Notas iniciais
" Certo, Haruhi, eu não me importo que você queira fazer minha cabeça rolar ou algo assim, eu definitivamente não vou participar de nenhuma atividade que você tenha planejado. Eu odeio o verão."

Verão. Garotas de biquíni, jogando vôlei na beira do mar, melancia, sorvete gelado, fogueiras e fogos de artifício à noite. A estação perfeita, o sonho dourado. A época maravilhosa da juventude, onde todos os seus devaneios se realizam. É o que diz aquele folheto da agência de turismo sobre pacotes para Okinawa.

Eu não concordo, definitivamente.

Quente! Sufocante! Infernal! Esses são os três adjetivos que eu encontro para melhor descrever o verão japonês.

Com temperaturas sempre acima dos 25°, de junho a setembro, essa maldita época do ano faz a terra ferver, cozinhar, entrar em estado de ebulição. Ela causa estranhas reações nas pessoas, que vão desde a expectativa pelas férias até as poças de suor no futon, as altas contas de luz por conta do ar-condicionado e a sensação de estar sempre fedendo. Os insetos se materializando por todos os lugares. O corpo amolecendo, desfalecendo, a falta de vontade de viver tomando forma... seu cérebro perde a capacidade de raciocinar, o rosto brilha, a pele gruda... O Verão é o inferno!

Não sou hipócrita de dizer que nunca me divirto durante o verão. As vezes em que a brigada foi a praia, aos festivais ou a piscina, isso tudo foi bem gratificante, e não me arrependo nem por um dia ter visto Asahina-san vestindo um biquíni, ou até mesmo o yukata. Mas o fato é que eu nunca, jamais vou gostar dessa estação. A culpa é toda da Mãe-natureza, que não sabe distribuir bem o calor do sol sobre a superfície. Ou do cara do tempo, que fica dizendo animado o quanto o dia está bom e ensolarado. Ou de Suzumiya Haruhi, afinal, de acordo com o Koizumi, ela é Deus.

Contudo, não importando a quem cabe a responsabilidade, confesse que você já colocou a cara no ventilador imitando um alienígena! Isso é só um dos efeitos do calor derretendo seu cérebro, entende o que eu quero dizer?

— Eu estou morrendo, Kyon! Abane meu rosto – Haruhi, com metade do corpo debruçado sobre a mesa, segurava entre os dedos um leque promocional de uma rede de mercados.

Sem dizer nada, comecei a movimentar o leque para todos os lados, de um jeito que a brisa fraca e quente chegasse até mim também. Suzumiya, você sabia que nada disso seria necessário de você apenas liberasse a todos nós? Eu poderia estar no conforto do ar-condicionado da minha casa, fazendo exatamente o mesmo nada que faço aqui.

Nagato ainda não havia se movido da cadeira onde ela lê o seu livro, e eu desconfio que seja por causa do ventinho que a janela escancarada trás até ela. Aposto que até interfaces humanóides sentem-se sufocados nessa sauna gigantesca.

Nossos rostos ficaram perto um do outro, enquanto eu movimentava o leque, ainda que ela estivesse com o seu virado para o outro lado e eu só pudesse ver seus cabelos escuros espalhados na superfície. Ao menos esboce alguma reação, como uma garota faria, Haruhi! Não consigo me sentir um homem ao seu lado.

— Aaah! Atrapalho alguma coisa? – o sorriso do Koizumi chegou até mim, enquanto ele abria a porta. Atrás dele, a pequena figura suada, cumprimentava a todos alegremente. Maldito, onde você estava com Asahina-san até agora? E que insinuações sem fundamento são essas?

— Sabe do que precisamos, Kyon? – Haruhi ignorou a entrada dos membros atrasados, se dirigindo a mim enquanto levantava a cabeça e a apoiava preguiçosamente na mão. Porque não dá nenhuma punição ao Koizumi pelo atraso? – uma viagem! Que tal a praia?

Não fale como se fosse fácil assim! Existem alguns pré-requisitos para viagens dos clubes escolares, e sem citar o dinheiro que é necessário... e aliás, porque raios você quer ir à praia? Todos nós sabemos que as praias japonesas são na maioria artificiais. Eles abrem um buraco na terra, enchem de água, colocam areia em volta e chamam aquilo de praia.

