Suspeita
10 10ª Suspeita: Recomeço
Notas iniciais
Jesus, dá até vontade de chorar T.T
Espero que curtam a história galera, tá lindona (acho XD)
Agradeço a todo mundo que leu até aqui e pra comemorar o décimo capítulo da saga de Daniel e Davi vou postar vários extras sobre suspeita no meu site a partir de hoje e já vou começar com uma das mais legais: De onde veio a história de suspeita e como tudo começou, mas pra ver só no meu blog pessoal, acessem:
http://brunomouraart.blogspot.com.br/
No mais, boa leitura. ^^
Clara está morta...
Logo após o falecimento da jovem namorada de Daniel os dois zodíacos restantes sumiram. A garota que estava armada jogou uma bomba de fumaça no chão o que deu brecha para que seu comparsa pudesse fugir junto a ela e Davi nada pôde fazer, pois seria muito arriscado correr naquela fumaça, pois se caísse e deixasse com que a arma escapasse de suas mãos ele não teria mais nada que o protegesse.
O terceiro zodíaco morreu logo após cair da sacada. Depois disso, Clara que se foi...
Dia 17 de maio de 2013, sexta-feira, nublado, Salvador, cemitério parque bosque da paz , 15h33min da tarde.
Todos estavam de preto, assim como o céu que os ameaçava com sua trovoada incessante. Lágrimas corriam pelo rosto de praticamente todos os presentes. Daniel estava irremediável. Perder a namorada que tanto amava de forma tão brutal, morta em seus braços, era demais pra ele, era um fardo que ele não poderia aguentar. Davi, Adriana, Gabriela e Órion também estavam presentes, todos devidamente vestidos para a ocasião.
Por fim, o corpo de Clara chegou protegido por um caixão robusto e muito bem ornado em detalhes dourados, a cor favorita da falecida. Seus pais choravam mais do que qualquer coisa. Seu irmão mais novo já tinha covas no rosto de tanto que chorara até então.
O padre que estava no local fez algumas considerações, falou sobre o quanto aquela jovem era promissora e a falta enorme que ela faria nos corações de todos ali presentes. Ele falou bastante, quase o mesmo tanto que falou durante a homilia da missa celebrada a pouco justamente em nome de Clara. Mais algumas orações e preces, vários minutos de silêncio e finalizaram o sepultamento, repousando o caixão dentro da cova feita especialmente para ele, enchendo-a de terra logo em seguida.
O número de flores que ornavam a sepultura poderiam sozinhas formar um dos mais belos jardins já vistos, uma coisa tão linda para honrar a triste morte de uma jovem garota que ainda tinha uma vida toda pela frente.
Começou a chover. Todos procuraram por abrigo numa casinha próxima, menos Daniel, a esta altura ele já estava encharcado, mas ele pouco ligava para isto, ele não ligava pra mais nada.
– A gente tinha tantos planos... Tantas coisas que eu queria viver com você... E no fim, apesar de tudo o que eu fiz, de toda a minha infantilidade, de todos os meus erros, você sorria pra mim... Eu preferia muito mais que eu estivesse nessa cova agora e não você, você não merece...
O jovem caiu de joelhos e assim que eles chegaram ao chão ele soltou um urro de indignação, todos puderam ouvir.
Um guarda-chuva pairou sobre Daniel, fazendo com que ele não viesse a se molhar ainda mais. O loiro nem se deu ao esforço de olhar para cima, seu rosto não transmitia expressão alguma além de dor, dor e sofrimento inigualáveis.
–Vamos meu caro, não perca a compostura. – Daniel enfim olhou para cima e o que viu foi um homem alto de cabelos e barba castanhos , ele era um tanto encorpado com mãos brutas, mas usava roupas finas, um terno de marca junto a uma gravata, camisa calça e sapatos de igual magnitude, ele olhava para Daniel e sorria para ele num tom de serenidade e confiança sem igual, seu sotaque soava um tanto norte americano, o que evidenciava que se tratava de u estrangeiro. — Eu compreendo sua dor, mas deixar-se abater por ela de forma a expor-se aos males da chuva não lhe trará bem algum. Não creio que esta jovem donzela que aí foi sepultada apreciasse que sua pessoa viesse a adoecer por conta desta chuva.
– Quem... Quem é você?
– Eu? Ora, isto pouco importa. Sou um homem de negócios e esta jovem que aí está era filha de um de meus melhores clientes. Meu nome é Carl Reymond, dono das empresas de propaganda e publicidade See! corporations.
– Sei... Meu nome é Daniel. Agradeço a sua ajuda senhor Reymond, mas não quero sair daqui agora, tenho muito pra pensar antes de ir embora.
