Suspiros da Alma
1 Capítulo 1 Suspiros da Alma
Notas iniciais
Poeta
Não sou poeta,
Sou escrava de uma agonia
Que me impele a escrever.
Não sei fazer rima,
Mas uma força
Que se assemelha ao desespero
Faz com que escreva
Sobre experiências que não vivi,
Apenas observei e ouvi;
Sobre sonhos que não sonhei,
Mas com os quais me encantei.
Mesmo que meu consciente
Não queira fazer poesia,
A estranha força põe minha
Minha imaginação a trabalhar
Num frêmito de urgência,
Que faz meu punho
E a caneta trabalharem.
Não sei como escrever,
Mas sei que preciso redigir.
Só encontro a paz
Quando punho e caneta
Cessam de trabalhar.
Não quero ser poeta,
Mas não posso evitar.
Sonhos
Sonhar acordado.
Romper barreiras
Que a realidade impõe.
Vislumbrar futuro improvável.
Persistir no impossível.
Ter fé no improvável.
Contrariar o plausível.
Alcançar o inalcançável.
Sonhar acordado.
Ir além do esperado.
Contrariar o aceitável.
Superar os empecilhos.
Acreditar.
Lutar.
Vencer.
Vida
Amei o belo,
Ele me fugiu.
Amei o sonho,
Ele se foi.
Tentei o impossível...
Com débeis esforços
Tocar as estrelas;
Guardar o luar
Em caixinha dourada.
Na peregrinação da vida,
Sonhos,
Esperança,
Encontros
E desencontros
Somam-se no álbum
Acolhedor da memória.
Lágrimas e sorrisos
Adornam a lembrança.
Às vezes brisa,
Às vezes ventania.
A vida passa
Deixando no caminho,
Às vezes rosas,
Às vezes espinhos.
Lembrança Especial
Como explicar?
Arrepio, tremor...
Não é o vento.
Sensação involuntária.
Coração em ritmo diferente.
Sou a mesma e
Ao mesmo tempo não sou.
Pequenos momentos.
Frações de tempo,
Que valem a infinidade
De momentos solitários.
Solidão vazia.
Em seus braços
Cresço e me aqueço.
Não é o corpo,
Mas o coração que aqueceu.
A garota dá lugar a guerreira.
Momentos raros e preciosos
Guardados em lugar
Especial do coração.
Sonho de Amor
O sonho...
Encontrar o amor.
O tempo passa...
A vida se escoa...
Se renova...
Desejo ardente
Da alma humana.
Histórias se contam.
Heróis se perpetuam
Através dos tempos
Enaltecendo o amor.
Sentimento que percorre
A eternidade levando
A centelha preciosa
De almejada felicidade.
Entre lágrimas e sorrisos,
Entre angústias e alegrias,
O amor cresce como flor
Através da guerra e da paz.
Subsiste unindo
Àqueles que o recebem.
Receio
No findar da noite
Calma e serena,
A brisa passa suave
Fazendo a pele arrepiar-se.
No céu,
O manto azul-marinho
Está repleto de estrelas
Indiferentes ao mundo,
Que descansa adormecido.
Na janela,
Olhar perdido
Voltado para o alto,
Reflete os pensamentos
Vadios que vagueiam
Pela memória cansada.
Um rosto..
Um sorriso...
Nos olhos,
A mensagem
Que os lábios
Recearam dizer.
A Benção Das Lágrimas
Distante no céu
Uma estrela brilha.
Seu brilho tênue
Incide suave e carinhoso
Sobre uma figura triste.
Esta em pequenos murmúrios
Solta seu lamento abafado.
A face banhada
Em lágrimas doloridas
Volta-se para o céu,
Procurando no espaço infinito
Um bálsamo que lhe dê
O alento que não encontra.
Olhar de dor e desencanto.
Lembranças de desesperança
Trazem as lágrimas.
Lágrimas que como bênçãos
Lavam as dores do espírito
Como o orvalho das manhãs,
Limpam a natureza.
Renovam as forças desgastadas.
Exorcizam as mazelas e
Devolvem a paz.
