Suspeita
8 8ª suspeita: Visita na escola.
Notas iniciais
Dia 16 de abril de 2013, terça-feira, sol, Simões Filho, IFBA, 12h43min da tarde.
Em plenos e massacrantes 29 cº estavam a andar Daniel e Davi em direção a sua escola, mais um dia de aula começava para eles. Depois de alguns minutos andando e conversando sobre assuntos corriqueiros do dia-a-dia os dois detetives enfim chegaram a entrada do pavilhão acadêmico de seu colégio avistando logo em seguida um burburinho próximo a entrada do mesmo.
– O que é isso? – Perguntou a Daniel a um colega de classe que estava presente no local.
– Ah, oi Daniel, é que saiu o edital da semana de saúde – Respondeu o colega – As equipes que estão sem vagas estão aqui com seus líderes para chamarem o pessoal que está sem equipes.
A semana de saúde consistia em um período de três dias em que o IFBA parava todas as suas atividades para presenciar e assistir as apresentações dos alunos de toda a instituição sobre saúde. As apresentações da semana de saúde abordavam sobre infinitos temas, desde drogas lícitas ou ilícitas até doação de sangue. Por ser um projeto interdisciplinar a semana de saúde era organizada por equipes de apresentação composta por alunos do primeiro ao terceiro ano, cada equipe com trinta pessoas, dez de cada ano, e sua pontuação valia 25% da pontuação geral da unidade, ou seja, 2,5 pontos. Daniel e Davi já estavam cientes de que a semana de saúde seria realizada pouco tempo depois do início do ano letivo, eles só não sabiam que viria a ser tão cedo e que as equipes estavam quase que completamente formadas.
– Então, vocês já tem uma equipe? – Perguntou o colega de Daniel voltando-se para o mesmo.
Antes que o loiro tivesse a oportunidade de responder negativamente a questão que lhe foi feita eis que uma voz feminina o interrompe.
– Sim, eles estão na minha equipe – Gabriela, acompanhada de Adriana, tinha acabado de chegar – Tomei a liberdade de colocar o nome de vocês dois lá, o nome da equipe é “yashin” e pertence à Luciana, aquela menina alta do terceiro ano de petróleo e gás, ele me convidou para entrar na equipe dela semana passada.
– Ah, obrigado Gabi, mais um pouquinho e nós ficaríamos sem equipe e sem nota. – Davi dizia isso ao abraçar as amigas num gesto de carinho e saudação.
– Eu acho que seria muito mais educado perguntar se queríamos entra na equipe, não acha? – Daniel parecia não gostar da ajuda da ruiva.
– Por que você está falando assim comigo? Eu só estava tentando ajudar, não fiz nada de errado – Gabriela magoou-se.
– Só falei a verdade, eu nem sei quem é essa tal de Luciana, e se nós não gostássemos ao ponto de não querer entrar nele, o que você ia fazer? – Questionou Daniel.
– Eu... Eu... Eu ia bater em vocês dois – Gabriela irritou-se – Eu tentei ser educada, tentei ajudar, mas não, ninguém precisa da minha ajuda aqui né? Desde sábado você anda assim Daniel, bastou arranjar uma namoradinha pra ficar arrogante, quer saber de uma dom Ruam? EU ESTOU FARTA DISSO, ADEUS! – E gritando, a menina retirou-se em direção ao ponto de ônibus para voltar para casa.
– Gabriela! – Adriana correu em direção da amiga a fim de consolá-la.
– O que foi que deu em você, cara? – Davi repreendeu – Olha só o que você fez...
– Não fiz nada demais, apenas disse a verdade – Falou e seguiu em direção a sala de aula.
Davi não gostou da resposta de Daniel, no entanto, ele sabia que o amigo era teimoso demais para voltar atrás.
Independente de qualquer coisa, inclusive a indiferença de Daniel para com a ideia de Gabriela, a dupla de detetives optou por se manter na equipe yashin aquela da qual Gabriela os tinha escrito.
