Sus Ojos! 2
12 Nothing Is Impossible
Notas iniciais
Pov's Germán
Acordei por volta das dez horas, olhei para o lado e Angie já não se encontrava mais lá, fui até o banheiro, lavei meu rosto e escovei os dentes. Ouvi algumas rosadinhas vindo da cozinha e resolvi ir ver o que se passava.
Pov's Angie
Acordei nove e meia, escovei meus dentes, lavei meu rosto e fui para a cozinha.
– Angie, foi impressão minha ou você saiu do quarto do meu pai?
– O que minha mãe estaria fazendo lá? -Perguntou Julie inocente.
– Ah Julie, há muitas coisas que sua mãe poderia estar fazendo lá... -Disse a mãe de Germán e eu enrubesci.
Não sabia o que dizer, Julie continuou com a mesma cara de interrogação e logo Violetta e sua avó começaram a rir de minha cara.
– Mas então, Angie, o que você estava fazendo lá?
– Eu não estava lá, foi impressão, eu saí da porta ao lado.
– Você dormiu no banheiro?
– Eu estava tomando banho.
– Ah, você estava tomando banho e saiu de pijama, com a mesma cara amassada de quem acabou de acordar e os cabelos mais bagunçados do que deveriam estar?
– Nossa mas como vocês são chatas hein, deixa eu com a minha desculpa esfarrapada! -Disse e logo depois me dei conta do que havia dito. Elas riram.
– Então, Angeles, quer dizer que você e meu filho estavam....? — Disse Flora e movimentou as sobrancelhas para cima e para baixo.
Ela e Violetta riram. Não sabia onde enfiar a cara.
– Oi, bom dia. -Disse Germán entrando na cozinha.
– Oi. -Disse sorrindo e ele olhou para mim e sorriu no mesmo instante.
– Do que estavam rindo?
– Nada não, papai. -Respondeu Violetta e ela e sua avó riram.
Germán deu de ombros e se aproximou de mim.
– Então, o que achou da nossa noite? -Perguntou ele em meu ouvido.
– Perfeita.
– Que bom, por que vamos repetir mais vezes.
Mordi o lábio inferior, só a ideia de repetir a noite maravilhosa que passei com ele me levava a loucura.
Germán encostou em mim, de uma maneira em que pude sentir o excesso de volume em suas calças.
– Porra Germán! -Deixei escapar um grito.
Risadas e mais risadas vindas de Violetta e Flora.
– Desculpa gente... eu... desculpa, sério. -Disse vermelha.
– Angie, você está pedindo desculpas por gritar ou pelo palavrão? Ou por estar morrendo de vergonha e não saber o que dizer? -Perguntou Violetta rindo e me fazendo o rubor possuir de vez a minha face.
– Vou levar Violetta e Julie no parque, — Disse Flora. — Não façam muita besteira.
Ela e as meninas saíram. Me virei para Germán.
– Então, Angie, quando iremos repetir nossa noite?
– Quando quiser.
– Então podemos começar agora mesmo!
– Seu besta! -Eu disse rindo.
– Não ri não. Eu estou falando sério. — Ele disse com cara séria e eu levantei as sobrancelhas.
– Germán...
– O que foi? Nada impede. As meninas e minha mãe saíram.
– E se elas voltarem?
– Duvido.
Já não tinha mais argumentos. Germán me deu um sorriso safado, me beijou calorosamente e me pôs sobre a mesa. Os beijos estavam cada vez mais intensos. Germán então foi mordendo meu pescoço até chegar na orelha. Mordi seu pescoço e nós voltamos a nos beijar.
Um barulho de porta fez com que nós nos separássemos.
– Cuidado para não se engolirem! É perigoso engasgar! -Disse Flora rindo.
Eu estava muito envergonhada, enrubesci.
– Mãe, não ia sair com as garotas?
– E vou. Mas esqueci as chaves em cima da mesa e voltei para buscá-las.
– Ah sim.
Flora alcançou as chaves na mesa ao meu lado, olhou-me e deu um sorriso, logo em seguida olhou para Germán.
– Bom, já vou indo. Beijos e não se esqueçam: cuidado para não se engolirem!
Flora saiu. Olhei para Germán e ele começou a rir.
– Ei, do que está rindo?
– Da sua cara de envergonhada!
– O que tem a minha cara de envergonhada?
– Já disse que ela é muito fofa?
– Já sim. Já me disseram isso várias vezes.
– Quem? -Germán fez uma cara em que deixou transparecer ciúmes.
