Sweet Desire

18 Capítulo 18 - Quem procura acha mais do que devia


Notas iniciais
Olaaaá! Mais um capítulo, obrigada por estarem acompanhando. Espero que curtam o capítulo.

[ 1 dia depois, Coréia do Sul, Seoul, Myeongdong]

O Suga passou a manhã toda nos mostrando pontos turísticos perto do seu dormitório e eu estava simplesmente amando esse país. Meu pai não poderia ter optado por morar aqui com a minha mãe? Assim de repente eu teria me tornado alguém normal.
— Preciso de uma capa de celular! — V falou parando em uma loja de capas.
Esse lugar é tão movimentado e repletos de lojas que o V e o Suga andavam me guiando pelo pulso, pois que nem uma criança me perdi deles duas vezes de maneira vergonhosa…
— Certo.. — tentei me soltar para pegar minha carteira e eles não deixaram.
— Eu pago minhas contas, tenho dinheiro — V mostrou sua carteira e entramos na loja.
Caminhei pela loja me surpreendendo com tantas variedades de capinhas, cada uma mais linda que outra.
— Tão fofa! — peguei um de ursinho.
— Ei, por que você não compra um celular? — Suga perguntou parando ao meu lado.
— Eu não tenho paciência com essas coisas.. — respondi colocando a capinha no lugar.
— Mas vai precisar ter, você está em país diferente agora, e caso se perca? — me fez pensar o quão enrascada estaria.
— Olha o que eu comprei — V veio todo empolgado mostrando seu celular com a capinha de uma personagem do jogo que ele trabalha — Você terá uma morte rápida, eu acabarei com a sua dor! — ele falou de modo emocionante.
— Que palhaçada essa? — Suga perscrutou perdido.
— Essa personagem fala isso — expliquei, não canso de ouvir essas falas desses personagens.
— Essa capa é muito linda… — babou mais um pouquinho e guardou no bolso — O que faremos agora? — indagou.
— Precisamos comprar um celular para Sulkin — Suga falou parecendo exausto só em pensar em ir comprar — Mas é preciso, não quero ter dores de cabeça por ela acabar se perdendo…
— Bem pensado.. — concordou pensativo — Durante nosso caminho vi uma loja que vendia celulares, vamos nela — segurou meu pulso e saiu praticamente me arrastando.

