui — me aproximei dele e comecei a socar seu peitoral.
— Anda!
Tufo girou, senti meu corpo perdendo as forças e meus olhos se fechando, só que me segurei nele.
— Se mantenha bem por mim... — supliquei.
Ele ficou quieto me vitando, balançou a cabeça e logo me pegou no colo.
Gritei assustada e me segurei à ele.
— Vou te levar para casa, acho que você não tem condições de ficar andando por aí... — falou começando a caminhar.
Mesmo insistindo que poderia andar normalmente, o V mandou eu fechar de bico fechado e continuou caminhando... Mas fiquei o perturbando falando de motivos para continuar vivendo e ele ficava fingindo não estar me ouvindo.
Depois ficamos no ponto esperando um táxi e assim que um parou, teve a ousadia de tentar me despachar sozinha.
— V, V, se você não entrar nesse táxi, eu que me mato! — olhei para ele muito série e ele entrou contra gosto.
Ficamos em silêncio o caminho todo, para segurança dele fiz o impossível para ficar acordada o vigiando para ele não cometer nenhuma loucura de descer do táxi sem eu perceber.
O carro parou e só vi umas três pessoas vindo para cima do carro feito zumbis.
— Ela está ali dentro? — NamJoon questionou assim que colou a cara no vidro para poder ver quem estava dentro do táxi.
Abrimos a porta após o V pagar ao taxista e saimos.
— Meu Deus, vocês estão ensopados! — DooYoung gritou assustada — Subam logo!
— Eu só vim trazer a... — agarrei o braço dele.
— Vamos.. Vamos subir logo — fui o puxando e o Jin estava ao celular falando com alguém, parecia muito aliviado.
Assim que adentramos o apartamento nos deram toalhas e fui jogada para dentro do banheiro para tomar banho quente, DooYoung me deixou menos preocupada quando prometeu que ficariam de olho no V e assim pude tomar banho sem temer que escapasse novamente.
Durante o banho fiquei pensando sobre tudo que aconteceu, e uma coisa que tenho que admitir é que o V estar tendo desvios de personalidade, tem hora que anda falando como se fosse o ChulHwan e outras horas parece cair em si que está fora do livro. Isso que anda me causando preocupação, porque é por isso que ele anda querendo acabar com a própria vida, está morrendo de medo de que o ChulHwan o domine e faça alguma coisa ruim.
Eu preciso conversar com todos para conseguir meios de solucionar isso, mas caso nada possa ser resolvido entre a gente, acho que vou ter ocorrer para tratamento médico...
Saí do banheiro e encontrei o V admirando o quadro, o primeiro quadro que desenhei. Era uma árvore mórbida no quintal, olhar para essa imagem agora se tornou um pouco mais doloroso.
— O banheiro... O banheiro está liberado — avisei me aproximando e assim chamando sua atenção.
— Você se recorda das coisas que aconteceram nesse quarto? — indagou com olhar distante dos meus olhos.
— Sin-sinceramente, lembro pouquissimas coisas — respondi sinceramente.
Lembro dele tentando me fazer comer, me batendo ou dele cantando em um canto, enquanto ficava me encarando sorridente.
— Se você tivesse as mesmas lembranças que eu tenho, com certeza não estaria ao meu lado nesse momento — falou cabisbaixo.
— Continuaria. Sabe por que? Eu te amo — respondi segurando sua mão — Você é a minha família.
Ele riu e soltou minha mão.
— Sabe que ele não aceita isso, né? — se referiu ao ChulHwan provavelmente — E que nunca irá. Alguma hora as coisas podem acabar se repetindo...
— Mas você é o V, o meu irmão — deixei claro.
— Vou tomar banho — saiu de perto indo para o banheiro.
Eu estava tranquila, tinha tratado de retirar tudo que poderia dar ideias malucas do banheiro, assim preservaria sua vida enquanto estivesse trancado sozinho.
Depois de um tempo um outro todo ensopado chegou.
— Graças a Deus! — Suga sorriu aliviado e veio na minha direção — Tem ideia do quanto sai correndo? Acho que eu chegaria na Coreia do Norte caso não te encontrasse!
