Sweet Desire
21 Capítulo 21 - O dia inteiro ao seu lado
Notas iniciais
Quando deu umas nove e pouca da manhã o apartamento ficou silencioso, deduzi então que não estaria ninguém em outros cômodos e eu poderia comer alguma coisa, beber ou até mesmo ir ao banheiro me aliviar.
O que menos quero no momento é me encontrar com o V e principalmente o Suga pelo apartamento, seria muito constrangedor.
Então com todo cuidado abri a porta e não vendo ninguém no campo de visão, sai e fui caminhando em passos cautelosos.
— Finalmente saiu do quarto ein! — o Suga me fez dar um grito de susto.
— Ai meu Deus! — coloquei a mão no peito.
— Não exagere… — rolou os olhos.
— Ca-cadê o V? — indaguei sem olha-lo nos olhos.
— O idiota do Jin o convidou para passear e foi todo empolgado — respondeu dando de ombros — Está querendo falar com ele sobre o quê?
— Nada…
— Algum segredo novo compartilhado? — perscrutou.
— Ah? N-não… — meu rosto queimou de vergonha.
— Vai fazer alguma coisa hoje? — indagou depois de dar um longo bocejo.
— Não…
— Eu estou querendo dar uma volta por aí, mas nesse frio é ruim ir sozinho, quer …
— Quero! — respondi rápido demais?
— Certo, te aguardo para irmos — e saiu de perto com a Pooh como sempre o seguindo.
Fiquei um bom tempo absorvendo o que acabou de acontecer, seria esse meu segundo encontro? Acho que minha mente anda fértil demais...
Corri para o quarto abrindo minha mala procurando algo legal para vestir, mas notei uma coisa, não tenho nada agradável! Praticamente todas as minhas roupas foi meu pai que comprou e tem aquela cara de gosto de velho mesmo.
— Fui sempre tão largada assim? — me perguntei abismada.
Como nunca notei isso? Uma única roupa legal para sair, o resto tudo modelo antigo e não quero ir de novo com o vestido do meu primeiro encontro ou de moletom… Agora tudo faz sentido, as pessoas me olham estranho de primeira por conta do meu jeito de me vestir.
— Sou uma tonta! — reclamei.
Tentei pegar a melhor combinação que pude e fui para o banheiro me preparar.
Após um bom tempo tentando fazer um verdadeiro milagre fui para sala morrendo de receio do Suga fazer algum comentário sobre minha roupa, mas para a minha alegria ele apenas levantou do chão e disse:
— Vamos logo — e fomos até a porta e a Pooh tentou ir conosco — Hey, hey, está nevando lá fora, quando o inverno ir embora te levo — e a colocou para dentro e fechou a porta.
— Você agora conversa com a Pooh, não a… a manda sair de perto mais — observei.
— Ah, agora ela é a minha gata, preciso conversar — justificou.
— Sua gata??
— Sim, está achando que vai leva-la contigo? — paramos na frente da porta do elevador o aguardando.
— Sim…
Ele riu.
— Para ir morar com um Peter da vida de novo? Melhor ficar comigo — decidiu o destino da Pooh sem consultar a dona.
— Mas eu sou a dona dela — o lembrei.
— Precisamos recorrer a justiça? — arqueou uma sobrancelha e entramos no elevador.
E segurei sua mão e ele me encarou surpreso.
— O V me fez assistir um filme de um elevador que pifa e era muito assustador — dei um sorriso amarelo.
— Ah.. — e ficou quieto.
— Onde nós vamos? — perguntei curiosa.
— Só pretendo andar — deu de ombros.
— Você se inco-comoda… de me levar… para.. para comprar roupas novas? — olhei meus pés.
— Fazemos isso por último, acho que você não vai aguentar carregar as sacolas sozinha por muito tempo — respondeu.
Assenti e depois de pensar um pouco percebi algo.
— Só eu carrego??
— Lógico, não são minhas compras… — saiu do elevador na minha frente.
— Precisa ser tão mal? — perguntei o seguindo.
— Eu não quero me cansar, sabe que já já início as minhas atividades e preciso evitar excesso de trabalho .. — suspirou mostrando cansaço.
— Você ainda não fez nada — e a minha cabeça foi abraçada.
— Shh você não sabe como o meu corpo funciona — deu um ar misterioso e me soltou — Estou com fome, vamos em uma lanchonete.
— Em Myeongdong? — indaguei.
— Não, por aqui mesmo.
