Suspeita

4 4ª suspeita: "Sou seu assassino, Zodíaco".


Notas iniciais
Novamente trago o capítulo de suspeita dessa semana pra vocês moçada!

Fiz ele com muito esforço e carinho pessoas então por favor, leiam e divirtam-se com suspeita, não deixem de comentar após a leitura, o ministério da saúde diz que comentar "suspeita" deixa você mais saudável e atraente, então bora ficar bonito pessoas, todo mundo comentando aê lol

Dia 10 de abril de 2013, quinta-feira, sol, Simões Filho, IFBA, 9h30min da manhã.

De uma forma um tanto incomum, a sala de Davi e Daniel estava presente na escola desde às oito horas na manhã. Chegaram ao instituto assim tão cedo com o intuito de estudarem em conjunto para a tão temida prova de física. Outro motivo que os levara a estarem presentes em tal lugar tão cedo era a reposição da aula de educação física, o professor teve de se ausentar na aula da semana passada por motivos pessoais e graças a isso marcou a reposição da última aula para ás dez horas de hoje.

Passados dez minutos após o horário marcado pelo professor, os alunos já estavam trajados a rigor (camisa ou camiseta, bermuda e calçado) e já dirigiam-se para a pracinha que ficava ao lado do pavilhão administrativo. A pracinha era o local favorito dos casais do IFBA, devido a sua beleza e ao quase inexistente fluxo de pessoas por ela. Junto à praça, descendo como quem vem pelo lado da portaria, existia a quadra e pouco depois dela a APA Joanes-IPitanga, uma bela área de preservação ambiental que era preservada tanto pela comunidade da Pitanguinha quanto pelos próprios estudantes do IFBA e até mesmo alguns funcionários do instituto federal. Mais a direita também era possível ver o anfiteatro, um teatro semelhante aos tetros gregos, um tanto menor, lógico, teatro esse que era utilizado em diversas apresentações dos projetos interdisciplinares de IFBA, como a semana de cultura ou consciência negra. Era nessa pracinha que a aula seria lecionada, o professor de educação física gostava muito de dar aulas em tal praça, já que a sombra de suas árvores era reconfortante e sua brisa era magnífica, muito melhor do que a abafada sala de educação física, ao menos era assim que ele pensava até hoje, até o dia em que presenciou tal cena.

–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!- Uma das meninas gritou assim que viu aquela carnificina.

–MEU DEUS, O QUE É ISSO?- Gritava um dos estudantes enquanto tampava o nariz a fim de não sentir aquele cheiro horrível emanado pela carne.

–BLEEEEEEEEEEARGH- Uma terceira de estômago fraco vomitou de tanto nojo.

Algumas garotas choravam sem nem mesmo saber por que o faziam, talvez a cena fosse tão aterradora de forma que fosse impossível segurar as lágrimas. O fato era: algo de muito errado aconteceu ali.

Oito corpos estavam pendurados por meio de cordas ao”teto” que ficava atrás do anfiteatro. Todos mortos. O mal cheiro de sangue e carne morta vigiava o local.

Davi pegou na mão de um dos corpos, estava gelada. –Devem ter morrido há algumas horas, não sei precisar quantas, mas não deve ter sido há muito tempo, caso contrário o mau cheiro estaria bem pior.

– Professor, tire essa galera daqui. Não quero ver outra garota vomitando de novo, de fedor o dos corpos já é mais do que o suficiente. – Daniel aproximou-se dos corpos e fez sinal para que seus colegas fossem embora.

Por mais que não desejasse obedecer a ordens de um adolescente que tem metade de sua idade, o professor Arnaldo não tinha outra opção, ele bem sabia da boa fama dos dois detetives, sabia que em toda a cidade ele jamais acharia alguém melhor para avaliar o caso e mais do que tudo sabia que eles tinham permissão dada diretamente pelo diretor para investigarem qualquer anormalidade que ocorresse no IFBA, sem opção, fez o que Daniel lhe mandou.

–EI, ESPERE!- Gabriela gritou. – ESTAMOS AJUDANDO NA INVESTIGAÇÃO, DEIXE-NOS FICAR! –Falava referindo-se a si e a Adriana.

–Por favor, professor, nós também fazemos parte da investigação. –Insistiu Adriana.

