Survivor
8 Capítulo 8 - Pesadelo - Parte III
Notas iniciais
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Trouxeram seus lencinhos? Porque vocês, provavelmente, vão precisar...
Bella Swan
Acordei deitada em uma maca algum tempo depois com alguém me chamando.
-Senhora, Senhora acorde.
A primeira coisa que saiu da minha boca foi um grito de dor. A dor que eu sentia em meu ventre ainda era forte.
- Senhora me diga onde está doendo para que eu possa medicá-lá.
- Me ajude, por favor. Faça essa dor parar. — Eu levei a minha mão ao meu ventre tentando massagear o local para ver se a dor diminuía, mas nada acontecia.
- Estou aplicando um medicamento que vai amenizara dor. A senhora tem que ficar calma. O Dr. Alvarez já está vindo conversar com a senhora.
A dor em meu ventre foi diminuindo, mas a dor em meu peito não passava, eu ainda estava muito confusa com todos os acontecimentos da noite passada.
Aos poucos fui recordando a conversa de Rosalie e Tanya... aquilo me atingiu em cheio e foi impossível controlar as lágrimas. Eu queria gritar, queria entender o que aconteceu, aonde eu errei, eu o amei com todas as minhas forças e nada foi o suficiente. O meu amor por Edward era o que me completava, ele era a minha metade. E nem isso foi o suficiente para ele.
Porque ele tinha que fazer isso comigo? Eu abri mão de tudo por ele, tudo mesmo. As palavras de meu pai vieram a minha mente, ele tinha razão desde o principio.
Me lembrei das noites em que Edward chegava tarde em casa e me perguntei se ele estaria com Tanya?
As lágrimas vieram com mais intensidade, o buraco que eu sentia em meio peito estava ali e dificilmente seria fechado ou curado novamente.
Droga Edward, por que você estragou tudo?
Eu estava com as mãos tampando o meu rosto e soluçando quando ouvi a porta se abrir.
- Olá, eu sou o Dr. Alvarez, o médico responsável. – um senhor de aparentemente uns 45 anos disse se aproximando da maca.
Ele sorriu gentilmente para mim, e alguma coisa nele imediatamente me lembrou Charlie. Não é que eles fossem parecidos fisicamente, mas ele era um daqueles senhores, que só de olhar te faz lembrar-se da sua família, do seu pai... Isso só me fez chorar ainda mais.
Agora, nem mesmo Charlie eu teria ao meu lado.
- Querida, eu preciso que você se acalme, pode tentar fazer isso? – a sua voz era tão calma, e ele falava comigo, como se estivesse tentando convencer a uma criança a sair da chuva.
Eu funguei algumas vezes o olhando, mas logo desviei o olhar, que prendi na minha aliança. As lagrimas continuaram escorrendo, mas eu me mantive em silencio.
- Para começar, por que não me diz o seu nome...
- Isabella Swan, esse é o meu nome.
- Tudo bem Isabella – ele anotou alguma coisa, na prancheta que tinha em suas mãos.
- Bella, por favor, me chame de Bella.
-Bom Bella, você teve um sangramento razoável e nós conseguimos reverter o quadro, mas eu preciso de algumas informações e será necessário realizar alguns exames para descobrir o porquê do sangramento.
-Doutor, porque eu senti tanta dor no ventre?
-Temos que realizar os exames para ter certeza do que gerou a dor e o sangramento. Você pode está grávida e ter sofrido um aborto espontâneo.
-Aborto?
-Sim Bella, um aborto. Nas primeiras semanas de gravidez é comum a mulher ter um aborto espontâneo.
-Mas eu não estou grávida.
-Tem certeza?
Meu Deus eu não posso está grávida. Não, não, não.O que eu vou fazer? Isso não pode está acontecendo. Eu não consegui conter as minhas lágrimas.
-Bella, a primeira coisa que podemos fazer para diagnosticar o que de errado está acontecendo é uma ultrassonografia, assim poderemos realizar outros exames mais específicos. Fique calma querida, se você sofreu um aborto com o tratamento correto você poderá ter outros filhos. Mas antes eu preciso de algumas informações.