– Entendo, a dor que o abate é tão profunda que não o permite sair de seu estado de luto. Pois bem meu jovem, o deixarei em paz, mas tome, leve meu cartão, pode parecer estranho mais me afeiçoei a você, caso necessite de alguma coisa sobre os problemas de sua instituição de ensino pode me procurar por este número que eu prontamente o atenderei.
Em seguida Reymond deixou Daniel na chuva uma vez mais. Ele já estava de costas quando Daniel o chamou.
– Reymond!
– Sim, diga-me.
– Como sabe dos problemas que estão ocorrendo em minha escola?
– Ah, homens como eu tem uma vasta rede de informações, afinal de contas, por mais que isso possa a lhe abater confesso que o caso que sua instituição de ensino se encontra no momento é instigante. Estou curioso para saber o final desta investigação. Quero saber qual dos lados irá ganhar, o voraz e genial assassino ou a magnífica dupla de detetives. – Reymond deu um leve sorriso.
– Isso não é um jogo, vidas humanas estão em risco... Clara foi uma delas.
– A vida é um jogo, caro amigo, independente do que está em risco. Tudo não passa de um grande jogo cheio de trapaças e armadilhas preparadas pelos mais bravos e cruéis algozes existentes.
– Você sabe demais e fala num tom que me desagrada, não percebe que neste exato momento você está entrando pra a minha lista de suspeitos número um?
– Sim, eu sei, no entanto peço que compreenda que apenas fiz um comentário que achei pertinente, afinal de contas sei que um detetive tão hábil quanto você é capaz de achar o assassino antes que ele faça sua próxima vítima.
– Próxima vítima? – Daniel deu uma risada de leve e em seguida seu rosto foi tomada por uma furiosa e assustadora expressão. – ELE vai ser a próxima vítima, não vou descansar até acha-lo, busco ele no inferno se for necessário.
– Hu,hu, hu. – Após terminar de rir o homem de preto voltou a andar em direção a uma limusine preta que acabara de chegar às portas do cemitério. – A determinação de um jovem é algo atípico atualmente, estou ansioso por notícias suas senhor Daniel, nos veremos novamente, até lá, mantenha-se vivo, pois não gostaria de vir a outro enterro tão cedo, pois é muito desgastante, até mais e tenha um bom dia.
– Até. – Daniel acenou ao homem que o respondeu com um sorriso antes que o carro desse a partida e saísse do local instantes depois.
O carro sumiu no horizonte.
Daniel ficou alguns instantes a contemplar o cartão que lhe foi dado pro Carl Reymond, era um belo carão contendo o telefone, website e endereço da See! corporations que curiosamente era uma empresa multinacional que trabalhava com publicidade e propaganda (desde comercias até criação de logo marcas ou slogans).
Por fim, Daniel guardou o cartão no bolso de sua calça e dirigiu-se na direção do carro de sua mãe (um Corolla prateado 2009) onde a mesma o esperava para voltar pra casa. Enquanto andava Daniel pôde ver que seus amigos já estavam no carro a sua espera e neste momento ele decidiu que não perderia nenhum deles nem que para isso ele tivesse que matar o zodíaco com suas próprias mãos.
Uma nova fase da investigação começava.
Dia 20 de maio de 2013, segunda-feira, sol, IFBA, campus Simões filho, 14h21min da tarde.
Apesar de na maior parte das vezes os estudantes do IFBA detestassem sua escola nunca se viu um dia em que ela estivesse tão silenciosa e deprimente quanto hoje. Por incrível que pareça todos os estudantes estavam na instituição assistindo suas respectivas aulas, o silêncio não provinha da falta de alunos, mas sim do desespero que assombrava a todos. Mesmo não querendo estar ali os jovens do IFBA não se ousariam a cabular aula, até por que por mais que sua mãe parecesse assustadora quando o assunto fosse faltar a aula um serial killer que lhe ameaça de matar caso o faça é bem mais intimidador (ao menos na maioria dos casos).
O intervalo acabara de soar e todos, inclusive os professores, saíram de suas salas sem um pingo de ânimo. Ao saírem puderam notar que várias cadeiras estavam dispostas no corredor e no final do mesmo Daniel e Davi estavam em pé, cada um com seu respectivo microfone, junto a eles estava todo o aparato necessário para o bom funcionamento dos aparelhos de áudio. Ao verem a cena os estudantes captaram logo à mensagem e sentaram nas cadeiras a espera do que os detetives tinham a dizer.
– Boa tarde, galera – Davi iniciou a conversa, apenas meia dúzia de pessoas respondeu a sua saudação – Acho que nem precisamos nos apresentar, né? Depois da semana passada creio que todos aqui já nos conhecem. Bem... Primeiramente eu gostaria de agradecer ao grêmio da escola por nos ajudar a fazer essa reunião de última hora – Um dos estudantes do grêmio levantou a mão direita formando um “V” com seus dedos indicador e médio em sinal de aprovação – Eles deram a maior força com a reunião que fizemos de manhã e se prontificaram a fazer o mesmo com a reunião que vamos fazer de a noite com a galera do subsequente.
