Sweet Desire
23 Capítulo 23 - O dia da mudança chegou ...
Notas iniciais
Os últimos dias foram um pouco solitários, já que Suga e V começaram com os compromissos do trabalho e na maioria das vezes estavam fora de casa. Então só restava a Pooh para me fazer companhia, só que a única coisa que ela fazia era ficar deitada na janela esperando o Suga chegar.
Hoje é o dia da minha mudança e só de ver minha mala pronta deixa meu coração apertado. Esses dias foram tão bons aqui, o Suga continua implicando comigo, mas de uma maneira diferente do costume e o V voltou ao seu normal, só explicou que estava cansado demais aquele dia e ficou confuso. As coisas estavam indo muito bem, até que o dia da minha mudança chegou.
Respirei fundo vendo que nunca mais me acostumaria ficar sozinha.
Então tratei de começar a carregar minhas coisas para a portaria, assim a única coisa que vou ter que me preocupar é lembrar de chamar um táxi.
Foi quando meu celular começou a tocar.
— Uma ligação! — é difícil receber uma ligação sem ser do V ou Suga zombando por adivinharem minha alegria ao ouvir meu celular tocar.
Não tenho culpa de ter sempre a esperança de receber uma ligação dos meus outros poucos contatos.
— Alô?
"Sulkin? Sou o NamJoon" não evitei um sorriso.
— Oi NamJoon, como vai?
"Vou bem e você?" questionou.
— Estou… — com coração partido por essa mudança — Bem..
"Você está ocupada? Estou precisando tirar umas dúvidas do livro e gostaria de te encontrar"
— Ahm… B-bom só estou em uma pequena mudança… — qual seria sua curiosidade.
"Ah, o seu amigo V me contou que ia se mudar… Eles estão trabalhando no momento, tem alguém te ajudando na mudança?"
— Na verdade não..
"Pode me passar o endereço para poder ir te ajudar? Assim eu posso aproveitar e tirar minhas dúvidas"
Fiquei indecisa por alguns segundos.
— Posso sim… — e lhe passei o endereço.
Por cerca de meia hora ou quarenta minutos depois o NamJoon já estava aqui sendo gentil em me ajudar a levar os meus pertences para a portaria e ainda insistir trazer também para o meu apartamento.
— Você é pintora? — ele perguntou colocava os meus matérias perto do resto das coisas.
— Não, vou… tentar me tornar uma — respondi tentando parecer confiante.
— Boa sorte com isso — sorriu.
— Obrigada — agradeci em coreano.
— Bom, melhor eu tirar minhas dúvidas logo… — respirou fundo assim que sentamos no chão, eu tenho poucos pertences e os elevadores facilit muito.
— Espero... Ajudar a tira-las…
— Por que a fada apareceu para você? — questionou.
— Essa pergunta não tem… não tem uma resposta. Ela apenas apareceu dizendo que precisava concertar um erro e me deu rápidas explicações… — pausei tentando lembrar mais de algo — Não tem tanta importância.. Tinha aparência de uma criança..
— Ela disse o que tinha para concertar? — perscrutou.
— Bom.. Não..
— Você me desenhou também ou só sabe quem sou eu por conta do Jin e do Suga?
— Tenho desenhos seus — respondi — Se quiser eu te-te mostro.
— Não vai dar trabalho? — perguntou receoso.
— Está… está em uma caixa separada — procurei no meio dos pertences e encontrei — Aqui — entreguei uma pasta.
Separei uma pasta só com os desenhos dos outros personagens, porque eu tenho centenas só do Suga.
— A Sra. Min parece irritante até nos desenhos — observou e concordei, a mãe do Suga é uma cobra peçonhenta, só que Suga a idolatra no livro — Woow… — ficou boquiaberto quando mudou a página — Ela é perfeita!
— Ahm.. — tentei dar um sorriso.
Ele tocou o rosto da Rise.
— Essa com certeza não conheço… Qualquer se apaixonaria por ela, quem é?
— Ninguém importante… — passei as folhas dos desenhos dela mesmo com o NamJoon querendo impedir.
Isso é sintoma de inveja? Eu não queria me sentir tão inferior, mas é impossível não me comparar a beleza da Rise, ela é o cisne e eu o eterno patinho feio. Mesmo não me considerando uma pessoa feia, perto dela me sinto muito feia.
— Noto que não tem desenhos de todos os personagens… — comentou após terminar de ver os desenhos.
