Sus Ojos! 2
8 Murphy's Law and Orphan
Notas iniciais
Pov's Germán
Levantei apressado e rapidamente coloquei uma jaqueta e uma touca, nevava lá fora, peguei as chaves do carro e fui em direção à porta.
–Meu filho, aonde vais?
–Para o aeroporto em busca de informações sobre este avião que caiu. Creio que era o de Angie.
–Ai meu Deus! Vamos logo então!
–Não, você fica!
–Germán você vai mesmo ficar discutindo comigo enquanto Angie pode estar morrendo, ou até mesmo morta!? — Ela tinha razão, infelizmente, Angie poderia estar morrendo, ou até mesmo morta. Meu coração congela só de pensar nessa possibilidade.
–Violetta, Julie, não saiam de casa e mantenham as portas e janelas trancadas! -Gritei.
–Aonde vai papai? — Gritou Violetta de volta.
–Vou ao aeroporto com sua avó. Tchau.
Saí correndo em direção ao carro, assim que entrei no mesmo, acelerei rumo ao aeroporto. Numa curva o carro derrapa para fora da pista. Tento ligá-lo novamente, tentativa em vão.
–Vai tentando ligar o carro e quando conseguir vá para o aeroporto, não estamos muito longe, vou ir à pé mesmo! -Disse para minha mãe após fechar a porta do carro atrás de mim.
Fui correndo até o aeroporto e quando cheguei estava lotado, como esperava. Saí empurrando todos que estavam bloqueando minha passagem. Assim que cheguei ao balcão pedi informações à mulher morena que estava frente a mim.
–Senhor, o acidente ocorreu cerca de uma hora atrás.
–Mas, vocês não tem uma lista de pessoas que compareceram ao voo? Ela pode ter perdido o voo, não pode?
–O voo era de Classe A, acho meio improvável que alguém o perca, é um dos mais caros. E, além disso, pouco antes de começar a nevasca nos mandaram uma lista, porém chegou apenas metade pois a nevasca bloqueou todos os sinais de conexão de rede.
–Mas, você não entende, eu posso ter perdido o amor da minha vida! -Comecei a ficar estressado.
–Senhor, acalme-se, não podemos fazer nada. Sinto muito.
Virei-me devagar para trás indo em direção á porta, talvez o destino não quisesse que nós estejamos juntos. Deixo uma lágrima escorrer, passo a mão pelo meu rosto e a seco rapidamente quando avisto minha mãe.
–Consegui fazer o carro funcionar!
–Que bom. Agora vamos. — Peguei a chave da mão dela e fui em direção ao carro.
Durante o caminho minha mãe perguntou-me aonde iíamos e eu apenas respondi "Não sei, mãe, não sei". Fomos o resto do caminho em silêncio. Chegamos á uma praia, andamos por uma ponte e eu sentei-me no final da mesma e balancei minhas pernas sobre o mar. Minha mãe não demorou muito para adivinhar e logo perguntou-me:
–Como se sente?
–Com raiva de mim mesmo, deveria tê-la esperado, deveria ter dito para nós virmos outro dia, a culpa é toda minha, ao invés de trocar as passagens para nós virmos outro dia eu a deixei morrer, deixei-a embarcar em um voo sem volta.
–Você a amava muito né?
Assenti e lágrimas escorreram de meus olhos instantaneamente, peguei meu smartphone e observei uma foto, de Angie, Julie e Vilu, elas definitivamente eram minha vida, tudo o que eu queria era que fôssemos uma família, aquele tipo de família dos filmes, normal e perfeitinha, mas, isso obviamente isso não existe, quando tudo está assim, como essas família de filmes perfeitinhas, é sinal que alguém está mentindo para manter a imagem de "Familia perfeita", porém, ainda queria que fossemos uma família, eu, Angie, Julie e Vilu.
–Sabe, mãe, é tão estranho e triste saber que nesse momento, Angie está morta, nesse momento ela está afundando em meio ás águas frias e geladas do imenso oceano e suas estranhas profundezas. Ao invés de estar aqui nos transmitindo toda aquela felicidade e nos rodeando com seu espírito livre e carismático. -Olhei de relance para minha mãe e esta me olhava com um olhar de pena e lamento.
Lágrimas escorreram de meus olhos e eu olhei instintivamente para a tela de meu celular tentando evitar muito contato visual com minha mãe, não gosto de chorar, estava acabado, tinha vontade de desistir de tudo, mas não poderia fazê-lo. Notei um pouco de sinal, parece-me que a nevasca não bloqueou totalmente todas as conexões, levantei-e e estiquei meu braço sobre o mar e consegui estabelecer uma conexão, haviam 5 chamadas perdidas, de Angie, meus olhos se iluminaram só de pensar na possibilidade dela estar viva, dela ter perdido o avião, olhei no horário das chamadas, 3 horas atrás, na hora em que o avião teria decolado, provavelmente estava utilizando o celular no momento, talvez isso teria influenciado no acidente, isso aumentou mais ainda minha culpa, tentei retornar a ligação, e como esperado, ninguém atendeu. Liguei umas 7 vezes até que meu celular escorrega de minha mãe e cai no mar.
–MALDITA LEI DE MURPHY!
–Lady o quê?
–Lei de Murphy, é um tipo de lei assim como a gravidade, “Se algo pode dar errado, dará.”
–Ah.
–Bom, vamos, mãe.
Voltamos para casa, o caminho inteiro em silêncio, eu mantinha meu olhar na estrada o tempo inteiro. Assim que parei o carro na garagem minha mãe perguntou-me:
–Como vai contar a Julie sobre a perda da mãe?
–Não sei, não sei como ela reagirá ao saber que a partir de hoje se tornou órfã.
–Órfã?
–Sim, Julie perdera o pai quando pequena, e agora a mãe. Não sei o que acontecerá, não sei como será sua reação, só sei de uma coisa; farei de tudo para conseguir a guarda de Julie!
This Romeo is bleeding (Este Romeu está sangrando)
But you can't see his blood (Mas você não pode ver o seu sangue)
It's nothing but some feelings (São apenas alguns sentimentos)
That this old dog kicked up (Que este velho sujeito jogou fora)
It's been raining since you left me (Tem chovido desde que você me deixou)
Now I'm drowning in the flood (Agora estou me afogando no dilúvio)
Fale com o autor