Depois que eu expus meus argumentos, de forma coerente e direta, Haruhi concordou que não era uma boa ideia ir à praia.

— Afinal, é de conhecimento geral que alienígenas não vão á praia, então não vale a pena a Brigada ir até lá. É esforço desperdiçado. E por isso eu digo, não importa o quanto vocês queiram, nós não iremos à praia.

Ela conseguiu inventar uma desculpa idiota e fazer parecer que a decisão foi toda dela. Eu já não me surpreendo mais com esse tipo de atitude. Sim, eu aprendi a conviver com isso, o que não significa que não me irrite profundamente.

— Certo, Haruhi, eu não me importo que você queira fazer minha cabeça rolar ou algo assim, eu definitivamente não vou participar de nenhuma atividade que você tenha planejado. Eu odeio o verão.

Sim, essas foram as minhas últimas palavras. Eu sinto muito por ter morrido tão cedo, mas ao menos não tive filhos, então não transmiti meus genes azarados a nenhuma criança inocente. Sinto muito, mãe, mas não pude me tornar médico ou advogado como a senhora queria...

Só percebi tarde demais que Haruhi não estava brava como eu esperei que estivesse. Na verdade, ela estava...sorrindo! Sorrindo daquela maneira que faz passarinhos fugirem aos bandos, e que causa arrepios agourentos na base das costas.

— Atenção, Brigada! Começaremos hoje a operação “FAZER O KYON AMAR O VERÃO!” Alguma objeção?

— Haruhi, eu acho que...

— Eu sabia que não haveriam objeções. Vamos lá!

-

— E então, Kyon, você já está amando o verão?

— Não, Haruhi.

Neste instante, estamos em um parque de diversões, num horário em que devíamos estar no clube, então tecnicamente, estamos fugindo da escola. Já passamos pelo estádio de baseball, pelo parque municipal e por uma rua que estava (coincidentemente) com um cano estourado, para tomar um rápido banho refrescante. Haruhi salientava a todo o momento que essas são atividades que despertam o espírito de juventude durante o verão.

Ao meu lado, a animada Haruhi dá ordens e faz exigências como se não houvesse amanhã e isso tudo, segundo ela, pra deixar meu verão “ainda mais perfeito”. Nagato está lendo sentada em um banco, Koizumi está ao meu lado, sorrindo como um manequim de loja feminina e Asahina está muito concentrada em comer uma maçã do amor, mas pelo estado em que ela se encontra, eu diria que é a maçã quem está levando a melhor. Aliás, alguém poderia esclarecer porque ela está vestida de maid aqui?

— Certo, então vamos à próxima fase! Mikuru-chan, eu preciso de você. Vamos até aquela tenda lá atrás, e você vai poder se trocar.

— Eh? – Asahina-san engoliu um pedaço da maçã em seco, olhando assustada para os lados, procurando por uma saída.

— Suzumiya, não há necessidade de nada disso – intervi, em dúvida sobre como colocar um pouco de lucidez na visão embaçada de Haruhi.

— Tem razão, você já viu Mikuru de biquíni... acho que não ia dar muito resultados – Haruhi disse pensativa, colocando a mão no queixo. Ela ia mesmo fazer isso, aqui, nesse lugar cheio de gente, de crianças e... sigh! Por que eu ainda me espanto?

— Suzumiya-san – Koizumi começou, com o sorriso de convencer alguém à alguma coisa — por que você não aceita minha ideia de ir até o clube onde meu tio é gerente? Lá tem uma piscina e ...

— Claro que não, Koizumi! É um programa muito normal, Kyon precisa de mais! De um grande choque, que o faça perceber o quanto o verão é... espetacular! Fascinante! Inesquecível! – Haruhi começou a discursar, balançando os braços expressivamente – e além do mais... – ela sorriu aberta e lentamente, como o Gato de Chesire – eu tive uma ótima idéia. Sigam-me!

Ela virou as costas, e começou a marchar, determinada. Aos poucos, todos começaram a seguí-la. Koizumi nem mesmo hesitou, o maldito bajulador. Asahina jogou fora a maçã meio-comida, suspirando, e limpou o rosto rapidamente no avental branco de Maid. Nagato fechou o livro e levantou do banco, olhando uma última vez para trás, onde a roda-gigante girava preguiçosamente (será que ela queria...?).

