Susan, a filha de um Vingador
3 A Revanche
Notas iniciais
Na casa dos Schuster (POV do Jhon)
Toda vez que aquele miserável estava em casa é a mesma coisa, ele trata a minha mãe como empregada, me trata como lixo, já perdi a conta de quantas ele me ameaçou e minha mãe me defendeu. Um dia após minha mãe me defender eu vi ela batendo nela, ele gritava, empurrava, dava tapas, batia a cabeça dela na parede e dizia que tudo que dava errado na vida dele era culpa dela e que ela tinha que agradecer por ele dar teto e comida para uma criança que não era dele. Desde o dia que vi aquela cena, todas vez que ele está em casa eu fico deitado na minha cama ouvindo AC/DC e Metálica o mais alto que os meus fones podem chegar, só para não ouvir a voz daquele crápula. Mas hoje eu não fiquei no meu quarto, fiquei na sala sentado no sofá desenhando. Quando o cretino percebeu a minha presença ele disse
– Ei garoto, vá pegar um cerveja pra mim — ele diz sem desvia os olhos do jogo e eu o ignoro — Oh, moleque eu to falando com você
Largo meu caderno de desenho e quando eu ia me levantar minha mãe aparece com a cerveja dizendo
– Sua cerveja está aqui August — ela entrega — Não precisa gritar
– Esse garoto tem que aprender a me obedecer — ele diz irritado, então ouvimos a campainha tocar — Faça alguma coisa de útil e vá abrir a porta Marta.
Ela vai até a porta e eu volto a desenhar para não fazer algo e minha mãe pagar depois, então escuto ela dizer
– Oi Susan, entre o Jhon está na sala.
Ela vem acompanhada da minha mãe até a sala, olho pra ela e digo
– Péssima hora Susan — minha mãe me olha com reprovação e eu continuo — Não vai da pra jogar agora.
– Ótimo, não basta ter que aguentar esse moleque, agora tenho que aguentar a amiga dele também — ouço ele resmungar e tento controlar minha raiva enquanto a Susan apenas o ignora, e ela diz
– Não tem problema, não vim aqui pra jogar e sim te chamar para passar a tarde lá em casa — ela diz e então olha pra minha mãe — Se a Sra Schuster concordar
– Posso mãe? — pergunto querendo um sim como resposta.
– É claro que pode, desde que você volte na hora de jantar
– Ok! Vamos Susan? — digo pegando meu caderno de desenho
– Sim, tchau Sra Schuster — nós vamos até a porta e podemos ouvir o August resmungar
– Ainda por cima é mal educada
A gente passa pela porta e vejo Susan com um sorriso vitorioso, mas que logo se desfez então percebo que ela olhava em direção a uns arbustos e ela parecia assustada e eu digo
– Você está bem Susan? — parece que ao me ouvi ela volta a realidade e diz
– Ahn?... Sim, claro eu estou bem vamos? — eu assenti sem entender porque ela ficou assim
– Me desculpe pelo o que ouviu lá em casa — falo meio sem jeito
– Não se preocupe, já estou acostumada no trabalho da minha tia tenho que lidar com idiotas como ele — ao termina ela automaticamente se arrepende e diz — Me desculpe por falar assim do seu pai
– Ele não é o meu pai — digo irritado
– Ainda bem, já imaginou se o mal humor fosse hereditário? — ela diz e nós rimos — Mas onde está o seu pai?
– Não sei, na verdade nem o conheço — falo e logo a vejo entristecer
– Sei bem como é isso! — ela diz e sinto tristeza em sua voz
– Você também não conhece o seu pai? — pergunto e ela assentiu
– Mas eu não quero falar sobre isso agora. — ela diz abrindo a porta
– Está bem! — ela indica pra que que entre — Então? O que a gente vai fazer?
– Não faço a minima ideia — ela diz sincera
– Você me convida pra vim e não tem nada pra fazer? — digo em um tom brincalhão e colocando meu caderno no sofá
– Pra sua informação eu só te chamei por que percebi o clima tenso na sua casa, então de nada — ela diz também brincando
– Você tem algum tipo de jogo? — pergunto para tentar decidir o que fazer
– Que tipo PS2, Nitendo, Quitar Hero, X-box, Tabuleiro, logica?
– Você tem eles aqui? — pergunto incrédulo
– Não tenho muitos amigos então tenho que arrumar um forma de me distrair sozinha — ela diz indo em direção a um armário, quando abre vi diversos tipos de jogo
– E você ainda disse que não sabia jogar — digo sarcástico
– Eu disse não sabia jogar aquele jogo, nunca disse que não tinha experiencia com vídeo game — ela rebate o meu comentário — Vai lá escolhe um, vou pegar um lanche
– Onde está a sua tia? — pergunto olhando os jogos e ela grita do outro comodo
– Reunião de trabalho — então percebo que ao lado havia algumas prateleiras com CD's do AC/DC, Guns 'n Rose, Beatles, Metálica, Black Sabbath, entre outras bandas. Pego um dos Cd's de AC/DC e coloco no som e volto a procurar um jogo.