— Digamos que alguns acabam parecendo com algum artista ou algo do tipo… Por isso os personagens totalmente originais são únicos que têm desenhos — expliquei.
— Eu estou lendo o livro e estou gostando… Você escreve bem — contou após uma pausa.
— O-obrigada — dei uma sorriso enorme, ter um de seus personagens elogiando a história não é algo que sempre acontece.
Ele ficou por um tempo, tomamos cerveja uma latinha de cerveja juntos e logo foi embora. Acho perfeito como ele e o Jin são pessoas incríveis, quem namorar com um deles têm que me presentear sempre que puder.
Peguei meu celular e me esforcei em lembrar onde o V ensinou que dava para ouvir música, achando escolhi o álbum da Arábia que costumo ouvir e fiquei dançando enquanto arrumava meus matérias de pintura.
O V sempre faz que detesta essas músicas e que sou estranha por gostar, mas sempre acaba dançando comigo e já tentamos descobrir as traduções, mas nada fazia sentido. Então decidimos apenas sentir as músicas…
Respirei fundo olhando a tela e depois de um bom tempo sem ter idéia do que desenhar, decidir desenhar uma árvore que tinha no quintal do orfanato. Não era uma das melhores opções de desenho, pois era morta e combinando com o cenário cinzento e sombrio do quintal, não era uma das melhores visões. Mas uma das poucas lembranças que tenho de lá é de ficar olhando para ela através da grade da sala de castigo.. Ela era minha única companhia naquele lugar frio.
Senti um desconforto na cabeça, que ameaçava uma dor e subiu um calafrio.
Balancei a cabeça impedindo forçar a memória e comecei a fazer o molde dela na tela, assim que terminasse ia ler a revista que explicava como tingir as telas.
Minha primeira tela tem que ser uma original, depois treino com as do livro, mas a primeira tem que ser única.
Passando um tempo o meu celular tocou e corri até ele, atendi logo ouvindo a voz alegre do V.
"My lady, abra a porta, tenho uma surpresa além da minha magnífica presença"
— Você está aqui? — sorrir feliz por não está mais sozinha.
"Não somente eu!" e desligou.
Corri até a porta e abri encontrando V e o Suga com sacolas, dei espaço para entrarem.
— De novo agindo como solteirona esquisita? — Suga olhou envolta e foi até o meu quadro — Ainda está no começo, o que é?
— Uma árvore — respondi pegando as sacolas e colocando no chão.
— Faltam as folhas né? — V parou o lado do Suga.
— Acho que deve acrescentar depois que espalha a cor e depois que faz os detalhes — Suga falou apontando para tela.
— A árvore é morta — contei.
— Entre tantas coisas tem que ser justo uma árvore morta? — V perguntou abismado.
— Eu gosto dela — as vezes sonho com ela tendo uma pequena oração sussurrada.
— Quando terminar me mostre — Suga pediu e assenti.
— Compramos comida, você não queria provar algumas comidas coreanas? Fiz questão de comprar algumas que você citou — V sorriu empolgado mexendo nas sacolas, arrumando as coisas.
— Tenho cervejas na pia da cozinha — lembrei assim que vi ele mexendo nas latinhas de refrigerante.
— Você ia comemorar sozinha? — V pareceu confuso — Você não levou a sério aquele dia que não fui comemorar contigo né?
— Não.. — agora não mais, encontrei a fada graças à isso.
— Comprou algo para comer já? — Suga questionou.
— Ah não, o NamJoon… me me ajudou com a mudança e trouxe cervejas junto — respondi.
— É mesmo? — ele cruzou os braços — Ele não deu de Jin né? — corei.
— Ahm? N-não! — sai da sala indo para cozinha e peguei as cervejas — Aqui, tem mais lá..
— Para que tanta cerveja? — V se assustou.
— Parece que o dono do mercadinho… onde o NamJoon trabalha lhe deu bastante — abri a cerveja e bebi um gole.
— É lerda para um monte de coisas, mas para encher a cara é bem esperta… — Suga comentou me acusando.
— Pelo menos em algo ela tem que ser normal — V riu começando a comer.
— Hey! — reclamei dando um tapa na sua perna.
Comemos conversando sobre assuntos banais do dia-a-dia e eles discutiram sobre quem ia decorar o apartamento, fiquei assistindo a discussão enquanto comia.
— Os dois decoram — me levantei para levar a sujeira que ficou para a pia e o Suga foi junto.
— Já já vamos embora, está ficando um pouco tarde — aposto que ainda nem são dez horas.
