Isso definitivamente não podia estar acontecendo! Não comigo...

Eu não sei o que fazer. Foi de repente... Bem, nem tão de repente. Quando o conheci, foi através da minha mente e o achei tão infantil! Quem diria que algum dia eu fosse olhar para aquele homem, que já não era um rapazinho e sentir meu coração bater mais ligeiro?

Nunca imaginei que isso fosse acontecer tão cedo.Obviamente, eu não iria ficar sem companheiro pelo resto da vida, mas praticamente havia acabado de perder Faölin. Apaixonar-me por um humano, mesmo sendo ele um humano semi-elfo cavaleiro de dragão estava fora de cogitação.

Quando atravessamos juntos barreiras impossíveis, como a vitória contra Espectros e batalhas infindáveis, achei que fosse mortalmente comum a admiração que eu sentia por aquele jovem sofrido e persistente. Persistente em tudo, por sinal. No meu lar, ele deu várias indiretas sobre mim, seu olhar, o sorriso tímido e a atenção exagerada. Comecei a temer! Mais por ele do que por mim. Fiquei com medo de magoá-lo muito, embora eu soubesse que iria fazê-lo sofrer usando eufemismo ou diretas. Por fim, resolvi usar metáforas! Contei a ele a história de Menoa e acho que ele sentia o baque, pois nos afastamos um pouco... Um pouco, mas não o suficiente para que ele deixasse de pensar em mim. Quando ele fez uma faith da minha pessoa, quase entrei em um colapso. Fiquei furiosa! Será que ele não entendia o quanto era perigoso um relacionamento amoroso entre nós dois?

Talvez eu tenha pegado pesado, mas quando o vi em meu quarto trazendo-me um buquê de flores do campo, não pude evitar de pensar o quanto ele era... Fofo. Fofo? Elfos dificilmente acham alguém fofo... Bem, na verdade dificilmente eu acho alguém fofo.

E então aconteceu a celebração e ele tornou-se mais lindo do que já era. Não sei o que houve comigo quando o vi, talvez estivesse sob o efeito da magia da festa, mas não consegui evitar um sentimento súbito de beijá-lo. Pensei em uma alternativa: caminhar com ele. O que foi meu erro, pois ele logo começou a se declarar e eu tive que ser firme com ele, odiando a mim mesma por tratá-lo daquela forma desprezível.

Nos separamos e pela segunda vez na minha vida, porque a primeira foi com Faölin, senti parte de mim se esvair. Senti-me inutilmente solitária. Senti-me... Incompleta.

Quando voltamos a nos ver, meu intuito era correr para seus braços, como fazia com Faölin,mas retesei-me, com medo que ele tivesse falsas esperanças comigo e decidi manter-me fria.

Os dias se passaram, formando semanas e logo tivemos que enfrentar novas batalhas e para minha alegria, sempre juntos... Sempre juntos. Em uma dessas batalhas, doei a ele um pouco de minha energia e ia falar o quanto eu gostava dele e que ele se cuidasse para que eu não sofresse. Não consegui falar! E quase despenquei de medo quando ele quase morreu.

Vencemos tudo! E minha mãe morreu... E eu me tornei Rainha e Amazona... E ele se foi para um novo lugar para cuidar dos ovos que sobraram e treinar novos cavaleiros. Quanto a mim? Fiquei com a responsabilidade de tomar conta de um Reino, esperando o retorno de Eragon, almejando ainda ter aquele coração de menino só para mim e finalmente poder viver com ele.

Pensando nele, dei um suspiro apaixonado sob os galhos de Menoa. Suspiro? Eu ri, que coisa mais infantil. Eu não era uma elfa adolescente... Mas quem disse que o amor era só para os jovens?

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Ansiedade. Quem diria que um dia iria sentir isso. Ao meu lado, meu dragão verde rugia de prazer ao ver uma quadrilha de dragões sobrevoando o céu magnífico. E eu tentava enxergar o cavaleiro que montava em um enorme dragão azul safira.

