Sweet Child O'Mine

1 Sweet Love of Mine


A mesa de jantar estava organizada e os tons pastéis predominavam no ambiente, fazendo Pansy comemorar consigo mesma por ter feito algo tão lindo em pouco tempo. Os convidados estavam espalhados pela grande sala, com suas taças de vinho tinto e sorrisos presos no rosto, assim como Luna, sua esposa.

A loira estava radiante em seu vestido verde, fazendo caretas para a pequena Lily Luna enquanto Ginny, sua mãe, a segurava no colo. Harry estava ao lado da ex-esposa e amiga com os braços cruzados, observando seus filhos mais velhos, Albus e James Sirius, correrem com os primos que também haviam sido convidados para a festa.

Estavam completando dez anos de casamento e a felicidade era tanta que precisavam comemorar de alguma forma.

Janeiro de 2006.

O céu estava nublado e fazia frio, mas Parkinson ainda sentia seu corpo suando. O nervosismo corroía seu interior, fazendo a morena enrolar nos dedos alguns fios de seu cabelo liso. Havia marcado de encontrar Luna no parque central e era para lá que a garota se dirigia em seu conversível cor-de-rosa.

Avistou a loira acenando para si assim que estacionou, novamente checou os bolsos e respirou fundo, abrindo a porta e caminhando lentamente até onde sua namorada estava. Um passo de cada vez.

— Achei que chegaria atrasada. — murmurou Lovegood, mordendo o lábio para prender um sorriso que ameaçava aparecer.

— Não poderia chegar atrasada hoje... uh.. vamos sentar no carro? Preciso falar com você. — respondeu a morena, vendo sua garota mudar rapidamente de feliz para confusa.

— Tudo bem. — deu de ombros, virando-se em direção ao carro.

Pansy demorou alguns minutos para se mover quando ambas já estavam acomodadas nos bancos de couro branco, sentindo a brisa bagunçar seus cabelos e ouvindo Luna cantarolar alguma música qualquer que tocava na rádio.

— Eu... — começou Parkinson, sentindo o nervosismo atacar novamente.

— Você vai... terminar comigo? É por isso que está assim, não é? Eu... eu... sei que não sou o que sua família espera e que vai ter um futuro melhor sem mim, tudo vai ser melhor sem mim e-

Um beijo. Os lábios vermelhos da morena calaram os rosados da loira, rapidamente.

— Não vou terminar com você, doce. De onde tirou isso? — perguntou, com a sobrancelha arqueada. Levantando o dedo quando Luna abriu novamente a boca para responder. — Eu... vou falar agora e você ouve, ok?

Sorriu aliviada quando a loira concordou com um aceno.

— Nunca acreditei no amor, desde que era uma criança e via meus pais brigando todos os dias. — começou, fechando os olhos no processo. — Minha vida foi programada desde que nasci, nunca fiz algo por gostar ou por ser o que eu queria, era sempre para agradar meu pai e mostrar para a sociedade a nossa família perfeita. Quando entrei nas séries inciais naquele maldito colégio interno me senti mais livre do que me sentia na minha própria casa. E lá estava você. — sorriu quando as lembranças inundaram sua mente. — Lembro que foi a primeira a falar comigo.

— Você parecia perdida, só quis ajudar. — murmurou Lovegood, sorrindo.

— E eu estava perdida. — suspirou. — Fomos amigas por vários anos, mesmo quando meu pai proibiu nosso contato. E olhe só onde estamos agora.

— Não desistiria de Você, Pans. — comentou a loira. — Mesmo com tudo aquilo.

— Você sempre foi a luz que me guiava de volta para casa, Luna. E mesmo quando entramos na adolescência e eu fui uma completa idiota, você estava lá. E eu sei disso pois Draco me contou. — mordeu o lábio, virando a cabeça até ter a outra em seu campo de visão. — Tudo que eu te fiz... como te tratei quando estava com Blaise, isso... me desculpe, novamente.

— Passado não move ninguém e eu sei que você estava confusa, tudo bem. — sorriu doce, pegando o rosto da morena entre as mãos.

— Eu amo você. Amo desde que tínhamos quinze anos ou até mesmo antes e tentei negar isso, tratei você mal e me sentia pior ao fazer isso, eu... você sempre estava sorrindo para mim no dia seguinte e era como se... me sentisse em casa, você é a minha casa. — disse, vendo os olhos azuis e gentis lhe observarem atentamente. — Os anos que passamos juntas, todas as vezes que assistimos os seus shows favoritos ou fomos comer no restaurante da esquina, até mesmo quando você conheceu minha mãe... — riu, sendo acompanhada pela garota ao seu lado. — Foram os melhores momentos da minha vida e você sempre estava comigo, assim como está agora e como eu pretendo que esteja sempre. — respirou fundo, colocando uma das mãos no bolso e retirando de lá uma pequena caixinha preta de veludo, abrindo-a. — Seu sorriso ilumina os meus dias e tudo que mais quero é ter a chance de viver a vida ao seu lado. Aceita casar comigo, Luna?