Notando que não me restava outra opção, iniciei a caminhada, que prometia ser longa e cansativa.

-

O asfalto cozinhava, lançando para cima uma fumaça de calor escaldante, que pareciam fantasmas lamuriantes indo em direção ao céu. O fim da colina se anunciava em seguida. Mais alguns passos e acabaria. Respirei fundo mais uma vez, sentindo o fundo dos meus pulmões, enquanto me perguntava a razão de nascer em uma cidade com tantas subidas e descidas. Porque o Japão não é uma enorme e lisa planície?

Eu estava em último lugar. Haruhi já estava há tempos lá no alto, gritando e balançando aqueles braços. Nagato chegou a seguir, sem ofegar ou derramar uma única gota de suor. Koizumi ia logo a minha frente, e fazendo algo que ele chamava de “me encorajar”, mas que eu chamo de “tagarelar”. Mikuru estava tropeçando bem atrás de mim antes, mas depois que Haruhi ameaçou fazê-la desfilar por aí vestindo aquele biquíni, ela chegou lá em cima como um raio. Eu deveria subir essa colina com facilidade, depois de tanto tempo fazendo isso diariamente, mas é importante levar em conta o fato de estar carregando as mochilas de outras quatro pessoas. Sem falar que apenas ver Haruhi com tanta energia já me deixa extremamente cansado. E o calor não ajuda...

Ao redor havia apenas algumas poucas casas, espaçadas, com variadas pequenas plantações. Aquela rua ficava no fim da cidade, perto das áreas de campo. E muito, muito longe daquele parque em que estávamos antes, o que explica muito bem o fato de estar começando a entardecer. Eu poderia estar voltando para casa nesse exato momento.

Finalmente cheguei ao local onde todos estavam, lá no alto. Soltei a bagagem no chão, apoiando os braços nos joelhos, recuperando o fôlego. Sequei o suor da testa, imaginando se algum dia eu voltaria a ter as funções plenas da respiração e locomoção.

— Olhe só, Kyon, isso tudo não faz você querer amar o verão?

Levantei a cabeça, procurando o que quer que fosse que ela estivesse mostrando.

A minha frente estendia-se um vasto tapete amarelo, que refletia a luz do sol quase poente. Um campo de girassóis, altos e iluminados, sorriam nos recebendo. Haruhi sorriu em resposta.

— É realmente lindo, Suzumiya-san – Koizumi exclamou com o sorriso irritante de sempre.

— Waaa! – ouvi uma pequena exclamação em algum canto atrás de mim.

— ... – Nagato apenas olhou para frente.

— Vamos! – Haruhi tomou a dianteira, pulando a precária cerca que separava a plantação da estrada com uma habilidade inata. Eu já havia a visto pulando exatamente dessa maneira, há 3 anos atrás, ou apenas há algum tempo, o portão da escola média do leste.

Repentinamente, Nagato já estava do outro lado. Eu não a vi pulando, na verdade era quase como se ela tivesse simplesmente se teletransportado para o outro lado, pois estava exatamente na mesma posição, e eu não duvidaria de que houvesse ocorrido exatamente isso.

Suspirando, peguei novamente as bolsas escolares de todos, dessa vez com a ajuda do Koizumi, e as coloquei do outro lado, pulando a cerca logo em seguida. Asahina-san continuou do lado de fora, com os grandes olhos confusos, indecisa de como proceder. Avancei para frente, no intuito de ajudá-la, mas antes que pudesse tomar qualquer atitude, uma poderosa força agiu sobre meu braço, puxando-o para trás.

— Vamos, Kyon. Você precisa amar o verão ainda hoje, não tem tempo para salvar maids indefesas de cercas assassinas – ela bradou num misto de irritação e altivez. Certo, eu só vejo uma assassina por aqui, e quem precisa ser salvo sou eu.

— Para onde está me levando? – indaguei, ao me soltar do furacão Haruhi, que já havia me arrastado plantação adentro. Os girassóis atingiam o topo da minha cabeça, então aqueles caminhos eram quase como um labirinto.

— Para um lugar – ela disse, sem parar de andar, nem olhar para trás.