Herdeiros do Amor
Sob o olhar
Vigilante da Lua
O coração entregou.
Não entendeu a razão.
Talvez por emoção.
Queria entender o mistério,
Mas para a razão do amor,
Não existe compreender.
Somos brisa a vagar
Sobre a imensidão
De um mar de águas
Às vezes violentas,
Outras plácidas e mansas.
Todos nós estamos a navegar.
Somos levados a abrir
O coração para o amor.
Preparados ou não,
Com suavidade ou espanto,
De repente o mundo
Se transforma em encanto.
Somos vítimas
Ou afortunados herdeiros
De um mal antigo,
Perturbador e mágico,
Chamado Amor.
Teus olhos
Em teus olhos me perco.
Em meus sonhos,
Nos teus olhos me encontro.
No dia a dia,
Nos teus olhos penso.
A cada manhã,
Pensando em teus olhos, sorrio.
São teus olhos que me alegram,
Quando a tristeza me toca.
É por teus olhos,
Que mergulho em tua alma,
Para descobrir-te.
Por teus olhos anseio
A cada despertar.
Com teus olhos
Sonho em cada adormecer.
Através de teus olhos
A esperança me acompanha.
É em teus olhos,
Que a felicidade me encontra.
Da Escuridão Para a Luz
No mundo frio e vazio
A luz desaparece.
Na escuridão procuro,
Mas não amanhece.
A esperança se vai.
A desilusão toma seu lugar.
Aparece um ponto de luz,
Que resolvo agarrar.
Luz que brilha tímida.
Se insinua temerosa.
Ganha força quando acredito
E decido que posso ser corajosa.
Realidade desanima e arrebenta
Não é possível desistir.
Embora fatos pareçam surreais
É preciso lutar e insistir.
Embora digam que que
O Sol nasceu pra todos.
Para alguns ele surge mais tarde
Passando antes por engodos.
Memória de Uma Folha
Repousa a pena cansada
Sobre a folha amarelada.
As fibras antigas do papel
Guardam o aroma das pétalas
Sobre ela deixadas.
Uma rosa ali esquecida e
Pelo tempo ressecada,
Faz companhia para
As manchas de lágrimas.
Estas na folha ficaram
Para a memória registradas.
Choradas pela perda
De um amor que não retornou.
Perdeu-se pelos meandros
Do tempo que o desbotou.
Muro de Silêncio
Por trás do muro de silêncio,
Surge a luz tímida que cresce
E ofusca a visão daqueles
Que a nunca a haviam percebido.
O suspiro rompe o silêncio,
Para pouco depois os lábios
Falarem aquilo que por muito
Tempo o coração guardou.
Não eram apenas devaneios
De alguém inconsequente,
Mas o profundo sentimento
Surgindo intenso do seu interior.
Por muito tempo reprimidas,
Surgem as palavras guardadas
No canto mais longínquo
Daquele ser estavam escondidos.
O mundo então conheceu,
A extensão nobre e encantadora
De uma vida outrora
Fechada e estrangulada pelo silêncio.
Necessidade da Flor
Sou flor que precisa
Desesperadamente da
Atenção do calor do Sol e
Da carícia suave da brisa .
Sou carente da essência
Que move o mundo
E o torna luz radiosa
Na treva da solidão.
Necessito do ar que
Respira o apaixonado
E exalar a doçura do
Sentimento que ele possui.
Sou flor que murcha
No deserto árido
Sem emoções alegres.
Estou me alimentando
De ilusões ocas e vazias.
Sou flor que seca
Sem receber chuva ou
Ou orvalho que lhe restaure
O viço e a beleza no viver.
Sou flor que não recebe amor.
Preciso de Luz
No espaço das emoções
Está meu coração.
No mar agitado
Da solidão dos sonhos.
Comigo permanece
O desejo de ver a
Luz romper as trevas
E encher meu coração.
A escuridão inebria e
Entorpece os membros,
Que tentam em vão
Mover-se em fuga do tormento.
A luz surge, mas
Longe demais para ser
Alcançada por débeis
Esforços insuficientes.