Um mês se passou desde então e a semana de saúde ia aproximava-se a cada dia. Os alunos, cada vez mais apressados, corriam para conseguir encerrar a produção dos trabalhos a tempo, apesar de um mês ser um tempo grande para a produção de um trabalho o mesmo necessitava de tal tempo para ser concluído, afinal de contas aquele não era um trabalho de quinta série onde o único esforço era o de colar figuras numa cartolina, mas sim uma produção extremamente maior com direito a imensas pesquisas, ensaios e até mesmo um corpo especial de jurados compostos por professores e convidados para ver e julgar os trabalhos.
Alguns dos estudantes, especialmente os mais veteranos, não gostavam da forma com que seus trabalhos eram julgados, pois muitos deles perdiam dinheiro, tempo e muito esforço para ganhar apenas 70 ou 80% da nota total, tendo muitas vezes razão, pois o esforço dedicado para agradar ao grupo de jurados era algo fora do sério para não se ganhar a nota total do projeto.
Os dias passaram e enfim chegara o tão temido dia do início da semana de saúde.
As apresentações seriam todas feitas no fim do corredor do térreo de forma que todos os estudantes e jurados pudessem ver a apresentação. Cinco equipes já tinham se apresentado, já eram duas horas da tarde, os estudantes tinham acabado de voltar do almoço e eis que agora era a vez da equipe de Daniel e Davi se apresentar.
– Estou nervosa – Disse Adriana.
– Todos estamos dri, mas tenha fé que vai sair tudo certo – Davi abraçou a amiga a fim de encorajá-la.
– Pra você é fácil falar, você só precisou fazer o vídeo que vai rolar enquanto vamos estamos falando – Daniel estava revendo a sua fala.
– Sim, Daniel, você é o mais cara de pau de todos aqui, com certeza não está com um pingo de nervosismo – Repreendeu Davi.
– Nada a ver, eu estou nervoso sim, quero que o júri fique impressionado com minha entrada – O loiro sorriu.
– Certo Daniel, em questão de sem vergonhisse você se supera a cada dia – Davi riu e voltou-se novamente para Adriana.
– Ei, pessoal – Luciana, a líder da equipe, chamava seus companheiros juntamente a Daniel e Adriana – O professor já deu sinal verde, é agora!
Sem mais delongas todos os integrantes da apresentação dirigiram-se para o local da mesma e Daniel, é claro, foi o último a sair, distribuindo a todos sorrisos e saudações com uma autoconfiança de gigante. Adriana suava frio.
O tema da equipe foi doação de sangue, Daniel foi o primeiro a falar. O discurso desse equipe focava-se nos pontos positivos e nos ganhos que a doação de sangue trazia tanto para os beneficiados quanto para os beneficentes e também falava muito da necessidade de se doar sangue hoje em dia.
Vinte minutos de discussão (com Daniel, como sempre, falando bem mais do que devia) e eis que a apresentação acabara.
– Então é isso aí pessoal, nós somos a equipe yashin e essa foi nossa apresentação sobre doação de sangue – Ao término da fala de Daniel a equipe saiu de cena com uma salva de palmas.
– Vocês foram ótimos – Com um enorme sorriso Davi parabenizava os companheiros de equipe.
– Eu sabia que ia dar tudo certo – Daniel gabava-se de seus feitos – Afinal de contas eu estou na equipe.
– Sim, senhor das apresentações – Davi falava em tom de deboche – tenho dois recados para você. Primeiro, Luciana mandou avisar que depois quer todos da equipe juntos para tirar umas fotos. Segundo, “ela” me ligou e disse que já estava aí, pediu pra você ir vê-la depois que terminasse de apresentar, “ela” disse que está ali no camarote vip – Davi apontou para cima apontando para o corredor do primeiro andar da instituição do qual podia-se ver as apresentações por conta de que seu corrimão parava muito antes do parede que fica a sua frente deixando um grande espaço para se ver o que acontece logo abaixo de quem está olhando do mesmo.