Lovegood sentia-se entorpecida. Levou a mão trêmula até o rosto e piscou os olhos repetidamente. A garota deveria estar brincando, claro.

— Casar... comigo... você... — murmurou, sentindo lágrimas quentes escorrerem por seus olhos.

— Casar com você, se aceitar. — sorriu, secando as lágrimas teimosas da outra. — Conversei com mamãe e ela adoraria ter você na família também, se quer saber.

Sweet Child O'Mine tocava no momento em que ela pediu a garota em casamento, no momento em que Luna disse sim. E essa seria a música delas para sempre.

[...]

— Terra para Pansy, alô. — disse uma voz conhecida, fazendo a morena rir. Draco estava ali com seu filho Scorpius no colo, Harry havia avisado que ele chegaria um pouco tarde. — Parabéns pelos dez anos querida.

Puxou o loiro até seu encontro, estalando um beijo na bochecha do mesmo, repetindo o processo com o pequeno loirinho. Não demorou até Luna estar ao lado deles, bagunçando os cabelos do bebê que lhe retribuiu com um sorriso banguela.

— Me diga como é aturar essa louca por todo esse tempo sem ir parar num hospício? — brincou Draco, rindo.

— Tão fácil quanto descascar um abacaxi. — piscou Luna, beijando os lábios da esposa de forma doce. — Vim avisar que o jantar será servido, vamos?

— Você tem sorte, Pans. — falou Malfoy, vendo a amiga concordar e sorrir de forma apaixonada.

[...]

Agosto de 2012.

Luna estava feliz pois havia conseguido os papéis para adoção. Ela e Pansy estavam casadas desde dois mil e sete, completando um total de cinco anos e para a loira, já passava da hora de terem um bebê para chamar de seu. Via suas amigas com seus filhos e tudo que queria era partilhar dessa alegria com sua esposa.

Seu mundo caiu quando a morena negou com a cabeça, irritada.

— Luna, nós não vamos adotar. — murmurou, passando a mão pelos cabelos de maneira nervosa.

— Mas Pansy, eu quero isso e... — o som do copo sendo depositado na pia foi tudo que a loira ouviu em resposta.

— Não, Luna. — respondeu, os ombros ficando tão tensos quanto o clima que se instalava no ambiente. — Não vamos adotar apenas por um capricho seu, sabe o quanto precisamos para cuidar de uma criança? Preciso focar no meu trabalho agora e você deveria fazer o mesmo.

— Você está sendo egoísta! — exclamou a loira, puxando a outra pelo ombro até tê-la virada de frente novamente. — E o que eu quero? Isso não vale de nada para você? Pansy, fale comigo! — gritou.

— Se você quiser adotar uma criança não vai ser comigo. — disse por fim, deixando Lovegood sozinha.

Aquela foi uma das poucas brigas que tiveram em todo o tempo que se conheciam, mas a ferida ficou aberta por um tempo até finalmente cicatrizar. E o jardim floresceu novamente da melhor maneira possível.

[...]

O jantar havia sido um sucesso e todos estavam novamente na sala, ouvindo a música clássica soar calma e baixa enquanto conversavam. As crianças estavam brincando no quintal e os adultos pareciam colocar os assuntos em dia, já que muitos ali se viam pouco.

Pansy estava com sua esposa enquanto conversava com Hermione e Ronald sobre as crianças, sorrindo e rindo ocasionalmente. Sentia-se completa ali, mas sabia que estava faltando algo muito importante. Separou-se da loira mas não sem antes deixar um beijo terno em sua testa, indo até o centro da sala, onde havia um pequeno palco improvisado, para pedir atenção de todos enquanto Harry corria até o rádio para selecionar a música certa.

— Uh, gostaria da atenção um instante. — pediu, sorrindo ao que sua esposa colocou as mãos na cintura e a encarou, assim como os outros também faziam. — Hoje é uma noite especial e nada melhor que comemorar uma data tão importante assim rodeada de amigos, certo? — ergueu a taça, focando nos olhos azuis que observavam cada um de seus movimentos atentamente. — Queria falar algumas coisas para minha esposa e melhor amiga esta noite, tudo bem? — riu quando ouviu um "Só não chore, Pansy" vindo de Draco, que sorria de lado enquanto Harry o abraçava. — Por favor amor, chegue mais perto.

Todos estavam sorrindo para a loira que caminhava lentamente até estar ao lado de Parkinson, que sussurrou um pequeno eu te amo, baixinho.

