Sweet Desire
1 Capítulo 1 Ganho um vale desejo de uma criança com dois olhos
Notas iniciais
— Como você pode me dizer que simplesmente não vai poder vim? – questionei irritada a V.
Andei pelo minha casa procurando a chave do carro, enquanto prestava atenção nas desculpas do meu melhor e único amigo V, que simplesmente me abandonou no momento mais importante da minha vida.
“Não tem como fazermos isso outro dia?” alguém pareceu chamar sua atenção “Estou mesmo muito ocupado no momento”.
Passei mais de três anos escrevendo um livro, e todos os meus esforços foram dedicados totalmente a ele e o V que já contei que é meu “único amigo” começou a me ajudar depois de algum tempo que comecei a escrever e sempre dava opiniões masculinas para não ficar muito na visão feminina sonhadora. E desde então fizemos uma promessa que assim que ficasse pronto e satisfatório, íamos comprar cervejas, colocar música para tocar e curtiríamos. Entretanto depois de tanto tempo com isso combinado e já lembrado durante a semana, ele vem me dizer que não poderá comemorar porque seu técnico marcou treinamento e não poderá faltar.
— Não tem como informar para ele que é por algo importante? – continuei insistindo, precisava desse nosso momento de glória.
“Tentei de todas as formas, porém, ele não é fácil de contornar. Ouça, o nosso time foi convidado para um competitivo novo e precisamos treinar. Espero que entenda”. – pediu
Suspirei exausta e me sentindo decepcionada.
— Não entendo – fiz bico mesmo sabendo que ninguém me veria.
Isso tudo era culpa da minha própria pessoa que não conseguia fazer amigos. Porque é praticamente impossível puxar assunto com pessoas da minha idade, nada do que eles falam me fazem sentir-me familiarizada ou quando consigo, eu não sei continuar o assunto.
O que resume numa vida de total indagação sobre meus problemas. Já me olhei no espelho percebi que não tenho uma aparência ruim, pareço bem agradável, acho que não atrapalha nas primeiras impressões. E o que mais me irrita é que sei o motivo desse problema todo, é a minha personalidade. Não consigo saber se é timidez, ou o fato de não conseguir rir de piadas que não acho graça, ou de falar coisas sem sentido... Mas não consigo me encaixar em nada, como se eu fosse uma peça de um quebra cabeça diferente das outras pessoas. Sei lá, de repente sou uma alienígena que perdi a memória em alguma missão e fiquei presa na Terra.
Nem ao menos sei como V e eu nos tornamos amigos, só paramos em uma fila do supermercado e começamos a reclamar da moça do caixa que estava muito lenta, nisso ele me convidou para ir tomar um chá da tarde numa padaria ali perto. Foi bem diferente, porque tivemos algumas discussões durante o chá, o motivo era que queríamos deixar claro que não sentíamos atração um pelo outro que era só para conversar mesmo. Desde então temos essa amizade conturbada.
“Não posso fazer nada. Procuro-te assim que abrir um espaço de tempo”.
Cheguei até a rua e bufei irritada.
“Não me procure jamais”.
Ele gargalhou alto e desliguei na sua linda cara.
— Olá Sulkin — dei de cara com um par de olhos azuis perfeitos.
— P-peter o-oi! – consegui gaguejar.
Peter é o meu vizinho deus grego do lado, é simpático e muito lindo. Não tenho muitas informações sobre ele, pelo fato de não conseguir conversar direito, mas com certeza minha gata teria uma facilidade impressionante para contar tudo sobre ele. A Pooh minha gata não fica de jeito nenhum comigo, sempre está indo para casa do Peter, eu admiro o bom gosto dela. O que irrita é que tenho medo de parecer que eu a treinei para fazer isso só para ter assunto.
— A Pooh está bem, só tem o costume de querer entrar no Box durante o banho e fica toda encharcada – contou sorridente.
“Queria ser a Pooh nesses momentos...” pensei. — El.. — fiquei o encarando — Ela ela é um abusada mesmo – rir sem jeito sentindo meu todor queimar cada vez mais.
— Vai sair essa hora? Anda meio perigoso nas redondezas – alertou parecendo preocupado.
— Oh? – cocei a nuca sem saber como reagir – Preciso tan-tanto encher... a ca-cara essa noite!
Ele pareceu ter sido pego de surpresa pelo que contei.
— Ah! Eu não sou alcoólatra, só só bebo socialmen... e não vou muito longe. Por que estou dando explicações?- arregalei os olhos – Não que não deva explicações! Realmente não devo, mas não estou dando nenhum fora! Oh o que estou tagarelando... – bufei.
Esses tipos de coisas sempre acontecem quando tento socializar...
Ele ficou me encarando por um tempo, logo após meu rosto ter queimado de vergonha, riu fechando um pouco os olhos.
— Não demore muito e não beba muito – instruiu.
— Vou beber em em casa mesmo e ouvir música – dei um sorriso amarelo – Vou indo.
— Ok.
Sorte que o Peter é um rapaz muito educado e sabe lidar com situações constrangedoras. Mas por que sai falando essas coisas? Ou será que não fiz tanta burrada estou aqui lamentando a toa?