— Tem certeza que quer esse? — V indagou parecendo um pouco desanimado pela minha escolha.
— Sim, ele parecer ser bem prático de usar — sorrir observando o vendedor mostrando o que continha na caixinha do celular.
O vendedor falou algo que não compreendi muito bem, só entendi " você ".
— Temos que escolher um número do celular — Suga traduziu.
— Pode isso? — V perguntou surpreso.
— Sim… — pegou uma pasta — Os que não estão riscado são os disponíveis… — mostrou.
Ficamos debatendo qual era o melhor número para escolher e escolhi um fácil de decorar.
Passando um tempo fazendo compras e o Suga mostrando lojas que gosta.
— Estou com um pouco de fome — falei exausta de os seguir de um lado para o outro.
— Vamos em uma lanchonete então — Suga disse nos guiando até outra rua e andamos mais ainda — Aqui, minha lanchonete favorita — e entramos e nos sentamos.
— Yoongi — V o chamou após fazermos nossos pedidos — Você conhece tudo aqui, isso não parece estranho?
— Ah… — ele suspirou olhando a rua — Lembra quando falei que não vivi apenas o que a Sulkin deve ter escrito?
— Mais ou menos…
— Explicando, ela colocou morando aqui… Eu vivi uma vida normal tive amigos, uma família e até mesmo conheci vários lugares. Por isso foi difícil aceitar que sou apenas um personagem.. — e forçou um sorriso.
— Então você conhece tudo por aqui? — perguntei para ter certeza.
— Tudo que existiu até ano passado — tinha até me esquecido que o livro está em 2015.
— Então se você querer por exemplo… Ir para sua casa, você saberá o caminho exato? — os olhos do V brilharam aguardando a resposta.
— Sim..
Acho que o V também sabe fazer um sorriso maligno quando quer.
— Vamos fazer uma brincadeira após nos alimentar? — perguntou com um ar misterioso.
— Qual brincadeira? — Suga perguntou após deixá-lo no vácuo por um bom tempo.
— Vamos para os lugares que você frequentava, sua empresa, sua casa, o seu clube… — foi interrompido.
— Mas esses lugares não existem — o lembrei.
— Eu sei, mas o caminho deles existem na mente do Suga — apontou para a cabeça do outro que rolou os olhos.
— Você está querendo me sacanear? — perscrutou.
— Ah, vai dizer que vendo esses lugares que conhece não ficou nem pouco curioso para ver esses lugares? — V perguntou de modo manipulador.
— Sim, eu fiquei… Mas isso não quer dizer que vou ir atrás de coisas que sei que não existem — respondeu mostrando seu ponto.
— Não existem, mas poderemos ver o que existe no lugar delas — foi aí que compreendi a brincadeira.
— Não acredito que vou entrar nisso, mas tudo bem, já aceitei que sou um João ninguém mesmo! — rolou os olhos.
Então foi isso que fizemos depois de acabar de comer nossos lanches, fomos procurar a empresa do Suga.
— Nunca fiz esse caminho apé — Suga contou parecendo cansado.
— Nem andamos direito ainda — falei impressionada.
— Esqueceu que o Yoongi estava construindo um elevador na sua mansão para não precisar subir escadas? — V me lembrou.
— Ah, é verdade — após a construção ele nunca mais utilizou a escada da casa, imagine a conta de luz.
— Eu ia colocar por causa da dificuldade de carregar coisas para os outros andares — justificou.
— Mas você utilizou para qualquer coisa — rir lembrando da Rise interditando seu elevador por uso desnecessário e caro.
— Odeio quando citam coisas que não fiz… — bufou.
— Estamos perto? — V perscrutou parecendo ansioso com a brincadeira.
— Infelizmente sim — respondeu e parou.
— É aqui? — arregalei os olhos.
— Oh meu, é uma lojinha de conveniência — V estava boquiaberto.
— Era um prédio comercial enorme que chegava a ser assustador… Agora vende ramen, remédio… — Suga ficou olhando a loja parecendo chateado e abaixou a cabeça tentando se recuperar — O apartamento do meu meio irmão era por aqui, vamos ver o que é agora — saiu andando nos fazendo seguir.
— Hey — chamei sua atenção — Desde quando admite que ele é teu irmão?
— Desde que ele não existe e não tenho que dividir nada com ele — respondeu sem rodeios.
Um irmão fruto da traição de seu pai apareceu do nada e mesmo não estando de olho na fortuna da família, o Suga simplesmente odiava sua existência e tentava infernizar a vida do rapaz, mas durante o livro ele se redime com o irmão e fica tudo bem entre eles.
— Dessa eu não sabia, nunca foi citado no livro essa parte — V comentou sobre o apartamento.
— Ele comprou porque ficava perto da faculdade de música que cursava — respirou fundo — Como já disse, a minha vida corria de um jeito normal, tem muitas coisas que vocês não sabem — nos lembrou.
— Tipo? — fiquei muito curiosa.
— Caramba! — exclamou parecendo não gostar do que viu — Minha empresa é uma lojinha de conveniência e o da concorrência é uma agência de modelos? — bufou.
— O que isso importa agora? — questionei querendo melhorar seu humor.
— Para mim muita coisa, sabe o quanto batalhei para ser melhor que ele? Abri mão das minhas preciosas horas de sono para ser o melhor… — deu um sorriso maligno — Até que fiquei tão grande que ele decretou falência.
— Yoongi dando de malvado de novo — V comentou observando o rosto dele — Sabemos muito bem que depois de um tempo você se arrepende e tenta ajudar o cara.
— Eu nunca faria algo do tipo — balançou a cabeça negativamente — O apartamento fica à três quadras daqui.
No final das contas o Suga se empolgou nessa busca, pois até mostrou a casa de alguns de seus empregados e fazia comparações com a do livro e a real. Se estivéssemos em um filme com certeza tocaria uma música animada nos mostrando rindo dos lugares que encontramos e as caras desgostosas do Suga, e assim poderíamos pular as partes em que andamos e tivermos que usar ônibus.
