Sweet Desire
17 Capítulo 17 - Hora de dizer adeus.
Notas iniciais
— POR QUE TEM QUE SER DESSE JEITO? — tentei controlar lágrimas, só que era impossível, eu nunca mais o veria.
— Fica quieta — pediu.
— Eu.. Vou embora — fui ir para o carro, mas ele impediu e deu uma de V dando um peteleco na minha testa.
— Me ouça — mandou — Eu consegui que o TaeHyung vá comigo, por enquanto será meu manager… — voltei a chorar.
O sonho do V é poder participar de um time coreano, é muito mais fácil ser notado por lá, com certeza iria desistir por mim, não o deixaria desistir disso e por isso meu destino é ficar sozinha para sempre.
— Está sendo complicado… Mais do que havia imaginado.. Pensei que ia apenas ficar pálida ouvindo — resmungou — O TaeHyung e eu vamos com a empresa ajudando e você se quiser ir vai ter que desembolsar por fora.
Fiquei calada tentando absorver o que acabei de ouvir.
— Sulkin? Eu queria muito conseguir passagem para os dois e de repente estadia, mas isso foi o máximo que pude conseguir... Foi bem difícil negociar a ida do TaeHyung... — coçou a nuca — Mas se você ainda quiser morar naquele bairro envelhecido, vou compreender.
— S-suga — foi em um impulso que o puxei para um abraço apertado — Isso é ótimo, eu pensei… eu tinha pen-pensado que você me odiava e queria ficar bem longe...
— Não exagere.. — ele não respondia o abraço.
— Eu não quero que entre no livro e muito menos vá para longe… — arregalei os olhos percebendo falando mais do que devia — Bom… Não que eu esteja apa…
— Certo, chega de abraço — interrompeu se desvencilhando do meu abraço — Foi emoções demais para uma noite só… Ainda tive que deixar dinheiro à mais na mesa antes de vim atrás de você — bufou — Preciso descansar…
Chegamos em casa encontrando o V chegando de algum lugar carregando uma sacola.
— E a tal da live? — indaguei cruzando os braços querendo boas explicações.
— Tive que desmarcar — deu um sorriso sem graça — A Sra. Lisa pareceu bem na hora trazendo biscoitos e ficamos conversando, inclusive acabei de deixá-la na porta de casa.
— Como ela está? — Suga perscrutou.
— Está indo… — fez um cara meio triste — Ela vai ficar melhor.
— No final de semana vou visitar com mais calma — Suga falou.
Assim que abrimos a porta Pooh veio na direção dele e a pegou no colo indo para o sofá conversando com ela.
— Suulkin — V fez uma cara sofrida — Nunca mais me deixe ler um livro de seu pai!
— Está lendo qual? — indaguei curiosa.
— Obsessão — respondeu — No primeiro capítulo um personagem leva um tiro e o resto é flash back contando a vida de um personagem morto. Que tipo de pessoa era o seu pai?
— Ele curte essas coisas de morte — rolei os olhos — Por isso não leio os livros dele.
— Mas estou viciado — fez careta segurando o livro todo acabado de tão velho.
Sentei ao lado de Suga que colocou as pernas para cima das minhas assim que encostei o bumbum no sofá.
— Não, não — tentei retirar.
— Estou cansado, preciso me esticar — justificou fazendo força para as pernas continuarem em cima de mim.
— Só ficou cansado agora que me sentei? — perguntei revoltada, odeio quando faz questão de me incomodar.
— Você sentou quando pensei em deitar — empurrei suas pernas de cima das minhas — É assim que cuida do seu tipo ideal?
— Ti-ti… Tipo ide-al? — tentei me fazer de desentendida sobre esse assunto.
— Sim, sou seu ti-ti-tipo ideal — debochou deitando a cabeça no meu colo — Só por eu existir mereço um cafuné — sorriu.
— Cafuné?
— Sim, ca-ca-fu… né… — piscou os olhos.
— Aish… fica debochando da minha dicção… — fiz bico me levantando e indo para cozinha beber água.
Peguei a água do filtro e me encostei na pia enquanto bebia pensando no Suga.
Como ele consegue ser fofo enquanto está querendo ser chato? Meu coração tolo não aguenta essas coisas… Toquei meu peito esquerdo sentindo meu coração bater acelerado só em pensar no sorriso dele pedindo cafuné.
