Suspiro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
É uma história longa e que me perturbou por noites, ela é muito importante para mim, tenho certeza que de que foi a mais difícil de todas que já escrevi.
PS:Os capítulos não são muito pequenos, então, leia com calma.
Boa leitura :)
Minha mãe inventou de fazer uma festa para a virada de ano, simplesmente eu odiei a ideia, claro eu não podia discutir com minha mãe, a tarde toda fiquei deitada não a ajudei a fazer nada para comemorar. Uma amiga dela chegou aqui e disse que iria ajudar então eu não me importei e subir para o quarto e fiquei deitada na cama ouvindo música ate agora. Abri o guarda roupa, olhei procurando meu vestido branco, minha mãe sempre me manda usar roupas brancas na virada de ano, portanto ela comprou um vestido que eu nem tirei da caixa. Peguei a caixa pus em cima da cama e tirei a tampa, levantei o vestido, pelo o que parece ele ficaria bem justo e não era comprido, suspirei, me imaginando dentro daquilo, peguei outra caixa onde estava meu sapato, abri: um sapato scarpin preto reluzente, bico arredondado, o salto de uns cinco centímetros eu chorei por dentro e me odiei profundamente por deixar minha mãe compra minha roupa. Olhei no espelho, pronta. “estava parecendo com a Mallyn... ECA”
O vestido ficou bem justo e curto, como eu já suspeitava. Minhas pernas estavam bambas com o salto alto, minha pele esbranquiçada não ficava muito atraente com a cor “branca”. Preferia uns jeans e uma camiseta normal do que ficar toda arrumada para ver gente que eu não conhecia. Passei uma sombra escura para quebrar aquele branco todo, passei um pouco de gloss na boca; treinei meu andar antes de tentar descer as escadas, quase caí nas primeiras três vezes mais depois fui melhorando. Eu não fico muito à vontade com saltos, por falta de uso. Prefiro algo mais simples ou mais prático. Olhei no radio-relógio em cima da mesa de cabeceira ao lado da minha cama, era 23h27min. Eu sabia que a qualquer momento minha mãe entraria aqui e me mandaria descer para falar com os convidados. Aproveitei que ainda faltava algum tempo e penteei o cabelo fazendo algum penteado que ficasse bom no meu cabelo. Estava brilhoso e cheiroso. Olhei para o relógio novamente eram 23h33min, bateram na porta eu olhei mais uma vez no espelho. “É, ta bom!” pensei.-Entra! –falei, Suzane entrou, ela estava linda... O cabelo louro bronzeado estava com cachinhos bem definidos estava brilhoso e bem arrumado, a maquiagem simples mais muito bonita, ela vestia uma blusa branca colada com um decote um pouco ousado demais, uma saia justa e curta. Minha mãe se vestia como adolescente, claro ela não é velha, só dezoito anos mais velha que eu e tinha um corpo de dar inveja em muitas garotas da minha idade.
-Nossa! – ela abriu a boca em um “O” muito engraçado. –Você está linda Marie!
-Obrigada. –sorri agradecida. – Você esta linda mãe! – admiti, ao meu lado, ela ganhava por ser mais bonita.
-Eu sei – ela se virou para que eu á olhasse de outros ângulos. – Os convidados já chegaram, e você não acredita! Sabe o sobrinho da Ângela nossa vizinha? – ela fez um suspense falando isso. Que eu fiquei quase curiosa em saber do que se tratava. Quase.
-O quê que tem ele? –perguntei sem me importar, dando atenção ao meu reflexo pálido no espelho.
-Ele está ai, sabia? Pode acreditar ele está muito bonito! E perguntou por você agorinha pouco. –disse ela dando um sorriso cúmplice. Me olhei de cima a baixo, eu estava ridícula! Olhei para a minha cama e lá eu tinha colocado um jeans e uma blusinha simples para o caso de eu querer mudar. “Isso!Eu quero!”Pensei.
-Mãe será que eu posso trocar minha roupa? Só vai demorar um segundinho. – passei a mão pelo jeans sobre a cama.
-Claro que não! – ela falou como se eu estivesse brincando com ela ou algo parecido.
-Mas mãe, eu... –tentei falar mais ela me impediu.
-Não, não, não e não... Quantos nãos você quer ouvir? Você está super-gata assim, e não quero que mude. –sorriu. Fiz uma careta quase fazendo uma cena; “Talvez ela mude de ideia se eu tentar”. Pensei. –Marie, eu disse que não! –falou como se lesse meu pensamento. Cheguei ao andar de baixo estava cheio, conhecia alguns rostos, outros eram desconhecidos. Suzane me apresentou aos seus amigos do trabalho (ela trabalha para uma empresa de antiguidades e obras primas... Ela trabalha no turno da noite, com arquivos e essas coisas que eu não sei pra que serve...)Eu dei um sorriso ensaiado para todos e fugi para a cozinha o mais rápido que pude. Odiava abrir um sorriso falso, era melhor nem sorrir. A cozinha estava cherando bem. Tinha comidas divérsas, doces, salgadas, frutas e etc... Sentei na cadeira alta de frente para o balcão, puxei uma uva do cacho e mordi, olhei para a mesa pronta, estava linda e bem arrumada, eu podia pelo menos ter tentado ajudar, mas eu sabia que iria atrapalhar demais se fosse fazer essas coisas.
