Notas iniciais
Não está betada heim, galere. Qualquer errinho que vocês acharem por aí perdoem a tia Usagi aqui, porque ela só terminou de escrever isso as 4 da manhã rs
Eu tive essa ideia ontem, e queria postar ela a tempo do natal ;-; Por alguma horas não deu, mas a gente releva porque só passou um pouquinho rs

Enfim, bom fluffy cheio de açúcar pra vocês ♥

Jim nunca gostou muito do Natal. Era como todos os outros feriados em família, e todos não funcionavam muito bem na sua. Winona* até tentava; eles sempre tiveram árvore de natal, ganhavam presentes e tinham uma ceia farta e bem saborosa, mas era tudo fachada. Jim sabia que ela nunca estava feliz, dava pra ver no fundo dos seus olhos. Ela bebia, bebia e bebia mais, e tudo terminava da mesma forma; Sam ia embora para seu quarto ou para casa de alguém, e Jim ficava para ouvir Winona chorar e dizer como sentia falta de seu pai, e como Jim tinha que ser como ele. Era péssimo, e ele sempre ia dormir com um gosto amargo na boca e um maldito aperto no peito.

Os anos se passaram, e o natal nunca perdeu aquele gosto.

Naquele ano a sala de recreação da Enterprise estava perfeitamente decorada. Uhura se voluntariara a ser responsável por ela, e fizera impecavelmente seu trabalho. Uma árvore de natal com quase dois metros e meio de altura decorava o centro da sala, a ponta da estrela em seu topo chegando a encostar no teto de tão alta, e vários enfeites de todos os tipos e tamanhos brilhavam entre seus galhos. A iluminação e a musica também eram natalinas, e vários viscos foram distribuídos pela sala em pontos estratégicos, rendendo alguns encontros constrangedores entre os tripulantes. Havia muito ponche, que o capitão fez a gentileza de permitir ser alcoólico, e uma ceia com tudo que havia de se ter, adaptadas ao gosto de todas as raças presentes na tripulação.

Jim bebericou seu copo de ponche, observando distraidamente enquanto Scotty distribuía com ânimo vários presentes em sua fantasia de Papai Noel. Era quase como uma brincadeira de correio do amor, só que com presentes de Natal, e o engenheiro estava adorando desempenhar esse papel. Não só ele, mas todos estavam animados com a festa. Era o primeiro ano da Enterprise em sua missão de 5 anos, então mesmo que os tripulantes estivessem longe de suas famílias, a empolgação da missão os matinha animados.

Todos, menos Jim. Ele tentava, mas o natal fazia horrores com seu humor, quase tanto quanto seu aniversário. Pra não estragar o natal de ninguém com seu humor, o melhor que fazia era ficar sozinho. Não precisou se esforçar muito para isso, todos estavam bastante entretidos com seus próprios afazeres. McCoy ficara menos de uma hora na festa, depois fugira animadamente para seu quarto onde teria uma ligação privilegiada, e bem rara, com sua filha; Scott estava feliz com seu papel de Papai Noel; Uhura, apesar de já ter organizado toda a festa, ainda ajudava Scott com os presentes (ela costumava passar muito tempo com ele, depois de ter terminado com Spock); a última vez que vira Sulu e Chekov eles estavam animadamente fazendo um torneiro nos simuladores de voo; Spock simplesmente não comemorava o Natal, e estaria trabalhando normalmente se Jim não o tivesse obrigado a pelo menos tirar o dia de folga.

Com todos ocupados, a única coisa que Jim precisava fazer era ficar um pouco na festa para fazer uma média, depois ir para seu quarto e aproveitar para por o sono em dia. Ele olhou no relógio mais próximo, e constatando que já haviam se passado quase três horas de festa, decidiu que já era uma boa hora para fugir.

Levantou-se de seu lugar ao fundo da sala, se despediu brevemente de todos e foi para seus aposentos. Chegando lá tomou um bom banho quente e se enfiou debaixo das cobertas, sonhando em apenas dormir até não poder mais. Realmente sonhando, porque quase uma hora se passou e nenhum sinal do sono. Jim rolou na cama por mais alguns minutos, bufando. Ele só queria dormir, será que era tão difícil?

