Sweet Desire
27 Capítulo 27 - Cobra Velha VS Arqui-inimiga
Notas iniciais
— ACORDA! — levantei assustada e quase me sufocando com a água gelada batendo no meu rosto — Preciso de café da manhã — a Sra. Min jogou a vasilha no chão e saiu.
— Cadê os rapazes? — fechei os olhos tentando controlar a raiva.
Mas dessa vez não posso ficar quieta e esperar que o V toque a campainha novamente. Preciso reagir!
Me levantei decidida, ela vai ter que me respeitar e saber que não pode sair maltratando as pessoas que estão a ajudando. Preciso agir como a Rise pelo menos por um minuto.
Respirei fundo e sai do quarto a encontrando sentada no chão e me agachei ficando cara a cara com ela.
— Escuta aqui, você não é ninguém para ficar pisando nas pessoas. Você não passa de uma verme dentro de uma roupa de marca, acha que alguém além do seu filho se importa contigo? — indaguei dando um riso de deboche com a cara dela — Ninguém. Então trate de respeitar quem pelo menos quer estender a mão para te ajudar — ela ficou calada com os olhos arregalados e puxou meu cabelo.
— Você se considera melhor que eu? — e foi jogando minha cabeça em direção ao chão — Você é uma porquinha inútil e retardada — com as minhas mãos tentei manter meu rosto longe do chão — Suga nunca ficará com uma garota como você, nunca!! — tentei me soltar enquanto ela tentava arrancar meus cabelos e a campainha tocou a fazendo me soltar.
— Oh meu… — sai correndo abrindo a porta e encontrando a Sra. Grace e o V.
— Olá Becker — avaliou o meu estado e o V passou por mim com as malas entrando logo no apartamento.
— Olá.. — falei ofegante
— Ainda não tem nenhum móvel? — ela olhou envolta surpresa.
— E-e.. eles es.. estão pa-pa-paara chegar… ainda hoje — respondi ainda não sabendo me recuperar do que aconteceu.
— Aconteceu alguma coisa? — V cruzou os braços bem sério.
— Nada, ela acabou de acordar — Sra. Min agia como se nada tivesse acontecido.
— Quem é essa senhora? — Sra. Grace perguntou ao notar outra pessoa no ambiente.
— Essa é a mãe do Suga — V contou — Sra. Min, essa é a Sra. Grace — e elas se cumprimentaram.
— Você fala inglês? — Sra. Grace ficou boquiaberta.
— Como uma nativa — se gabou.
— Ótimo. Eu queria mesmo conheça-la — mesmo com os documentos do Suga estarem constando que é órfão, ele não desmentiu a história de que ele é afilhado da minha mãe e que ela era amiga da mãe dele — Queria saber quem era mulher formidável que criou o meu querido Suga — os olhos da Sra. Min brilharam.
— Me sinto lisonjeada — sorriu — Você o conheceu como? — e elas duas começaram a conversar como duas melhores amigas.
Estou ferrada, imagine as duas se voltando contra mim.
— Vo-o-ou ir es-es-esquentar a comi..da — fui abalada para a cozinha.
Hoje vou ter uma conversa séria com o Suga e dizer que não poderei hospedar mais a sua mãe em minha casa, terei o prazer de alugar um lugarzinho o mais longe possível do meu apartamento, quem sabe no Brasil!
— Que pintura é aquela meu Deus? — V entrou muito assustado.
— Não gostou ? — me preocupei.
— Está lindo, mas me deu a sensação de que algo horripilante aconteceu — bagunçou o cabelo — Sulkin, você realmente não lembra do que aconteceu naquele orfanato? Sabemos muito bem você tem algumas marcas... — a gente não toca nesse assunto há tanto tempo.
— Eu-eu Já di-sse do que lembro! — o interrompi com a minha voz tremida.
— Você deve está lembrando de algo .. Não atrapalhe as lembranças que virem — ele pediu com calma e tocou meu braço — Sabe como qualquer memória é preciosa né? — ficamos em silêncio — Preciso ir trabalhar — beijou meu ombro e saiu.
