Tão rapidamente, o abraço fraterno entre os dois evoluiu para um beijo envolvente e caloroso.

Rudolf teve o cuidado de depositar a sacola de compras, que já pendia do seu braço, no sofá de Susana, evitando que os produtos caíssem no chão, antes de se entregar totalmente ao beijo.

A única sensação que ainda o incomodava, desde que fora até o mercado e ficara de pé em frente ao prédio, fitando a própria edificação do outro lado da rua, era de que, aonde quer que fosse, independente das circunstâncias, quando estava sozinho ou quando estava com Susana, era a de se sentir observado constantemente.

Ele não entendia de onde vinha nem porque vinha sentindo isso já há tempos ali no Rio de Janeiro e em particular quando Susana e ele estavam em algum lugar juntos. A exceção até agora havia sido o apartamento dela — Rudolf fechara suave e discretamente a porta com seu pé logo que Susana o abraçara. Não queria que ninguém ficasse olhando momentos de intimidade entre os dois. Porém, ao mesmo tempo, lhe incomodava que aquela sensação de um arrepio frequente na espinha não o havia abandonado por completo; como se os dois estivessem prestes a ser surpreendidos por alguém em algum lugar. O que afinal aquilo significava?

Decidiu se jogar mais no beijo com Susana para afastar aquelas preocupações e pensamentos intrusivos.

Enquanto acariciava o cabelo, cabeça e costas de Susana com uma das mãos, baixou a outra mão para verificar seu bolso no lado direito da calça. Duas fotos estavam posicionadas ali. Uma delas mostrava ele e Susana na praia, abraçados. A outra mostrava Susana, sorrindo para ele do outro lado da foto, durante um passeio que haviam feito no parque. Guardava as duas fotos sempre junto de si, como um totem de bom presságio, de boa sorte e boas energias, e como um lembrete da moça que amava e admirava, quando não estavam no mesmo lugar.

Lembrou-se também de um ocorrido de poucos meses antes... Ele e um garoto, utilizando uma espada de bronze e uma camiseta roxa, ao passo que Rudolf contava com seus fiéis arco e flecha com uma aljava cheia, enfrentando um gigante de mais de seis metros de altura em algum ponto da Califórnia. Na hora em que ele e seu companheiro de batalha decidiram partir para cima do gigante para dar cabo dele, Rudolf lembrara-se de que havia olhado para a foto de Susana, com o pensamento de que retornaria a ela, antes de se lançar contra o gigante ao lado de seu aliado, o filho de Poseidon.

Olhar para a foto de Susana dera-lhe a motivação e ímpeto de que precisara para poder combater o gigante sem sucumbir ao medo. Ao lado de seu amigo Percy, os dois tiveram uma conversa bastante sincera em meio àquela batalha:

"Gaia apareceu em sonhos para mim. Ameaçou a vida da minha namorada".

"A mãe-terra apareceu nos meus sonhos também", Rudolf havia admitido na hora. "Também ameaçou a moça a quem amo, a pessoa de quem mais gosto no mundo. Isso me tirou do sério de tantas formas..."

"Vamos combinar uma coisa, parceiro. Gaia morre."

"Gaia morre", concordou Rudolf sem pestanejar.

"Mas primeiro, vamos dar conta desse sujeito fedorento", retrucara Percy Jackson.

"Vamos. Não podia ter dado ideia melhor".

"Foi o melhor conselho que eu já tentei dar em minha carreira de semideus... rsrs. Agora vamos para a batalha mais épica de todas que já tivemos... Até agora".

E com essa nota de espírito aventureiro e combatente, ele e Percy se lançaram contra o oponente.

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Desde aquela batalha, desde que conhecera Susana, Rudolf era movido pelo mesmo sentimento praticamente o tempo todo: defendê-la, protegê-la e enfrentar qualquer um que a ameaçasse ou que tentasse lhe fazer algum mal.

O que ele não sabia, ainda, é que Susana também tinha seus inúmeros métodos de se defender.

A sensação de arrepio na espinha de Rudolf continuava, como se achasse que alguém poderia forçar a porta do apartamento para abordá-los a qualquer momento, ou como se houvesse alguém lá fora, na rua, esperando pela primeira oportunidade para os encurralar. Aquela incômoda sensação de que estavam sendo observados. Mesmo estando em estado de alerta e desconfiando de tudo e todos à sua volta quase o tempo todo, naquele momento, Rudolf só pensava em poder curtir o momento com Susana, só eles dois ali no apartamento, sem se preocupar com algum inimigo batendo à porta — inimigo esse que podia nem aparecer, afinal.

O escritor foi se perdendo em meio aos beijos com Susana. Ele pensou que bem que poderia haver uma fórmula mágica para evitar que pensamentos intrusivos ocupassem tanto sua cabeça... Resolveria tanta coisa...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.