A parte dos transportes coletivos que foi a parte mais engraçada do caminho, o Suga não sabia como funcionava e ficou todo embolado, parecia uma criança.
— Vocês ainda querem ver minha casa? — Suga perscrutou cruzando o braço mostrando que estava cansado de tanto andar.
Posso confessar que não estou acostumada andar muito e estou com as costas e pernas doendo.
— Está desistindo? — V indagou cruzando o braço também.
— Não bem isso, só estou cansado… — desviou o olhar.
— Só vamos... ver sua casa e voltamos para o dormitório de táxi mesmo — decidi tomar uma decisão.
— Se hoje é o dia de me torturar, tudo bem, vamos — e continuou o caminho caminhando na nossa frente querendo parecer irritado, devia está bem curioso para saber o que tem no lugar da sua casa.
Por mais que seja triste para ele isso, era bom ter absoluta certeza de que nada existe.
Paramos na frente de um ferro velho e o Suga ficou quieto apenas observando.. Acho que encontramos onde devia ser sua casa principal.
— No lugar de sua empresa tem uma lojinha de conveniência, na empresa da concorrência agência de modelos, apartamento do meio irmão hotel, casa do ex melhor amigo açougue — ele gargalhou muito disso — Casa do Sr. Kim uma loja de roupas… — ele fez uma retrospectiva de todo nosso caminho — E sua casa um ferro velho.
— Minha casa pelo menos poderia ser algo mais satisfatório — reclamou.
— Então, o livro apenas… encaixou algumas coisas na realidade… — avaliei o livro e a realidade — Esses lugares que vimos também não deveriam existir no livro.
— Verdade — Suga concordou — Agora podemos ir embora?
— Sim — V fez sinal de positivo e parece que a caminhada de volta será bem mais cansativa.
— Mesmo que eu pareça chateado em ver minha vida perfeita não existindo — Suga disse chamando nossa atenção para ouvi-lo — Eu gosto de saber que agora existo mesmo…
Tentei evitar um sorriso, mas não consegui.
— Verdade.. Pelo menos você tem memórias — V o consolou — Imagine ter saído sem ter idéia do que era?
— Seria muito mais complicado… Eu ia ser dependente da senhorita riquinha aqui — Suga fez careta debochando de mim.
— Hey! — não seria tão ruim assim como fez parecer.
E o celular do Suga tocou e ele parou atendendo, teve uma breve conversa.
— TaeHyung, hoje seria nossa reunião na empresa… — informou com os olhos arregalados.
— QUE? Eu marquei na agenda do celular o dia e devia tocar… Foi no antigo celular… — ele ficou pálido.
— Temos 47 minutos para chegar lá — assim que o Suga falou os dois saíram correndo.
Fiquei uns três segundos só observando e corri atrás deles o máximo que conseguia.
— HEY, HEY! — gritei balançando os braços e parando para respirar, sabe aquela dorzinha no canto da barriga enquanto caminha? Estava sentindo tipo isso só que mais forte.
— O que foi? — eles vieram ver o que acontecia.
— Eu não… não aguen-to correr igual… — tomei ar — a vocês
— Não podemos ir devagar! — V avisou ainda desesperado com o horário.
— E mesmo assim você não poderá ir conosco a empresa… — estou excluída? — Deixe pensar… — Suga fez uma pausa — Tem caneta TaeHyung?
— Sim — já foi procurando na mochila e o entregou.
Suga puxou meu braço me assustando.
— Calma! — pediu — Não vou te machucar — rolou os olhos.
— O que vai fazer? — prestei atenção no que escrevia no meu braço.
— Você vai chamar um táxi e vai mostrar o braço indicando o endereço escrito aqui, ok? — instruiu.
— Acho que… Sim — eu até entendi, mas fico nervosa em me imaginar andando sozinha por um lugar desconhecido.
— Não se preocupe, agora temos o seu número de celular — V bagunçou o meu cabelo.
— Vi você tem durex? — Suga perguntou.
— Sim… Por quê?
— Você anda com material escolar na mochila? — questionei abismada.
— Menos com caderno e livros — respondeu sorridente e entrou o durex exibindo o seu estojo escolar.
— Certo — Suga estendeu meu braço e colou durex no endereço — Assim não tem risco de chover ou o suor apagar alguma parte..
— Já podemos ir? — V indagou apressando.
— Sim. Cuidado com os rapazes, não são perfeitos como em dramas — alertou e saiu correndo com o V.
Andar o caminho de voltar é cansativo, mas andar sozinha é dez mil vezes mais. Parecia que a rua principal ficava na China, pois nunca chegava.
— Por que fui logo incentivar a continuar essa brincadeira? — reclamei quase fazendo cena de birra no meio da rua e esbarrei em alguém — Desculpa — reverenciei.
— Ahm tudo bem — passou direto.
Esse coreano é tão lindo, acho que já o vi em algum dorama ou algo do tipo, talvez aqui eu possa me interessar por um outro alguém e começar a ver o Suga como um bom amigo.
— Hey! — mesmo tendo absoluta certeza que não era comigo, olhei para trás de maneira espontânea e virei envergonhada — Hey, é com você mesmo! — não entendi nada que falou e tocou meu ombro.
— Desculpa, não enentendo — fechei os olhos com medo de apanhar ou algo do tipo.
— Ahm.. Ao esbarrar em mim você me roubou algo — me acusou e arregalei os olhos não acreditando nisso.
— Nã-ão, eu apenas esbarrei sem querer, não tive intenção…
— Não minta para mim, eu tenho certeza disso.. — e deu um sorriso encantador — Você roubou meu coração.
— QUE? — observei bem tudo nele e tive certeza, eu vou desmaiar.
— Foi péssima né? — deu um riso abafado corando e abaixou a cabeça — Não costumo passar cantadas, mas sua beleza me fez perder o senso do ridículo e joguei essa..
— Você, você quer ir comer algo comigo agora? — foi a vez dele arregalar os olhos.
— Você gostou? Não acredito! — ficou boquiaberto.
— Digamos que… Sim? — dei um sorriso nervoso, minhas pernas estão tremendo.
— Eu aceito o convite.

