Sweet Angel... Sweet Day
2 Capítulo 2
Percebi que tinha que falar com ela pelo menos mais uma vez. Peguei o celular e perguntei se ela poderia sair comigo; antes que ela dissesse alguma coisa, disse que era apenas para sairmos como amigas, apenas precisava falar com ela.
Para minha surpresa ela disse sim. E ainda, disse que poderíamos sair no dia seguinte. Fui dormir com o mais belo e sincero sorriso que alguém poderia ter.
Marcamos de nos encontrar na entrada do shopping, estava muito ansiosa e cheguei duas horas antes do marcado. Olhava para o relógio que parecia não gostar de mim, e o tempo parecia não passar, olhava para as pessoas passando e vi um casal andando de mãos dadas, e pareciam amar a presença um do outro. Senti inveja deles. Eu já não era aquela sonhadora entusiasmada, que tinha soluções simples para tudo, que planejava e construía futuro sobre futuro, um jovem coração cheio de planos, projetos, orgulhos, idéias, e desejos, agora eu era um “cachorro perdido”. Era como se tudo estivesse desaparecendo. Comecei uma briga comigo:
- Porque você A segue?
- Por que fico feliz apenas em Vê-la.
- Ela não gosta mais você. Considera-te a pessoa, mas mentirosa que existe! Isso não muda as coisas?!
- Ela parecia me amar. Isso não é o suficiente?
- E daí?! Ela não te quer mais! Não há mais nada o que fazer! Você é uma tola!
- AH! Cala a boca! Não preciso te explicar nada! E eu estou doida! Estou conversando comigo, pode uma coisa dessas?! Só devo estar louca mesmo!
Comecei a pensar que aquilo poderia ser um erro, mas eu já estava lá, não poderia recuar, e além do mais, Ela aceitou. Meus olhos A procuravam em todos os lugares. Vi uma moça cujos cabelos castanhos claros (isso daria até um trava língua, não é? xD. Duvido você pronunciar “CUJOS CABELOS CASTANHOS CLAROS” bem rápido 5 vezes rsrsrsrs :3)* , estavam soltos, jogados ao vento. Ela usava uma blusa preta, sem estampa. Andava com um ar de superioridade, um olhar penetrante, se destacava entre os demais. Definitivamente era Ela!
Acenei, quando ela chegou perto, não pensei apenas a puxei e dei um abraço super apertado, que durou alguns segundos. Após isso fomos até o terceiro andar comprar as nossas entradas.
- Identidade, por favor. – disse o atendente.
Não sei por que mais aquela parte sempre era engraçada.
- Vocês são irmãs? – perguntou ele.
- Não só amigas. – respondemos, disfarçando as risadas.
- Aqui está, muito abrigado e voltem sempre.
Caminhamos um pouco e ainda estávamos rindo da pergunta do atendente.
-Aquele cara, parece que é leso. Primeiro: os nomes dos nossos pais são totalmente diferentes. Segundo: que mãe seria lesa o suficiente pra colocar o nome das filhas iguais? – Ela disse enquanto ria, mas estava um pouco indignada com a estupidez daquele cara.
Já na sala do cinema, nos sentamos na última fila. O filme já estava na metade e eu não havia nem ao menos perguntado como ela estava, não conseguia parar de pensar no que iria acontecer... Comigo.
- O que você faria se descobrisse que iria morrer ou não fosse se lembra de nada quando acordasse?- perguntei subitamente, olhando bem nos seus olhos.
Ela havia falado algo que não consegui ouvir, estava muito concentrada admirando como Ela fica linda pensando. Eu A amo é a única certeza que tinha ali. Comecei a chorar.
- Você é tudo pra mim, eu te amo! Podem ser apenas palavras, mas todas são verdadeiras. Não quero Te esquecer, quero continuar te amando, mesmo que você não concorde com isso. Quero lembrar o que vivemos, o que eu senti, o que eu sin...- não consegui terminar de falar, estava aos prantos.
Ela perguntou por que eu estava falando aquelas coisas, porque eu estava chorando. Após explicar o que estava acontecendo comigo ela simplesmente me abraçou e ficou calada. Naquele momento toda a minha angústia, toda a minha tristeza haviam desaparecido, queria que aquilo ficasse para sempre nas minhas lembranças. “Para sempre”, aquela palavra que antes era sinônimo de uma vida feliz e apaixonada como em um conto de fadas, agora era algo que eu temia. Porque eu tinha que descobrir que contos de fadas não existem daquele jeito? Nada mais importava, só queria aproveitar o máximo e tentar guardar aquela lembrança comigo “para sempre”. Aquela foi a última vez em que A vi antes da cirurgia.
Um dia antes fiquei conversando com os melhores amigos que alguém pode ter: Aoi-kun e Shizuma-senpai. De certa forma estava me despedindo porque não sabia se voltaria a vê-los novamente, ou se eu me lembraria deles. Enfim foi um dia normal como se nada fosse acontecer.
Conversei com os meus pais e também me despedi deles. E Ela... bom quanto a ela, não tive a chance de Vê-la, então A enviei uma mensagem:
\" Boa noite. Independentemente do que vá acontecer amanhã, saiba que eu te amo, e não vou esquecer isso, e espero que você também não...\"
Dormi desejando que aquilo fosse apenas um sonho e que eu iria acorda em breve. Infelizmente estava errada, acordei e meus pais estavam na sala, sentados no sofá, com cara de que não haviam dormido. Sentei ao lado deles, os abracei e disse que tudo daria certo, fingindo pra mim para poder esquecer, aliviar a dor. Estava quase na hora, nos levantamos e saímos.
Lembro que, na sala de cirurgia, o cirurgião disse que não poderia aplicar a anestesia porque como era uma operação no cérebro eu tinha que ficar acordada, enfim explicou algo que eu não entendi e sinceramente não me importava, preferia morrer a não lembrar a minha vida.
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