Quando já eram quinze para meia noite e Morfeu não parecia querer ajudar o capitão, ele simplesmente desistiu. Levantou da cama, abriu uma garrafa de whisky e foi procurar algum filme para ver. Depois de revirar por sua coleção de filmes antigos acabou pegando seu exemplar da 13ª remasterização de Pulp Fiction, mesmo já o tendo visto umas 50 vezes.

Sentou-se confortavelmente entre seus vários travesseiros, pegou seu copo e deu play. Não iria dormir tanto quanto gostaria, mas a combinação de um bom filme, uma boa bebida e travesseiros macios com certeza iram elevar o nível da sua noite.

Mal a primeira cena havia começado e o alerta sonoro da porta tocou. Jim franziu as sobrancelhas, estranhando. Quem diabos iria querer falar com ele a meia noite, enquanto a festa estava no pico na sala de recreação?

Levantou-se novamente de onde estava, apertado o botão do comunicador da porta.

— Quem é?

— Spock aqui, senhor.

Jim piscou para a voz inesperada do outro lado.

— Aconteceu alguma coisa com o navio, Spock? – Perguntou, preocupado. Para Spock vir a seus aposentos há essa hora assim, sem mais nem menos, deve ter acontecido alguma coisa séria.

— Não, senhor. Vim tratar de...Assuntos pessoais. É uma má hora? Posso voltar amanhã, se o senhor preferir.

— Não, está tudo bem. Dê-me apenas um minuto — Jim se apressou em dizer, lembrando-se que ele vestia nada além de sua boxer vermelha. A resposta de Spock havia o deixado de preocupado a extremamente curioso, e em menos de dois minutos ele já tinha jogado uma camisa de malha e uma calça de dormir sobre o corpo e já desbloqueava a porta.

— Pronto, pode entrar — O capitão anunciou, e a porta se abriu com seu ruído característico.

— Com licença — Spock disse, dando dois passos para dentro do quarto. Estranhamente, ele não estava com seu uniforme azul de ciências, usava apenas a camisa preta que normalmente ficava por debaixo. Todo de preto daquele jeito, sua figura ficava muito mais esguia e imponente, Jim não pode deixar de notar.

— Então, a que devo a vista de meu ilustre primeiro oficial? — O capitão perguntou, recostando-se em sua mesa do computador.

Spock não respondeu de primeira, ele apenas desviou o olhar. O Vulcan estava com os braços firmemente presos atrás das costas, e as sobrancelhas mais franzidas do que o normal. Ele quase parecia nervoso, mas era Spock, e esse tipo de coisas não costumava acontecer com ele, não é? Longos segundos de silêncio se passaram, Jim estava prestes a repetir a pergunta quando o Vulcan começou a falar.

— Recordo-me de dizer ao senhor que não comemorava o Natal, mas minha mãe costumava fazê-lo quando eu era criança. Lembro-me que ela dizia que essa era uma data importante para os seres humanos, e que era comum a troca de presente entre amigos nessa ocasião. — Ele fez uma pausa, aproximando-se mais alguns passos de Jim. Aquela altura, já havia um nó na garganta do loiro, e uma sensação estranha de borbulhar em seu estômago que parecia crescer a cada passo do Vulcan. Quando menos de um metro os separava, Spock continuou. — Por isso, achei que o senhor apreciaria.

Spock parou de andar, tirando uma de suas mãos de trás das costas. Ele segurava um embrulho retangular, coberto com um papel de presente vermelho fosco e fechado com uma fita vermelha de cetim num laço bonito. O presente foi estendido a Jim, que estava com o rosto quase explodindo de tão quente.

— Meu deus, Spock! Isso foi muito inesperado. — Ele pegou o embrulho com uma das mãos, passando a outra nos cabelos nervosamente. — Não sei nem o que dizer.

— Acho que “obrigado” seria adequado. — O Vulcan disse, com aquela pequena contração de humor nos lábios que Jim havia aprendido a apreciar.