-Marie? – uma voz masculina falou atrás. Um rapaz alto e um corpão, a blusa era larga mais os músculos marcavam por baixo da camiseta e ele era bem alto. O rosto era lindo, cabelo loiro escuro brilhoso e curto, algumas mechas lisas caiam charmosamente pela testa, olhos verdes claros, boca avermelhada e fina, no mesmo momento ele abriu um sorriso, os dentes brancos bonitos, sorriso charmoso. Afinal, ele era muito bonito.
-Sim sou eu! E você é...? –perguntei por que eu não sabia quem ele era. Amigo de Suzane? Não parecia ser amigo dela, os amigos dela sempre tinha um ar mais clássico, e ele aparentava ter pouco mais idade que eu, talvez, dezoito, vinte, vinte e um, de vinte e dois não passa.
-Sou o Bruno! Sobrinho da Ângela sabe? –perguntou e eu assenti que sim. –... Eu vivia por aqui quando criança, se lembra de mim? – ele sorriu, assenti mais uma vez e peguei logo o cacho inteiro de uva, e ele franziu a testa e riu.
-Ah sim! Bruno?! Acho que me lembro. –falei mastigando devagar. – E aí quer uma uva? –perguntei a primeira coisa que veio em minha mente eu estava nervosa e não tinha muito que falar, eu não sabia puxar assunto.
-Quero sim, valeu! – comeu. Momento de silêncio. -Vou lá pra fora... –falei tentando sair do silêncio. –Se quiser pode vir. –falei, ele assentiu. Caramba, eu pensei que ele ia recusar o convite. Eu convidei na intensão que ele negasse. Quando saímos, pude respirar com mais alívio o vento frio chicoteava minha pele e o meu cabelo, passei o peso do corpo para o pé esquerdo. Bruno olhava as estrelas, pensativo.
-Está muito bonita, Marie. Ainda tem a mesma carinha de boneca. – ele se virou para mim. Fiquei um pouco incomodada. Nossa! Engoli em seco e abri o melhor sorriso que tinha.
-Obrigada... –gaguejei. –Você também está bonito... –dei meio sorriso. E não era mentira, ele estava muito bonito. Ficamos quietos por mais alguns minutos ficou um clima tenso e eu me incomodei um pouco. –Você esta só aqui nas férias ou vai morar? –quebrei o silêncio agradecendo a Deus por ter um assunto.
-Vou morar! É que... Minha mãe estar trabalhando muito e teve que sair do país, e eu vim pra mora com minha tia. – falou.
-Mais e o seu pai, por que não ficou com ele? – perguntei e olhei para seu rosto pensativo.
-Ele morreu. – ele olhou para o céu, tremi meu corpo doeu como se eu levasse uma pancada ou um balde de água fria, respirei devagar tentando tirar o nó da garganta e ele voltou a olhar para mim, eu sabia que era difícil perder uma pessoa especial. Sabia exatamente a dor. – Não é bom falar disso no ano novo. –disse ele e deu um sorriso trêmulo.
-É verdade. – eu falei sem vontade, com a garganta apertada. –Onde vai estudar? –mudei de assunto apressadamente.
-Bom não me lembro o nome deve ser algo como São Matheus sei lá... é São alguma coisa. Só sei que vou ter que ir de carro, é um pouco longe. –falou.
-Você tem um carro? – mordi o lábio inferior. Deu inveja, mas passou rápido.-Sim comprei essa semana. – ele balançou uma chave no ar, e colocou no bolso.
–E você onde vai estudar?
-Ah eu vou estudar em Binet... –revirei os olhos. –Acho que é esse o nome. Estranho, não? Não e tão longe, na verdade dá para ir caminhando. –falei olhando para o sapato que já me incomodava. E ele gargalhou devagar percebendo que o salto estava atrapalhando.
-Posso de dar uma carona se preferir. – olhou para mim sorrindo timidamente.
-Ah não precisa. –falei embora eu quisesse a carona.
-Tem certeza? – perguntou. Eu não tinha.
-Acho que sim. –resmunguei olhando para a grama verde.
-Se mudar de ideia, fale comigo. –sugeriu. Ele se afastou um pouco quando ouviu o barulho da porta se abrir.
