Sutil
1 ♡ . único
Notas iniciais
Gintoki olhou impaciente para a porta, e então para o pequeno embrulho em cima da mesinha de bebidas. Assim como havia feito nos últimos 30 minutos.
Suas mãos suavam mais do que a Kagura em um dia quente, e ela suava bastante. O suficiente para Shinpachi usar toalhas de banho para secá-la.
Olhou para a rua, à procura dos cabelos pretos com o v eterno entre os transeuntes. Sem muito sucesso, abaixou a cabeça entre os braços no parapeito da janela.
Talvez, ainda nem fosse o horário combinado. Ele havia se precipitado tanto que chegara muito mais cedo.
Então, o que faria? Voltaria para casa, esperar na companhia dos seus adoráveis Shinpachi-kun e Kagura-chan? Soava uma boa ideia para seu nervosismo. Assim, ele poderia levar o chocolate de volta e comer sozinho.
Sim, seria melhor.
Hijikata nem precisava de chocolates mesmo. E Gintoki definitivamente não aceitaria que ele maculasse os doces com a substância tóxica chamada maionese.
Partir era o melhor a fazer.
Assentiu com a cabeça duas vezes e levantou. Com um sorriso nervoso no rosto, apoiou seu braço dentro do quimono, olhando para a caixa vermelha.
Não tinha certeza se Hijikata gostaria de receber chocolates, ainda mais feitos à mão — apenas porque Kagura quis fazer chocolates para ele e Shimpachi, claro. Gintoki só entrou no espírito.
A relação deles era basicamente sexo, dentro daquele quarto de motel barato, e apesar das mudanças que tiveram seu relação exterior, nunca oficializaram um namoro ou estabeleceram um nome. Sequer contaram para as crianças do Yorozuya, Okita ou Kondou, mesmo que Shinpachi e Okita suspeitassem. Gintoki sabia que eles não tão eram estúpidos quanto os outros dois.
E chocolates só eram dados à namorados, à pessoas por quem se tem sentimentos.
Suspirou e sentou encostado à janela, novamente.
O segundo ele não podia negar.
O som da porta deslizando o fez sobressaltar, até o último pelo da sua parte mais baixa se arrepiou.
Não se arriscou a tirar os olhos da rua, ou o braço da frente do seu rosto que estava vermelho.
Ele devia, ao menos, não ter decorado a mesa. As pétalas de flores eram demais, ele não devia ter pedido conselhos para Sarutobi. Era óbvio que ela falaria o que queria receber.
A porta foi fechada e Hijikata deu dois passos antes de parar.
Ele estava perto dos chocolates. Gintoki tinha certeza.
Ainda em silêncio, o policial deu alguns passos em sua direção.
“Ei.”
Ah, aquela situação não fazia bem para o coração dele.
Uma lista infinita do que Gintoki gostaria de dizer passou na sua mente como os créditos de um filme, e ainda assim, ele escolheu a pior.
“Hum?”
“Para você.”
Rezando como um fiel, Gintoki levantou a cabeça, mentalmente repetindo mantras.
Hijikata estava a sua frente, com uma mão cobrindo o rosto virado para porta. Na mão esquerda tinha um pequena caixa rosa.
Gintoki não podia negar, estava surpreso.
“Tire essa expressão da cara e os pegue logo.” Toushi ralhou.
Sem ter muito o que contrariar, muito menos vontade, Gintoki pegou a caixa, e não demorando a tirar o papel de embrulho.
Sua boca abriu em surpresa ao ver que eram chocolates com morango.
Podia não ter sido a mão, mas Hijikata definitivamente havia se esforçado bastante por aquele pacote. Ele próprio procurara por eles em todas as confeitarias das redondezas, e nas que não estava esgotado, uma mulher raivosa havia o roubado.
Pronto para abrir a caixa, Gintoki se forçou a parar.
“Hijikata-kun, você me garante que se eu abrir essa caixa, não vou ver os chocolates cobertos de maionese, Correto?”
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