-S-sim – eu tentava controlar as lágrimas o máximo que pude.
-Você já esteve grávida outras vezes?
-Não
-Você toma alguma medicação com freqüência?
-Não
-Você tem notado alguma alteração no seu estado físico?
-Estou vomitando, minha pressão está super baixa e eu me sinto fraca.
-Certo. Pelas informações que tenho agora a probabilidade de você estar grávida aumenta...
Antes que eu pudesse registrar tudo o que Dr. Alvarez me dizia, mais um grito de dor saiu de minha boca seguido por uma nova dor em meu ventre.
-Precisamos realizar os exames imediatamente – ouvi o Dr. Alvarez dizer para uma das enfermeiras.
Logo eu estava sendo levada para a sala de ultrassom e nesse instante as únicas palavras que saíram da minha garganta foram.
-Me ajude.
...
Estava na sala para realizar a ultrasson. Eu já não sentia dor. Uma das enfermeiras me ajudava a tirar o meu vestido e vestir uma roupa do hospital para realizar o exame. Eu estava fraca, minhas pernas tremiam e minha mente estava a mil por hora. Eu não conseguia pensar direito. Aborto? E se eu estivesse mesmo grávida? Nesse momento até cogitei a idéia de que um aborto seria o melhor. Eu não tinha nada aqui, larguei tudo o que tinha para viver uma vida que não era minha, uma criança nesse momento... Meu Deus o que eu iria fazer? Eu não tinha nada nem ninguém.
Dr. Alvarez entrou na sala e me pediu para levantar a roupa na altura do estômago para que ele pudesse realizar a ultrassonografia. Ele aplicou um gel e começou a fazer movimentos com o aparelho. Logo a tela que era preta tinha uma pequena mancha branca.
Medo, eu estava com muito medo. Quando as palavras do Dr. Alvarez me fizeram acordar.
-Minhas dúvidas se confirmaram. Você está realmente grávida.
Lágrimas e mais lágrimas botaram em meus olhos.
Meu bebê.
-Pelo que eu posso ver o feto está bem. Você está com 10 semanas de gestação, no caso 3 meses. A partir de agora vamos realizar exames mais específicos para que você dê inicio ao seu pré natal.
Meus olhos agora estavam focados na tela. Nesse momento toda a minha angustia e aflição desapareceu e a felicidade me tomou apesar de tudo, o meu bebê sobreviveu. E era por ele que eu viveria.
Dr. Alvarez me mostrava cada detalhe, os pezinhos, as mãozinhas, a cabecinha, sua coluna, mas o que me deixou mais maravilhada foi ouvir o som do seu coração, foi uma emoção inexplicável! As lágrimas não paravam de escorrer pelo meu rosto e um sorriso se formou em meus lábios e nesse momento eu tive certeza que nada mais importava. Eu iria sobreviver pelo meu bebê.
...
Quando eu já estava em meu quarto, Dr. Alvarez voltou.
-Bella, pelos exames constatamos que a sua placenta foi formada um pouco mais baixa do que o normal e com isso você desenvolveu o deslocamento da placenta. Provocando o sangramento e a dor no ventre. A sua gravidez é de risco, porque a sua placenta está descolada. Você terá que ficar em repouso absoluto, fazer o mínino de esforço possível e ainda assim terá que tomar medicação até o final da sua gestação. Você também está com uma anemia consideravelmente forte e terá que se alimentar bem, tendo que adotar uma dieta rica em ferro, nutritiva e balanceada e ingerir alguns suplementos e é mais que importante que dê inicio ao pré natal imediatamente.
Eu apenas assentia com a cabeça. Eu agora estava mais calma. Só de saber que tem uma vida que precisa de mim eu me sentia mais forte. Mas ainda assim a dor não passava. Eu conseguia controlar as lágrimas, mas minha cabeça tentava processar os acontecimentos anteriores até agora.
- Bella, você quer que eu avise a alguém que você está aqui? Talvez algum amigo, ou seus pais, ou o seu marido?
