Sweeney Todd

2 Capítulo 1


Uma Fan-fiction por Psique, que está sob um pseudônimo.



CAPÍTULO 1



11 de Agosto de 1865



”E todas as estradas pelas quais temos que caminhar são sinuosas e todas as luzes que nos conduzem até elas estã nos cegando, Oasis — Wonderwall”



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Era tão simples, tudo o que eu precisava estava bem ali. Aninhada aos meus braços, a minha bela e amada Hermione, senti-a mexer-se por entre os lençóis, deitou sobre o meu peito, seu toque era tão quente, macio. Seu cheiro me inebriava e eu respirava mais profundamente para sorver o máximo que pudesse do seu perfume, tinha medo de esquecê-lo. Brinquei com os cachos de seu cabelo castanho, enroscando-os por entre os meus dedos pálidos, eles deslizavam desfaziam e refaziam-se. Johanna, minha pequena, eu podia ouvi-la ressonar por entre a colcha infantil de seu berço, um cacho de cabelo louro brincando em sua bochecha, um sono angelical, só Deus sabia em que ela estava perdida.
Eu sabia exatamente onde estava perdido, na minha felicidade, sim. Ela me acordara antes mesmo do sol nascer, e enquanto as minhas damas dormiam, eu fixava o teto do quarto com instigante interesse. Os olhos fixos na cúpula do lustre no teto, as cortinas de seda verde protegendo-nos da luz do sol matinal, o piso de madeira brilhando depois de ser imensamente escovada, a penteadeira coberta de produtos para alimentação de vaidade. Os objetos de porcelana sobre os criados-mudo. Os lenços de renda sobre os abajures. Eu já havia decorado com exatidão cada detalhe de minha casa. Não havia nenhum outro lugar no mundo em que eu queria estar, era perfeito. Tudo como deveria ser.

— O que faz acordado esse horário? – a voz de Hermione me trouxe de meus devaneios, foi como um estalar.

— Perdi o sono, só isso. – disse enquanto dava um beijo no topo de sua cabeça.

Ela estava sonolenta e eu queria mantê-la ao meu lado o máximo que eu pudesse.

— Volte a dormir minha querida. Não se preocupe. – acomodei-a mais perto de mim.

Senti uma leve dor abdominal, uma dor altamente prazerosa, a dor de quem pode fazer amor com sua esposa por várias vezes até alcançar o cansaço reconfortante. Hermione deixou os meus braços em minutos.

— Aonde vai? – indaguei e logo me veio uma resposta óbvia.

— Vou dar de mamar a neném. – disse Hermione sorrindo para mim e revirando seus olhos cor de mel, como não pude ouvir o choro de Johanna? Eu estava realmente distraído aquela manhã.

Observei-a sentar na cadeira de balanço, Johanna nos braços, lindas. Ela pôs um dos seios nos lábios do bebê, Johanna sugou o mamilo avidamente, provocando uma careta no rosto de Hermione. A cena era no mínimo extasiante. Levantei-me da cama, indo em direção a elas, acarinhei a cabeça de Johanna e selei meus lábios aos de Hermione, doces, macios.

— Eu te amo Sra. Malfoy. – eu adorava como estava frase soava, era um sentimento delicioso, talvez até egoísta, de posse. Eu havia dado o meu sobrenome a ela, adorável.

— Eu também te amo Draco. – ela sempre me chamava de Draco nestas situações, acho que sabia exatamente em que eu pensava quando pronunciava “Sra. Malfoy”, duvido que não visse nos meus olhos o brilho e o sentimento semelhante a triunfo e posse. Não me envergonho, ela era tudo o que eu sempre quis, desejo e amo.

Sorri para ela, ela sorriu para mim, finalmente meus olhos pousaram com mais cuidado na penteadeira, havia um ramalhete de flores sobre ele, estavam ressequidas, quanto tempo estariam ali?

— De quem são essas flores? – a frase saiu impulsivamente de minha boca, não me lembro nem mesmo de tê-la formulado.

Um silêncio inicial e meus olhos procuraram os dela.

— Virgínia as trouxe para mim. Ela mesma as plantou... Não são lindas? – Hermione apanhou o ramalhete de rosas velhas e abanou-o na minha frente.