Meu coração continua
Esperançoso e sedento,
Da luz que volta a desaparecer
Deixando-me na escuridão.
Recordações de Um farol
Repousa tranquilo
O velho e sábio farol.
Sabedoria recolhida
Dos braços das marés.
Conta histórias passadas
De tempos longínquos
Sobre marinheiros destemidos
É seus amores perdidos.
Relata naufrágios
De viajantes incautos.
Que seu brilho descuidaram
É nas pedras afundaram.
Repousa em seu regaço
A saudade por aqueles
Que não voltaram e
No fundo do mar repousaram.
Rosa
Pétala cheirosa
De rosa formosa
Exala toda prosa
Odor de flor mimosa.
Rosa garbosa
Colores orgulhosa
A pétala sedosa
A floreira jeitosa.
Rosa viçosa
Enfeitas a vaidosa,
Acalmas a nervosa
E alegras a idosa.
Rosa ditosa
A abelha laboriosa
Alimenta silenciosa
Na manhã luminosa.
Rosa vistosa
Com ser de misteriosa
Reinas maravilhosa
Na mão habilidosa.
Fuga
Quero fugir...
Fugir do meio que me sufoca,
Da vida que não quero viver.
Uma fuga da opressão
Que me é imposta pelo mundo.
Quero fugir...
Fugir para ser livre
Da gaiola em que me colocaram.
Soltar-me das algemas
Que não me deixam escapar.
Quero fugir...
Fugir daquilo que não escolhi
E forçam-me a aceitar.
Livrar-me das lágrimas.
Únicas companheiras.
Quero fugir...
Fugir das lágrimas
Que não falam a ninguém.
Não contam o que sinto
Pois todos os ouvidos são moucos.
Sol e Pedras
O importante na vida
É encontrar um raio de Sol
Nas trevas de cada dia.
Encontrar o amor e a amizade
Para dar sabor na convivência.
Sentir a beleza da natureza
Para suprir de encantamento a existência.
Superar os imensos desafios,
Enquanto as dores do caminho
São percebidas no andar pedregoso.
Superação
O importante na vida
É encontrar um raio de Sol
Nas trevas de cada dia.
Encontrar o amor e a amizade.
Sentir a beleza da natureza
Enquanto as dores do caminho
São percebidas no andar pedregoso.
Último Sonho
O último sonho
É sempre igual ao primeiro.
O desejo de ser feliz.
De vivenciar amor recíproco.
Viver plenamente
Fazendo de cada dia
Uma vida realizada.
De cada momento
Uma memória
A ser recordada.
O último sonho
É sempre igual ao primeiro.
O desejo de passar
Pela vida vivendo e vencendo;
Superar derrotas e dificuldades
E as perdas do caminho.
Lembrar apenas das flores,
Dos raios de sol no rosto,
Do perfume das rosas,
E esquecer dos espinhos.
O último sonho
É sempre igual ao primeiro.
O desejo de viver intensamente
Sentindo a vida fluindo,
Transbordando e contagiando
O sentimento puro do amor.
Amor verdadeiro que inspire
Sonhos e transformações.
Inspire bravura e destemor.
Transmitindo simplesmente vida.
Achei o Meu Lugar
Um dia procurei por um lugar
Que pudesse chamar de meu.
O tempo passou...
Descobri entre as
Páginas da vida folhadas,
Que preciso apenas
Estar bem comigo mesma.
Meu lugar é onde posso estar completa.
Meu lugar é onde consigo sonhar.
Meu lugar é onde eu posso criar.
Meu lugar será onde eu sentir a paz.
Meu lugar é onde o amor estiver.
Meu lugar é onde posso ser apenas eu.
Amigo...
Pessoa presente.
É ou não parente.
Conversa pelo olhar.
Pra que palavras no falar?
Compreensão às vezes muda
Que sempre ajuda.
Palavras sábias na hora certa
Para deixar coração alerta.
Simbiose perfeita
Com alguém que nos aceita.
Sabor de Vitória
São das nossas derrotas,
Que tiramos nossas lições.