— É, acho que é um bom lugar para começar. — Jim riu, lembrando-se de uma coisa que já havia desistido a um tempo. — Hey, espera! Eu tenho algo para você também.

Agora foi a vez o Vulcan mostrar surpresa. Ele inclinou minimamente a cabeça para o lado enquanto observava Jim correr até seu armário, ainda com o embrulho vermelho na mão, e revirar algumas gavetas. Ele resmungou alguns “onde está?” e “onde foi mesmo que eu coloquei?”, até que com um “Aqui está!” ele voltou para onde Spock estava com outro embrulho na mão.

Era um embrulho quadrado, deveria ter uns dez centímetros, e estava coberto por um bonito papel prateado, fechado com uma longa fita azul e um cartão em branco.

— Eu comprei isso há algum tempo, na penúltima estação espacial pela qual passamos. Primeiro achei que seria o presente perfeito, depois comecei a achar inadequado, e depois que descobri que você não comemorava o natal apenas desisti de te dar. Mas agora acho que está tudo bem te dar, não? — Jim sorriu, entregando o embrulho para Spock.

O Vulcan piscou, pegando o embrulho entre suas mãos, sentindo uma sensação estranha na boca de seu estômago.

— Acho que agora podemos abrir juntos, que tal? — Spock apenas concordou com a cabeça, começando a desembrulhar seu presente ao mesmo tempo que Jim. O capitão terminou sua tarefa primeiro, seus olhos brilhando ao descobrir as letras gravadas na caixa de madeira por debaixo do papel.

— Não acredito nisso! É a edição de colecionador da 7ª remasterização da trilogia de “O poderoso chefão”. Onde você encontrou isso? Procurei por toda a galáxia e em nenhum lugar esta belezinha estava à venda.

— Você provavelmente não procurou nos lugares certos, capitão. — Spock disse, mas Jim estava tão feliz com seu presente que não ligou para o comentário. O Vulcan já acabara de desembrulhar seu pacote, e no momento tentava identificar o que exatamente ele era.

O papel revelara um cubo relativamente leve, com todas as suas faces completamente lisas e pretas. Todas eram iguais, com a exceção de uma, onde havia um orifício de aproximadamente 5 centímetros. Spock passou o cubo de uma mão para a outra, com uma das sobrancelhas arqueadas, curioso.

— É um tipo de olho mágico. — Jim revelou, aparentemente percebendo a dificuldade de Spock de reconhecer o presente. O Vulcan olhou para seu capitão, ainda com a sobrancelha arqueada, desconfiado. — Coloca o olho aí que você vai entender.

Spock hesitou por alguns segundos, depois cedeu, colocando o cubo em frente a seu olho direito enquanto era observado por um Jim deveras ansioso.

O que ele viu ali dentro foi indescritível.

Era Vulcan.

As areias finas do deserto se estendiam até o infinito, serpenteado com o vento da noite. No limite do horizonte, erguia-se o poderoso monte Seleya, quase rasgando o céu com a sua imponência. Logo atrás dele T’-Khut estava alta, cobrindo quase um terço do céu enquanto os vulcões em sua superfície pulsavam em plena atividade, colorindo o céu salpicado de estrelas de vermelho. Era tudo tão absurdamente real que ele quase se sentia lá, com o vento acariciando a pele do seu rosto e as areais quentes abraçando seus pés descasos.

Por um minuto, Spock se esqueceu de como respirar.

Jim ficou olhando para ele, meio tenso. O Vulcan não se mexeu por quase três minutos inteiros, e quando finalmente o fez, tirando o cubo da frente do seu rosto, Jim achou que ele estivesse um pouco mais pálido do que o costume.

— Você está bem, Spock? — Seu primeiro oficial não respondeu, apenas abaixou os olhos para o pequeno cubo que segurava entre as mãos. Kirk se amaldiçoou em pensamento, o que ele estava pensamento quando deu aquilo para Spock? Mas que falta de tato, por deus. — Oh, merda. Eu...Desculpe-me Spock, não achei que...Droga, eu sou um maldito imbecil.

