Susan, a filha de um Vingador
64 Enterro do August
Notas iniciais
POV Susan
Na manhã seguinte acordei cedo, fui até meu closet e fui procurar o vestido preto discreto, o único na verdade. Comecei a colocar alguns poucos vestidos na cama, um vinho, um roxo, um rosa e os deixei sobre a cama. Apesar do funeral começar daqui a algumas horas, eu estava procurando o vestido quando escuto a porta do meu quarto ser aberta
– Su? — tia Sam me chamou da porta — Você está aqui?
– Estou aqui, estou procurando um vestido — disse de dentro do closet
– Você não vai usar nenhum desses vestidos — ela disse decidida provavelmente estava perto da cama e decidi brincar, peguei um vestido vermelho vivo
– Claro que não, eu vou com esse — disse colocando o vestido em frente ao corpo
– Su vamos para um enterro, não uma festa — ela diz se sentando na cama — Vai pegar o vestido preto
– Está bem, mas se eu fizer vou poder dançar em cima do caixão? — perguntei inocentemente
– Porque você odeia tanto o August? — ela pergunta me olhando
– Por que ele era um infeliz, grosso, machista, alcoólatra, agressor, abusado, irritante, folgado e preguiçoso, deixava tudo nas costas do tia Marta — respondo tranquilamente — E eu também sei que você odiava o August
– Isso é verdade — ela confirma normalmente
– Vou poder dança sobre o caixão? — provoco a tia Sam
– Não sei, pergunte a viúva. Se ela deixar, pode até sapatear no caixão — ela respondeu séria
– Sem graça — digo retornando ao closet, depois de muita procura encontrei o vestido solitário no canto mais escondido do closet — Achei o infeliz do vestido
Sai do closet, e tia Sam olhou tristemente para o meu vestido
– O que foi tia Sam? — ela desviou o olhar
– Não o deixe tão escondido — ela falou ignorando a minha pergunta — Terá que usa-lo novamente em breve
– Tia Sam para de falar assim, por favor — peço sentindo uma pontada de tristeza
– Sabe que isso irá acontecer — ela diz me olhando
– Infelizmente sei — falo baixo — Mas quando usar esse vestido novamente, tudo que vou sentir é tristeza e vazio. Minha alma vai estar igual a cor que o vestido representa, um nada, um vazio.
Me aproximei e dei um beijo em sua testa, uma lagrima escorreu pelo rosto dela e eu a sequei.
– Não chora — peço carinhosamente
– Desculpa — ela disse me olhando — Vou me arrumar
– Qualquer coisa peça ajuda a Barbara, ok? — digo olhando-a se levantar
– Su, por enquanto o único efeito é... — ela parou tentando encontrar as palavras
– Dificuldade de encontrar palavras simples — digo com um sorriso triste
– Isso — ela se aproximou — Por isso posso me vestir sozinha
Assenti e ela saiu do meu quarto. Fui ao banheiro, tomei um banho demorado, ao terminar coloquei meu vestido e calcei uma sapatilha. Prendi meu cabelo em um coque simples, desci a escada e encontrei a tia Sam me esperando na sala.
– Pela demora, pensei que tivesse ido trocar esse vestido pelo vermelho — ela comenta
– Vontade eu tive, mas em respeito a tia Marta vou com esse mesmo — digo pegando as chaves do carro — Vamos?
Ela se levantaram e me seguiram até a garagem, nos direcionamos á BMW X1 prata da tia Sam
– Su acho melhor irmos no seu carro — tai Sam falou me olhando
– Não dá, tenho que trocar a bateria e dar um jeito no motor — respondo abrindo a porta — Ambos estão apresentando falha, mas porque isso tia?
– Seu carro é mais discreto para esse tipo de situação — ela falou ao se sentar no banco do carona
– Claro, porque um Audi R8 Spyder não chama atenção alguma — digo com certa ironia enquanto ligo o carro para sair da garagem
– Me referia a cor do carro, Su — ela falou revirando os olhos e eu ri baixo
Ficamos em silêncio até chegarmos ao local do funeral a poucas ruas de distancia de casa, estacionamos e andamos até a entrada, quando cheguei a tia Marta estava na porta ainda muito abalada com o ocorrido, mas logo iria passar quando eu tirasse o efeito da nevoa sobre ela. Olhei dentro do salão e vi Jhon perto do bebedouro com um copo d'agua na mão e ele estava usando uma roupa social preta, me aproximei e disse
– Meus pêsames pela morte do seu padrasto — digo e vejo-o sorrir disfarçadamente e tomou outro gole de água
– Sabe que eu não dou a minima para isso, não é? — ele fala baixo para que as outras pessoas não ouvissem
– Lógico que eu sei — digo pegando um copo d'água, ele dá uma risada abafada e me olha de cima a baixo — O que foi?