É depois das nossas incompreensões,
Que aprendemos a compreender.
É depois das devastadoras das secas,
Que a chuva é mais apreciada.
É depois da indigna miséria
Que vem a pródiga bonança.
É depois de excruciante agonia,
Que o alívio é desejado lenitivo.
É depois de sentidas lágrimas,
Que vemos saboroso sorriso.
É depois da semente lançada,
Que verdejante broto surge.
É depois do pequenino botão,
Que desabrocha a linda flor.
É depois de insidiosas trevas,
Que a luz brilha mais intensa.
Despois de amarga tristeza,
Que a felicidade é mais valorada.
É depois de ignomínia da guerra,
Que a paz é profundamente desejada.
É depois do derradeiro fracasso,
Que vem o doce sabor da vitória.
Anoitecer
Em fogaréu incandescente
Mais um dia se despede.
Labaredas amarelo avermelhadas
Envolvem a Terra preguiçosa.
Vagas mansas chegam
Suaves na areia dourada.
Tingem o chão áureo
Com sua espuma imaculada.
O círculo em fogo prateado
Desce no amplo horizonte.
Teima o dia abandonar
Às sombras tal paisagem
Deslumbrante e luxuriante.
Apesar de hercúlea resistência,
Os últimos raios flamejantes
Se despedem derradeiros.
Negro manto pontilhado
De pequenos diamantes
Envolve a Terra serena.
A noite chegou!
Apenas Um
Sonhos sonhados,
Realidades vividas,
Lembranças recordadas.
Eram dois a andar pela praia,
Agora apenas um a meditar.
Eram dois a passear e planejar,
Agora apenas um a recordar.
Eram dois a caminhar e explorar,
Agora apenas um a contemplar.
Eram dois a sonhar e realizar,
Agora apenas um a relembrar.
Antes eram dois a sorrir,
Agora apenas um a chorar.
Não Requer Explicação
A cada minuto,
A cada instante...
Você!
Em cada pensamento,
Uma emoção lembrar você.
Não é apenas sonho.
É a realidade de um sonho.
A simplicidade é a sua grandeza.
A força anda com a suavidade.
Paradoxo perfeito em harmonia.
Na unidade das contradições
Está a tua personalidade.
Não requer explicação,
Apenas aceitação.
Apenas Você
A cada sorriso que
A alguém presenteares,
A cada passo que deres,
A cada gesto que fizeres,
A cada dia que víveres,
A cada momento que tiveres,
Seja sempre, apenas você.
Definição
Na beleza da flor,
O encanto do beija-flor;
No brilho do Sol,
A cantiga do rouxinol;
No verde das matas,
O colorido das araras;
No caminho do riacho,
O voo do pássaro;
Na manhã radiosa,
O desabrochar de uma rosa;
No sussurro da brisa,
O dia suavemente desliza.
Para o ecologista, natureza.
Para o poeta beleza.
Dia Que Finda
Olhando para o céu contemplo
Os últimos vestígios fulgurantes
Do dia ensolarado que termina.
Paz reina no coração.
O fogo que teima em queimar
No horizonte de fim de tarde
Traz a saudade de um dia
Que permanece apenas na memória.
Como pirilampos brincalhões,
As estrelas aparecem pontilhando
O escuro mando
Que envolve o entardecer.
Brisa mansa e fria
Move suavemente as folhas
Nas árvores do quintal.
Revolve as caídas e
As pétalas das rosas
Carregando seu perfume
Em sua viagem com
Destino desconhecido
Para os que para traz ficam.
Quando a escuridão se instala,
Luar tênue envolve a Terra.
Ressona tranquila a noite
Viajando no pensamento
De corações sonhadores.
O Cavalo e o Mar
Espuma sonora
Força pujante da natureza.
Ecoa seu brado aos céus
Declarando seu vigor
De mar bravio e profundo.
Eco ao mar é a força
Equina de crina ao vento.
Relincha seu brado ao vento
Em dueto ao companheiro.
Ambos forças indomáveis.