– Hum... você, minha mãe, você, Violetta, você e Julie. Ah, e eu já disse você?
– Huum, ah tá. Só eu posso dizer isso ok? Só eu, sua mãe, Julie e Vilu.
– Tá né...
Pov's Narrador
Angeles sentou-se. Pegou uma torrada e passou geléia na mesma. Germán então, sentou-se ao lado de Angie e fez o mesmo.
Ambos não disseram nada durante o café. Angeles estava pensativa, tomando seu café e olhando para a janela.
– No que está pensando? -Perguntou Germán assim que terminou seu café.
– Germán, -A loira tomou o último gole de seu cafém -Acho que nós precisamos conversar.
– Sobre o que? Achei que tudo...
– Não. -Interrompeu-o. — Nós precisamos esclarecer algumas coisas. Precisamos esclarecer o que houve na noite passada, e na noite do dia 27.
O moreno estremeceu assim que Angeles tocou no assunto da noite do dia 27.
– Tudo bem. Pode perguntar o que quiser.
– Germán, -Angeles havia "ensaiado" durante anos o que dizer, havia imaginado este momento muitas vezes durante anos, mas simplesmente as palavras não saíam, ela não sabia ao certo o que dizer. -Durante anos, eu estive me perguntando, o que havia feito, a quem havia enganado, e por que você fez o que fez comigo. Durante anos, eu me senti culpada por algo que... eu não fiz. Aquela carta, eu nem sequer tive a chance de lê-la. Você me fez sentir algo horrível, uma sensação de culpa durante anos, sem ao menos saber o que exatamente havia na carta.
– Angeles, me perdoa eu... estava em um momento de raiva, aquilo foi uma revelação enorme para mim, eu havia acabado de descobrir que a minha noiva, a mulher que eu amava, e amo até hoje, é a minha cunhada, a irmã da minha falecida esposa... e que, você mentiu para mim.
– Mas aí é que tá, nem eu mesma sabia disto!
– Como você não sabia? Você estava com a carta fazia uma semana! E ela estava aberta em cima da cama!
– Germán, -Algumas lágrimas escorriam pelo rosto de Angeles. — Eu ia ler aquela carta, mas não consegui. Toda vez que ia lê-la algo me atrapalhava e me impedia de ler. Mas, se você não acreditou em mim, ou não acredita, tudo bem, eu sabia que não deveria ter remexido no passado, mas, eu apenas queria ter a chance de ler aquela carta, a carta na qual revelava coisas sobre mim, e eu não tive a oportunidade de ler.
– Angeles... -Germán não sabia o que dizer;
– Germán, -Disse a loira com toda a calma do mundo. — Você ainda tem aquela carta?
– Sim.
– Você... poderia me deixar lê-la?
– Claro. Venha.
Eles foram até o quarto de Germán. O moreno pegou dentre suas coisas uma caixa, na qual haviam fotos de Violetta quando bebê e até mesmo de Maria.
Angeles pegou uma foto de Maria e Violetta.
– Quantos anos Violetta tinha nesta foto?
– Um ano. -Disse Germán e logo após entregou a Angie a carta. -Aqui, a carta.
– Obrigada.
A loira então começou a ler a carta. Lágrimas escorriam por seu rosto.
A carta dizia:
"Querida Angeles,
Não sou uma pessoa de guardar rancor, sei que há muitas pessoas ruins neste mundo, e eu sou uma delas, mas escolho as pessoas com quem serei assim, e eu escolhi você, mas creio que o que fiz já foi o suficiente então, para compensá-la, contarei à você a sua verdadeira história.
Dia 02 de Fevereiro de 1990, nasceu uma linda garota, você. Seus pais estavam muito contentes, mas como dizem: alegria de pobre dura pouco. Calma! Não estou de chamando de pobre nem nada, mas voltando...
Seu pai recebeu uma ligação, disse para sua mãe que era uma ligação importante de trabalho e que teria de ir. Mas o que Angélica não sabia, era que seu marido a traiu. João saiu em disparada para a casa de Maria, sua filha mais velha de 17 anos, que fizera um jantar para apresentar-lhe seu namorado, que como você já deve saber era Germán.
Quando sua mãe descobriu que seu pai a traiu, sentiu uma raiva imensa de João, eles tiveram uma crise e quase se separaram. Durante esta crise, houve várias traições de ambas as partes, mas o amor deles pela filha, a pequena Angeles (você) os uniu novamente.