— Mas já? — fiz beiço birrento
— Não faça essas coisas, são irritante — mandou.
— Que coisas? — cruzei os braços, de novo ele com essa implicância de falar que tudo é irritante em mim.
— Esse beiço, seu sorriso… São irritantes — implica até com o meu sorriso.
— Eei.. Eu achando q-que estávamos nos nos dando bem — reclamei tentando evitar de fazer beiço — Pois conseguimos a-até conversar normalmente… Pensei que queria ser o me-meu amigo.. — talvez conseguiria viver em friendzone eterna numa boa.
— Isso não é o suficiente para mim — rolou os olhos parecendo cansado de me lembrar disso.
— O que é então? — encarei determinada — Já estou enlouque-que-quecendo com isso…
Minha mente às vezes segue a lógica de que ele não gosta de conversar comigo e por isso diz que não é o suficiente para o conquistar; tem hora que surta achando que é coisas impróprias, mas mesmo que pareça, para quem tem a Rise como seu tipo ideal, é bem difícil acreditar que seria logo comigo e ele mesmo deixou bem claro que nunca ocorreria… Enfim, são tantas coisas que passeiam pela minha cabeça que é melhor tirar a dúvida de uma vez por todas.
— Acho que você não vai gostar muito — foi sair da cozinha em uma tentativa de fuga do assunto que ele sempre trás à tona.
— Por favor, o que é? — olhei em teus olhos e apertei os labios sentindo medo dele falar novamente que me detesta.
— Droga Sulkin — foi tão rápido que ele me sentou na pia, segurou minhas mãos e me encostou na parede

— Me bata daqui à cinco minutos — e me beijou.
Diferente do meu primeiro beijo, nesse senti uma sensação tão gostosa, aquele frio na barriga, o corpo ficando todo derretido e ansiando por mais e mais.
Como consegui viver esse tempo todo sem saber o quão bom é os labios do Suga? E essa língua?
Sempre quando ouvia falar de beijo de língua, achava estranho, mas não é… É muito bom.
— Por enquanto isso dar para o gasto — ele afastou um pouco ofegante.
— Ahmm.. ahn? — não sei porque arrisquei um pequeno sorriso sem mesmo fazer ideia do que ele falou.
— Acho que não passou cinco minutos… — e me beijou novamente...
Dessa vez não segurou minhas mãos, e ocupou as suas para tocar meu corpo. Por que estou como se estivesse fervendo a cada toque? Que urgência essa do meu corpo de sentir suas mãos?
O abracei pelo pescoço e me aproximou dele, estávamos ofegantes, só que não tínhamos a intenção de parar para respirar com calma.
E espero muito que esses cinco minutos durem uma eternidade...
— Yoongi! — V o gritou da sala nos fazendo parar, esqueci que ele estava aqui também.
— Depois você me dar o tapa — e saiu.
Pisquei os olhos olhando para o nada, logo toquei minha boca e arregalei os olhos.
— E… — não sei o que falar e nem como vou conseguir descer da pia do jeito que minhas pernas estão bambas.
O que acabou de acontecer? Isso não foi uma alucinação né? O Suga me beijou mesmo? O Suga beija mesmo dessa maneira?
Nunca mais vou conseguir olhar para aquela boca normalmente, agora já sei o que ela pode fazer…
— E-ele.. — ele me apalpou...
Ele é muito safado, não o escrevi tão quente assim no livro… O livro já não faz nenhum sentido no momento, preciso descer dessa pia.
Desci e molhei meu rosto, me abanei tentando recuperar logo, depois de um bom tempo voltei para sala vendo o Suga e o V debatendo sobre as cores do apartamento.
— Estava fazendo o número 2 ? — V indagou assim que me viu.
— N-não.. — meu rosto queimava de vergonha, preferi nem olhar para o Suga, pelo visto não sei disfarçar o fato de está afetada pelo beijo.
— A gente entende, somos adultos o suficiente para compreender que mulheres também cagam — deu um sorriso compreensivo.
— Mas eu…
— Não fique tímida.. — V é um idiota — Eu e o Suga estamos conversando sobre as cores do seu apartamento… — olhei disfarçadamente para o Suga e ele me encarava, como pode me olhar assim depois daquilo?
— Escolhi como sempre as melhores opções.. — e ele jogou lenha em uma nova discussão sobre a decoração.
Não demorou para os dois irem embora me deixando olhando para a tela onde continha o esboço da árvore morta.
— O que seria o verdadeiro su…suficiente?
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