Survivor
1 Para o além
Notas iniciais
- Ramona, vai no mercado pra mãe.
Eu resmunguei em resposta, a preguiça me impedia de levantar do sofá, eu fiz uma careta de piedade para minha mãe mas ela apenas me fuzilou.
- Tira essa bunda mole do sofá e vai rápido. – Ela falou isso e eu levantei rapidamente, não queria correr risco de levar chinelada.
- O que tem que comprar?
- É só ir lá e pedir para Suzanna a mercadoria que eu pedi pra separar.
- Hm, tá.
Eu estava indo em direção a porta quando minha mãe me chamou assustada.
- O que foi, mãe?
- Leva esse canivete.
- Mas por que?
- O perigo está em todo lugar. – Ela falou isso de uma forma nervosa, algo estava acontecendo, algo muito sério. E para não discutir eu prendi no meu cinto a parte do chaveiro.
- Vou indo.
- Se cuida.
Peguei meu celular e meus fones de ouvido, coloquei a música “Reptilia” e andei em rumo ao mercado. Eu sei, deveria tomar cuidado, mas eu estava com a mão no cabo do canivete, havia tirado do cinto pois eu não consigo viver sem música, e tinha que tomar cuidado. Todo mundo andava estranho na minha casa, não só na minha casa, minha vizinhança vivia espiando pelas janelas, e meus pais e meu irmão estavam me protegendo tanto, faltava colocar uma coleira ou me botar em um potinho. Algo estava acontecendo e ninguém me contava. Cheguei no mercado no mesmo momento em que a música acabou. Prendi o canivete no cinto para não parecer estranha e me apoiei no balcão, estralando os dedos para chamar a atenção de Suzanna, ela tirou algo debaixo do balcão e colocou no mesmo, eu corei ao ver que era absorvente, ela deu uma risadinha e eu paguei ela e sai do mercado. Estava em um cruzamento quando vi três borrões, logo identifiquei como pessoas, mas elas andavam se arrastando, e dava pra ouvir uns barulhos estranhos, eu olhei melhor e vi que eram zumbis.
Meu corpo paralisou, eu me senti congelada, eu não gritei, só tirei uma força do inferno, e comecei a correr com a sacola na mão, entrei na minha rua e um zumbi salto em mim, eu comecei a dar gritinhos desesperados e eu só ouvia gritos de outras pessoas, eu tentava alcançar meu canivete mas estava muito longe, eu dei graças a Deus por estar de casaco, eu peguei uma pedra pesada e bati na cabeça do zumbi, ele só tombou pro lado mas não morreu, então eu tirei o canivete do meu cinto e tirei a lâmina pra fora e enfiei no primeiro lugar que eu vi, no olho, eu fui afundando até a criatura parar de se debater, eu estava em desespero, eu não estava acreditando no que via, “minha família” pensei rapidamente, peguei a sacola e deixei a lâmina pra fora do canivete e sai correndo pra minha casa, ao entrar eu vi um zumbi e eu avancei nele e ele avançou em mim, acabei vencendo essa luta, meu coração estava a mil, cheguei na sala e um zumbi estava em cima de minha mãe, eu peguei o zumbi e o joguei no chão começando a pisar na cabeça com toda a raiva que eu sentia naquele momento, até que eu vi que ele havia... morrido. Olhei pra minha mãe e ela estava gritando de dor, ela havia sido mordida no pescoço e eu quase vomitei naquele momento, tudo ficou escuro e eu comecei a ficar tonta, isso acontecia quando eu entrava em desespero, eu procurei meu pai e acabei me deparando com ele, mas um pai-zumbi, eu gritei assustada e não sabia o que fazer, só senti as lágrimas descerem e me arrastei pra trás, eu tropecei e bati a cabeça no sofá, ainda chorando, até que meu irmão apareceu do nada e avançou no meu pai, com uma picareta em mãos, ele enfiou a picareta no cérebro do meu pai, eu tentei gritas mas meu pai não ouviu. Depois meu irmão avançou em minha mãe e fez o mesmo. Ele olhou pra mim, ele tinha uma expressão de dor, seu corpo estava todo respingado e ele se aproximou de mim mas eu me afastei, eu ainda estava chorando com a imagem que eu acabara de ver, eu não estava acreditando nisso, é só um pesadelo, eu desmaiei no mercado e estou aqui agora, a qualquer momento posso acordar. Julian correu pra porta e a trancou, as janelas já estavam fechadas. Eu fiquei ali, chorando, e olhando para meus pais caídos e mortos, eu estava sem chão. Julian apareceu, ele não havia derrubado uma lágrima se quer, mas ele parecia abalado e a ponto de desabar, ele sentou do meu lado, pousando a nunca no sofá.
- Sabe... nesses tempos de agora, você tem que aprender a ser forte, e lidar com as perdas.
- Que tempos de agora? E perder os pais é pior que perder um braço. – Minha voz saiu embargada, eu estava destroçada.
- O jornal começou a passar notícias estranhas, eles começaram a falar pra tomar cuidado pois tem uma doença no ar que pode te “matar”. Como você odeia jornal, vive dizendo que a gente ama notícia trágica e isso é ridículo, nossos pais resolveram guardar segredo pra você não se desesperar, e perder a adolescência.
- E ver meus pais morrendo é uma ótima maneira de descobrir isso. – Eu falei sentido meu coração apertar, e segurei minhas lágrimas.
- Me desculpa, eu vou te proteger Mona, e vou te ensinar a se proteger, por que uma hora eu vou morrer e...
- Cala boca. – Eu falei rapidamente, só de pensar isso eu começo a ter a sensação terrível de desespero, meu irmão me olhou nos olhos e me abraçou.
- Talvez o cheiro de podridão dos zumbis disfarce nosso cheiro, vamos partir amanhã de manhã.
- Pra onde?
- Pro infinito e além. – Ele falou com um sorriso fraco, nem esse sorriso podia curar a dor que eu estava sentido, era tanta coisa em alguns minutos que me deixou tonta, eu olhei para minha mão e o canivete estava ali, a minha dor foi substituída por raiva, eu fechei os olhos enquanto ouvia rugidos e alguns gritos na rua.
Notas finais
O Julian tem 19 anos, os pais da Ramona se chamam Isaac e Lysa, e Mona é o apelido da Ramona (dã). Beijos de luz, SWERGA.
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