As lágrimas voltaram quando ele falou essa ultima palavra. Eu pensei por um momento. Eu não tinha ninguém para avisar. Eu não tinha nenhum amigo com quem pudesse contar. Talvez Emmett? Mas ele a essa altura já estaria em lua de mel... Alice? Nós nos distanciamos e eu realmente não sei se me sentiria confortável com a sua presença aqui. Charlie? Ele provavelmente ignoraria a ligação. Edward? Eu queria que Edward estivesse aqui... mas ele... arghh um bolo se formou em minha garganta e eu soltei um soluço alto.
- Beba um pouco de água – Dr. Alvarez me entregou um copo e sentou ao meu lado na maca.
Eu tentei pensar um pouco sobre tudo e... Se Edward realmente tiver me traído, eu nunca poderei perdoá-lo, mas nesse momento, tudo o que eu queria, era ele ao meu lado. Eu estava com medo.
- Edward Cullen, você pode avisar a ele.
Dr. Alvarez anotou o número que eu passei a ele e saiu do quarto por um minuto, mas logo voltou dizendo que umas das enfermeiras estariam entrando em contato com ele logo.
-Dr. Alvarez eu precisou de um favor.
-Estou aqui para ajudar Bella. Pode pedir.
-Eu gostaria que a pessoa que virá me buscar não ficasse sabendo da gravidez.
-Bella, eu não posso esconder. Com certeza ele irá querer saber o que você tem e seria antiético da minha parte emitir o diagnóstico.
E agora o que eu faço? Edward não poderia saber da minha gravidez. Com certeza a família dele irá me acusar de dar o golpe da barriga ou coisa pior e nas circunstâncias em que eu me encontrava não seria nada bom que eles ficassem sabendo da gravidez. E eu ainda precisava pensar com calma sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias... a ultima coisa que eu queria era que Edward continuasse comigo, mesmo querendo estar com Tanya, apenas por esse bebê, e se ele realmente estivesse com ela, eu é quem não iria querer tê-lo ao meu lado.
-É que eu estou querendo fazer uma surpresa... E eu sei que se eu pedir, o senhor não pode divulgar o meu prontuário. Sigilo médico, não é assim que se chama?
-Tudo bem, mas terei que informá-lo da anemia.
-Sim. Muito Obrigada doutor, você está me ajudando muito e eu nem sei como eu posso agradecer.
-Não precisa agradecer Bella, é o meu dever como médico. Qualquer médico faria o que eu fiz. É meu dever salvar vidas.
Ele saiu pela porta, mas suas palavras martelavam na minha cabeça, "qualquer médico". É difícil pensar que meu "marido" é médico e sua família é composta de grandes médicos. Seria irônico se não fosse triste.
Eu ainda tentava descobrir o que eu havia feito de errado, para que Edward negligenciasse tanto o nosso relacionamento. Eu não estava certa, se ele apenas tinha se arrependido de me trazer com ele, ou se Rosalie esteve certa durante todo esse tempo, quando dizia, que eu não passava de um brinquedo nas mãos dele...
Eu senti as lágrimas voltarem a tomar conta de mim, e minha razão gritava, que eu precisava me acalmar, que eu não poderia continuar assim... mas nada era capaz de me fazer entender como chegamos aqui.
Como eu pude ser tão ingênua? Por que eu não ouvi Charlie? Por que eu larguei tudo por ele? Por que Edward mentiu para mim o tempo todo? Como eu poderia lidar com tudo isso agora?
Eu me sentia tão perdida e tão amedrontada. Eu precisava cuidar do meu bebê, mas como eu permaneceria ao lado de Edward depois de tudo? Mas para onde eu iria?
Eu já não tinha mais forças, para absolutamente nada, eu não queria mais pensar. Eu só queria acordar desse pesadelo.
Fechei meus olhos, tentando conter as lagrimas, e não sei por mais quanto tempo eu fiquei ali, chorando como uma criança ferida, acariciando a minha barriga, até que eu simplesmente adormeci.