Ah Suga… Eu ia acabar fazendo a burrada de beijar alguma parte de seu rosto e estragaria nossa aproximação..
— Vocês se beijaram no restaurante?
Dei um salto assustada derramando água em mim.
E consegui enxergar a cara sorridente do V aguardando a resposta.
— Por que essa pergunta?
— Quer dizer que não? — ele retirou o sorriso percebendo que a resposta era não — Droga! Não deu certo… — foi sair da cozinha, mas o impedi.
— O que não deu certo?
— Eu tentei ajunta-los essa noite, tá bom? — se entregou rolando os olhos — Eu achei que essa briguinha toda era mais por os dois não quererem admitir que estão têm uma queda um pelo outro..
— Você mesmo tinha me dito que a Rise é a única que ele vai amar — o lembrei cochichando.
— Sei.. Mas temos que ressaltar o fato de que ela não existe, só ele.. Se a gente queimar os desenhos dela, assim não corremos o risco dele se apaixonar platonicamente por ela.
Fiquei em silêncio.
— Isso não mudaria o fato de que ele nunca vai me amar — reclamei.
— Desculpa se quis ter um pingo de esperança por você! — fez careta rolando os olhos.
— Suga te contou?
— O que? — me encarou confuso.
— Vamos nos mudar para Coréia do Sul — sorri empolgada.
E ele ficou calado.
— Por que não está feliz? — foi minha vez de ficar confusa.
— Eu estou sabendo faz uns dias já… — arregalei os olhos e ele deu um sorriso sem graça — Calma, Yoongi disse que tinha um jeito especial para te contar e por isso não contei…
" — Está sendo complicado… Mais que havia imaginado.. Pensei que ia apenas ficar pálida ouvindo — resmungou"
Ele queria ter o gostinho de me fazer sofrer pensando que ia para longe por conta do que eu falei naquela discussão no dia do encontro.
— Suuugaaa! — fui gritando para sala querendo acertar um soco na sua linda cara e parei o encontrando dormindo abraçado com a Pooh.
— Hmm? — levantou um pouco a cabeça.
— Vol… — nem precisei mandar, já voltou a dormir.
Tem como ainda querer socar um bebê desses? Parece um anjinho dormindo…
— Acho que teremos nossa lua de mel — V me abraçou por trás — Cama liberada para nós dois.
— Que delícia! — tentei imitar sua careta colocando os olhos todo branco.
Mas no meio da noite fui expulsa da cama pelo Suga que escoltou dando discurso de quão errada eu estava por ter decidido dormir em uma cama de casal com o V.
Eu e o V levamos um susto quando o descobrimos que dormimos abraçados.
[Dias depois — Aeroporto Internacional]
— Ótimo, podemos tirar foto agora — V sorriu pegando o celular e batendo uma selfie de nós três usando as camisas que ele comprou. Ele estava usando uma marrom, eu uma rosa e o uma bege clarinha.
— Acabou a palhaçada? — Suga indagou sério após a foto ser tirada.
— Sim! — V sorriu balançando o celular.
— Olhem! — apontei para Sra. Grace, Sra. Lisa e a Sarah que chegavam no aeroporto.
— Nunca te ensinaram que falta de educação apontar para os outros não? — Sra. Grace chamou minha atenção sendo educada como sempre.
— Estou muito surpreso, achei que a festa de despedida seria a única surpresa — Suga comentou sorridente.
Ontem elas prepararam uma pequena despedida para gente e foi emocionante.
— Queria entregar algo para a Sulkin — Sra. Lisa me fez arregalar os olhos — É da Amelia, mas tenho certeza que ela lhe daria um dia… A gente que impedia de ir entregar esses tipos de coisas.
— Mas por quê? — perguntei muito assustada, enquanto pegava o embrulho.
— Isso foi um dos primeiros presentes que Amelia recebeu do Sr. Becker — Sra. Grace contou.
— QUE?! — eu, V, Suga e até mesmo Sarah, que ainda não compreendi o fato de ainda está abraçada com o Suga, gritamos.
— Eles namoravam — Sra. Lisa disse como se fosse óbvio.
— Sra. Amelia tinha um mal gosto… — V comentou me fazendo o fuzilar com os olhos — Desculpas, mas pela fotos noto que seu pai era feio….
— Por isso amo o V — Sra. Lisa gargalhou — Trouxe um presente para você.