Fiquei encarando a sopa de ontem que estava esquentando e minha mente voltando para minhas poucas lembranças
" — Sulkin, está tudo bem, ok? — ouvi a voz do meu pai — Você está segura agora com o papai"
Algumas lembranças do meu pai foram girando e aquele sentimento ruim…
Forcei a voltar para realidade, seja o que for, deve ter sido muito cruel o que meu cérebro esconde de mim, melhor deixar para sempre esquecido.
Ouvi os risos vindo da sala e desliguei o fogo notando que já tinha fervido.
— Tem uma sopa.. que o Suga com-prou ontem — coloquei a panela perto delas — Espero.. que goste..
— Só busque o resto logo, ande — Sra. Min praticamente rosnou para mim.
Levantei cerrando os punhos e fui para cozinha pegar o resto das coisas, voltei sentando perto delas.
— Está tudo bem Sulkin? — Sra. Grace perscrutou enquanto colocava sua própria sopa, era a unica coisa que ainda tinha para comer.
— Ahm? A-acho que sim — forcei um sorriso.
— Coloque para mim — Sra. Min exigiu, respirei fundo, só tenho que aguardar até o Suga chegar .. Se eu agir de maneira descuidada posso prejudicar a Sra. Grace.
— Tá bom? — perguntei sobre a quantidade.
— Chega Chega! — pegou o prato sopa das minhas mãos.
Será que ela viu a Sra. Grace como aliada e está sem a máscara por se sentir confortável? Ela era bem má perto de suas amigas também…
— Você e o Suga estão namorando? — Sra. Grace perguntou me deixando sem reação — O Peter espalhou para todo mundo que vocês estavam em um incesto.
— Q-QUE?
— Não se preocupe, ele levou bengaladas da Lisa e enviou mensagem no grupo pedindo sinceras desculpas e esclareceu o erro no mesmo dia — aposto que estou que nem um tomate.
— Mas meu filho nunca ficaria com a Sulkin — Sra. Min pareceu muito convicta ao falar.
— Tem certeza? — Sra. Grace sorriu de canto.
— Com certeza, ensinei ao meu filho o tipo de mulher que poderia ter interesse — ela empinou o nariz — A Sulkin não se encaixa em nada do que falei — apontou em minha direção me desprezando.
— Qual é o tipo de mulher que ele pode ter interesse? — perscrutou.
— Rica, bonita, inteligente, dedicada, poliglota e enfim ter todas as características que uma pessoa da alta classe deve ter — estufou o peito orgulhosa.
— Então eu já posso me candidatar? — a Sra. Grace deu um sorrisinho sacana.
— Se ele quiser é todo seu! — Sra. Min gargalhou.
— Eu só não sou poliglota — falei sem pensar e as duas me encararam — Hm… Eu te-tenho quase todas as características.. — não sou bonita, mas também não sou feia.
— Você é retardada porquinha inútil — Sra. Min deu um empurrão no meu prato de sopa o fazendo derramar em mim — Nem sonhe com essas coisas, pois farei de sua vida um inferno — se levantou saindo de perto e mesmo sentindo dor dessa vez acabo com a raça dela.
Me levantei junto com a Sra. Grace indo até aquela vaca.
— Sra. Min! — a Sra. Grace chamou fazendo-a parar no caminho.
— O que foi? — deu um sorriso mais levou um tapão na cara.
— QUE DIREITO VOCÊ TEM DE SAIR ENCOSTANDO NOS FILHOS DOS OUTROS?! — berrou e lascou outro tapa.
— ELA É…
— ELA É MINHA FILHA!! ACHA QUE ELA É SOZINHA? — e foi aí que acompanhei a briga do século e as duas começaram a se bater, foram até para o chão e gritavam ofendendo uma e a outra. A Sra. Grace sentou em cima da Sra. Min, assim que teve oportunidade e começou a dar vários tapas na cara da cobra velha.
— O que faço?? — separo ou continuo assistindo?
Decidi assistir e só separar caso a Sra. Grace começasse a perder, mais que justo isso!
— Droga — Sra. Min se desvencilhou e correu se trancando no quarto — DEIXA MEU QUERIDO FILHO CHEGAR, VOCÊS VÃO SE FERRAR! — gritou lá de dentro.
— VEM AQUI FORA SE FOR MULHER O SUFICIENTE! — Sra. Grace se levantou descabelada e com maquiagem toda borrada.