— Luna, antes de qualquer coisa gostaria de agradecer a você por não desistir de mim nesses dez anos. Não desistir de nós e da família que construímos juntas, mesmo depois de tanta coisa. — viu a esposa morder o interior da bochecha, algo que fazia apenas quando estava nervosa, e levou uma de suas mãos até a dela, entrelaçando-as. — Quando te vi a primeira vez eu pensei, uau essa garota é uma fada! — contou, vendo alguns amigos rirem. — E você é mesmo uma fada, segundo nosso Pietro. — sorriu, vendo a outra rir também. — Os anos se passaram e você continua me fazendo apaixonar a cada dia mais, a cada minuto. Você tem um sorriso que me parece trazer à tona recordações de infância, onde tudo era fresco e límpido como o céu azul. Às vezes quando olho seu rosto, ele me leva para aquele lugar especial. — sorriu, enquanto recitava alguns trechos de Sweet Child O'Mine, música que havia marcado o seu pedido de casamento. — Você tem os olhos como os céus mais azuis, como se eles pensassem em chuva. Detesto olhar para dentro daqueles olhos e enxergar o mínimo que seja de dor. — levou as mãos unidas até o rosto, depositando um beijo nos nós dos dedos de Lovegood. — Aprendi o que é amor com você e continuo aprendendo, você me mostrou o lado bom da vida sabe? E sou muito grata por poder compartilhar com você tudo que já vivi e ainda vou viver. Saber que tenho você é algo que faz meus dias felizes, acordar e te ver com nosso bebê é incrível e nunca pensei que isso aconteceria comigo um dia... sabe... ser feliz desse jeito.

— Pansy... — murmurou Luna, sorrindo em meio ao choro.

— Tirei a sorte grande por ter me apaixonado por você e mais ainda por ser correspondida. Eu sou tão apaixonada por você, amor! Acreditei no amor quando te conheci e agora estamos completando dez anos de casadas. — sorriu, colocando uma pequena mecha do cabelo loiro atrás da orelha de Luna. — Eu te amo, feliz dez anos de casadas e que venham muitos mais.

[...]

Março de 2014.

A morena sorria para o bebê que estava em seu colo enquanto esperava Luna trazer a mamadeira recém feita, ouvindo o barulho do programa infantil que passava na TV.

Haviam adotado o pequeno Pietro de um ano em fevereiro de dois mil e quatorze e desde então a vida de ambas estava completa. Parkinson havia assumido o cargo de diretora chefe da revista em que trabalhava e Luna estava muito bem com sua floricultura no centro da cidade. Deixaram de tocar no assunto filhos por algum tempo após a briga que tiveram em dois mil e doze, mas o destino colaborou para que o sonho de ter uma família se tornasse real.

— Olha só o que a mamãe trouxe, garotão. — disse Luna, rindo ao que o bebê começou a chutar com as perninhas. — Uau, você não para! Vai nos dar trabalho quando crescer, não vai? — murmurou, beijando o topo da cabeça do filho.

— Ele vai sim. — concordou Pansy, sorrindo para a esposa. — Mas nós vamos conseguir lidar bem com isso, amor.

— Já consigo ver você de cabelos brancos, Pans. — brincou a loira, entregando a mamadeira para a outra que negava, rindo. — Bem, se ele ficar muito terrível mandamos passar um tempo com o padrinho Harry e o padrinho Draco, não é bebê? — riu.

— Ele voltaria pior. — constatou a morena, acompanhando a outra nos risos enquanto aconchegava o bebê no colo e lhe dava a mamadeira. — Nós amamos você, baby Pietro.

— E sempre vamos amar. — sussurrou Luna, passando o braço pelos ombros da esposa enquanto observava sua pequena família.

[...]

Passou um tempo e a festa acabou, os convidados indo para suas respectivas casas após o pequeno depoimento de Parkinson. Agora, estavam sentadas no sofá enquanto Pietro brincava com alguns blocos coloridos no tapete felpudo. Não demorou até o menino reclamar de sono, esticando os bracinhos para que a loira o pegasse no colo e colocasse para dormir, como sempre fazia.

Pansy sabia que demoraria um tempo até seu garotinho conseguir dormir e sabia também que para isso acontecer Luna deveria contar um trecho de sua história favorita, O Pequeno Príncipe. A mulher lia para ele desde seu primeiro mês com elas, era quase um ritual. Caminhou até a cozinha e pôs um pouco de água para aquecer, prepararia duas xícaras de chá enquanto esperava sua esposa retornar.

O que levou mais ou menos quinze minutos.