Entrei no meu carro e dei partida, fiquei dirigindo ouvindo uma música romântica, seria tão legal poder se apaixonar e se sentir completada por alguém. Alguma vez da vida eu poderia viver algo que seja o mais perto do amor verdadeiro entre dois seres?
Por enquanto parece não ter nenhum indícios de acontecer, de eu ter um amor. O V já me perguntou certa vez, se eu era lésbica.
Tenho certeza que nunca senti nenhuma atração por mulheres
Respondi.
Aí veio com a ideia que explicava minha falta de interesse por pessoas segundo ele, que não precisa saber que acho meu vizinho um sonho, que sou assexuada. Juro que engasguei, mas não deixei de atacá-lo dizendo que era um eunuco. Aquilo só me deu dor de cabeça, pois ele queria provar sua virilidade de forma patética ao abaixar as calças.
Bufei olhando envolta percebendo que as ruas estavam com pouco movimento, o tempo frio devia ter ajudado a fazer as pessoas se recolherem mais cedo do que o costume. Avistei mais a frente um mercado por conta de uma luz de neon muito chamativa.
— Desde quando tem um mercado nessa parte da cidade? — me perguntei já me destinando parar ali mesmo.
Provavelmente essa construção devia está sendo protegida da visão de alguma forma, como se fosse essas lanchonetes famosas e estava tão protegida que nem ao menos cheguei a ver! Entretanto, uma garota que sai só quando não tem opção, não pode se impressionar quando as coisas não vão à normalidade numa distancia de 15 minutos da sua casa.
Estacionei o carro no pequeno espaço enfrente ao mercado, parei esperando o final daquela música e desci do carro indo para dentro do estabelecimento. Ao entrar percebi que estava vazio e só tinha um caixa em funcionamento.
Parei estranhando. Olhei envolta observando para ver se não tinha algum movimento suspeito e olhei meu relógio vendo que eram 1h 37 da manhã. Por isso que meu vizinho Peter pareceu estranhar minha saída, onde ele devia está indo? Com certeza em uma balada. Por que estou pensando em coisas estúpidas?
Balancei a cabeça e fui andando para o corredor de biscoitos, tinha muitos biscoitos e a maioria era do meu gosto. Pena que não podia comprar tantos.
— Eu vi a lua saindo com três estrelinhas do lado, a do meio vem dizendo que a Sulkin tem um namorado – ouvi a voz de uma criança cantarolando repetidas vezes e parecia vim do corredor ao lado.
— Sulkin? – abri um sorriso torto achando bizarro ver outra pessoa na cidade com mesmo nome que eu e tirando que assustador a voz da menininha.
Soltei um biscoito decidindo ir embora, o mercado estava praticamente vazio e não ficaria ali ouvindo uma criança cantarolando meu nome de forma melódica e assustadora. Fui caminhando para fora daquele corredor e olhei para trás querendo ter certeza que nada me seguia. Como eu podia está com medo de uma garotinha?
Mas ao olhar para trás meus olhos brilharam avistando o meu biscoito favorito, fazia um ano que a fabrica por falta de recursos tinha parado de fabricar e saiu das prateleiras. Aquilo era incrível, voltaram... Emocionei-me.
Sem pensar duas vezes fui para o fim de aquele corredor pegar uns dez pacotes do biscoito. Andei em passos apressados, já pegando em um desespero, por conta da criança ainda está cantarolando e me arrepiei notando que a voz agora vinha de trás, preciso ressaltar que atrás das minhas costas.
Eu tinha certeza que ela não teria olhos, todas as crianças de filmes de terror não têm olhos nessas situações. Bom, só vi um filme de terror e nesse a criança não tinha olhos.
Virei-me devagar ainda ouvindo a sua voz infantil e bizarra. E soltei um grito e falei:
-VOCÊ TEM OLHOS! – na verdade berrei.
— Claro que teria, né Sulkin? – riu da minha cara.
— Você me conhece? – consegui perguntar após balbuciar coisas sem sentido, mas mostravam minha confusão e medo.
Sim, medo de uma criança vestida de bailarina com asas.
— Por que não conheceria? – bufou.
— De on...
Meu interrogatório foi interrompido.
— Vamos logo com isso, estou afligindo muitas regras hoje...
— Como não dormir antes das oito? – perscrutei notando que era uma criança muito avançada.
Fui ignorada.
— Preciso ajeitar algumas coisas do meu erro do passado – que passado uma criança de aparência de 8 anos teria? – Pegue esse vale desejo – me entregou.
— Wow – fingi interesse e coloquei no bolso do meu casaco.
— Ouça, pense no que você gostaria que estivesse do seu lado à vida inteira – suspirou cansada e falou como se eu não pudesse a ouvir: — Será que vai entender? Parece não se entender nem com um animal!
— Hey! –o fato da minha gata ter ido morar com o vizinho por opção própria, não quer dizer que não nos entendíamos.
— Não precisa ser quem você conhece, pode ser quem você deseja conhecer, mesmo que nunca tenha visto... – ela estava dando dicas? – Todos são destinados a alguém, pena que não pensei nisso sobre você... Sua escolha pode fazer você encontrar um amor ou não.