Jim não sabia onde se enfiar, a vergonha estava queimando seu rosto quando sentiu a mão de Spock se fechar em seu pulso. Os olhos azuis procuraram os chocolate, e o brilho que Jim viu alí não era parecido com nada que havia visto em toda sua vida.

— Eu achei que nunca mais fosse ver algo assim pelo resto de meus dias. Não há palavras para expressar o que você me proporcionou neste momento. — A mão quente apertou de leve o braço de Jim. — Obrigado, Jim.

A boca de Kirk se moveu, mais nenhum som saiu dela. Ele não sabia o que dizer, não quando Spock estava olhando com tamanha gratidão crua. Jim queria abraça-lo, queria apertá-lo em seus braços até não que restasse mais nenhuma tristeza, nenhuma ferida naquela doce e amável alma. Ele queria a felicidade daquela pessoa como nunca quis a de mais ninguém, ele queria...ele estava...

— Novamente eu agradeço pelo presente, mas acredito que já é hora de me retirar para meus aposentos. — A voz de Spock arrancou Jim de seus pensamentos, e ele quase corou ao perceber que havia colocado sua própria mão em cima da de Spock.

— Você tem certeza? Não quer ficar mais um pouco? Nós podemos ver o filme que você me deu, te garanto que é muito bom. — Jim riu, sem graça, liberando a mão de Spock de debaixo da sua.

— Eu gostaria de ficar, mas temo que precise de algumas horas de meditação. — Spock já se encaminhava para porta, sendo seguido por seu capitão.

— Tudo bem, mas você vai ficar me devendo. — Jim recostou-se no batente da porta, um sorriso bobo pendurado nos lábios.

— Esperarei pelo seu convite. — E lá estava a pequena contração nos lábios do Vulcan, fazendo aquela sensação de calor crescer ainda mais em Jim. O capitão concordou com a cabeça, então seu primeiro oficial deu um passo para a porta, que se abriu em seguida para o corredor.

Mal a porta se abrira e algo chamou a atenção de Jim, algo que não estava ali quando Spock entrou. Tinha um ramo de visco, um dos grandes, daqueles decorados com um espalhafatoso laço vermelho, preso encima da porta do quarto de Jim.

— Mas o que... — Escapou dos lábios de Jim no momento em que ele colocava a cabeça para fora do quarto, bem a tempo de ver um vulto de roupa vermelha fugir pelo fundo do corredor. “filho da puta” Jim pensou, sabendo que teria alguém pra esganar no dia seguinte.

Ele olhou para Spock, que encarava o visco como se fosse algum experimento particularmente interessante.

— É tradição no seu planeta que o casal que estiver embaixo de um ramo de visco se beije, estou correto? — Jim sentiu seu rosto esquentar quando Spock disse isso, mas tento ignorar o máximo que podia, dando seu melhor sorriso brincalhão.

— Ah, ignore isso. Foi só uma brincadeira de alguém, Spock, está tudo bem. — Jim riu, mas antes que pudesse fazer qualquer outra coisa Spock já estava se aproximando.

— Com licença, Jim.

— Que?...

A próxima coisa que sentiu foram os lábios de Spock sobre os seus, absurdamente quentes e surpreendentemente macios. Foi tão rápido que ele não conseguiu fechar os olhos, e durou o tempo de uma batida de coração. Tão repentinamente quanto se aproximou, Spock se afastou.

— Feliz natal, Jim. — Ele disse, tão naturalmente quanto de costume, apesar de haver um pouco de verde colorindo a ponta de suas orelhas. Sem esperar uma resposta, o Vulcan fugiu para seu próprio quarto.

Jim ficou lá, atônito, apenas seguindo Spock com os olhos azuis.

— Feliz natal, Spock. — Ele disse para o corredor vazio, sorrindo como um bobo enquanto constatava duas coisas:

Ele estava fodidamente apaixonado por Spock.

E o natal não era mais amargo, agora ele tinha gosto de Spock.

Notas finais
* É o nome da mãe do Kirk no reboot, galerinha.

Espero que vocês tenham gostado :3
Reviews serão bem vindos

;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!