Eu acordei, sentindo minha cabeça pesada, minha garganta seca e me sentindo tão fraca quanto nos últimos dias. Não existia mais dor em meu ventre, e isso de certa forma me aliviava, mas existia um torpor tão grande que havia se apossado de mim.
Eu não tive muito tempo para pensar sobre isso, porque assim que meus olhos se abriram, eu encontrei Edward sentado ao lado da cama, sua cabeça estava baixa e seus olhos um pouco vermelhos, como se ele tivesse chorando, ele mexia atentamente em sua aliança e balançava a cabeça em um gesto negativo.
Certamente, ele achava tudo isso um grande erro. E eu, agora, já não sabia se deveria ou não concordar com ele.
Meus olhos voltaram a se encher de lagrima. Como doía saber que eu o amava tanto, enquanto ela nada sentia por mim.
Edward levantou sua cabeça e no instante em que seus olhos encontraram os meus, ele se levantou e parou ao meu lado, suas mãos acariciando o meu rosto.
Eu quis gritar, mandar que ele se afastasse que nunca mais me tocasse, com as mesmas mãos que certamente acariciaram outra mulher, mas eu não consegui emitir nenhum som, minha única reação foi chorar cada vez mais.
-Bella... amor... me desculpe — ele chorava feito uma criança, mas suas lágrimas não me comoveram. -Bella fala comigo, o que aconteceu? Eu te procurei na festa e não te achei. Rosalie me disse que você estava com dor de cabeça e que iria para casa... por que não me avisou? Eu iria com você.
As lágrimas foram aumentando, mas ele continuava a falar sem parar.
-Quando eu cheguei em casa e você não estava, eu sai feito louco a sua procura. Fui a todos os hospitais da cidade, os locais que você conhecia... Fiquei desesperado, até na delegacia eu fui, mas não obtive sucesso. Eu já estava à beira da loucura quando recebi a ligação do pronto socorro. Porque você não foi para o nosso hospital? Você sabe que como minha esposa tem todo o direito...
Eu soltei um grito de agonia. Suas palavras só pioravam o que eu sentia. Nada o que ele falasse diminuiria a dor que eu estava sentindo.
- Tudo bem Bells, eu vou te levar para o nosso hospital, lá podemos fazer outros exames e ver se está tudo realmente bem... você vai ficar bem, eu vou cuidar de você, eu prometo. – Suas palavras me atingiram como uma flecha.
Quando eu mais precisei, Edward não cuidou de mim, e me custava acreditar que ele faria isso agora. E eu não queria ir a hospital nenhum, muito menos ao hospital dos Cullen, onde eu sabia que nunca seria bem recebida.
- Eu já estou bem – falei ainda tentando conter as lagrimas. – só preciso ir para casa.
...
No caminho do pronto socorro até ao apartamento eu fiquei muda, minha expressão era a mesma e nada que Edward me dizia era capaz de diminuir a minha dor.
Chegamos ao apartamento e ele me carregou por todo a caminho, não me soltou nem um minuto até que chegamos e ele me colocou delicadamente na cama. As lágrimas que eu que eu segurei até agora voltaram, todas as lembranças desde o dia que eu pisei aqui,a recepção da família de Edward, a primeira vez que fizemos amor nessa cama,os seus toques, os beijos, os carinhos tocados, as palavras de amor que foram ditas, os momentos de grande prazer,as loucuras que fizemos por todo o apartamento,os dias sozinhas,as noites sem dormir,as lágrimas que eu derramei pela saudade cortante,a falta de esperança,as insinuações de Rosalie,a indiferença de Esme e Jasper, o desprezo de Carlisle,as várias conversas com Alice que tive durante as noites, o abraço de Emmett, tudo me atingiram como uma avalanche.
Naquela noite eu apenas chorei. Edward esteve deitado comigo apenas me deixando chorar sem falar nenhuma palavra.