— Você é muito nova para ficar falando coisas assim – reclamei – Onde estão seus pais? Vamos procura-los juntas – olhei envolta buscando um sinal de vida – Como eles são? – fiquei com cara de tacho.
Ela desapareceu.
— E agora?
Procurei-a por um tempo, até que decidi comprar minhas cervejas e fui para o caixa, e era um rapaz sem graça que parecia entediado. Passei minhas compras olhando envolta e enquanto aguardava o troco resolvi alertar.
— Tem uma garotinha... Hm uma garoti-tinha vestida de fada andando por aí... sem os pais, se encontrar tente anunciar no radio da gerencia – pedi.
— Hm... – me olhou como se eu estivesse sob efeitos de drogas e me entregou o troco.
Despedi-me indo para o carro, liguei o rádio e peguei o vale desejo no bolso. Sorri passando a mão nele, era dourado e bem digitado. Lembrava muito o da Fantástica Fábrica de Chocolates, me senti sendo uma dos premiados.
Fiquei observando imaginando quais desejos eu poderia fazer. Poderia pedir para ser rica e ter muito sucesso no meu livro; poderia pedir para mudar minha personalidade introvertida para me tornar extrovertida e assim fazer muitos amigos; fazer algum famoso que eu admiro se apaixonar por mim; paz mundial... Talvez seria uma boa pedi para entrar no meu livro e viver o romance com o Suga no lugar da Rise. Seria uma boa esse último pedido.
— Por que estou ainda aqui pensando tolices? Está tarde e é perigoso... – olhei envolta.
Essa minha mania de me perder em pensamentos por coisas tolas, já me trouxeram muitos problemas. Primeiro que pensam que sou louca e segundo que minha arqui inimiga, que é uma velha e mais suas amigas igualmente velhas, que espalharam boatos que sou uma espiam. Tudo porque fiquei quase uns dez minutos olhando para placa do fusca dela, que ainda é usado pela própria, como se me lembrasse de algo muito importante.
Ouvi um barulho me arrancando dos meus pensamentos, e era da luz de neon do mercado novo despencando e saindo faíscas.
— Eita parece está me expulsando...
Dei partida indo para casa.
— Eu tenho Suga na minha vida agora, não preciso da sua amizade falsa! O Suga disse que me ama!! – sim, eu liguei para o V pra jogar na cara quão estava me divertindo sozinha.
“Uau! Sabia que sua tara pelo seu personagem queridinho afetaria sua cabeça!” riu.
— Te odeio, mas o amo muito!!
“Graças por isso, vá tomar um banho e durma”
— O Suga vai me dar banho... – rir.
“Dispenso de suas fantasias eróticas” ele falou algo para seus colegas de trabalho “Preciso desligar, mas não esqueça de tomar um banho e de passar desodorante!” e desligou.
— V, V – deixei o telefone de lado e levantei – Vou lá na casa dele falar poucas e boas.
Peguei as chaves do carro e fui cambaleando até a porta de casa, ao encostar na maçaneta cai no chão e tentei me levantar, mas simplesmente não conseguia.
— Não vou poder ir – fiz bico e fiquei de barriga para cima olhando o teto, pisquei algumas vezes.
Mexi no meu casaco e tirei o bilhete do bolso, observei atentamente o máximo que meus olhos zonzos conseguiam ver.
— Vale Desejo! – gargalhei sem motivo – A menina prodígio que tinha um par de olhos – parei de gargalhar e fiquei um bom tempo olhando o vale.
Eu estava sozinha. Sem o V e sem meu livro para ocupar minha mente, eu era um simples nada. Era oca. Toquei meu peito sentindo as batidas do meu falso coração. Falso? Falso, pois não batia forte por nada real e importante. Servia apenas como algo artificial, que fazia uma pessoa artificial e descartável continuar vivendo.
— O Suga podia está aqui, aqui ao meu lado – desejei com todas as forças do meu ser.
Se a força de um desejo retirasse a vitalidade de um ser, declaro que esse já dito falso coração, estaria parado como se estivesse sido congelado de forma instantânea.
Por uns segundos senti que algo acontecia, tentei palpar o inalcançável no teto e fechei os olhos me entregando ao sono repentino.
Acordei sentindo um cansaço e uma leve dor de cabeça.
— Bebi demais – reclamei arrependida.
Olhei minhas mãos vendo um pó dourado nelas e estreitei os olhos.
— Brinquei com glitter? – dei de ombros vendo que ainda não lembraria nada.
Levantei indo em passos cansados até o banheiro, despi-me e entrei no chuveiro, me entregando por um tempo naquela água quente perfeita. Após minutos não ecologicamente corretos, comecei tomar um devido banho e isso inclui a ficar cantarolando músicas aleatórias.
— Agora estou perfeita! – abri a cortina do banheiro sorridente e renovada.
Fiquei por um segundo de olhos arregalados e depois gritei desesperada.
— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!
O rapaz invasor me avaliou visivelmente desesperado e disse: — Que visão do inferno!

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