— Oh.. — dei um sorriso sem graça.
— Vem aqui também Becker — ela veio irritada na minha direção e me agarrou pelo braço — Você não pode deixar os outros te maltratarem! — e como uma mãe me deu tapas na bunda — Você está proibida de abaixar a cabeça para qualquer pessoa — continuou por um tempo e quando parou vi que estava chorando.
— Sra. Grace? — e ela me abraçou e respondi o abraço — O que foi? — me preocupei.
— Desculpe, desculpe por tudo que te causei esses anos — pediu segurando minhas mãos — Só te peço perdão!
— Claro que te desculpo, o passado já não existe — enxuguei suas lágrimas com meus dedos e nos sentamos.
— Eu prometi a mim mesma que quando a visse novamente tentaria agir o mais natural possível, mas percebi que as minhas emoções me impedem — desabafou puxando um lenço do bolsa da saia e ficamos em silêncio.
— Sra. Grace, você é a minha mãe? — perguntei como uma tola.
Só que ter a Sra. Grace me defendendo, me dando bronca, me batendo, me abraçando e principalmente me chamando de filha, deixou com vontade de ter uma mãe. De repente eu seria uma pessoa completamente diferente se tivesse uma.
— Infelizmente não — riu entre um olhar triste.
— Hm.. — desviei o olhar.
— Sabe por que eu e a Sra Lisa te maltratamos esses anos? — neguei e a encarei quase chorando por finalmente está perto de entender isso — Porque pensamos que o Sr. Becker tinha trocado a Amelia por você… Uma perfeita amante jovem para um velho rico! — rolou os olhos em deboche do que ela mesmo deduziu.
— Oh… E-eu não estou estou acreditando! — meu pai já era um homem muito idoso assim que fui morar com ele, chega a ser bizarro imaginar que elas… — Eu nunca!
— Nós fomos três velhas tolas e vingativas — murmurou.
Essa é a oportunidade que tanto queria, é a hora de saber sobre minha mãe, meu pai e a Sra. Amelia.
— VOU ME VINGAR DE VOCÊS VADIAS! — a Sra. Min cuspia seu veneno pela porta.
Me levantei indo até a porta, respirei fundo.
— VOCÊ PODE FICANDO QUIETINHA AÍ, POIS SE NÃO ENTRO AÍ E QUEBRO SEUS DENTES. PODE TER CERTEZA QUE NÃO VOU MEDIR ESFORÇOS! — para finalizar chutei a porta.
— Isso aí, hoje mesmo vamos procurar lugar para você ter aulas de auto-defesa — Sra. Grace deu um sorriso pequeno.
— Preciso de respostas — contei me sentando de frente para ela — En-tão vocês N-não conheceram minha mã-mãe? — indaguei.
— Não.. — ela suspirou — Mas a gente devia ter imaginado que era verdade a existência dessa filha.. Pois o seu pai vivia traindo a Amelia — arregalei os olhos.
— Que? — cada dia que passa mais medo sinto do que ele deveria ser..
— A Amelia era usada por ele, não adiantava a gente tentar abrir os olhos dela.. Ela só tinha olhos e ouvidos para ele.. Acreditava que um dia se casaria com ele — secou uma lágrima — Amelia ficou doente e ele simplesmente a largou de lado..
Tampei o rosto surpresa e um misto de vergonha, de decepção, de nojo e de ódio ferviam nas minhas veias.
— Um tempo depois você apareceu andando de mãos dadas com ele para cima e para baixo… E ainda teve a ousadia de ir comprar bolo.. — ela chorou um pouco — Só estávamos vendendo para animar a Amelia que estava recuperando a memória aos poucos e a amante jovem de seu grande e impiedoso amor apareceu sorridente indo comprar um pedaço…
— Des-desculpe.. — falei desesperada.
Eu machuquei a Sra. Amelia, a doce e fofa Sra. Amelia…
— Você não sabia.. — ela tocou minha mão me tranquilizando — Por isso joguei milho de pipoca em você — agora faz muito sentindo..
— Como descobriu que sou filha do Sr. Becker? — perscrutei.
Será que um dos rapazes abriram a boca? O Suga sabe da história toda?