–Elas falam a verdade, deixe-as ficar, professor! –Por mais que estivesse centrado no caso Daniel não perderia a chance de voltar para sala a sós com Gabriela.

Novamente a contra gosto o professor teve de obedecer às ordens de Daniel. Os demais alunos estavam pasmados com a visão que acabaram de ter, alguns jamais teriam coragem de voltar ao local, outros desejavam desesperadamente saber o que aconteceu, mas nenhum deles voltou lá, tinham total ciência de que se o professor os pegasse na certa seriam reprovados.

Os dois amigos estavam olhando para os corpos das vítimas com uma concentração que Adriana e Gabriela jamais presenciaram. Davi estava olhando em baixo das camisas de cada um dos cadáveres e quando chegou ao último finalmente quebrou aquele silêncio aterrador.

–Oito corpos... Cinco negros, dentre eles duas meninas e mais três brancos, também duas meninas e um rapaz, todos têm pequenos ferimentos nas costas, sinal de que provavelmente foram arrastados por algum local de chão irregular. Suas cabeças estão muito disformes, arrisco dizer que foram mortos a apunhaladas.

–E que apunhaladas! – Concluiu Daniel. – Foi utilizada uma força brutal em cada golpe, os rostos estão quase irreconhecíveis. Tenha medo de quem fez isso, ou era um bruta montes daqueles ou era uma mulher na TPM , a única coisa que sei é que quem fez isso estava com muita raiva...

– Ei, meninos!- Gabriela chamou os amigos. – Tem uma suástica feita de sangue aqui, venham ver!

De fato existia tal símbolo feito com sangue na parede que estava a uns cinco centímetros de Gabriela e Adriana e a uns quatro metros dos rapazes.

Alguns dizem que a suástica, além de ter sido utilizada como símbolo pessoal de Adolf Hitler na segunda guerra mundial, também era um sinal comum nos rituais de magia negra e nas religiões neopagãs. Dizem que até mesmo algumas estátuas de Buda possuem a suástica, símbolo este que está entre uma das coisas mais misteriosas e sombrias da história da humanidade.

–Hum... – Daniel olhou o símbolo. – Isso é uma ótima pista, ou o culpado por isso é um mago negro neopagão ou é alguma espécie de nazista maluco.

–Olha só, alguns pingos de sangue fazem uma trilha que começa nos corpos, provavelmente ela vai nos levar ao local onde o assassino os matou. – Assim que falou isso Davi e os demais saíram correndo seguindo a trilha de sangue.

A trilha ia seguindo sem problemas, o sangue não era muito, mas era o suficiente para deixar claro que era o sangue das vítimas encontradas há pouco. O sangue indicava para uma trilha que existia pela APA da escola, a Joanes-IPitanga.

Por uns dez minutos eles ficaram andando com um pouco de dificuldade de enxergarem a trilha, já que era mais difícil de se enxergar o sangue na areia. Com o passar do tempo o mato fechava mais e mais, como um leão que cerca sua presa, até que enfim eles chegaram a um local escuro, sombrio, com galhos e arbustos que passavam por cima da cabeça de um homem alto, esses galhos estavam tão entrelaçados que mal se podia ver a cor do céu quando se estava em baixo deles. Galhos tão emaranhados que formavam um túnel, e em baixo deste túnel estava uma enorme poça de sangue.

–Enfim chegamos ao local do crime. – Disse Daniel com satisfação.

–Esses assassinos são muito burros, nem se deram ao trabalho de limpar ou esconder esse sangue para não serem pegos. – Adriana abaixou-se para ver o sangue mais de perto.

–Não, eles fizeram isso de propósito. –Davi corrigiu. – eles querem que nós vejamos isso, caso contrário eles jamais iriam pendurar os corpos numa praça pública e nem iriam pensar em desenhar aquela suástica de sangue, quem quer que tenha feito isso não tem nenhum pudor de que saibam o que ele está fazendo.

–Sim, mas a questão é: por que eles fariam isso?- Questionou Gabriela.

–Arrá! Olhem só o que eu achei moçada! – Daniel estava com um sorriso de orelha a orelha.

–Um pózinho branco?- Adriana aproximou-se.

–Não é um simples “pózinho branco”, isso aqui é cocaína. Nossas vítimas foram drogadas, drogadas para serem mortas.