POV da Susan
Ainda na cozinha escuto uma musica de AC/DC (Shoot To Thrill), pego o lanche e volto pra sala, ele estava tão distraído que nem percebeu minha presença, coloco as coisas na mesinha de centro e sento no sofá então percebo um caderno desenho, começo a olhar e fico admirada pela riqueza de detalhes, em cada desenho uma cenas, pessoas andando na rua, o centro de uma grande cidade, batalhas com espadas e escudos, seres mitológicos, prédios e casas, então eu digo
– Cara você desenha muito bem — digo olhando atentamente cada detalhe — Da onde você tira essas imagens?
– A maioria vem de sonhos — diz ele se sentando e tirando o caderno das minhas mãos. — Mas os prédios, eu que os idealizei.
– Pretende se formar em que? — pergunto
– Engenharia — ele diz fechando o caderno e em seguida pegando o biscoito — Mas não sei se vou conseguir
– Porque? — pergunto curiosa
– Só esse ano fui expulso de duas escolas
– O que? — pergunto sem acreditar
– Tenho deficit de atenção, dislexia e hiperatividade — ele diz tristonho — Acabo fazendo muita confusão na escola.
– E ai? — pergunto mudando de assunto — Escolheu o jogo?
– Pode ser detetive?
– Só não trapacei. — digo indo pegar o jogo
– É um jogo de logica, não tem como trapacear — ele diz como se fosse obvio
– Diz isso porque nunca jogou com a minha tia — jogamos algumas rodadas, e depois ele disse
– Tá, isso já enjoou — disse juntando as cartas
– Tá dizendo isso porque tá chato ou porque tá perdendo? — disse em um tom brincalhão
– As duas coisas — ele disse e nós rimos
– Quero jogar quitar hero — disse fechando a caixa e me levantando
– Nesse jogo ninguém me vence — ele diz convencido
– Você disse o mesmo no jogo de ontem — digo com ironica
– Eu não disse isso — ele se defende — Eu disse que seria fácil de ganhar
– Mas você perdeu — rebato a conversa
– Mais nesse nunca me venceram — ele diz se gabando
– Vamos ver se isso muda hoje — disse em um tom desafiador
Começamos a jogar e ele era realmente bom, era como se ele previsse as cores, não perdia um. Passamos horas ali, e empatamos todas as vezes, tá eu já estava acostumada naquele jogo por isso consegui empatar. De repente a porta abre e minha tia entra e nos olha surpresa dizendo
– Oi! Pensei que você ia jogar na casa dele? — ela diz colocando as coisas na mesa
– Teve uma mudança de planos — digo sem desviar o olhar do jogo
– O que aconteceu? — ela pergunta intrigada
– Longa historia, depois explico
– Está bem! — ela diz se sentando no sofá — Não entendo como vocês conseguem jogar isso
– Costume — Jhon e eu dissemos em unissom — a partida termina em mais um empate e ele diz surpreso
– Você é boa — diz largando a guitarra
– Me diz algo que eu não saiba — digo me gabando
– Nessa casa mora a humildade em pessoa — diz ele brincando
– Sem graça — ele olha pra relógio na parede e diz
– Acho melhor eu ir pra casa, tá quase na hora do jantar
– Você não quer jantar aqui? — minha tia pergunta
– Não precisa Srta. Agostini, prometi a minha mãe que voltaria antes do jantar.
– Tudo bem! Susan acompanhe o Jhon até a casa dele
– Tia, não acho que ele vá se perder daqui até a casa dele — digo brincando mas fazendo minha melhor cara de seria
– Susan, me obedece — ela diz me olhando seria e ao ver a reação abro o sorriso e levanto as mãos em sinal de rendição
– Calma, eu tava brincando — digo e vou em direção a porta ao sair começo a rir e Jhon pergunta
– Do que você tá rindo? — pergunta sem entender
– Da cara que minha tia fez — digo controlando o riso — E você pronto pra enfrentar o mala do seu padrasto?
– Não vou precisar, ele já foi trabalhar — diz parecendo aliviado
– Está entregue — digo chegando perto da casa dele
– Susan? — ele me chama enquanto eu me afastava, então parei e virei — Valeu por me tirar de casa.
– Precisando, já saber onde pode se refugiar daquele idiota — digo e me afasto — Tchau
– Tchau — ele entra e eu volto pra casa.
A cada dia que se passava a amizade entre Susan e Jhon crescia, ele passou a estudar na mesma escola que ela, mas apesar de terem a mesma idade estudavam em turmas diferentes. Durantes os intervalos, eles sempre conversavam sobre filmes, jogos, musicas e um sempre parecia entender o outro. E Susan sabendo das dificuldades do amigo em relação aos estudos passou a ajuda-lo, alguns anos se passam e eles não pareciam ser mais amigos, e sim irmãos.
Fale com o autor