Eu me sentia suja pelo toque de Edward, as suas mãos nas minhas costas, em meu rosto, nos meus cabelos, as suas frases como "eu te amo", "eu não vou te deixar", "me perdoa" me fazia sentir mais e mais nojo dele. Eu queria correr, me esconder, queria gritar, mas nesse momento um pensamento novo me atingiu. Meu bebê.
Era por ele e somente por ele que eu não cometeria uma loucura. Sem ele eu não seria nada. Eu iria lutar exclusivamente por ele, passaria por cima da família de Edward para defendê-lo, nada nem ninguém iria acabar com o amor que eu sentia por ele.
E esse é o único motivo para eu enfrentar tudo o que estava por vir.
...
Eu acordei com os braços de Edward em minha volta. Tirei seu braço de cima de mim para ir ao banheiro. Eu continuava muito fraca, consegui chegar ao banheiro me apoiando nos móveis e evitando fazer algum barulho para que Edward não acordasse.
Eu definitivamente não queria a sua ajuda, depois de tudo o que eu passei agora é que ele vem querer me ajudar. Mas agora é tarde. Eu ansiava para que ele fosse para o hospital para que eu pudesse ficar sozinha, como sempre.
Com muito sacrifício cheguei ao banheiro, era tão bom ficar sozinha, um sentimento de paz me invadiu e nesse momento as minhas mãos foram para a minha barriga me enchendo de felicidade. Mas logo esse pensamento sumiu com as batidas na porta.
-Bella, amor você está sentindo alguma coisa? Precisa de ajuda?
Eu me levantei e abri a porta dando de cara com Edward. Ele estava como a expressão preocupada. Ele me pegou no colo e me levou para cama, me depositando delicadamente e me dando um leve beijo nos lábios.
-Vou preparar o seu café da manhã, amor. Já volto.
Ele se virou e saiu do quarto. A minha primeira atitude foi limpar a minha boca. Eu não iria chorar. Prometi a mim mesma que tentaria me controlar o máximo possível.
...
Ele voltou com uma enorme bandeja depositando na cama. Eu hesitei em comer, mas como o médico mesmo me disse eu precisava me alimentar.
-Você precisa se alimentar bem para tomar os medicamentos que o médico receitou.
Eu apenas olhei pra ele para logo em seguida abaixar a cabeça e continuar comendo.
Passaram-se dois dias e Edward ficou comigo o tempo todo. Durante boa parte do tempo ele ficou deitado ao meu lado cuidando de mim e não me questionando sobre o meu silêncio e a minha indiferença.
No terceiro dia ele voltou para o hospital. O buraco em meu peito só aumentou... apesar de todo mal que ele me causou eu ainda o amava e isso doía e eu acabei chorando. Chorei até não conseguir ter mais forças de abrir os olhos e caí no sono. O dia passou lentamente eu só me levantava para ir ao banheiro e comer alguma coisa. Edward fez questão de me ligar várias vezes no dia eu tentei ignorar, mas, logo tive que atender temendo que ele voltasse ao apartamento.
As minhas respostas eram sempre sim ou não. Quando ele voltava para o apartamento era sempre muito atencioso e preocupado. Cuidava de mim todo o tempo não me deixando fazer esforço.
Os dias foram passando e Edward me tocava cada vez mais. Em alguns dias ele tentava fazer amor comigo mais a minha reação era sempre a mesma. Eu não movia um músculo e apenas chorava.
-Bella, não consigo mais te ver nessa situação... eu marquei uma consulta com um psicólogo amigo meu do hospital e ele vai te atender hoje aqui em casa.
Psicólogo? Eu não conseguia acreditar no que eu estava ouvindo.
Eu não preciso de um psicólogo. Eu precisava de um marido de verdade. Um homem, que realmente me amasse e não apenas dissesse palavras vazias, eu precisava de alguém que jamais, se quer pensasse, em me trair, mas acima de tudo, eu precisava que Edward fosse esse alguém.
Eu nem percebi que estava chorando até sentir Edward me abraçar e dizer algo no meu ouvido.