–Essa trilha que acabamos de andar é o chamado atalho, não é? Se não me engano, o pessoal que anda por aqui sabe que este caminho é mais rápido que o convencional para se chegar ao ponto de ônibus do Cia um, e também sabe que este caminho é perigoso ao ponto de que a diretoria não permite que os alunos andem por aqui, certo? – Davi perguntava aos demais.

–Isso mesmo, Davi. –Gabriela respondeu.

– Então, Gabriela, você sabe de algum caso como este que tenha ocorrido com os estudantes que estiveram no atalho?- Davi continuava com o interrogatório.

–Não, ao menos até onde eu sei. Eu sempre fui convidada a ir pelo atalho até o ponto de ônibus com o pessoal lá da sala, especialmente quando saíamos cedo por conta de alguma aula vaga, já que o ônibus escolar iria demorar a chegar, mas eu nunca andei por aqui, Adriana não gosta desse lugar e a fama do atalho não é boa.

–Certo, achou mais alguma pista, Daniel?- Davi dirigiu-se ao amigo.

–Não, Davi. Acho melhor chamarmos uma analista para dar uma olhada melhor nos corpos.

– É Daniel, acho que não tem jeito não, vamos ter que ligar para a Clara. – Era perceptível que daqui achava graça de mencionar esse nome na presença do amigo.

– Não me fale dela, por favor... Esse nome me dá dor de cabeça... – Daniel fez cara de zangado.

–Quem é essa tal de Clara? – Perguntou Gabriela.

– É uma longa história, depois eu falo sobre isso, vamos voltar pra sala por que essa tarde promete. – Davi e os demais voltaram para o pavilhão estudantil.

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–Por favor, expliquem-nos o que está acontecendo.

–Eu nunca mais quero ver aquilo... NUNCA MAIS!....

–Quem é o culpado por isso?

–É verdade que vocês são detetives?

–Nós estamos corremos perigo?

Daniel e Davi estavam agora no meio do corredor do pavilhão acadêmico. Essas (e mais uma centena de) perguntas os cercavam por todos os lados, a comunidade estudantil estava inquieta, todos queriam saber o que estava acontecendo. Os dois jovens estavam aflitos, não queriam responder a pergunta alguma por que isso somente causaria um pânico sem sentido trazendo enormes obstáculos para a continuidade da investigação.

–Calma pessoal. Nós temos tudo sobre controle... –Davi disfarçava um sorriso.

–É isso aí galera, não podemos falar nada agora, mas logo pegaremos o culpado por tudo isso!- Com sua imensa autoconfiança Daniel tentava acalmar a todos.

–EU TENHO O DIREITO DE SABER A VERDADE, DIGAM LOGO O QUE ESTÁ ACONTECENDO!- Furioso um dos estudantes do segundo ano gritava com todas as suas forças.

–ISSO MESMO, QUEREMOS RESPOSTAS!-Um segundo jovem apoiou seu colega.

O clima ficou tenso e pesado, e ao contrário do que Daniel pensava a situação estava fora de controle, todos estavam desesperados, Davi já não sabia mais o que dizer para acalmar a multidão e seu amigo já estava pronto pra entrar numa briga, Adriana e Gabriela temiam pelo que aquela situação poderia gerar. O caos estava espalhado, a fúria semeada naquelas jovens mentes, e o desespero... Reinava. Tudo estava pronto para explodir quando uma luz surgiu em meio daquela tormenta.

–Relaxa, galera. Eu bem conheço a fama de Daniel e Davi, são ótimos detetives. Já temos um suspeito em potencial e estamos para pegá-lo, a polícia está conosco e teremos todo o apoio necessário para acabar com isso de uma vez por todas.

A voz que surgiu para acalmar os corações dos que ali estavam vinha de um calouro ruivo, com um belo par de olhos verdes que transmitiam confiança.

Ao ouvirem as palavras daquele jovem os demais estudantes pararam de questionar os dois detetives, e com mais dez minutos de conversa logo voltaram para a sala.

A dupla de investigadores estava impressionada com a perícia que aquele jovem de cabelos cor de sangue demonstrava ao acalmar seus demais colegas de escola, no entanto, era mais do que suspeita a forma que ele utilizou para conseguir acalmar a todos, onde afinal ele pôde ter conhecido os dois detetives? E mais, como ele acredita existir um suspeito que nem mesmo Daniel e Davi conseguiram achar? Existiam demasiadas pontas soltas nessa história.

