Notas iniciais
"Será? Será que estou apaixonado? Isso é um erro. Ou não?"

"Não pode ser. Apaixonado por um... homem? Isso nunca aconteceu antes na minha vida. Não é agora que tem que acontecer. E se acontecer, o que eu vou poder fazer? Nada. Eu não poderei fazer nada. Selatty é casado, tem um filho e pelo visto, anda com uma relação muito boa com a sua família. Não sou EU que tenho que estragar tudo isso. E além do mais, eu não tenho nada a ver com Selatty. A única coisa que eu tenho a ver com ele, é a qual eu não poderia ter... Meu sexo.
Será? Será que estou apaixonado? Isso é um erro. Ou não? NÃO! Não pense besteiras, Rebel. Se CONCENTRE."

Até que o sinal toca novamente. O horário de intervalo passou voando, segundo os pensamentos de Rebel. Pensar em Selatty fazia o tempo passar mais rápido. E a preocupação, fazia ao contrário. Preocupação. O que será que o coração de Rebel estava sentindo? Obviamente, amor. Ele apenas não queria acreditar, não queria assumir e não queria esse amor. Isso, poderia apenas trazer problemas para ele. Problemas, no qual Rebel não queria imaginar. Pelo menos, não agora.
O passo de Rebel foi diminuindo de velocidade ao passar pelo corredor em que Selatty estava conversando com uma outra professora de ensino médio.

– Não tá nada fácil isso. Essas brigas, tudo isso não pode continuar. Além disso eu sou professor. Minha cabeça está fervendo, meus pensamentos estão a mil por hora.
– Se acalme, Sese. — a professora ao chamar Selatty por aquele apelido carinhoso "Sese" fez com que Rebel ardesse em chamas. Seria ciúmes?
– Mas e meu filho? Como vai ficar meu filho? Eu nunca deixaria ele. — Mas que diabos que Selatty estava falando? Porque ele ficaria sem o filho? — É óbvio que minha mulher iria querer ficar com ele. Ela nunca abriria mão. Argh!

Separação. É o que veio a mente de Rebel. Ele iria se separar da mulher dele.

"O professor de história, infeliz com sua vida, iria se separar da mulher e ficar com o de matemática... E eles viveram felizes para sempre! Hum, acho que não. O que foi isso que passou pela minha cabeça? Eu NÃO vou viver FELIZ PARA SEMPRE com SELATTY!! Acho que estou meio enjoado."

Logo, Rebel percebeu que iria se atrasar se continuasse ali, ouvindo a conversa dos dois. Decidiu ir para a sala de aula, mas ao fazer isso, Selatty o viu.

– Rebel? Você estava aí?
– Hum, eu tenho que ir. Me desculpa. Eu vou me atrasar.
– Você ouviu a minha conversa com a Jessica?
– Talvez...
– Sei. Depois a gente se fala então. Tchau.
– Hum, tá.

Ofegante, finalmente chegou a sala de aula e percebeu que ele não iria se atrasar naquele momento. Percebeu que já estava atrasado. E assim, uma tonelada de perguntas...

– PROFESSOR?
– Aonde você estava?
– Aconteceu alguma coisa?
– Vai ter prova hoje? Você se atrasou.
– Me ajuda com a questão 5?
– A prova não era hoje?
– Já se passou 20 minutos! Aonde você se enfiou?

E naquele exato momento, Rebel quis sumir dali. Sumir e não precisar responder nenhuma daquelas perguntas, sumir e deixar tudo, sumir. Mas ele não costuma chegar atrasado por besteiras. Aquilo seria uma besteira? Será que estaria realmente apaixonado? E chegou a uma conclusão. Finalmente, assumiu para si mesmo. O que ele sentia por Selatty era paixão. Sel. Sel, o apelido. Não Sese. Não. Sel só ELE poderia chamar. Sel era dele. E nunca o deixaria escapar.

Notas finais
Acabei de descobrir que "Rebel" é uma palavra inglesa e significa "Rebelde". Mas não achem que é por isso que dei esse nome ao personagem. Espero que tenham gostado. - Loe