– Camarote vip não é? Hum...- Daniel estava pensativo – E falando isso Daniel subiu as escadas e com alguns segundos de caminhada eis que ele avistara uma garota singular de cabelos negros assistindo as demais apresentações. Ela já tinha percebido que ele estava andando em sua direção, mas fingia não notar. Assim que a alcançou Daniel a abraçou beijando-a logo em seguida.
– Já estava pensando que não viria mais. Por que não ligou pra mim ao invés de ligar pra Davi? – Disse o loiro a sua namorada.
Se eu ligasse para você ia estragar a surpresa de ver a sua apresentação, já que você com certeza ficaria nervoso se soubesse que eu estava assistindo – Clara não conseguia parar de olhar os olhos do amado.
– Ah, tá...Você sabe que eu não tenho essas besteiras – O loiro irritou-se.
– Sei, ô como sei – Irônica, Clara virava o olhar – Amor, vou ir ao banheiro, viu? Já volto.
Assim que Clara saiu, Davi, Adriana e Gabriela estavam chegando ao ponto que assim que Clara se virou para ir em direção ao banheiro ela pode ver Davi junto As duas garotas vindo em sua direção. Clara acenou para Davi e ele correspondeu de muito bom grado. Poucos passos depois lá estava ele ao lado de Daniel.
– Ei, Romeu, está sabendo que a próxima apresentação é a da equipe de Órion, né? – Davi deu um tapinha nas costas do amigo.
– É sobre o que a apresentação?
–Medicina do trabalho.
Daniel olhava para trás para ver se Clara já estava voltando – Tipo... Superinteressante.
– O que é isso cara? Eu sei que não é um tema legal, mas vamos prestigiar a apresentação do garoto.
– É isso aí – Gabriela interrompeu – Vão assistindo apresentação de Órion aí, enquanto isso eu e Adriana vamos descer pra beber água – A ruiva puxou a amiga que prontamente se dispôs a seguir a amiga.
– Ai, ai... – Davi sorria – Essas duas são incríveis, estamos estudando numa escola da qual estamos sobre o risco de ser assassinados a qualquer momento e mesmo assim elas conseguem agir como se nada disso estivesse acontecendo.
– Se for pra ver por esse lado nós também estamos assim, já tem um mês que a investigação está parada, só pesquisamos e pesquisamos e ação nada. Estou começando a ficar preocupado Davi, não sabemos quando o zodíaco pode atacar novamente, ele disse algo sobre ser um ataque triplo muito bem bolado e que seria num momento que não iríamos esperar.
– “Um momento que não iríamos esperar”... – Davi fez uma pausa para pensar um pouco – provavelmente ele estava se referindo a um momento do qual jamais imaginaríamos um assassinato, talvez pudesse ser quando estivéssemos no banheiro ou quando a escola estivesse cheia, também devemos cogitar um ataque fora da escola.
– Quando a escola estivesse cheia? – Daniel assustou-se – Tipo... Hoje?
Um grito irrompeu da multidão.
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
– O que foi isso? – Disse Davi.
– Zodíaco! – Respondeu Daniel.
No mesmo instante um homem mascarado apareceu bem no maio da apresentação, ele estava armado com uma pistola semiautomática segurando-a apenas com o braço direito, pois o esquerdo estava ocupado demais segurando Órion.
– Olá, caros estudantes do IFBA simões filho, há muito eu queria lhes ver. – Em seu rosto estava esboçado um sádico e horrendo sorriso.
–ÓRION! – Gritou Davi.
– Sabe, eu fiquei muito ofendido quando soube que vocês não me chamaram para essa festa – o monstro continuava seu discurso – Tão nervoso que me deu vontade de matar um – No mesmo momento ele atirou na máquina fotográfica do câmeraman que estava registrando tudo.