– O maiores detetives juvenis da história, Daniel e Davi... É uma honra conhecê-los. — Falava o jovem ruivo.

– E quem diabos é você? Como nos conhece? – Como de costume Daniel foi simples e direto.

–Ah, desculpe, esqueci-me de me apresentar. Meu nome é órion, órion Barbosa, sou dono de um blog chamado “casos sinistros”, lá eu falo sobre crimes reais e incomuns. Eu conheço vocês por que já li muito sobre todos os casos que já resolveram juntos, inclusive o mais famoso, aquele que foi o primeiro de vocês, o caso do...

–Sim, nós já entendemos, onde você quer chegar com isso?- Davi interrompeu fazendo cara de poucos amigos,

–Cara, eu sou muito fã de vocês, sempre foi meu sonho participar de uma investigação com vocês dois, assim que eu soube que vocês estudavam aqui eu estava disposto a aju...

–Você não vai nos ajudar nas investigações, isso não é um jogo, moleque. Nós fazemos o que fazemos por que já estávamos nesse mundo mesmo sem querermos, e elas só nos ajudam –Daniel apontou para as duas amigas. – Por que estão sendo úteis e uma amiga delas morreu em um caso que ainda não terminamos.

– Ah, cara, qual é? Deixe-me ajudar, garanto que vou ser útil, até já tenho um suspeito em especial para esse caso e era dele que eu estava falando há pouco.

– E quem seria esse suspeito?

–Até onde sei, os corpos das vítimas estavam com os rostos tão fraturados ao ponto de estarem quase irreconhecíveis, certo? Bem, uma suástica foi desenhada com o sangue das vítimas do anfiteatro, certo? Daí já dá para criarmos algumas hipóteses. Primeiro, o assassino tinha algum motivo para matar suas vítimas para tê-las executado de forma tão brutal, o que indica que não é um “simples” serial killer, o criminoso tinha algum motivo muito forte para fazer aquilo, algo mais forte do que o simples desejo de matar. Segundo, a suástica, ela é uma pista muito importante nesse caso, o assassino, ou o grupo de assassinos, davam muita importância para aquele símbolo, para o que ele representa, nisso já podemos tirar algumas conclusões...

– O assassino tem ou é simpatizante com ideologias nazistas! – Adriana não acreditava que o assassino fosse envolvido com religiões neopagãs, falando assim apenas da única alternativa que considerava plausível.

–Além de nazista ele pode ser um bruxo ou neopagão, se for esse o caso podemos esperar por mais mortes, por que aquilo que fizeram seria um ritual e rituais acontecem de tempos em tempos, é um evento periódico. Acredito que ele fez a suástica e deixou os corpos expostos na praça como parte de um ritual ocultista ou como forma de propagar suas ideologias. – Concluiu Órion.

–É, tenho que admitir que você é bom, mas ainda é cedo para dizer que está dentro do grupo. Pode nos ajudar se quiser, mas fique ciente de que qualquer deslize e você cai fora! –Disse Daniel.

*HIROGARO YAMI NO NAKA KAWASHIATTA KAKUMEI NO CHIGIRI

DARE NI MO JAMA SASERU WAKE NI WA IKANAI KARAAAAA...* (música the world, death note)

–Ei, Davi, não é o seu celular tocando? – Daniel avisou o amigo.

– Ih, é mesmo, espera um momento que eu já... Epa, número desconhecido?

Uma aura estranha tomou conta do ar, Gabriela estava com um mal pré-sentimento. Davi pegou o celular, atendeu e colocou na orelha, todos ficaram calados. Davi começou a falar.

–Alô?

– “Alô?” – Uma voz horrível e medonha, quase que desumana, atendeu do outro lado da linha.

– Aqui é Davi Oliveira. Quem fala?

–“Quem fala?” hu,hu,hu... Quem fala aqui do “outro lado” é o cara da suástica... sou o seu assassino... Meu nome...

...”É zodíaco”...

E assim a sétima trombeta foi tocada.

Continua...

Notas finais
Ajudem uma criança a ser feliz, comentem essa história, eu sou a criança, por favor, sejam minha esperança! (help me! T.T)