-Entrem faltam uns minutos para meia-noite. –contou Ângela na porta.Eu e Bruno seguimos e ficamos na sala onde havia dois rapazes ambos com champanhe na mão e todos com uma taça tulipa, uma moça baixinha me entregou uma e Bruno foi à cozinha buscar uma para ele. Eu fiquei olhando para o rapaz que estava com a garrafa na mão olhando para o relógio, ele gritou “10, 9...” e todos repetiram Bruno chegou ao meu lado quando estava no numero sete. Ele contou junto e eu olhei para a janela que estava aberta onde fogos de artifícios estouravam no céu, de todas as cores. Em uníssono todos gritaram “feliz ano novo”.Minha mãe veio me abraçar me desejando felicidades e blá, blá, blá. Falei com alguns familiares e sorri para todos que me desejaram o mesmo. Na verdade eu queria que meu pai estivesse aqui comigo e com minha mãe, juntos, ambos felizes. Uma dor no peito e um aperto na garganta se formaram dentro de mim. Meus olhos ardiam com lágrimas querendo brotar. Não chore Marie, não chore. Odernei a mim mesma em pensamento. Uma mão segurou minha cintura tirando minha divagação mental, eu sabia que era mão masculina.-Feliz ano novo! – Bruno sussurrou no meu ouvido me virei de frente para ele.-Para você também! –falei um pouco alto pois havia murmúrios de vozes em todo o lugar da casa. Ele me deu um abraço e me soltou. Andei cambaleante ate o rapaz ele encheu meu copo com o champanhe. Muitas pessoas olhavam para a janela os fogos de artifício estourando no ar, outros abraçavam seus parentes. Com muito movimento o ar estava abafado e quente, senti a claustrofobia me atingindo com força, abri a porta rapidamente e fui para fora me sentei no banco que tinha na varanda e olhei para o céu. Pensativa. Dias atrás eu estava deitada na cama quando minha mãe chegou gritando dando pulinhos de alegria, e abanando um envelope castanho-escuro, eu olhei com certa curiosidade e susto, eu peguei o envelope da mão dela e abri, lá dizia meu nome, e tinha meu histórico escolar, li na parte de baixo do papel para ver do que se tratava. “Marie Samers, seja bem vinda ao Colégio Alfred Binet”. Olhei para Suzane ela deu um sorriso de satisfação.
-Onde fica Binet? –murmurei. Olhei para o papel procurando os dias de aula. -Á uns três quarteirões, uns quinze minutos a pé você chega lá. – falou. Ela se levantou e pegou um cartão de credito da bolsa.
– Vamos fazer compras? –ela deu um sorriso animador e eu levantei e fomos às compras.Suspirei. Passei para o próximo pensamento... Mais dessa vez eu senti um arrepio. O pensamento foi mais distante e menos detalhado. Era sexta á noite e eu estava jogada no sofá comendo pipoca, com meu pai, estávamos assistindo futebol, bom ele estava, eu não. Minha mãe cochilava ao meu lado... Parecia uma criança. Meu pai deu um grito de vitória. Minha mãe deu um pulo com o susto. Eu e ele começamos a rir dela. Depois de um segundo ela riu também. Mais pegou a almofada e começou a nos bater... E começou uma briga de travesseiros...Simplesmente eu sentia falta, ah como eu sentia, como queria que voltasse um ano atrás e tudo ficasse bem outra vez...
* * * *
-Está em que planeta? – Bruno falou ao meu lado me tirando dos pensamentos. Dei um pulo me assuntando mais depois relaxei.
-Pelos meus conhecimentos, acho que é o planeta terra. – disse tentando puxar para o humorismo, mas não me saio muito bem.
-Um brinde ao ano novo, as novas fases, as novas paixões, a um novo amor. – ele levantou a taça e ergueu a sobrancelha e eu tive a estranha sensação que ele debochava de mim. Ficamos bebendo e conversando, nunca bebi tanto como tinha bebido até agora, aos poucos alguns convidados foram indo embora, o céu já não estava tão escuro estava com menos estrelas e um azul-marinho, mas fraco. Olhei para bruno que bebia um copo de água gelada. Como ele tinha arrumado água gelada? Se ele não tinha saído do meu lado? Eu estava tão tonta que não sabia de mais nada. E eu peguei o copo da mão dele e bebi, as coisas estavam rodando vi dois Brunos na minha frente.
-Marie, chega de beber não acha? – ele pegou meu copo eu fiz que sim com a cabeça. – Quer entrar? Ainda tem umas dez pessoas lá dentro... – fiz que sim com a cabeça novamente. Ele levantou e ficou em minha frente eu levantei dei um passo e escorreguei, sabia que uma hora ou outra o salto iria me trair, Bruno me segurou a tempo, me levantou passou a mão pelas minhas costas segurando minha cintura me levou para a cozinha eu sentei na banqueta, ele andou ate a mesa e pegou algo para comer. Comi e depois fui andando ao seu lado em direção a sala de estar.