Bom, foi apenas até este ponto em que consegui desvendar as coisas. Espero que tenha finalmente descoberto quem você é e qual sua verdadeira história.
Beijinhos de sua grande amiga,
– E "
Angeles já não conseguia mais conter o choro.
– Germán, eu... eu espero que acredite em mim, como você viu na carta, eu não sabia de nada. A intenção era que eu descobrisse ao ler a carta, porém, eu não consegui ler, algo me atrapalhava sempre. E, eu entendo se você não acreditar, tudo bem, eu acabei de perceber que o nosso amor é real e verdadeiro, sim, mas é impossível. Me desculpe.
A loira disse e saiu do quarto.
Quando Angeles saiu do quarto, Flora e as meninas chegaram.
– Oi, meninas. Oi, Flora.
– Oi Tia.
– Oi mamãe.
– Oi Angie.
Pov's Angie
As meninas saíram correndo para a sala.
– Angie, -Flora me chamou antes que eu fosse também e eu a olhei. -Eu queria conversar com você.
– Pode falar.
– Não, eu queria conversar com você a sós. Completamente a sós.
– Ah, tudo bem. — Fui até a sala. -Meninas, o que acham do Germán levar vocês para comerem um lanche no McDonald's?
– Ótima ideia! Vou chamar meu pai. -Disse Violetta e saiu junto com Julie.
Minutos depois Germán e elas já estavam prontos para sair.
– Vocês não vão? -Germán perguntou para mim e Flora.
– Não. Vão vocês. -Disse Flora.
– E você, Angie?
– Também não.
Germán se aproximou e deu um beijo em sua mãe, se virou para mim e quando ia me dar um selinho eu virei.
– Germán, nós já conversamos.
– Ah sim. Me desculpe.
Assim que Germán e as meninas saíram, dei um suspiro. Eu queria chorar, mas lembrei-me que Flora estava aqui.
– Você ama meu filho, não é?
– Sim, muito. Mas, não podemos ficar juntos.
– Por que não?
– A senhora sabe, nós somos cunhados.
– E...?
– É impossível.
– Escute, nada é impossível, você apenas coloca isso em sua mente, mas não é impossível. Vocês se amam!
– Mas...
– Olha, venha cá, sente-se.
Me sentei e Flora sentou-se ao meu lado.
– Angeles, a Maria morreu, fez falta? Muita. Mas não podemos evitar, a morte é algo inevitável, e esse foi o destino dela. Você não pode deixar que isso atrapalhe a sua vida.
– Sim, mas, isso... é impossível... eu não quero me iludir mais.
– Angie, vou contar-lhe uma coisa, preste atenção.
– Tá.
– Há uma lenda em que diz que o Sol e a Lua sempre foram apaixonados um pelo outro, mas eles nunca podiam ficar juntos pois a Lua só aparecia ao pôr do Sol. Ambos estavam muito tristes por não poder ficar junto ao seu amor. E Deus, em sua bondade infinita, criou o eclipse, como prova de que não existe no mundo um amor impossível. Se é realmente amor, nada nem ninguém conseguirá destruir o que vocês sentem um pelo outro, esse amor não vai acabar, e ambos sofrerão se não estiverem juntos.
Lágrimas escorriam de meus olhos. Não sabia o que dizer diante aquilo.
– Eu sei.
– Calma, não precisa chorar. -Disse Flora calmamente e me abraçou.
– Eu queria que minha mãe fosse como senhora. Compreensível.
– Porque diz isto?
– Nada... esquece.
– Não. Conte-me. O que aconteceu?
– Foi quando eu descobri que estava grávida de Julie.
– O que ela disse?
– Ela me disse coisas horríveis, eu ainda lembro de suas palavras, "Você se vira para criar esse filho, você fez ele, você vai cuidar dele. Você perdeu totalmente o meu apoio quando se envolveu com aquele homem, agora Angeles, por favor, não me procure mais, esqueça que eu existo, esqueça que eu sou sua mãe".
– Ela te disse isso?
– Sim.
– Sinto muito. Imagino como deve ser difícil ouvir isso da própria mãe, ainda mais durante a gravidez, que nós ficamos mais sentimentais.
– Pois é...
– Mas então, quem é o pai da Julie?
Não respondi.
– Angeles, quem é o pai dela?
Não respondi novamente.
– É o Germán, não é?
Paralisei, não consegui responder.
– Angie, olhe para mim, o pai da Julie é meu filho?
Olhei para ela.
– Sim, Germán é o pai de Julietta.
– O quê? -Uma voz conhecida soou em direção à porta.
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