Professores, jurados, alunos, todos começaram a correr desenfreadamente em direção a saída que ficava do outro lado do pavilhão estudantil, no entanto, outra figura apareceu do lado da porta.
– Muito bem garotada – Uma garota mascarada com uma camisa regata, calças e botas igualmente negras apontava seu revolver para a multidão – Ninguém sai do prédio. Se alguém der uma de herói ou bancar o espertinho morre na hora.
Um dos estudantes irou-se – VOCÊ NÃO PODE CONTRA TODOS NÓS! – Ele saiu correndo junto a outros quatro colegas visando derrubar a criminosa.
BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!
Cinco tiros certeiros, na cabeça, os cinco estudantes fora, atingidos antes mesmo de chegarem a três metros da garota.
– Eu avisei – Disse ela – Vamos lá, todo mundo voltando para perto do meu colega ali na outra ponta do pavilhão.
Instantaneamente e de uma forma um tanto quanto desesperado os reféns fizeram o que a garota lhes mandara.
Daniel e Davi permaneciam no mesmo lugar onde estavam, por mais que eles não pudessem fazer nada eles não poderiam deixar Órion sozinho com um dos zodíaco.
Assim que os demais reféns chegaram Daniel e Davi puderam avistar a autora dos tiros que ouviram há pouco, eles também a escutaram dando ordens como “continue!” ou “mais rápido!”.
– É ela – Concluiu Daniel – Foi ela a zodíaco que me ligou.
– Muito bem – Enquanto apertava a cabeça de Órion com o revolver o bandido começou a falar — Escutem o que vou dizer agora por que só vou falar uma vez. Viemos aqui fazer uma visitinha no seu colégio para lhes dar um recado. Primeiramente quero que saibam que não estamos gostando da forma com que vocês têm agido, nós fizemos o favor de avisar que mataríamos aqueles que se ousassem a sair do colégio e vocês simplesmente o fazem ou passam a deixar de frequentar as aulas sem mais nem menos? Isso é um absurdo, mas como eu somos muito legais decidimos lhes dar mais uma chance, passem a ser bons estudantes e frequentem as aulas todos os dias. Faltou uma aula? Morre. Claro, nós não poderíamos deixar barato para aqueles que saíram do colégio sem mais nem menos, hoje de manhã já matamos os cinco que saíram do IFBA, são eles: Arnaldo Silva, George Antônio, Marcos Lucas, Catarina Marques e Dionísio Dantas,
–NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÕOOOOOOOOOO! – Uma garota gritava e chorava desamparada em meio à multidão – MAAAAAAAARCOOOOS!
Ela chorava, chorava e chorava sem cessar, estava irremediável. Eis que o zodíaco que segurava Órion aproximou-se dela se agachou e levantou seu rosto com a ponta do revolver.
– Ó, coitadinha, era seu namorado?
Tremendo, ela fez sinal positivo com a cabeça sem jamais deixar de olhar para baixo.
– Que peninha, sabe, a maioria dos assassinos mandariam você calar a boca e parar com esse choro infernal ou te matariam na hora, mas como sou um cara bonzinho não vou fazer nada disso, afinal de contas o som do seu choro colabora para que os demais permaneçam em pânico.
A garota levantou a cabeça e visualizou desesperada o sorriso maquiavélico daquele demônio até que...
BANG!
– Brincadeirinha, eu até gosto de pânico geral, mas poupar menininhas chorosas não é bem a minha praia. – Disse o assassino após estourar os miolos da garota.
– Sim baby, vamos logo ao que interessa – A garota do zodíaco voltou-se o seu comparsa.
– Ai, ai... Apressadinha como sempre – Ele respondeu e então elevou a voz – Certo, estamos aqui a procura de dois caras muito conhecidos por aqui, os nomes deles são... Daniel e Davi.
Continua...
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