— Ele estava um pouco elétrico, mas acabou dormindo assim que li duas páginas do livro. — sorriu, sentando-se na cadeira ao lado da morena enquanto depositava a babá eletrônica na mesa. — Hoje foi agitado, mas como sempre você me surpreendeu. — suspirou, bebericando o líquido quente.

— Fico feliz que tenha gostado, doce. — murmurou, levando a xícara até os lábios. — Mas as minhas surpresas para você não acabam agora. — arqueou a sobrancelha, vendo a loira balançar a cabeça e rir. — O que foi?

— Você não presta. — riu, mordendo o lábio. — Lembrei da nossa lua de mel...

[...]

Maio de 2007.

A cerimônia havia sido na praia, a pedidos de Luna.O ar fresco fazia os vestidos esvoaçarem enquanto as duas corriam pela areia molhada, rindo.

Era meia noite e elas já estavam casadas faziam exatamente sete horas.

A ideia de correr pela areia havia sido de Pansy, que agora estava irritada por ter perdido a aposta e ter chegado depois na cabana que ambas estavam dividindo. Havia sido um presente de casamento.

— Meu vestido tem mais pano, era óbvio que você ganharia. — murmurou.

— Sempre sendo uma má perdedora, Pans... — brincou a loira, aproximando-se da morena que a encarava. — Podemos resolver isso de uma forma mais interessante.

— Sim, nós podemos. — sussurrou, mordendo os lábios quando as mãos ágeis de Lovegood, agora Lovegood-Parkinson, corriam por seu corpo em busca do feixe lateral do vestido. Não demorou até o vestido estar embolado em seus pés, fazendo-a chutar o pano até se ver livre o suficiente para empurrar Luna com seu corpo até a parede mais próxima.

Beijou e mordeu o pescoço da outra, que estava entregue enquanto puxava seu cabelos e gemia em deleite. A língua curiosa explorava cada pedaço de pele exposto, saboreando, provando e dando prazer. O vestido de Luna, assim como sua lingerie, foi jogado em algum canto do quarto enquanto ambas caminhavam até o banheiro, separando-se apenas para abrir o box e ligar o chuveiro. A água quente caía relaxando ainda mais o casal, deixando os vidros embaçados. Os únicos sons presentes eram a água caindo e as respirações ofegantes.

[...]

As lembranças de Luna foram interrompidas quando um choro baixinho foi ouvido pelo pequeno auto-falante, fazendo com que a loira levantasse.

— Pode deixar, eu vou. — falou Pansy, caminhando até a saída da cozinha em direção à escadaria. — Vou fazer você lembrar da nossa lua de mel mais tarde, não esqueça disso. — disse um pouco mais alto, rindo.

— Não vou esquecer. — respondeu Luna, segurando a xícara com as duas mãos enquanto olhava para a porta da geladeira, onde haviam pendurados com imã alguns desenhos de Pietro e fotos de família. — Amo você.

— Eu sei, sou irresistível. — respondeu Pansy, antes de subir até o quarto do bebê e pega-lo no colo, cantarolando a canção que tanto havia marcado sua vida. — Oh, oh, oh sweet child o' mine.

[...]

Luna estava deitada sobre o peito da morena, respirando seu perfume doce enquanto pensava. Chamou a esposa em um tom baixinho, após ter certeza que a mesma ainda estava acordada.

— Hoje pela manhã falei que tinha uma surpresa para você, lembra? — sussurrou, sentindo a respiração quente bater em sua testa.

— Uh-um. O que seria essa surpresa? — perguntou curiosa, acariciando os fios loiros ondulados. — Não é mamãe ligando para vir passar uma semana, é? — brincou, observando a outra rir.

— Não... — sussurrou de volta, risonha. — Nossa família, acho que ela vai aumentar Pans...

— Oh, resolveu aceitar o cachorrinho que Pietro pediu? — indagou curiosa.

— O que? Não! — riu, erguendo o tronco até estar olhando sua esposa nos olhos. — O tratamento de fertilização, ele deu certo. — revelou, conseguindo ver a expressão de espanto e felicidade genuínas se mesclarem na face corada da morena. — Nosso filho vai ter uma irmãzinha ou um irmãozinho, quem sabe nossa pequena Orchid... — murmurou, sentindo braços magros enroscarem em seu pescoço e lágrimas quentes molharem sua camiseta. — Vamos ser mamães outra vez.

— Eu estou tão feliz, Luna! Eu amo tanto você! — confessou em meio ao choro, beijando os lábios que sorriam para si. O gosto salgado das lágrimas se misturando com o sabor doce de sua esposa. — Você me faz tão feliz.

— Amo você também. E sempre vou amar. — disse a loira, sentindo-se mais completa do que nunca antes.

"Oh, oh, oh, oh

Sweet love of mine."

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