-Ela está com sono? – perguntou Suzane olhando para Bruno.
-Sim, esta quase dormindo de pé. – mentiu Bruno.
-Pode levá-la lá pra cima pra mim? E que eu não posso deixar meus convidados sozinhos. –ela deu um risinho. Eu sabia que ela estava inventando. Coloquei a mão na cintura como se desse a entender que eu ainda estava bem presente na conversa. -Posso. –ele falou suavemente. Ela se virou e foi para a sala cantarolando.Traidora.
Andamos ate a escada eu subi tão devagar que parecia que levou dez minutos (ou mais). Chegamos ao andar de cima, Bruno me segurou no colo, como se eu não me movesse rápido o suficiente. Parecia que estávamos voltando de um casamento. Tremi só de pensar que nós dois estávamos sozinhos aqui em cima. Ele se aproximou do meu ouvido.
–Qual é o seu quarto? – sussurrou, aquilo parecia íntimo demais. Eu ri. O som foi estranho... mais eu sempre fico rindo quando estou nervosa. –Está rindo de quê? –perguntou.
-Dessa situação embaraçosa. –murmurei. Apontei para a porta do meu quarto. Ele abriu entramos. Colocou-me de pé. -É... Então, obrigada. – tirei os sapatos e joguei para lá. –Eu já volto. –fui ate o banheiro e lavei o rosto e prendi o cabelo, voltei para o quarto, Bruno estava olhando umas fotos coladas na parede. – Pronto. – sussurrei quando voltei. Sentei-me na cama e coloquei a mão na testa... as coisas estavam girando. Eu era fraca na bebida.
-Então... a gente se vê? –perguntou.
-É... a gente se vê! –murmurei. Ele saiu e fechou a porta. –Tchau pra você também... – resmunguei para a porta. Tranquei a porta e me joguei na cama. Adormeci rapidamente. Abri os olhos, minha cabeça rodando, um mal estar horrível, fui ate o banheiro e vomitei. Depois tomei um banho. Voltei para a cama e dormi de novo. Alguém não queria me deixar em paz, à porta do meu quarto estava quase sendo arrombada com as batidas, levantei e abri a porta. Suzane! Quem mais seria?
-O que é?Onde esta pegando fogo? Por que a pressa? -perguntei, com raiva.
-Vamos, está na hora do almoço. – Ela me empurrou para o banheiro e eu tomei outro banho. –Vê se coloque uma roupa por que temos visitas!
-De novo, mãe? – resmunguei pegando um short que achei jogando no chão do quarto e uma blusa soltinha que estava no espelho da minha cama.
-Vai almoçar assim? – ela me olhou de cima a baixo. Olhei pra ela, nem preciso falar, ela estava deslumbrante.
-Vou comer a comida e não a roupa. – rosnei e ela virou os olhos.
-Muito engraçado, vamos. – ela me puxou até a cozinha onde estavam Bruno, Ângela e Clarissa.
-Bom dia. – eu falei sem ânimo nenhum. Eu odiava dar bom dia.
-Boa noite. –disse Bruno sorrindo.
-Não sabia que as noites eram ensolaradas. – sorri, embora não houvesse sol algum, quase não fazia sol nessa época do ano. Sentei-me ao lado de Clarissa.
-Nossa que coisa. – Clarissa resmungou. – Não pode falar nada Bruno, você acabou de acordar também.
-Hmmm, é mesmo? –perguntei sorrindo para ele. Bruno fez uma careta pra ela. Terminando o almoço eu subi e arrumei o quarto para passar o tempo, ficou muito organizado nem parecia ser meu quarto.
* * * *
Faltavam duas semanas para as voltas as aulas. Comprei o meu material escolar quando faltavam dois dias. Comprei o meu uniforme um dia antes e, arrumei e coloquei no quarto de Suzane por que eu sabia que iria perder se colocasse no meu quarto que já estava uma bagunça. Jantei com Suzane e tomei um banho gelado, liguei meu computador. Peguei a câmera e passei as fotos da festa de ano novo, quando terminei olhei cada foto, fechei tudo e peguei o meu mp4 fiquei mais de uma hora ouvindo musica antes de ficar zonza de sono. Olhei para a janela do meu quarto e percebi uma presença ruim. Engoli em seco e tomei coragem, contando até cinco mentalmente.Levantei-me devagar e abri a janela, olhei pra fora mais não havia nada, tranquei a janela, deitei fiquei mais uns minutos em alerta mais a presença ainda estava lá... depois de uns segundos adormeci.
Notas finais
Tomara que tenha ficado legal. Comentem, até a próxima.
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