– Pensei que fosse vim de vermelho e dançar em cima do caixão — eu quase não contive a risada baixa. Realmente ele me conhece
– Vontade eu tive, mas em respeito a dor da perda da tia Marta vou me comportar — digo tomando um gole de água
– Dor essa causada por você, porque ela sequer gostava dele — Jhon falou olhando a mãe na entrada — Só estava casada com ele para que o cheiro daquele porco infeliz camuflasse o meu
– Eu sei, mas ela não sabe disso — digo olhando-a receber os familiares e amigos de trabalho dele — Pelo menos até ele ser enterrado
– Você sabia que ele iria morrer antes de entrar na minha casa, não foi? — ele perguntou e sentou em uma das cadeiras espalhadas no salão
– Eu sabia que alguém iria morrer, mas não sabia quem — digo me sentando ao seu lado — Só tive certeza de que seria ele quando sua mãe passou por mim e não sentir nada
– Graças aos deuses foi ele que morrer — Jhon fala dando de ombros e se encostou na cadeira
Toda aquela cerimonia fúnebre estava me dando sono, fiquei conversando com o Jhon para me manter acordada e depois de quase quatro horas sentada deu o horário do enterro. Um padre começou a falar enquanto algumas pessoas choravam baixo
– De duas uma. Ou foram pagos para chorar ou estão chorando de felicidade — Jhon sussurrou e eu cobri a boca para abafar a risada e abaixei a cabeça
Meus ombros tremeram, algumas lagrimas rolaram com o esforço e funguei para recupera o folego, olhei para Jhon ele estava da mesma forma. Quem nos visse diriam que estávamos chorando
– Confirmado a segunda opção — ele sussurou em tom brincalhão
Depois de quase trinta minutos desceram o caixão do Algust, em seguida fomos embora, tia Sam, tia Marta, Barbara, Jhon e eu andamos até os nossos carros
– Porque vocês não jantam lá em casa conosco? — tia Sam convidou
– Está bem — tia Marta falou ainda triste
– Su, ist es Zeit (Su, está na hora) — Jhon falou em alemão e eu assenti
– De quê? — tia Marta perguntou confusa e desfiz a ilusão da nevoa.
Por um momento ela ficou confusa, mas logo voltou ao normal. Ela olhou para mim, seu olhar transmitia uma pergunta clara "Foi você que mexeu com a minha mente?" eu simplesmente assenti
– Vamos embora — digo indo até o carro da tia Sam
Tia Marta e Jhon foram para a ferrari dele e voltaram para casa, a mudança na tia marta era visível, ela estava cabisbaixa, mas não triste e vazia como antes. Liguei o carro assim que a Tia Sam e Barbara entraram, dirigi de volta para casa. Tia Sam disse que estava cansada e foi para o quarto sendo acompanhada pela Barbara que não era apenas a enfermeira, mas também uma amiga da tia Sam. Elas subiram e comecei a prepara um lanche para nós, depois que comecemos poderia começa a fazer o jantar.
Assim que eu coloquei os pratos sobre a mesa, senti uma forte tontura e se não fosse o balcão atrás de mim eu teria caído. Respirei fundo algumas vezes, fechei os meus olhos torcendo para que aquela maldita sensação passasse logo. Quando o mal estar passou, me recompus, e comecei a separar as coisas para o jantar. A fome que eu sentia há alguns minutos não existia mais, então decidi adiantar o jantar. Quando terminei tomei um bom e demorado banho e me deitei um pouco até o horário do jantar.
