Sweet Child, You Are Like The Wind
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Notas iniciais
[LINDA\'S POV]
Cheguei ao parque e o Axl ainda não estava lá. Passaram quase vinte minutos da hora que ele tinha marcado para o encontro e eu já ia pegar no telemóvel para lhe ligar, quando senti duas mãos a taparem-me os olhos.
- Axl? – perguntei.
Ele tirou as suas mãos dos meus olhos, beijou-me suavemente os lábios e sentou-se no chão, em frente a mim.
- Desculpa o atraso.
- Não faz mal. A espera costuma valer a pena. – sorri.
Ele sorriu, mas pareceu-me um sorriso tão forçado. Como se estivesse alguma coisa errada e ele a quisesse esconder.
- Está tudo bem? – indaguei.
Ele baixou o olhar por uns segundos e voltou a olhar para mim.
- Preciso de falar contigo. – respondeu.
- Sou toda ouvidos. – sorri.
- Eu preciso de sair daqui.
- Vais mudar de casa?
- Não, Linda. Eu vou sair daqui, de Lafayette.
- O QUÊ? – perguntei, num tom de voz mais alto. – Vocês vão sair de Lafayette?
- Se com ‘vocês’ te referes aos meus pais e irmãos, não. Vou só eu. – respondeu, enquanto se tentava controlar para não chorar.
- O Stephen não te vai deixar. E tens aqui os teus irmãos, a tua mãe… – afirmei, numa tentativa de o fazer mudar de ideias.
- Eles não vão saber para já. Tu sabes muito bem como é que ELE nos trata. Eu não aguento mais ficar naquela casa. Para além de que aqui, nunca vou conseguir ter sucesso e tu sabes muito bem disso. A polícia local está sempre ‘em cima’ de mim, não consigo arranjar emprego em nenhuma loja do shopping porque já fui apanhado a roubar nelas todas e eu quero estar numa banda. O Izzy foi para Los Angeles e está lá à minha espera. – respondeu.
Eu sei como é que ele é. Se mete uma coisa na cabeça, ninguém consegue tirá-la e ele está determinado a ir embora. E também sei que ele quer ser vocalista de uma banda há muito tempo e que tem uma voz excelente, mas eu preciso dele.
- Axl, por favor, não me abandones. – pedi, tentando não chorar.
Ele passou a mão suavemente pelo meu cabelo e olhou-me nos olhos.
- Eu preciso de fazer isto. – afirmou.
- E eu?
- Linda, não tornes isto mais complicado do que já é, por favor.
- Tu nem sequer pensaste em mim!
- É claro que pensei!
- Não, não pensaste.
- Linda…
- Leva-me contigo.
- Tu não podes vir comigo, agora.
- Porquê?
- PORQUE SOMOS OS DOIS MENORES! Eu posso tomar conta de mim, mas não te posso proteger de tudo e eu não quero que tenhas problemas com o tribunal. Além disso, é aqui que tens tudo!
- Tudo o quê? O meu pai que quase não me deixa respirar e o meu irmão que faz de conta que eu não existo? – perguntei, alterada.
- Tu tens aqui amigos, a escola, a tua casa.
- Não importa. – respondi e deixei cair uma lágrima e após essa, caíram muitas mais. Não conseguia parar de chorar.
- Não chores, meu amor. Eu ainda te amo. – pediu e começou também ele a chorar. – Estão milhares de estrelas brilhantes no céu, neste momento, a olharem para ti, não as deixes tristes. Dá-lhes o teu melhor sorriso e dá-mo a mim, também. Eu preciso de o ver.
Eu tentava parar de chorar, mas não conseguia controlar aquilo. Ele aproximou os seus lábios dos meus e beijou-me. Retribuí, e quando os nossos lábios se separaram, ele tirou um colar do seu bolso. Era lindo. Parecia de prata e tinha um ‘A’. Ele colocou com cuidado o colar no meu pescoço.
- ‘A’ de ‘Axl’? – perguntei, dando um sorriso, mas não parando de chorar.
- Não. – respondeu. – ‘A’ de ‘Amo-te’. Quero que nunca te esqueças que te amo, mesmo que um dia deixes de sentir o mesmo por mim.
Fiquei sem palavras. Abracei-o com força e voltamo-nos a beijar.
- Amo-te. – afirmei com todas as certezas.
-E eu a ti, mas não esperes por mim. – disse.
Soltei-me dos braços dele.
- Porquê? – perguntei.
- Porque até tu fazeres 18 anos, pode acontecer muita coisa. Em 3 anos muita coisa pode mudar, por isso… Mais vale não nos comprometermos um com o outro.
- Mas…
- Shhh.
Deu-me um suave beijo na testa e foi-se embora.
A minha vida é mesmo uma merda.
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