— Deveriam ter sido. – respondi com um sorriso, abandonando a questão.

— Sim... Eram – disse ela também sorrindo para mim, Havia algo de pouco tranqüilo em seus olhos, mas eu não pude ler exatamente o que era, na verdade eu não conseguia. Deveria me preocupar? Não, não no momento.

Deixei-as no quarto e sai. Descia as escadas até a loja no piso inferior, havia um pouco de cabelo no chão, mas a Srta. Weasley logo estaria aqui e poderia cuidar desta limpeza pra mim, juntamente com seu amigo Harry Potter. Andei até o cômodo de trás a barbearia, havia uma cozinha lá, minha cabeça ainda fixa na expressão confusa nos olhos de Hermione, o que haveria neles?
Um sino tocou vindo da porta de entrada, eu ouvia o riso da Srta. Virgínia, seguido da voz rouca de Harry, eles entraram e repentinamente já estavam sentados nas cadeiras da mesa da cozinha.

— Bom dia Sr. Malfoy. – foi à frase que me causou um leve sobressalto, imperceptível para eles é claro.

— Bom dia Harry. – sorri para ele e fiz um aceno de cabeça para a tímida Virgínia, seus cabelos cor de fogo emoldurando se rosto juvenil, dezessete anos talvez. Vinda de uma família miserável que morava na periferia londrina, apesar disso, ela mantinha o rosto angelical impecável, apesar das roupas puídas, era uma garota linda.

E no mesmo instante em que acenei a cabeça ela sorriu para mim, mostrando uma fileira de dentes brancos. Seus olhos brilhavam ao mesmo tempo em que sorria. Eu percebia os olhares que o jovem Harry lançava a ela e percebia também que ela sempre os ignorou às vezes a achava perdida em meus olhos, eu podia ler algo que ela mesma renegava, era tão transparente e difuso ao mesmo tempo.

— Bom dia Sr. Malfoy. – ela disse em sua voz doce e baixa, um sussurro.

— Bom dia Srta. Virgínia. – sorri levemente para ela, não gostava de parecer muito próximo dela nestes momentos de devaneio.

— Já pedi para não ser tão formal... – eu sabia exatamente o que ela ia dizer, era o que sempre dizia nos últimos dois meses, para que eu a chamasse de Gina, que era como todos a chamavam, mas preferia manter a distancia entre nós, sabia que havia algo maior em seus olhares, não queria alimentar falsas esperanças.

Hermione entrou pela porta da cozinha, Johanna em seus braços. Neste momento Virgínia baixou os seus olhos para as unhas, levantou-se rapidamente de sua cadeira, e apanhou uma vassoura próxima ao lavabo.

— Bom dia Virgínia, bom dia Harry. – Hermione sorriu para os dois, Harry retribuiu com um sorriso entusiasmado, mas Virgínia limitou-se a responder com um aceno de cabeça.

Passou por nós rapidamente, a vassoura em mãos.

— Vou ajudá-la a abrir a barbearia, Draco. – Hermione disse, enquanto saia pela mesma porta por onde entrara. Eu tinha certeza que ela sairia para conversar com Virgínia, mas não sabia exatamente o por que.

— Harry? – pronunciei o nome com cuidado, esperando a atenção de o rapaz voltar-se para mim.

— Sim, senhor... – ele respondeu prontamente.

— Você não se importaria, não é... Se por acaso... Ouvisse o que as garotas conversam, não é? – esperei um momento, fixei meus olhos nos dele, esperando por sua resposta, por um momento achei que ele estaria considerando a proposta, mas me enganei.

— O senhor me perdoe, mas não é de bom tom entreouvir atrás das portas conversas alheias... Eu não posso fazer isso. – foi o que ele me respondeu, senti-me demasiadamente decepcionado com sua atitude, mas no mesmo momento percebi que quem estava sendo antiético era eu mesmo. Não havia motivos para desconfiar de nada, estava tudo como deveria estar.

— Certo, perdoe-me... Eu não quis lhe parecer maldoso Harry. – tentei me explicar ruinosamente.

— Não me deve explicações, meu senhor. Não se preocupe. – Harry era sempre tão educado, extremamente discreto.

— Obrigado mesmo assim, Harry. – sorri, não havia mais nada a fazer. – Se quiser pode pegar alguns pães naquela sexta, a barbearia já está aberta e eu tenho muito trabalho.