Depois de alguns minutos ela parou, em frente a uma enorme pedra, que se erguia no meio das flores. Sem pensar duas vezes, começou a escalar, e eu apenas a segui. Sentada na superfície reta da pedra, Haruhi segurava seus joelhos com força, olhando para frente. Sentei ao seu lado, com milhões de dúvidas surgindo na minha cabeça.

— Porque está fazendo isso?

— Isso o que? – ela respondeu minha pergunta com outra, rudemente.

— Isso, essa história do verão – eu disse, impaciente, agitando os braços.

— Eu só estou salvando o mundo enquanto o encho de diversão – ela respondeu, num tom que sugeria que eu deveria saber a resposta.

— Entendo. – eu não entendi – Por que nos trouxe aqui? – mudei de assunto rapidamente, se saber ao certo o motivo.

— Não sei... eu vim até aqui uma vez durante o verão, e gostei de ver os girassóis brilhando – ela disse, sem desviar os olhos do horizonte dourado. A luz alaranjada do Sol que caia estava refletida nos seus olhos escuros, e o efeito era verdadeiramente impressionante. Era quase como seu outro mundo, brilhante e cálido, se abrisse naqueles orbes.

— E você achou que eu fosse gostar também? – perguntei, sem raciocinar direito.

— Você é idiota? – ela gritou, quase ofendida — como se eu me importasse com o que você gosta ou deixa de gostar!

— Mas eu gostei. Bastante. – disse, olhando para o por do sol, com um sorriso sincero. Fitei Haruhi, que olhava para mim intensamente, com seus olhos pegando fogo. O que se passa na cabeça dela, eu nunca saberia. Mas estaria mentindo se dissesse que não gostaria de saber.

Foi tarde quando percebi que ela estava perto demais. Eu podia contar seus cílios, olhar meu rosto espelhado nos orbes escuros, ou ver a pequena ruga de meditação profunda que se formava no meio da sua testa. Aquilo era, sem sombra de dúvidas, perto demais. Mais perto do que eu jamais ousara chegar, pelo menos acordado.

Agindo instintivamente, levantei a mão, tocando com a ponta dos dedos sua franja, afastando-a de leve para o lado. Ela não se afastou, como esperei que fizesse. Não gritou, ou me chamou de idiota. Não, ela apenas fechou os olhos.

E a essa altura, eu já não sabia o que fazer ou pensar.

O certo sem dúvidas era me afastar, mas, o que eu realmente queria, custa muito admitir, era aproximar ainda mais. Desci a mão para baixo, tocando a pele macia do rosto de Haruhi, e ela permaneceu imóvel. Cerrei os olhos, esperando pelo pior.

Que se dane, eu acho que prefiro uma vida curta e sem arrependimentos.

Toquei de leve os lábios cor-de-cereja, sentindo a respiração quente batendo no meu rosto. Foi leve, muito, muito de leve, porque eu simplesmente não tive coragem para avançar mais. Tinha plena consciência de que esse fora meu último ato em vida, mas meu medo não era a reação de Haruhi.

Pelo menos não essa reação.

O que me preocupava era o que ela estava sentindo, sobre isso, sobre mim e sobre tudo. Eu não queria feri-la, ou assustá-la. Não importa o quanto Haruhi seja o contrário de indefesa, ela ainda seria uma garota. Eu queria tratá-la como uma. Afastei o rosto, lento e hesitante.

Haruhi levantou, num salto. Tive a impressão de que ela ia me chutar ou me empurrar lá de cima, e era exatamente isso que eu merecia, depois do que fiz, mas apenas a vi colocar as mãos na cintura, determinadamente. Ela me fitou, parecendo confusa por alguns instantes, mas logo voltou a ter o mesmo semblante decidido de antes.

Continuei sentado, definitivamente incrédulo.

— Agora que eu consegui fazer você admitir que ama o verão... – quando foi que eu disse isso? E por que raios ela age como se nada tivesse acontecido? Eu estou realmente tentado a perguntar, mas algo na sua expressão sugere que não é seguro mencionar o assunto. Acho que é melhor esquecer tudo isso mesmo... Sim, é como se nada tivesse acontecido!– tenho novos planos. Chame o resto da brigada, agora, Kyon!

— O que você vai fazer? – eu estou com medo da resposta. E estou tão confuso que nada mais me faria sentir medo.