Aqui estou em uma lanchonete tendo o meu segundo encontro, e devo dizer que o mais bizarro que eu já tive.
— Nem acredito que escolheu essa lanchonete — ele disse assim que acabamos de receber nossos pedidos.
— Gosta daqui né? — ele assentiu — Meio que adivinhei que gostaria..
— Posso dizer que vinha muito aqui com meus colegas de colégio — contou — Me fale um pouco de você — pediu.
— Não tenho muito o que falar d… — meu celular começou a tocar — Licença — e atendi.
"Já chegou no dormitório?" Suga nem se deu o trabalho de dizer pelo menos um alô.
— Ainda não, estou em uma lanchonete com um amigo — respondi
"Que? Amigo? Mas que amigo?" Acho que ficou preocupado.
— Um antigo… — querendo ou não, é um amigo antigo — Estamos tendo um encontro…
"Isso está muito estranho… Aonde?"
— Na lanchonete em Myeongdong — respondi.
"Não saía daí, assim que essa reunião acabar apareço aí" e desligou.
— Está gostando do hambúrguer, SeokJin? — indaguei
Ele que estava distraído me olhou mastigando.
— Está ótimo — sorriu — Esse hambúrguer me faz me sentir nas nuvens… Mas aposto que você pode fazer me sentir no paraíso — sorriu.
— Não exagere.. — tenho que agir normalmente, como se não soubesse que ele é um personagem e é o melhor amigo do Suga. Assim não o assusto e o perco de vez.
— Não estou exagerando em nada, você é perfeita — disse convicto, me fazendo corar.
Maldita hora que o V deu a ideia de me colocar sendo o tipo ideal do SeokJin.

Notas finais
Alguém aprova o novo personagem?