Como previ o Juiz Turner já estava na barbearia, era sempre meu primeiro cliente, sentou-se com ar solene na minha única cadeira reclinável, disposta em frente a um espelho.

— Como vai Juiz Turner? – cumprimentei assim que seus olhos negros e miúdos encontraram-se com os meus.

— Muito bem, Malfoy. Agora vamos logo com essa barba, sim? – sempre tão rude o Juiz Turner.

— Não se preocupe, estará com o barbear mais rente que já se viu. – disse eu.

— Eu sei... Eu sei, agora se apresse, tenho uma audiência agora pela manhã. – Hermione estava sentada em uma cadeira próxima a porta, as mãos cerradas nos pulsos, o que havia com ela?

O neném chorou e a expressão de Hermione derramou-se em alívio e deleite, estava esperando a oportunidade perfeita de sair dali. Eu sabia disso. Apanhei um pote de vidro sobre uma mesinha, adicionei um pouco de sabão e creme e mexi o pincel lentamente dentro o vidrinho, a espuma formando-se rapidamente dentro dele.
Espalhei a espuma pelo rosto do Juiz Turner, fazendo círculos em torno de seu queixo, bochechas e bigode. Repousei o vidro de espuma sobre a mesa novamente, abri meu estojo, um estojo de veludo vinho havia seis navalhas de cabo de prata dentro dele, todas de punho trabalhado.

Tranquei uma delas por entre meus dedos, iniciei meu trabalho, deslizando a navalha pela pele facial do homem, em questão de segundos o rosto estava completamente limpo, nenhum resquício de pêlos, cortes ou feridas, borrifei uma loção pós-barba e término de um serviço perfeito.
Ele arrancou a toalha em torno do seu pescoço e jogou-a nas mãos de Harry, o rapaz de dezenove anos dobrou-a e colocou sobre uma mesa, estava trabalhando com meu assistente, tinha muito que aprender ainda.

— Excelente serviço, Sr. Malfoy. – disse o Juiz Turner avaliando a face em frente ao espelho. – Absolutamente perfeito, como sempre.

Era raro ouvir um elogio daquele homem, presumo que ele estivesse de bom humor, provavelmente condenaria um monte de inocentes hoje. Tipicamente cruel.

— Obrigada Juiz Turner. – respondi dando-lhe um breve sorriso. Ele me empurrou cinco libras e saiu do estabelecimento sem nem ao menos me responder.

— Ele estava tão bem humorado, não? – ouvi Harry perguntar em algum canto, mas não lhe dei muita atenção.

Fui até a cozinha, Virgínia estava lá, colocando chá em alguma xícaras, ao me ver acrescentou duas colheres de açúcar em uma das xícaras e um dedo de leite, misturou fazendo um barulho com a colher e me entregou, fiz questão de não haver nenhum contato de mãos enquanto ela me entregava o chá, apesar dela ter feito algum esforço eu pude evitá-la.

— Exatamente como eu gosto... Você é atenciosa Virgínia. – ela teve um sobressalto, eu mesmo tive um sobressalto e apressei-me em corrigir. – Srta. Weasley.

— Já disse que não me importa que me chames pelo nome Sr. Malfoy... – era sempre aquele tom baixo, como que por medo de que mais alguém além de mim escutasse talvez Harry ou Hermione.

— Mas eu me importo Srta Weasley. – fui seco demais, acho que deveria ter me redimido um pouco, mas não o fiz. Ela precisava entender de alguma forma ela tinha que entender.

Hermione irrompeu novamente pela porta da cozinha, Johanna nos braços. Fui até elas, acarinhei a cabeça de Johanna, beijando sua bochecha rosada, depois selei meus lábios aos de Hermione, que sorriu. Parecia mais calma desde o minuto em que havia saído da barbearia, acho que eu estava vendo coisas, melhor eu mesmo ficar calmo.

— A senhora gostaria de uma xícara de chá? – ouvi a voz de Virgínia, novamente eu havia me esquecido que ela estava lá.

Ela escondia a dor na sua voz, mas seus olhos verdes minguaram e obscureceram-se.