Eu apenas continuei a chorar. Por mais que eu tentasse, eu simplesmente não conseguia parar. Eu não conseguia deixar de lembrar-me de tudo o que aconteceu, desde que eu cheguei aqui, há um ano...
Edward agarrou os meus braços, e os sacudiu com força, talvez tentando me tirar de qualquer transe que ele achasse que eu estava presa. Mas antes mesmo que eu pensasse no que eu estava fazendo. Tudo simplesmente transbordou.
Eu levantei o meu braço e só percebi o que tinha feito, quando vi Edward me olhar incrédulo. O seu rosto tinha a marca da minha mão. Eu queria voltar atrás e desfazer o que eu tinha acabado de fazer, mas ao mesmo tempo, eu queria apenas poder dar um basta em tudo isso.
- Eu não entendo qual é o seu problema! — Edward gritou comigo e voltou a sacudir os meus braços. Instintivamente eu recuei me recostando ainda mais na cabeceira da cama. — Eu juro que eu realmente tento entender, mas eu simplesmente não consigo. Eu tenho feito tudo o que está ao meu alcance, o meu melhor por você, e você reage apenas como se estivesse morta em vida. Eu estou farto Bella!
- Farto? — eu gritei de volta. — Se tem alguém que deveria estar farto aqui Edward, esse alguém sou eu.
- Eu tenho feito de tudo por você...
Eu sorri completamente irônica, pra sua afirmação.
Tudo? Sim! Edward havia feito de tudo por mim. Tudo o que me fez infeliz e destruída.
- Tudo... O que é tudo para você Edward? Porque eu não sei o que você fez por mim. Durante todo esse tempo você apenas me usou como um enfeite. Algo para mostrar o que o grande cirurgião Edward Cullen tem para se exibir por ai.
- Você está sendo injusta. – ele tentou me interromper.
- Injusta? Não! Eu estou sendo honesta. Você não pensou nem um minuto em mim durante todo esse tempo...
- Chega Bella! Antes que você diga algo que se arrependa.
- Ahh não Edward. Você não queria saber qual é o meu problema? Pois bem, eu estou te dizendo qual é o meu problema: Eu passei por tantas humilhações... Primeiro da sua família perfeita. Depois tive que ouvir o que eu ouvi naquele casamento em que eu servi apenas como uma imagem. Ninguém sabia quem eu era ou porque eu estava ali... Ninguém se quer me ajudou no momento que eu gritava de dor, ninguém! Eu estava sozinha! Ah mais isso já faz parte da minha vida não é? Durante todo esse tempo eu fiquei sozinha... Noites e dias sozinha e você se divertindo as minha costas. E eu aqui sempre te esperando de braços abertos todos os dias... Te amando, dando a você todo o meu amor, o meu carinho... E quando eu realmente preciso de você, eu não posso contar. Porque você não pode ser o médico comigo. Mas eu aposto que você pode ser o médico da vagabunda da Tanya...
- Você está completamente fora de si. Onde Tanya se encaixa nessa estória?
- Não se faça de inocente comigo Edward. Não tente me fazer de idiota. Você acha que eu não sei que durante todas as noites em que eu ficava acordada esperando você chegar... ahh todas as lágrimas que eu derramei por você e você lá se divertindo com a Tanya...
- Bella, tudo o que está dizendo é completamente sem sentindo. Eu nunca tive nada com Tanya, desde que eu conheci você.
Eu simplesmente ignorei o que ele tinha acabado de dizer. Eu não conseguia acreditar em nenhuma palavra que Edward dizia.
- Mas você foi muito esperto! Sempre tinha a Bella idiota esperando você de braços abertos enquanto você estava brincando de médico com ela.
- De onde você tirou essa estória?
- Eu te amei mais do que me amei, eu deixei de pensar em mim para pensar em você. E enquanto a idiota da "esposa" espera por você, você estava me traindo... Só que em uma coisa você errou! E errou feio. Sabe em que foi? Em pedir ajuda para a desqualificada da Rosalie! Mas isso é o de menos não é?
- Bella ouça o que você está dizendo. Eu nunca tive nada com a Tanya, muito menos pedi alguma ajuda desse tipo a Rosalie.