Seres de natureza tão distintos
E tão similares ao mesmo tempo.
Apresentam-se horas
Serenos e tranquilos;
Horas traiçoeiros e voluntariosos.
Obras primas do criador.
Paixão
Sob o toque da brisa
E o olhar vigilante da lua
O sonho é quase palpável...
Mãos que deslizam e
Corpos que se arrepiam;
Emoções que tomam forma;
Calor que incendeia.
A paixão faz vibrar cada fibra.
Sob sua força os sentidos sucumbem.
Doce e arrebatadora,
Cruel e devastadora,
Inebriante e audaz,
Irracional e inconsequente.
A paixão impulsiva
Torna o corpo febril
E a alma doente.
Impossível resistir
Se a razão,
Não persistir.
Pôr do Sol
O sol desce em agonia.
Fenece a luz que existia.
Finda o fulgor de mais um dia.
Vê-se o último raio que tardia.
Do esplendor do meio-dia,
Resta uma chama que ardia.
Avermelhada no horizonte luzia
Iluminando o crepúsculo que caía.
Insidiosa a penumbra invadia
E a noite quieta tudo cobria.
Com seu manto escuro colhia
O resquício que reluzia.
Humildemente o raio que fulgia
Foi se dissipando com a noite que nascia.
Hora perfeita de verdadeira magia
De outro dia que se despedia.
Pedaço de Vida
Sonhos sonhados de cada dia.
Momentos mágicos de cada instante.
Realidades realizadas e não esperadas.
Pequenos pedaços de vida.
Na harmonia de dois olhares
A mútua contemplação
Que avalia e é avaliada,
Numa expectativa disfarçada.
Na conversa alheia e descontraída
Uma mensagem nas entrelinhas...
Não escrita... mas confirmada no brilho
Que dança no olhar furtivo.
Gesto de impaciência.
Alteração no respirar.
Nenhuma palavra dita.
Expressão compreendida.
Momento de incerteza.
Tempo que não volta.
Desperdício de suspiro.
Pequeno pedaço de vida que passa.
Mundo
Não penses que o mundo
É feito de rosas,
Porque até mesmo as rosas
Possuem espinhos.
Não penses que o mundo
É feito só de felicidade,
Porque até mesmo a felicidade
Requer o preço das lágrimas.
Não penses que o mundo
É feito somente de amor,
Porque até mesmo no amor
Encontramos separação.
Não penses que no mundo
Só existem espinhos, lágrimas e separação,
Porque também há
Rosas, felicidade e amor.
Amar é sonhar
Amar é sonhar de olhos abertos.
É dar asas ao coração.
Sentir o mundo no sopro
Encantado de uma canção.
Amar é caminhar sobre as nuvens.
É beber mel na fonte.
Olhar para as nuvens no futuro
Como flocos de algodão no horizonte.
Amar é viver de forma empolgante.
É levar expectativa a existência.
Sorrir sem preocupação
Como se fosse adolescência.
Amar é permitir-se viver intensamente.
É apreciar o sol no rosto.
Pensar em cada momento
Como se um maestro houvesse composto.
Amar
No mundo vazio
A luz desaparece.
Na escuridão procuro,
Mas não encontro uma prece.
Quando a esperança se vai,
E a desilusão toma seu lugar,
Aparece um brilho que não fenece.
Desperta o sentido do amar.
Tempestade
Assovia o vento traiçoeiro
Percorre labirintos desordenados.
Varre o descampado desolado.
Espalha folhas descontentes.
Bate galhos nervosos
Contra vidraças expectantes.
Açoita beirais de telhados.
Nuvens apressadas pelo céu.
Some o brilho do sol.
Opaco torna-se o céu.
Em negro manto se envolve.
Grossos pingos desabam.
Na terra penetram impiedosos.
A violência recebe resistência.
Enxurrada escorre nas encostas.
Varre o chão impermeável.
Chuva que arrasa e devasta.
Trovões que ribombam.
Som ensurdecedor rasgado
Por raios flamejantes de pavor.
Tempestade que assola.
Testa a coragem e o destemor.
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