Horas Depois
Acordei ao ouvir meu celular tocar, me sentei e desliguei o alarme do aparelho, fui ao banheiro fiz minha higiene pessoal, ajeitei o cabelo, desci a escada e fui em direção a cozinha. Esquentei o jantar e comecei a arrumar a mesa, estava quase terminando quando a porta da sala se abriu e Jhon entrou acompanhado da mãe, ela ainda estava cabisbaixa, mas não abalada com o que havia acontecido. Terminei de por mesa e me aproximei deles
– Como a senhora está tia Marta? — perguntei olhando-a
– Bem, só estou triste por eu não ter conseguido fazer nada para salva-lo — ela disse e entendi que o que ela estava sentindo era desapontamento profissional
– Não poderia ter feito nada tia, esse tipo de coisa está além do nosso controle, as pacas decidiram que ele morreria e foi o que aconteceu — digo normalmente — Ele quebrou o pescoço assim que caiu
– O Jhon me falou algo semelhante — ela falou após um suspiro e sorriu — Eu vou ficar bem
– Sei que vai — digo sorrindo e abraço-a
– Oi Marta — tia Sam disse descendo a escada sendo seguida pela Barbara
– Oi Sam, como você está? — ela disse assim que desfizemos o abraço
– Bem, na maior parte do tempo — ela responde sinceramente — E você?
– Indo na medida do possível — responde da mesma forma
– Ela não está tão bem quanto aparenta — Jhon sussurrou ao meu lado
– Como assim? — sussurrei de volta
– Não posso falar aqui, ela pode ouvir — ele falou baixo
– Então vamos para a cozinha — sussurrei para ele e falei para a tia Sam e a tia Marta — Se sentem, vou por o jantar na mesa
Elas se sentam no sofá e ficaram conversando, enquanto Jhon e eu fomos para a cozinha. Quando entramos olhei rapidamente para as mulheres sentadas no sofá, elas estavam tão distraídas que eu não prestariam atenção na nossa conversa
– Pode me explicar o que você quis dizer com aquilo? — perguntei olhando-o
– Ela pode não está muito abalada, mas está traumatizada com o que viu — ela responde se encostando na pia — Ela fica na sala olhando fixamente para a mancha de sangue que ficou no carpete, perdida em pensamentos
– O que podemos fazer? — perguntei olhando-o
– Eu não sei — ele respondeu sinceramente
– Não se preocupe irei pensar em alguma coisa — digo decidida — E já que está aqui me ajuda a levar isso para a mesa
Ele não discutiu e me ajudou a por a mesa, quando tudo estava arrumado chamei a Barbara, a tia Sam e a tia Marta. Começamos a jantar em silêncio, depois de alguns minutos uma ideia me veio a mente
– Vamos fazer uma viagem? — eles me olharam — Todos nós?
– Como é? — a Barbara falou surpresa
– Uma viagem — respondo normalmente
– Qual o motivo de uma viagem? — tia Marta perguntou confusa com a minha proposta
– Uma mudança de ares, aqui o clima está um pouco tenso em relação o que aconteceu ontem — digo normalmente e ela lança um rápido olhar para o filho
– Acho uma boa ideia — tia Sam falou e sei que ela concordou por que sabemos que ela pode não ter muito tempo
– Então tia Sam? Qual seria o nosso destino? — perguntou e tomo um gole de suco
– Que tal... Novo México? — ela perguntou
– Por mim, tudo bem — falo e olho os outros sentados a mesa — Vocês concordam?
– Eu não sei... — tia Marta começa a falar
– Por causa do cano que estourou na minha escola, ficarei sem aula por um mês e a senhora pode pegar suas ferias mais cedo esse semestre — Jhon fala tranquilo — Pode ser legal uma mudança de ares
– Está bem — ela disse depois de pensar um pouco
– Novo México, ai vamos nós — digo animada e eles riram — Amanhã providencio as passagens e hospedagens
– Amanhã? — tia Marta perguntou
– Sim, quanto mais cedo providenciarmos tudo, mais cedo poderemos ir viajar — respondo voltando a comer.
Continuamos a jantar, conversamos, rimos e logo aquele clima de velório havia se dissipado. Depois que eles foram embora e fui arrumar a cozinha. Estava pegando um copo para por na pia, quando uma fraqueza me atingiu e sem querer soltei o copo para me segurar. Pensei que estivesse livre da minha anemia, pensei que não teria que ficar a base de medicamentos novamente, mas pelo visto me enganei. Esperei o mal estar passar e voltei a limpar a cozinha, em seguida voltei para o quarto e peguei a caixa do meu remédio que já estava vazia
– Parece que seremos parceiros de novo — digo olhando a caixa e me sentando na cama
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