Andamos só um pouquinho até que decidimos comer fast food em uma loja de conveniência mesmo.
— Sabe o quanto eu detesto essas lojas? — Suga contou enquanto estava abrindo a latinha de refrigerante.
— Por que uma delas ocupou o lugar da empresa? — não pude evitar o riso.
— E isso é engraçado para você? — me encarou sério.
— D-desculpa — dei língua e abaixei a cabeça começando a comer minha lasanha.
— Apesar de você ter diminuído na gagueira, não deu para não notar que antes você não gaguejava falando comigo… — aposto que fiquei corada.
Respirei fundo.
— Antes eu pensava que você era uma doença… Depois que percebi que estava lidando com uma pessoa, foi quando a timidez tomou conta — expliquei ocultando que na realidade era porque tenho uma quedinha por ele.
— Por que tem tanta dificuldade para se comunicar com outras pessoas?
— Defeito de personalidade, algo devia não ser perfeito em mim né — brinquei e ele rolou os olhos.
— Me responda uma pergunta — se encostou na cadeira e me encarou — O quanto você acha que é rica?
— O suficiente para ter uma vida digna — respondi mesmo não entendendo no que essa resposta lhe servia.
— Hoje mais cedo estava olhando os documentos que o advogado do seu pai entregou e tive a noção de que você não tem a mínima ideia do quão rica é — começou a comer sua lasanha.
— Pode me dá uma ideia do quanto sou? — perscrutei.
— Está vendo essa lojinha? — assenti — Você pode comprar umas duzentas dessas e ainda sobrará dinheiro para viver sem nunca precisar trabalhar — fiquei boquiaberta e logo retirei pensando em algo que anda me incomodando — O que foi? Não era para estar feliz?
— Eu não tenho… Não tenho nenhum .. nenhum objetivo de vida. Isso anda me incomodando — desabafei.
— Por que não pública aquele livro idiota?
Suspirei contando até 10 ignorando o "idiota".
— Não acho justo… publicar.. E…
— E e? — arqueou uma sobrancelha.
— Perdi a vontade de escrever — abaixei a cabeça.
— Achei que adorava fazer isso.. — contou.
— Eu também, acho que sou uma autora com um único livro… — mexi na latinha.
— O que você gosta de fazer? — indagou parecendo querer ajudar — Você poderia vender aqueles trecos que você chama de desenho do Jin e dos outros personagens
— Como sabe que eu o desenhei?
— Como o V reconheceria se não tivesse desenhado? — faz sentido.
— Acha que dar certo.. Eu desenhar? — resolvi pedir sua opinião.
— Lógico, compre umas telas, tintas e pincéis e faz algumas artes. Você já é podre de rica, não tem nada a perder! — fez positivo com as duas mãos.
— Vou tentar — tomei o refrigerante já pensando se a ideia me satisfaria.
— Só não pinte um galpão em uma terreno baldio esquisito — orientou me fazendo rir.
— Ainda lembra daquilo? — perguntei surpreendida.
— Claro, parecia cena de filme macabro — fez careta — É verdade mesmo que você e o TaeHyung se beijaram? — me engasguei com o pedaço da lasanha e o Suga teve que me ajudar batendo nas minhas costas.
Recuperei-me tomando o refrigerante do Suga, pois o meu já tinha acabado.
— Então se beijaram mesmo?
— Hm.. Bom bom.. O V veio, veio com es-essa ideia doida de que tinha que ter a certeza que nunca ficaria com ciúmes de mim com ninguém à ponto de terminar em tragédia e me deu um beijo.. — contei muito envergonhada.
— Você gostou do beijo? — me olhou nos olhos.
— Foi estranho.. — rir — Também foi o meu primeiro beijo, não tenho como com…parar! — arregalei os olhos percebendo as minhas palavras.
— Que?! — ele também — Onde você viveu esse tempo todo? Como pode ter beijado apenas agora?
Desviei o olhar me sentindo muito sem graça.
— Eu… Eu fui criada a a vida inteira em um orfanato no meio do nada — contei dando um sorriso para mostrar que não tive uma vida ruim.
— Eu não sabia, desculpa — pareceu sincero — Tem muitas coisas sobre você que ainda não sei..
— Digo o mesmo de você.
— Então vamos fazer um jogo de perguntas — propôs.
Ignorando o fato de que eu não tinha quase nada para responder, foi legal ficar sabendo das coisas que aconteceram antes do livro. Claro que o ponto de vista do Suga era tudo chato, irritante, desnecessário e cansativo, mas era óbvio que ele sentia falta e amava sua vida.