– Diz logo o que você tem pra falar! – Gritou um estudante que estava sentado no fundo.
– O.k. – Davi tentou disfarçar a raiva quanto ao comentário – Como todos sabem eu e meu amigo Daniel somos detetives profissionais prematuros – Ele olhou para o amigo que fez um sinal de “sim” com a cabeça encorajando-o a continuar — Nós já estamos nessa vida há três anos e já vimos muita coisa, mas confesso que nunca vi nada igual ao caso desse colégio. Os assassinos tem feito o que bem querem, a policial não sabe nem ao menos pra onde ir e mesmo nós não conseguimos fazer nada... – Com um olhar de tristeza o jovem fitava o chão – Sei que as coisas estão ficando complicadas, mas temos que continuar a investigação, caso contrário todos morreremos, mas para isso precisamos da ajuda de vocês, precisamos que continuem a frequentar as aulas normalmente, mesmo que fiquem doentes ou machucados venham pra escola, é melhor do que morre. Ainda não sabemos onde os assassinos estão ou quem são eles, precisamos de tempo para descobrir isso e não quero que nenhum de vocês morra durante esse tempo.
– É mesmo? – Disse um aluno que estava sentado logo à frente – Por que não disseram isso semana passada? Minha irmã morreu justamente por causa disso no ataque de terça-feira.
– Mas a diretoria tinha avisado vocês de que...
– NÃO IMPOTA! – Gritou a menina que interrompeu Davi no canto direito do corredor – VOCÊS NUNCA VÃO PEGAR O ASSASSINO, ESTAMOS TODOS MORTOS!
– Nós sentimos muito pessoal, mas é que...
– QUE DETETIVES SÃO ESSES QUE NÃO CONSEGUEM FAZER NADA? – Gritou um terceiro que foi prontamente seguido por todos os seus colegas.
– CALEM A BOCA! – O grito de Daniel fez com que todos ficassem em silêncio quase que no mesmo instante – ESTÃO CANSADOS DISSO TUDO? QUEREM UMA SOLUÇÃO? SE ESTÃO ACHANDO RUIM DESAFIO A FAZEREM MELHOR. ESTAMOS NESSA MERDA HÁ UM MÊS E EU JÁ NÃO AGUENTO MAIS ESSE BANDO DE IDIOTAS QUE FICAM APENAS OLHANDO E FALANDO MAL DO NOSSO TRABALHO. QUEREM RESULTADOS? ENTÃO AJAM DE ACORDO OU MORRAM!
A reação da maioria das pessoas para com um discurso deste em geral é vaiar, xingar ou até mesmo agredir a pessoa que o fez, no entanto todos permaneceram quietos. Daniel estava com uma cara horrível e todos perceberam que ele não estava de brincadeira. Davi olhou para o companheiro com um tom de surpresa, nem mesmo ele esperava por esse ataque de raiva repentino.
– Er... Daniel, acho melhor irmos com calma...
– Já tivemos calma por tempo demais – Daniel continuava a encarar seus colegas de escola sem jamais desviar o olhar ou afrouxar os punhos que estavam quase estourando de tão fechados – As coisas agora vão ser diferentes, para continuarmos a investigação precisamos que nenhum de vocês faça besteira, venham pra a escola e pronto, se tiverem algo que possa ajudar quero que falem agora.
Ninguém se pronunciou, uns por medo, outros por indiferença, mas o silêncio continuou a reinar.
– Pois bem, se mais ninguém tem nada a dizer considero esta reunião por encerrada, até mais e tentem manterem-se vivos – Finalizou Daniel.
Um burburinho se formou e depois de cinco minutos de conversas internas e de discussões sobre o assunto todos saíram do local, apenas Davi e Daniel permaneceram exatamente no mesmo local em que estavam.
– Acho que você não vai ficar muito popular entre as garotas agindo dessa forma... – Davi tentara animar o colega.
– Não quero ficar popular entre as garotas, a garota que eu amava morreu há seis dias.
Uma resposta inesperada, Davi permaneceu em silêncio e abraçou o amigo dando-lhe alguns tapinhas nas costas.
– Vamos pra a sala, cara, a aula já vai começar.
– Certo... – Encerrou o loiro.
O restante do dia seguiu normalmente, as mesmas aulas maçantes, os mesmos horários de sempre até que enfim o relógio bateu dezoito horas e todos os alunos foram liberados de suas casas para irem pra casa.