Os dragões pousaram em frente ao palácio de Nasuada e eu quase corri para eles, mas a fumaça de areia que se formou iria fazer-me perder completamente todos os sentidos e cair miseravelmente ao chão. Bufei de impaciência, por que eu tinha que pensar tanto antes de agir?

Então, ele veio caminhando em nossa direção. O que mudou nele? Bom, tudo o que se possa imaginar de um menino que virou rapaz, de um rapaz que virou homem... E de um homem que de alguma forma virou mais homem!

Ele corria em nossa direção sorrindo, abanando as mãos. Ao meu lado, Nasuada sorriu e acenou animadamente. Saphira e Fírnen subiram aos céus juntos.

Eragon parou de correr e ajoelhou-se sob nossos pés.

-Majestades — ele disse. Eu e Nasuada trocamos olhares indagadores, ela sem conter o riso e eu tentando não sorrir tão abertamente, como um cachorro de estimação que acaba de ver seu dono preferido. Não era assim que uma Rainha devia se comportar não é?

-Levante-se amigo — disse Nasuada. Ele ergueu-se todo esbelto e a abraçou. Não posso negar que senti-me excluída.

-Saudades — sussurrou.

-Idem — disse Nasuada e se afastou ainda sorrindo.

E então, ele veio até mim... Céus, ele veio até mim!

Ficamos de frente um para o outro, cada um examinando o quanto havíamos mudado. Senti-me bem mal, pois eu não havia mudado nada! Acabou-se a época que a cada ano eu ficava mais bonita.

-Oi — ele disse timidamente e eu sorri com doçura.

-Desculpe não lhe oferecer uma recepção mais calorosa!

-Gosto assim — ele disse e me abraçou. E eu esperei muito que ele não ouvisse o martelar indesejável do meu coração acelerado.

Fizemos um jantar de boas vindas, ele nos apresentou os novos cavaleiros de dragões, eu mesma o conduzi até seu quarto, onde ele acomodou-se na cama sorridente e depois dirigiu-se comigo até Menoa. Ficamos sentados em um de seus galhos, olhando para a belíssima lua cheia que emanava sua luz bondosa sobre nós.

Eragon mexeu-se desconfortável ao meu lado e eu olhei-o de soslaio.

-Algum problema, Eragon? — indaguei e ele olhou-me cauteloso.

-Eu... Hã... Não sei — confessou suspirando.

Ficamos em silêncio. Um silêncio desconfortável para ambos. Eu sabia que o que Eragon queria me dizer era importante, mas resolvi esperar pacientemente.

-Lembra-se de que trocamos nossos nomes verdadeiros?

-Claro — eu disse olhando-o.

-Eu... Aquilo... O que aquilo significou para nós dois? — perguntou fitando meus olhos.

-Que confiamos um no outro — eu disse e eu não entendia porque meu coração bateu mais rápido.

-Só isso?

Como sempre, raciocinei o que ele estava querendo dizer e pensei em demasia. Acabei com medo, pois era isso que eu sentia e despejei qualquer coisa:

-Foi!

Vi a tristeza em seus olhos e quase desmoronei ao chão. Será que ele queria ouvir outra coisa?

-Ah, certo — ele disse virando-se de lado para mim e olhando fixamente para o chão. Continuei observando-o, até que decidi que já estava na hora de voltar ao castelo.

Passamos por momentos inacreditavelmente bons juntos. Caminhamos juntos, caçamos frutinhas, duelamos e comentamos sobre os treinamentos dos cavaleiros. Enquanto isso, Saphira e Fírnen nem sequer se mostravam, resolvemos deixá-los em total intimidade.

No último dia, ele acordou cedo. Cedo demais!; pensei. Ele já estava arrumando a cela de Saphira quando eu me aproximei com Nasuada. Ele olhou-nos com entusiasmo. Por que estava tão feliz por ir embora?

-Adeus mais uma vez — disse Nasuada abraçando-o — Talvez eu nem esteja viva da próxima vez que vier!