— Não minha querida. Não se preocupe comigo. – Hermione sempre tão gentil. – Agora, Draco. – virou-se para mim novamente. – Acho melhor se apressar, a fila na barbearia não para de crescer.

— Ótimo. – sai da cozinha, onde pelo menos cinco homens me esperavam, todos esperando por cortes de cabelo ou uma raspagem suave em suas barbas.

— Bom dia senhores. – cumprimentei ao irromper na barbearia, Harry lavava alguns cabelos e os homens vinham um a um.

Foi uma manhã intensa, muito mais cortes de cabelos do que barbas, eu detestava cortes, mas trabalho não podia nunca ser recusado. Logo pelo almoço, Harry fechou as portas da barbearia, só reabriria-mos pelas três da tarde. Virgínia varria a barbearia e o um cheiro delicioso de cozido vinha da cozinha.

— Se continuar cozinhando assim terá um marido muito gordo em breve. – disse abraçando Hermione por trás e aspirando o cheiro de seu cabelo, delicioso. Simplesmente delicioso. Beijei sua nunca. Meu nariz trilhando um caminho conhecido por sua nuca, minha respiração quente em sua pele, sabia exatamente o que causava nela, onde eu devia tocar.

— Harry e Virgínia estão na sala ao lado, acho melhor que sossegue. – disse ela através de um suspiro.

— Tudo bem. – concordei um pouco relutante. Virgínia e Harry entraram na cozinha em seguida.

— Que tal um passeio, querida? – propus a Hermione logo que a louça do almoço estava lavada.

— Não tens clientes esta tarde? – perguntou-me.

— Nenhum, as segundas-feiras não têm muito movimento pela tarde. – respondi.

— Então vamos, colocarei Johanna no carrinho e logo sairemos. – ela saiu.

— Se quiserem voltar para as suas casas, fiquem a vontade. – disse a Harry e Virgínia, Harry pareceu muito animado, mas Virgínia não estava nem um pouco, ela preferia morar aqui na barbearia a ter de voltar para casa.

Saímos, Hermione empurrando o carrinho de Johanna. A expressão do rosto dela era leve e tranqüila. Andamos por alguns instantes pela rua pedregosa. E me limitava em sorrir para ela, fazia o mesmo para Johanna, ela também estava muito alegre em seu carrinho. Era uma alegria perfeita, perfeita demais.

Entramos em instantes na praça central, estava completamente florida, Hermione deleitava-se com a visão floral.

— São lindas, não é? – perguntei a ela.

— Sim, são lindíssimas. – paramos em frente a um arbusto, em torno dele havia um monte de jasmins, Hermione retirou Johanna do carrinho e pegou-a nos braços, brincando com a menina enquanto a girava nos braços.

Virei-me e arranquei uma pequena flor, entreguei em uma das mãos de Hermione.

— Perdoe-me minha querida, eu não posso dar-lhe mais... – os meus olhos buscaram os dela, mas não os tive. Ela baixou os olhos e depois levantou o rosto para mim, em um sorriso que aquecia todo o meu coração.

— Eu te amo Sra. Malfoy... – foram as últimas palavras que eu disse até meus braços serem agarrados por um par de braços em cada lado.

— Mas o que está acontecendo? – perguntei sem saber, o Juiz Turner sorria para mim do outro lado das flores, seus guardas me arrastavam impedindo-me de me libertar – Soltem-me... O que estão fazendo?

Eu era arrastado para cada vez mais longe de Hermione, para cada vez mais longe de Johanna. O Juiz Turner a impedia de ir em minha direção, lágrimas peroladas escorriam de seus olhos e manchavam sua bochecha rosa, Johanna chorava escandalosamente, o rosto pequeno e infantil vermelho pelo esforço.

— Eu te amo, Sr. Malfoy. – eu pude ler as últimas palavras pronunciadas pelos lábios da minha Hermione, algo atingiu minha cabeça com uma força descomunal, podia sentir o filete de sangue aquecer a região, em um momento estava acordado e agonizando, no outra já não via mais nada em minha frente.

As imagens se apagando de minha mente, o som, os gritos, cessaram-se.

Ah, o pecado, o meu doce pecado.

Fresno – Desde quando você se foi

’Mais uma história com final
Mais um coração partido
Um novo feito um amor normal
Mais um choro sem sentido... ’
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