Me abraçou e beijou minha testa.
— Desculpa, eu só queria arranjar um jeito...
— Tudo bem, mas na proxima vez me chame para poder ir junto — pediu e olhou em volta — Cadê o TaeHyung? Ele está bem? O Jin falou que ele parecia perturbado...
— Você leu o livro? — indaguei.
— Ainda não, não sei se quero ler... — confessou.
— Ele está lembrando de tudo e bom, eu eu também... — só está difícil assimilar tudo e tenho certeza que muitas coisas ainda não recordo, mas é o suficiente para saber que não foram boas.
— Eu sei mais ou menos o que aconteceu... Só que tenho certeza que nunca lembrarei — é verdade, ele veio de um livro completamente diferente.
— Ele está se embolando, tem hora que age como o ChulHwan — contei — Será que devemos levá-lo para um psicólogo? — indaguei cruzando os braços.
— E como ele seria tratado de maneira adequada? O que você anda sentindo? "Estou me sentindo confuso após descobrir que sou um vilão de um livro, matei pessoas nele..." — lembrou de um detalhe muito importante.
— Verdade, só vai piorar as coisas — imaginei já o mandando para um manicomio.
— Vamos conversar com ele por um tempo e avaliando se vai se recuperando, enquanto isso vamos pesquisando maneiras de ajuda-lo.
Variás semanas foram passando e tudo continuava na mesma, o V não conseguia dormir, pois parecia muito atormentado com tudo do passado que lhe vinha a cabeça e não estava agindo como antigamente. Estava frio e distante, não gostava de conversar e vira e mexe falava conosco como se fosse o ChulHwan, as vezes chegasse ser muito assustador. Mas ainda tenho esperanças de que ele volte ser o sorriso dessa casa e ilumine a vida de todos.
Nessa madrugada, não foi diferente das outras. Acordamos com ele gritando, provavelmente teve outro pesadelo e está sofrendo com as lembranças deles.
Levantei desesperada e corri para seu quarto.
O encontrei sentado no chão, estava encostado na cama, seus joelhos dobrados e escondia seu rosto nele. Seu choro fazia meu coração se despedaçar.
— V! — fui até ele e levantei seu rosto.
— Sulkin — seu rosto estava molhado com suas lágrimas, seus olhos estavam extremamente vermelhos.
— O que foi?
— Eu não aguento mais, as lembranças, esses pesadelos e essa dor — tocou seu peito e me encarou — Me deixe acabar com isso, por favor, se você me ama...
— Não, não fale isso — agora eu estava chorando também — Não estamos todos juntos? O Suga nem se importa com o que aconteceu, ele está querendo te ver bem...
— Mas eu não estou bem... Eu não estou conseguindo, sei que estou sem fraco, mas não suporto mais.
Neguei e ele chorou desesperado.

— Eu não sou o mesmo de antes e nunca mais vou voltar... — desabafou — Por favor, deixe eu ir... É o melhor para todos.
Será que estou sendo egoísta de está o submetendo a isso tudo? Mas não posso deixar ele desistir da própria vida, eu não posso.
Fiquei o tranquilizando por um bom tempo, o Suga entrou no quarto e trouxe chocolate quente para nós dois, ficou conversando com o V e até mesmo com o ChulHwan que o ameaçava de morte. Após nosso amigo se tranquilizar, o Suga mexeu no meu cabelo e falou:
— Vá descansar agora, eu fico conversando com o TaeHyung — sorriu.
— Pode ir — V falou olhando os próprios pés.
Antes de sair vi o Suga tentando o animar iniciando uma conversa aleatória sobre coisas de homens.
Entrei em meu quarto e sentei na beira da cama, dobrei minhas pernas e abracei meus joelhos.
Eu não posso levá-lo para um tratamento médico, não adianta falar qualquer coisa, ele insiste que tem que ir embora... Preciso o livrar disso de alguma forma.
Levantei indo procurar algo que andava escondido no fundo do meu guarda-roupa e o encontrei.
E lá estava o papel dourado tão valioso em minhas mãos...
— O que devo pedir para ajudar? — me perguntei enquanto observava o vale desejo.
Fale com o autor