Sutilmente
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Goten estava estupefato com o choro copioso de seu pai. Não compreendia o motivo pelo qual o grande guerreiro estava chorando como uma criança, como o próprio Goten chorava às vezes. E com a inocência que lhe era costumeira, disse:
"Papai, chama a mamãe pra lhe fazer um cafuné. Toda a vez que eu chorava de saudades do senhor, ela fazia isso e a dor e a tristeza iam embora como mágica. Chama ela pai. Cadê a mamãe? Ela nem veio me dá o beijo de bom dia. Será que ela ficou brava porque ontem eu derrubei ela no nosso treino? Ah, mas eu vou pedir perdão pra ela. Onde que ela tá?"
A cada palavra, Goku chorava e chorava mais.
Goten, vendo-o descontrolado, foi a sua direção, esticou uma das mãozinhas para acarinhar o rosto do papai e disse: "Pode não ser igual ao da mamãe, mas espero que funcione. Te amo papai." Dito isso, deu-lhe um abraço.
O saiyajin mais velho explodiu em lágrimas, causando confusão no pequenino. Gohan também não sabia o que dizer e começou a chorar abraçando os dois, irmão e pai, deixando um Goten impressionado e confuso.
Enquanto isso...
"Meu Deus, que vento delicioso, nunca imaginei que seria tão bom assim dirigir com a capota aberta." – pensava Chichi. – "impressionante. É como se cada fio de cabelo vibrasse, mas não somente com a força do vento, mas com a força do meu coração, com a minha alma. Como se esse cabelo representasse uma alma aprisionada pela própria má sorte em achar que a rispidez seria capaz de controlar o decorrer da vida. Quando eu era criança e livre, ele ficava ao vento, sentindo sua carícia e recebendo a sua força, mas quando comecei a crescer, a primeira coisa a ser controlada foi o cabelo, porque uma mulher adulta deve prender os cabelos...admiro que a Bulma sempre mude os dela! Mas espera! Agora é meu cabelo está solto, minha alma solta...e o furacão se instala, e eu rio para os trovões...mais velocidade, mais velocidade, a minha alma precisa voar" — e aproveitava para acelerar cada vez mais o automóvel.
Chichi, aproveitando esse rompante de liberdade, se levantou, com o carro andando mesmo e abriu os braços completamente, para sentir toda a força do vento e claramente que o carro desestabilizou, fazendo com que quase se chocasse com um caminhão, que aproveitando o ensejo, deu uma buzinada que fez com que tremesse até o fundo de sua alma. Depois que conseguiu dominar o veículo, se jogou na grama rindo descontroladamente.
Logo se pegou pensando em Goku, Gohan e Goten, mas a amargura inicial tinha passado. Estava feliz em ter a sua família, apesar de não fazê-los tão felizes como gostaria e nem deles a fazerem tão feliz mais.
Queria ter Goku só pra ela, como nos primeiros anos de casado, ou melhor, no primeiro, antes de Gohan, queria aquele homem só para si, queria o direito do egoísmo, nem que fosse por mais um dia, contudo, Goku não parecia querer ficar com ela, nem os filhos.
Eles não a procurariam, mas ela se procuraria um pouco mais, tentaria se conhecer ao máximo no dia de hoje e quem sabe no de amanhã? Porque se Goku e as crianças não a procuraram, significa que eles não estão com fome. Será que ela era só isso? A mão que alimentava o bando? – pensava.
Começou a divagar em voz alta. "Se bem que Goten a abraça todos os dias e eu percebo que ás vezes Goku quer me abraçar, mas não como ele abraça o Kurilin, a Bulma ou até mesmo o Mutenroshi, o abraço que ele me direciona é diferente, cheio de receio, temor. Meu marido tem medo de me abraçar, me abraça por obrigação e no leito conjugal,( Porque eu chamo de leito conjugal? Eu não tenho coragem de chamar de cama? Não tenho coragem de nada?!) ele fica todo pudico, delicado, com uma espécie de medo...eu o assusto! Maldiiiiiiiiiiito! Morra de fome, desgraçado.
Mal sabia Chichi que Goku tinha medo de machucá-la com toda essa força, um dia em que ele deu uns tapinhas, quando Gohan era uma criança, ela foi arremessada para fora da casa quebrando a parede, imagine agora?Mas ela não tinha noção desse cuidado do marido com ela.
Decidiu-se ir pra onde o vento a mandasse, levantando e vendo, usando os seus cabelos,a direção que o vento tomava. Conferindo isso, ligou o carro e saiu, dirigindo-se a uma cidade que nunca tinha ouvido falar, mas que a placa dizia que era a terra das histórias de terror.
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