†Sweet Blood†

†A lua cheia ia alta no céu da cidade de Londres, as ruas estavam vazias e úmidas pela recente chuva que cessara. Apenas alguns carros ainda passavam, remanescentes de alguma festa que durara até altas horas. Se alguém estivesse na rua observando o alto do prédio da Catedral veria um estranho recorte negro contra a luz do luar.Cabelos longos e prateados agitavam-se para trás com o vento, olhos dourados fixavam-se num ponto á distância, com a mente perdida em pensamentos...

Aquele era InuYasha, herdeiro do nobre Clã de Vampiros Taisho. Sua longa capa negra caía até o chão, ele blasfemava da casa de Deus pisando sobre o teto sagrado, apenas um pecador, filho das trevas, esperando, esperando, apenas esperando...

Tudo o que lhe restava fazer agora era esperar. Esperar para ver uma última vez aquele belo par de olhos que tanto o encantara...Os carnudos lábios avermelhados, a pele branca, a roupa de couro justa, aquela expressão sombria e apaixonada... Aquele sangue doce, tão doce sangue o de sua amada...Por mil vezes tentara não pensar, tentara não admitir, mas era tarde, era perdidamente apaixonado por ela, Kagome, a princesa herdeira do Clã dos Higurashi, ele sabia, sabia melhor do que ninguém, ambos estavam condenados, aquilo iria terminar, assim como não devia ter começado.

Ouviu um rumorejar atrás de si, sentiu antes de ver, ela chegara. Virou-se, encarou os olhos azuis e momentâneamente esqueceu-se de seu propósito, esqueceu-se de tudo, só o que queria naquele momento era abraçá-la, beijá-la, mordê-la, dizer que queria passar o resto de sua existência ao seu lado...

E então ele se lembrou. Eles nunca poderiam ficar juntos. Naquele exato momento estava acontecendo uma batalha entre os dois Clãs, e ele não tinha dúvidas de que o Clã dele dizimaria o dela. E a tarefa dele seria justamente acabar com ela. E lá estava ela, na frente dele, sorrindo, bonita, tão bonita que ele mal se atrevia á desviar os olhos.

-O que houve, InuYasha?

InuYasha apertou o punhal de prata que trazia no bolso da capa negra, como que para invocar forças, e disse, pesaroso:

-Precisamos conversar.

Kagome o olhava confusa. Como poderia ele machucar tão bela e terrível dama?

-Sobre o...

-Pare! Eu não admito que você continue! Eu sei o que você dirá. Eu não estou nem aí! Eu quero ficar com você, por você eu trairia todo o meu Clã, você não entende? Você não seria capaz de fazer o mesmo por mim?

InuYasha desviou o olhar e olhou para o chão. Disse, ainda sem encará-la, sentindo uma enorme sombra no coração:

-Eles estão todos morrendo. Neste exato momento.

Kagome deu um passo para trás, e levou as mãos á boca:

-Não me importo com essa maldita família mas... InuYasha, o que isso significa?

Ele tirou o punhal do bolso e disse, girando-o entre os dedos:

-Significa que eu devo matá-la.

Kagome olhou para baixo, conformada:

-Certo. Então, está esperando o que? Ande, me mate. Mas faça isso rápido.

Ela sabia desde o início que o fim seria aquele. Fora alertada inúmeras vezes. Revoltou-se contra a família, odiou-os, desejou que todos virassem pó.

E agora lá estavam, o amor de sua vida com um punhal nas mãos, prestes á matá-la. Não, ela já estava morta. E estava morta por dentro. Seu coração doía, vampiros não deviam amar, não daquela forma, não deviam largar tudo por um amor tão...

Impossível.

InuYasha deu um passo para frente e disse, alisando a faca:

-Eu matarei você, sim.

Kagome ergueu os olhos para encarar a face dele e viu, para seu espanto, que os olhos dourados estavam vermelhos e os caninos para fora da boca. Ele continuou:

-Mas irei matar-me junto. Passaremos para uma próxima existência, apenas eu e você, sem nada entre nós.

Ela deu um passo para frente em direção á ele, mas a imagem dele piscou e desapareceu, e menos de um milésimo depois ele estava agarrado ás costas dela, segurando-a por trás e fazendo com que ela tombasse a cabeça para a direita, expondo o pálido pescoço. InuYasha afastou gentilmente os cabelos e cravou as presas na pele dela e afundou, sugando aquele sangue tão doce, tão embriagante, com o sabor tão inebriante que quase o embebedava, nenhum outro era assim, doce como o sangue de sua amada.

Quando terminou, um fino filete de sangue escorria de sua boca. Os olhos brilharam e voltaram á cor dourada e os caninos encolheram.Kagome virou-se de frente para ele e aproximou-se dos lábios dele, tão quentes em contato com os lábios tão frios dela...

InuYasha ergueu o punhal de prata á luz do luar, que cintilou inocentemente. Então ali, em cima da casa do Senhor onde no dia seguinte os fiéis dariam graças, InuYasha baixou o punhal atravessando as costas da amada e logo em seguida o seu peito.

Nos lábios um do outro eles soltaram um último suspiro, com o ferimento seus sangues se uniram, o destino foi selado. InuYasha sussurou, com seu último fôlego:

-Adeus, minha doce amada.

Notas finais
Nunca escrevi histórias desse tipo..Espero que tenham gostado!
Comentem xD

bjoks
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!