— Para onde vamos agora? — perguntei depois de um tempo caminhando.
— Vamos em uma galeria, lá tem lojas de roupas e de quebra uma de arte, assim compramos os materiais e você já vai treinando — segurou meu pulso para atravessar a rua juntos — Quando você for andar pelas ruas de Seoul, sempre fique atenta, os motoqueiros costumam invadir as calçadas e as faixas de pedestres.
— Vou me lembrar. A polícia não faz nada contra isso?
— Ainda não sei porque — e tinha uma área aberta com árvores cobertas de neve e o chão estava branquinho — Ooh isso me lembrou Londres — sorri.
Adoro quando as ruas ficam branquinhas de tanta neve.
— Para cortar caminho vamos por esse parque — avisou me guiando.
— Está meio funda — meus pés estavam afundando e deixando minha pegada.
— Espero que não esteja mais já pra frente — desejou e parei pensativa.
— Aqui não tem lago né? — quis tirar logo a dúvida.
— Não que eu me lembre — deu de ombros e continuou a andar.
— Então vamos dar a volta por fora, não quero correr o risco que um de nós dois caia em um lago e morra.
— Fique em uma boa distância de mim, qualquer coisa só eu caio — continou seu caminho.
Dar tanta raiva quando ele mesmo fica desfazendo da sua existência, que sem pensar duas vezes peguei um bolinho de neve e taquei em suas costas.
— LARGUE DE SER UM IDIOTA!
— Por que está estressada? — ficou confuso, porém tacou uma em mim também.
— Você de novo agindo como se não fizesse diferença a sua morte — peguei mais um bolinho e tacando nele de novo — Ame está vivo!
— E você fique mais confiante sobre si mesmo! — jogou outra em mim e começamos a jogar um no outro.
— Não jogue forte! — pedi tentando correr o mais rápido possível dele e jogou em mim, de reflexo taquei uma que bateu em seu rosto e primeira vez consegui acertar sua cabeça.
Comecei a gargalhar e pular, olhando sua cara de tacho. Até que ele correu em minha direção me jogando no chão e riu.

— Idiota — me deu um peteleco — Lógico que não quero morrer.
— Acho bom — dei um sorriso, um tentou fazer o outro comer neve e ficamos nos encarando cansados.
— Vamos fazer logo nossas compras, quero chegar logo em casa e descansar — se levantou ajudando me levantar em seguida.
Mal chegamos na galeria, o Suga já me empurrou para uma loja de roupa feminina.
— Qual estilo de roupa você gosta? — perguntou assim que me viu confusa do que comprar.
— Algo que não pareça… que meu pai comprou e que me deixe esquisita — respondi mostrando que não tenho um estilo.
— Certo — parou para pensar — Vamos fazer assim, eu escolho dez conjuntos de peças e você também, aí depois vemos as que você mais gostou e que ficou bem, claro. — assenti.
A tarefa foi um pouco demorada, mas logo estava no provador tirando e colocando conjuntos indo até o Suga mostrar, consegui até ouvir a trilha sonora de um filme que assistir com meu pai, se não me engano o nome dele é "Uma Linda Mulher"
— Pretty woman, walkin' down the street
Pretty woman, the kind I'd like to meet — cantarolei enquanto me olhava no espelho do provador.
— Eu estou ouvindo sua voz daqui! — levei um susto com a voz do Suga.
Preferi apenas fechar o bico.
[Horas depois]
— Não exageramos não? — perguntei para Suga percebendo que tinha muitas bolsas e para a minha felicidade, ele estava ajudando a carregar.
— Não. Você vai precisar calçar algo com as roupas e usar acessórios, então isso tudo é necessário — respondeu logo — A loja que falei — apontou para uma loja de materiais de pintura.
— Tinha até me esquecido — e entramos nela.
Lá dentro tiramos dicas sobre os materiais que íamos precisar, comprei até revistas de passo a passo e observei alguns quadros pintados espalhados na loja.
— Tome — Suga me entregou uma tela que havia terminado de comprar, achei até que era para ele — Por enquanto o máximo que posso te dar é isso, mas espero que me dê a pintura que fizer nele, independente do que seja… Até mesmo o marquei com a caneta que o vendedor me emprestou — mostrou seu nome escrito atrás..
— Pode deixar — vou me esforçar muito nele.
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