Quando a dupla de detetives estava passando pelo corredor puderam ver que algumas garotas estavam a comentar o quanto eles eram prepotentes e arrogantes, mas tentaram disfarçar assim que viram que os dois estavam olhando para elas.
– As coisas estão feias... – Davi olhava compenetrado para o nada – Nem nossos colegas estão confiando mais em nós.
– E por que deveriam confiar? Nem mesmo eu confiaria, eles apenas estão tentando colocar a culpa em alguém por todos esses desastres que têm acontecido, é normal que eu e você ficássemos sobrando. – Daniel andava enquanto seus olhos focavam o chão.
– Ei, alô? É mesmo com o Daniel que eu conheço que estou falando? Cara, nós não temos culpa de nada, eu sei que essa coisa de Clara foi muito chata, mas não tem jeito, velho. Vamos continuar investigando e quando terminarmos tudo volta ao normal como sempre acaba.
– Não, Davi, não vai voltar nada ao normal, por minha culpa Clara acabou morrendo... Se eu fosse um pouquinho só mais rápido, se eu... – Uma tímida lágrima corria pelo rosto do rapaz, rosto este que ele prontamente abaixou assim que notou seu estado.
Davi ficou um tempo calado, nada se ouvia a não ser as pacatas conversas estudantis que brotavam aqui ou ali. Daniel pôde ouvir o escolar chagando, mas continuou imóvel com os olhos fechados tentando ao máximo reprimir o choro, foi quando, de repente, ele sentiu um calor em seu corpo, algo o tocara e ele pôde sentir um leve perfume de rosas próximo ao seu rosto, um perfume feminino de alguém que lhe abraçara com toda a delicadeza e o carinho possíveis.
– Daniel... – Disse a garota ruiva que o chamara – É Gabriela, sabe, eu e Adriana ainda estamos vivas e lindas como sempre, se você fosse mais lento todas nós, inclusive você estaríamos mortos, talvez até Davi já estaria no caixão, ninguém sabe. Você fez um trabalho ótimo tentando salvar a todos, mas infelizmente não podemos fazer tudo, no entanto, por sua causa nós estamos aqui e é aqui que queremos continuar, bem ao seu lado. Você é um cara legal, Dani, com certeza vai passar por essa barra e vai se orgulhar de ser “Daniel, o grande salvador da IFBA Simões Filho”. Só não se orgulhe muito disso, tá? Ninguém gosta dessa escola.
O rapaz deu uma risadinha quase inaudível e levantou a cabeça, estava com um leve sorriso, mas uma lágrima ainda corria por sua bochecha. Gabriela secou sua lágrima com um toque de seus dedos e o acariciou o rosto logo em seguida, beijou-o no lugar onde a lágrima estivera á pouco, e olhou novamente para o rapaz que agora sorria de forma mais desinibida.
– Foi só dessa vez, viu? Vê se não se acostuma, só vai ganhar outro se ficar bem logo – A ruiva sorriu.
– Ah, tá... Eu nem queria mesmo – O jovem começou a rir e notou que Adriana também estava presente e lhe dava carinho em seu ombro – Bem, pessoal, acho que realmente ficar triste não combina muito comigo não, vamos andando que vou me gabar desse beijo de Gabriela pro resto da vida.
Todos riram quase que no mesmo instante, a alegria que eles não viam há quase uma semana voltou completamente como num passe de mágica.
A esta altura o ônibus escolar já tinha ido embora e os adolescentes não viam outra opção a não ser irem andando até o ponto de ônibus que ficava a uns vinte minutos de caminhada dali, sem demora eles começaram a andar até que Daniel chamou seu amigo.
– Ei, Davi, espera um minutinho aí.
O amigo atendeu ao pedido prontamente e pediu para as garotas irem andando prometendo a elas que logo as alcançaria. Quando as duas finalmente deram de costas Daniel começou a falar.
– Cara, só vocês mesmo pra me fazerem rir, há, há.
– Pois é, né... Mas anda logo, eu sei que você não me chamou aqui só pra falar disso, as meninas já estão com pressa, esse momento te fez bater aquela inspiração, não é?
– Você nunca muda, direto como sempre – Daniel deu uma risada e elevou o indicador direito na altura da boca com um sorriso pra lá de confiante – Pois bem, eu realmente tive uma ideia que vai nos ajudar em muito na investigação, conheci uma figura interessante nessa sexta-feira. Não acho que Clara ficaria feliz de me ver assim pra baixo, nem pareço eu, temos que continuar esse caso, o show não pode terminar!
– É isso, cara, então para onde vamos agora?
– Ah, dessa vez vamos dar uma passadinha lá em Copacabana. Nossa próxima parada é o Rio de Janeiro, vamos para a See! Corporations.
Continua...
Notas finais
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