-Não digas besteira — disse ele sorrindo e se aproximou de mim. Ergueu a mão diplomaticamente e eu ergui uma sobrancelha.

-Não precisa ser tão pomposo!

Ele riu e me dei aquele braço de tirar o fôlego. Suspirei pesadamente, a cabeça em seu ombro. Com meu suspiro, senti-lo se arrepiar e dei um pequeno sorriso contente. Ah, eu ainda tinha poder sobre ele.

-Você pode ficar — sussurrei — Eles já estão treinados!

Eragon se afastou de mim e pôs a mão em meu rosto. Senti minha pele arder sob o toque.

-Não vou conseguir viver com você sem poder tê-la como minha companheira amada! Ser amigo já está sendo desgastante para mim. Não queira me fazer sofrer mais do que já sofro!

Engoli em seco, arregalando os olhos. Não consegui manter-me firme perante suas palavras e ele tocou com seus lábios os meus, apenas tocou. Mas foi o suficiente para arrancar de mim um longo suspiro.

Quando afastou-se, senti meu mundo girar e a vontade de jogar-me de um penhasco de repente pareceu tentadora enquanto eu via aquele menino-rapaz-homem se afastar de mim. Minha última esperança se foi... Para sempre.

Como eu sabia que era para sempre?

-Ele vai arranjar uma mulher — sussurrou a bruxa Angela ao meu lado.

-Hmm? — grunhi, perdida em meus devaneios.

-E você vai se torturar pelo resto da vida! — acrescentou indiferente — E vai viver pensando na possibilidade de se matar porque não vai estar com ele. E também vai...

-Calada — eu disse ferozmente.

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As palavras da maldita bruxa ficaram ecoando em minha cabeça, até quando eu deitei em minha cama e me pus a chorar de desespero. Ora, que coisa mais juvenil! Por que eu estava chorando?

Senti um vento frio na janela de meu quarto e a presença de um poderoso ser nos meus aposentos. Deve ser a morte; pensei, eu bem estava precisando dela.

Mas então senti um solavanco em minha cama e tive 100% de certeza de que não era a Morte. Por que a Morte iria querer se deitar comigo?

Senti uma mão afastar meus cabelos de mim e limpar minhas lágrimas. Imediatamente abri meus olhos e me deparei com Eragon semi deitado ao meu lado, sorrindo. Quase gritei de susto e prazer.

-O que... Eragon? — de repente, formar palavras coerentes não estava na minha lista de coisas que eu sabia fazer.

-Não consegui ir embora — ele disse depositando um beijo em meus lábios, rápido, mas perfeito — Não consigo viver sem você. Cansei de me afastar de você; deixe-me ficar aqui contigo! Por favor, por favor...

-Por que está me pedindo? — toquei naquele rostinho maduro e não pude evitar de sorrir — Não precisa sem sequer pedir permissão. Você já pertence à minha vida!

E ele me beijou. Um beijo de verdade, um beijo que poderia tirar o fôlego de qualquer pessoa, criatura ou ser vivo. Suas mãos se encaixaram em minha cintura e eu correspondi aquele beijo, o primeiro de muitos.

Um rugido interrompeu-nos e ele afastou, caindo da cama. A cabeça de Saphira estava em minha janela e seus enormes lábios se repuxavam estranhamente, provavelmente formando um sorriso.

Estou atrapalhando?

Obviamente, respondi irritada e uma risada de dragão surgiu em meus pensamentos.

Então, tchau...

Vai tarde; acrescentei.

Ela se foi e Eragon apareceu na borda da cama, o rosto de menino. Eu ri e o chamei para meus braços, onde ele se acomodou de um jeito protetor.

-Eu te amo — ele disse e eu sussurrei as mesmas palavras, pousando meu rosto em seu peito e fechando os olhos. Um maldito suspiro escapou de meus lábios e ouvi dele uma breve risada — Pelo visto fiz você se sentir humana!

-Não sabes o quanto isso é desconcertante!

E dormi tranquilamente, ouvindo seu riso entorpecente.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!