Susana Pevensie

12 O Reino de Tash


Notas iniciais
Demorei muito? Estou escrevendo do trabalho da minha mãe, porque estava me sentindo meio culpada respondendo ao reviews.
Ficou meio sinistro esse cap, mas espero que gostem.

Nunca vou me lembrar com detalhes do que aconteceu depois disso. Lembro de estar muito atortoada e assentir para Aslam, aceitando sua missão. Lembro-me de segui-lo pelo castelo até um túnel subterrâneo. Lembro-me de seguir algumas instruções e fechar os olhos. Lembro-me do terremoto, e do pânico. Lembro-me da rápida inconsciencia, e de de repente abrir os olhos e me achar encarando o teto branco e abobadado do Hospital de Finchley. Me lembro de ouvir os passos da enfermeira correndo para o quarto quando o hospital inteiro ouviu meu grito de frustração. Me lembro de quatro enfermeiras tentando me acalmar enquanto eu xingava Aslam, Tash, Nárnia, tudo. Me lembro do trovão, do rugido em minha mente e então de apagar.


Imagine a maior aglomeração de pessoas que você já viu... Um estádio de futebol, uma rua em uma passeata, qualquer coisa. Imagine que todas essas pessoas são sombras indefinidas flutuando. Agora, multiplique-as por quinhentos. Então, vocês tem uma pequena ideia de como era estar no reino de Tash.

Não era como Nárnia, lindo, organizado, à parte. Eu estava no hospital, no corredor ao lado do meu quarto, e ao meu redor, sombras escuras sem forma definida sussurrando coisas malignas, lamentações, maldições...

– Que Tash suma com todas as suas regras infernais...

– Porque fui matar todos aqueles judeus? Porque?

– Ainda vou me vingar... Ainda vou me vingar daquela família...

Suas vozes me apavoravam e me faziam lembrar de velhos pesadelos, tranquilizados por Lúcia ou mamãe, agora ambas mortas.

– Susana — uma voz fria sussurrou em meu ouvido — Susana Pevensie.

Ela falava meu nome como se eu fosse alguém que ela convidara para jantar, mas que falou mal de sua comida. Eu não precisei me virar para saber de quem pertencia aquela voz.

– Ela é Susana Pevensie? — perguntou outra voz, sussurrante, doce e persuasiva — Rainha Susana, a gentil... Por quem Caspian um dia se apaixonou?

– Caspian, meu sobrinho inútil — comentou mais outra voz, grave e severa — Inútil, tolo e fraco! Muito fraco! Teve de chamar todas aquelas crianças para ajudá-lo a me vencer.

Eu queria responder algo como "Mas te vencemos, e agora você está aqui", mas as palavras entalaram na garganta. Pior, entalaram na garganta e me engasgaram.

– Caspian era certo em apaixonar-se por essa aí — uma voz arrogante disse — É belíssima, embora bárbara e narniana.

Eu não podia vê-los, mas sabia quem eram. Quem não saberia? Eu queria deixar de lado o fato que eu era uma dama e pegar o banco do hospital e atirar neles.

Naquele instante, o mundo pareceu se retorcer, e eu estava flutuando acima do meu corpo inerte no hospital. Parecia tão calma, tão quieta... Tão diferente do que estava agora. A voz de Aslam disse em minha mente:

– Você tem uma missao, Susana.

Foi ele, pensei, Ele me mandou para aquele lugar nojento.

– Você sempre esteve lá, Susana — disse o leão — Apenas nunca percebeu. Hospitais são cheios deles, pois pessoas morrem a todo instante. E, por pior que seja, metade delas vão para o reino de Tash. Hospitais são lugares melancólicos, não por causa da tristeza dos parentes e amigos do falecido, mas porque os espíritos de Tash flutuam por eles a toda hora.

Credo, foi tudo o que eu pensei. Afinal, o que pensar após ouvir algo assim.

– Você tem uma missão, Susana — disse Aslam — Você a aceitou, embora possa mudar de ideia caso queira. Tanto eu quanto meu pai e nossas formas aqui em seu mundo ouvimos seus gritos.

Uma enorme onda de remorso me invadiu (ou ao meu espírito... Tanto faz). Eu gritara coisas horríveis contra Tash, Aslam, o Imperador de Além-Mar, Deus e Jesus. Ah, meu senhor, o que foi que eu fiz?

– Compreendo sua amargura — disse Aslam paciente. Ele nunca sentiu raiva? Se sim, faz muito bem ao escondê-la. Ninguém quer ver um leão dourado e forte com raiva — E compreendo seu temor. Não é tarde para mudar de ideia, desistir de sua missão e mandar todos que vivem no Pais de Aslam para o Reino de Tash.

Porque outra pessoa não pode cumprí-la?, pensei.

– Porque só existe uma Susana Pevensie — respondeu Aslam simplesmente — Só existe uma Rainha Susana, a gentil. Só existe uma grande dama de Nárnia, que proporcionou uma Era de Ouro não só para Nárnia, quanto também para a Calormânia e outras terras vizinhas. Você é nossa embaixadora, Susana. Você é nossa esperança agora.

Depois dessas palavras, eu não soube o que falar. Obrigada? É bom saber disso? Estava pensando nisso quando minha alma voltou para o meu corpo e eu (o meu eu inteiro, corpo, alma e espírito na Terra) abri os olhos, procurando ser o mais silenciosa possível ao me sentar. Fechei os olhos e massageei as têmporas, e apenas uma coisa passava pela minha cabeça: Só existe uma Susana Pevensie.



----Vejam as notas inicias e finais-----


Notas finais
Agradeço aos seus reviews, vocês são muito fofas! Peço mais, embora uma recomendação não seja nem um pouco ruim...
Enquete pra vocês: preferem Susana e Caspian ou Susana e Charles?
Respondam nos reviews!