Eu ainda estou tentando descobrir quem sou, por que algo mudou em mim.


Algo bom, algo ruim.


Algo mudou em mim


Eu já não sou quem costumava ser e também não sou quem gostaria de ser

Não posso dizer que estou no meio do caminho

Só posso dizer que algo se quebrou, só posso dizer sinto dor.
Existe um vazio em minha alma, existe uma dor que não consigo curar.

Eu caminho pelas ruas, eu vejo as outras pessoas, nenhuma delas é como eu.

Elas sorriem, elas falam alto, elas vibram enquanto eu estou aqui presa dentro de uma etiqueta que não fui eu quem criou.

As estações se misturam em mim, sou verão, sou outono, sou até mesmo o sombrio inverno, mas nunca sou primavera.

As flores nunca florescem em mim.

Não sinto o perfume das flores me inebriarem, suas cores tão vívidas nunca estão lá para hipnotizar meus olhos

Eu vivo no torturante calor do verão

Minhas folhas castigadas são arrancadas de mim no outono

Nada me resta

Chega o inverno

Eu não tenho nenhuma proteção, apenas a fragilidade de meu corpo exposto a todos, exposto a toda a crueldade, a toda a maldade

Eu vivo esperando que a dor se torne ao menos suportável, mas ela apenas me consome com ainda mais brutalidade

Tento achar uma saída, tento de alguma forma escapar, tento fugir, mas minhas pernas me traem e meu coração se desespera

Não sei como poderei viver dessa forma, tento habituar-me a esta prisão, mas minha alma grita, não me permitindo

Caio de joelhos, meu corpo está exausto, eu estou desgastada

Eu estou sufocando em meu próprio drama

Eu estou morrendo dentro de mim mesma

Fico pensando no dia em que o sol nascerá com um brilho de esperança e não com a imponência de seu calor

Não quero mais ser queimada pelos raios

Não quero mais sofrer

Quero apenas deitar-me, quero apenas adormecer

Quero viver a realidade ilusória de meu sonho

E nunca mais quero acordar