— Para mim? — V arregalou os olhos.
— Sim — passou um embrulho — Espero que goste.
— Yoongi, esse é o seu… Espero que goste — Sra. Grace entregou o embrulho e virou o rosto secando os olhos disfarçadamente.
— Não precisava — e a abraçou apertado — Eu vou ajuntar dinheiro, comprarei uma casa com quarto de hóspedes e mandarei passagem para vocês passarem as férias comigo… — prometeu.
— Com certeza vai — Sra. Grace sorriu lacrimejando.
Chamaram os passageiros do nosso vôo.
— Temos que ir — e nos despedimos.
E quando caminhando a Sarah nos gritou fazendo a gente parar.
— Só queria dizer… — respirou fundo corando — Se você ficasse mais um tempo conosco, correria o risco de eu parar de shippar você e a Sulkin e passaria te shippar comigo — eu fiquei boquiaberta com o que disse, todos ficaram.
— Você shippa mal ein — ele riu, o nojento riu.
— Foi maldoso — V reclamou por mim e pela Sarah.
Sarah abriu um largo sorriso.
— Você que pensa… Adeus — o abraçou e continuamos nosso caminho.
— Deixa eu ver se entendi… Ela se declarou ou quis deixar claro que torce para vocês dois ficarem? — V indagou.
— Melhor deixar quieto — preferi nem olhar o Suga.
No avião viemos sentados um ao lado do outro e decidimos abrir nossos presentes.
— Eu vou abrir o meu primeiro, pois não é muito intrigante — V falou começando a rasgar o embrulho tão lindo e soltou um grito ao ver o presente — iPhone 6s plus! A Sra. Lisa é demais! — abraçou quase em lágrimas.
— Uau! — arregalei os olhos surpresa — Não é muito caro?
— É — V ainda estava tonto com o presente — Ela gastou muito…
— A família dela é bem rica e seu falecido marido era um banqueiro, deixou uma imensa fortuna — Suga contou — Infelizmente, não teve um casamento muito bom..
— Como assim? — fiquei curiosa pela história.
— Ela casou para salvar os negócios de seu pai que estavam em risco de falência, mas era apaixonada pelo irmão da Sra. Amelia...
— Muitas revelações hoje.. — V comentou.
— Continue.. — pedi.
— Pensando na família desistiu desse amor, mas foi a pior escolha que fez, ele a traía e até mesmo já a agrediu. Por isso ela costuma agradecer a morte dele — isso justificou muita coisa, sempre estranhei isso.
— E o irmão da Sra. Amelia? — V questionou.
— Teve dois filhos com outra mulher — respondeu.
— Que chato… — fiz bico não ficando nada contente com esse final triste de amor.
— Agora acho que é a minha vez de abrir — bocejou e começou a desembrulhar e encontramos dois porta-retratos — Estou sem palavras…
Um era dele com as três e outro era dele com a Sra. Amelia no dia da apresentação, estava parecendo foto de baile de formatura.
— Perfeito — comentei.
— A Sra. Amelia devia ter sido linda quando era nova… — V falou observando a foto também — Ainda não entendo porque namorou o pai da Sulkin...
— Ela mostrou uma foto e tenho que dizer, era linda mesmo — Suga contou.
— Abre o seu, Sulkin — V pediu.
— Certo… — minhas mãos tremeram enquanto desembrulhava e no final deu em uma caixinha antiga e toda detalhada — Delicada…
— Seu pai tinha bom gosto — V comentou.
— Abra para ver o que tem — Suga orientou e abri.
Tinha um par de brincos e um anel, eram lindos e na verdade descobri que a caixinha era de música.
— Será que foi ele que deu também? — Suga indagou curioso.
— Parece que sim — V disse pegando o anel e observando.
E viajei em pensamentos enquanto a musiquinha tocava fiquei imaginando como seria minha mãe. A Sra. Amelia era perfeita, com certeza minha mãe deveria ser no mínimo excelente em alguma coisa para ter feito meu pai ter virado um cafajeste..
— Não pense em coisas que não têm respostas — Suga falou fechando a caixinha — Independente do que tenha acontecido com eles no passado, você conseguiu tirar os escombros desse problema de cima do seu corpo — elas pararam de me odiar, só implicavam por conta de costume, era visível que não era como antigamente.
— Obrigada..
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