— Não é óbvio? É claro que eu vou aproveitar essa plantação enorme para deixar uma mensagem para os alienígenas. Eu só preciso de uma foice, um aparador de grama, ou algo assim. Talvez nós possamos usar a sua tesoura da escola, Kyon!

— Você é louca?

— Não insulte a sua chefe! Agora vá! – ela apontou imperativamente para a direção de onde tínhamos vindo. Pulei para o chão, com facilidade, e comecei a andar. Parei repentinamente, coma sensação de que faltava algo. Dei meia volta, olhando para Haruhi, de pé sobre a pedra.

As palavras que eu queria dizer não saíram. E eu não queria ficar olhando para ela com cara de paisagem.

— Obrigado... – falei rapidamente a primeira coisa que me veio a cabeça, voltando a andar logo depois. Não fiquei para ver a reação de Haruhi.

Estava andando calmamente pelo que eu achava ser o caminho certo, quando ouvi um barulho estranho, realçado no meio do silêncio daquele lugar. Não parecia ser uma cigarra, ou qualquer outro bicho. Tentei analisar que ruído ritmado era aquele, cada vez mais alto e perto.

— Kyon, corre! – Haruhi repentinamente estava ao meu lado, com uma expressão surpresa e divertida no rosto – É a polícia!

-

— Você não citou o fato de que aquela era uma propriedade particular! – sussurrei discretamente para a garota ao meu lado. Segurava com uma das mãos uma plaquinha, com meu nome e um número. Atrás de nós, um painel indicava alturas. O ar condicionado daquela pequena salinha coberta de janelas espelhadas fazia o suor do meu rosto secar, deixando- o pegajoso, e misturado com a terra que estava ali, parecia que eu era o sobrevivente naufrago da ilha.

— Achei que uma cerca era dica suficiente. E além do mais, você nem perguntou! – Haruhi murmurou em resposta, com as mãos na cintura, autoritária. Por algum motivo além da minha compreensão, os olhos de Haruhi pareciam conter ainda mais brilho do que o normal. E um pequeno detalhe no seu sorriso presunçoso para a câmera parecia esconder algo a mais. Eu imaginava remotamente o que poderia ser, e, intimamente, desejei estar certo, mas nada estava fazendo sentido algum nessa dia, e eu não conseguia descrever o que quer que fosse.

Haruhi suspirou longamente, cruzando os braços. Seus cabelos estavam desalinhados, e a faixa amarela pendia para um lado. Faltava um pedaço da barra da saia azul do uniforme, e havia mais terra do que pele aparecendo.

Na verdade, nenhum de nós estava exatamente apresentável, depois de andar por toda a cidade e caminhar no meio do mato. Exceto por Nagato, que permanecia da mesma maneira que estava quando saiu da sala do clube, e agora segurava sua plaquinha à frente do peito, como uma estátua sem expressão. Koizumi estava mais desarrumado do que eu jamais havia visto, e sorria cordialmente para frente. Asahina estava em um estado deplorável, com a roupa de maid suja e rasgada em vários pontos, o cabelo desarrumado coberto por folhas e galhos chorando copiosamente enquanto segurava a placa no alto da cabeça.

— Agora, sorriam – uma voz grave e séria anunciou do outro lado.

— Parece que alguns colegiais vão inaugurar a ficha policial hoje, hein?! – outro disse, rindo um pouco.

Um flash, e depois de alguns segundos de cegueira, eu era oficialmente um criminoso.

Mas eu não me sentia tão culpado quanto deveria. É claro que minha mãe não vai ficar nem um pouco orgulhosa. Na verdade acho que eu deveria fugir do país por uns tempos. Mas algo nisso tudo soa recompensador, e o intenso sentimento de ter uma vontade de muito tempo realizada era aparente. Mas a sensação de que se continuar pensando nisso eu vou pirar é ainda maior.

Sim, esse seria sem dúvidas um verão memorável. Seria clichê demais se eu dissesse que estava somente começando?

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Notas finais
Obrigada por lerem a nossa coletânea de one-shots! É incrível, não é??? O modo como a Shiroyuki-san escreve extremamente bem???*_*

Façam comentários! Ela merece!^^

E, se possível, leiam também as outras "one" e as comentem!^_^