— Estava necessitando de um advogado novo e em uma mera coincidência encontrei o do seu pai, aí ele em meio a uma conversa contou que não cuidava mais dos bens da filha do Sr. Becker e eu irritada o mandei para com o fingimento.. — pausou — Aí ele contou que você era filha dele mesmo e que você foi criada em um orfanato desde que nasceu, que seu pai fez de tudo para encobrir sua existência..
— Ele contou, que houve um acidente no orfanato e tive que passar a morar com ele...
— Essa foi a parte que me assustou… peguei o nome e o endereço do orfanato, pois queria descobrir informações sobre sua mãe.. — ela corou — Eu tive curiosidade de saber quem era a mulher que o terrível Sr. Becker permitiu conceber um filho dele! — a encarei confusa.
— Co-como assim? — indaguei.
— Quando a Amelia estava com 16 anos, ela ficou grávida e ele a obrigou tirar a criança…
— Oh não! — no meu próximo pesadelo, eu o arrebento se tiver a ousadia de aparecer.
— Eu entendo que a sociedade em 1952 era bem diferente…
— 1952? — a carta que o meu pai pedia desculpas por ter a obrigado fazer algo, era sobre isso então..
— Sim, ele tinha 15 anos na época… Mas já apresentava ser o doente e manipulador de sempre.. — pareceu lembrar de tudo que a Sra. Amelia passou — Voltando ao ponto.. Por essa curiosidade de conhecer essa mulher, contratei o detetive que minha filha havia contratado um tempo atrás e entreguei as informações..
— Ele encontrou o local? — perscrutei nervosa.
— Sim.. O local está todo destruído, acho que houve algum incêndio, algo do tipo — ficou pensativa e parecia em dúvida de algo — E tem algo à mais para te contar, eu não sei se devo, mas acho certo contar …
— Fale! — pedi desesperada.
— É que não era um or... — a campanhia começou a tocar freneticamente.
— Ah não! — reclamei.
— Teremos tempo o suficiente para terminar essa conversa querida, vá atender — contra gosto me levantei indo atender, e eram o V e o Suga.
— Vo-vocês não estavam ocupados? — indaguei perdida.
— Vocês estão horríveis! — V falou ao entrar e notar o nosso estado.
— Onde está a minha mãe? — Suga perguntou parecendo muito irritado.
— Suga, Suga! — ela saiu correndo do quarto e o abraçou desesperada — Ainda bem que você chegou! Olha o que essas duas fizeram comigo.. — mostrou seu cabelo desgrenhado e seu rosto e braços marcados — Elas se ajuntaram... — ela parou notando que ele estava muito sério.
— O que significa isso? — e mostrou seu celular para ela.
"- Aquela retardada ainda está dormindo? Aquela desgraçada, ela acha que é o que?" o vídeo ficou silencioso por um tempo e meu grito foi ouvido seguido por um barulho de algo caindo no chão.
— Isso foi o meu jeito de me vingar.. Assista o resto do vídeo — mandou.
— Já assisti — e depois ouvi minha voz a intimidando e depois nossa gritaria..
— Viu como ela tem me tratado? Cuidado com ela, é uma cadela dissimulada!! — apontou na minha direção e a Sra. Grace me abraçou mostrando que estava na minha defesa — Aquela velha me agrediu do nada!
— Eu assisti tudo que o celular TaeHyung filmou nessa manhã.. — contou
— Meu jeitinho de contar — V sorriu.
— E percebi que a única dissimulada aqui é você — fiquei boquiaberta, o Suga do livro a idolatrava tanto que demorou séculos para aceitar algo que estava na sua cara e nesse video, eu fui má.. Seria uma boa maneira de aceitar qualquer coisa que ela falasse.
— Ela que é ..
— A única que agiu como se tudo tivesse ótimo foi você — respirou fundo -E eu já briguei tanto com a Sulkin para saber muito bem que ela está imitando um personagem idiota do seu livro... E já tinha desconfiado de algo ontem quando vi a marca vermelha no braço dela, só não quis mesmo acreditar que você teria coragem de fazer algo assim!
— Suga..
— Eu te interno ou te mando morar de novo em um abrigo? — ele tentou parecer frio, mas estava muito decepcionado.
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