- Não foi isso o que eu ouvi durante aquele casamento. Enquanto eu chorava de dor, eu ainda fui obrigada a ouvir as duas comemorarem pelo lindo jantar romântico que vocês tiveram. Ou você vai negar isso também?
- Eu não sei do que você está falando. Eu jantei com Tanya, mas não foi...
Antes que eu pudesse parar o meu movimento, minha mão foi mais uma vez de encontro ao rosto de Edward.
Eu não teria palavras pra descrever a dor que eu senti naquele momento.
- Talvez você tenha achado que toda a minha humilhação era muito pouca... – continuei mal conseguindo pronunciar as palavras. – Mas sabe quem contribuiu para que ela ficasse ainda maior? O seu querido papai Carlisle.
- Chega! – Edward gritou e por um segundo eu ainda pensei em simplesmente me calar. Mas não existia mais volta. Era a hora de simplesmente colocar tudo as limpas. Não era isso que ele queria? – você está passando dos limites...
- Não Edward. Vamos lá... Vamos por tudo em pratos limpos. Deixe-me te contar quem é a sua família de verdade.
- Deixe minha família fora disso ou vamos chegar a um ponto em que não terá mais volta.
- Oh nós já chegamos nesse ponto ha muito tempo. Quando o seu querido pai teve a coragem de vir até aqui, nessa mesma casa, me oferecer dinheiro para sair da sua vida.
- Carlisle jamais faria isso!
- Mas ele fez...
FLASHBACK
- Olá Carlisle! – eu disse abrindo a porta e permitindo que ele entrasse. – Edward não está...
- Eu sei. Ele está no hospital.
Eu continuei calada, esperando que ele dissesse o que queria.
- Eu vim até aqui para conversar com você.
- Claro. Por que não se senta um pouco?
Apontei em direção ao sofá e fui até o bar.
- Gostaria de beber algo? Um drink ou talvez um café... eu posso preparar em um minuto...
- Não se incomode, eu não pretendo demorar...
- Carlisle, eu realmente gostaria que nós nos déssemos bem... Por Edward. – Me sentei na poltrona de frente a ele. -Eu posso ver que ele não se sente confortável com essa situação e para ser franca, eu também não me sinto. Eu não sei o que fiz pra que todos vocês simplesmente me odeiem.
- Eu não te odeio. Apenas, não concordo com toda essa palhaçada!
Eu respirei fundo. Essa não seria uma conversa fácil.
- Edward não está presente, e eu escolhi vir até aqui, quando sabia que ele não estaria, para que pudéssemos ser francos. – Carlisle fez uma pausa e me olhou, como se estivesse medindo as suas palavras. – Nós dois sabemos muito bem, que tudo o que você quer, é ascensão...
- Você está completamente errado!
- Pois eu posso te dar isso. Deixe meu filho em paz e eu posso lhe dar o que você quiser, será um acordo só nosso, ninguém precisa saber.
- Você está tentando me comprar?
- Me diga o seu preço e...
- Eu não vou tolerar que você venha até aqui... – Me coloquei de pé e precisei de muito autocontrole para simplesmente não dar a ele o que ele merecia naquele momento: um bom tapa na cara. – E me ofenda desse jeito.
- Por que não se acalma e assim poderemos conversar amigavelmente?
- Amigavelmente? Você vem até a minha casa e me diz que está disposto a me pagar qualquer quantia desde que eu simplesmente desapareça da vida de Edward e quer que eu apenas converse amigavelmente com você? Eu realmente não consigo reconhecer o homem de quem Edward fala com tanto orgulho em você.
- Eu sou um homem pratico. E faço o que tiver que fazer pelo bem da minha família...
- E por que eu não seria o bem para sua família? Me explique por que eu não me encaixo no papel de nora que você gostaria de ter... Porque eu simplesmente não sei mais como agradar a você ou a qualquer um dos Cullen. Com exceção de Emmett, todos estão sempre me desprezando. Até mesmo Alice e em muitas vezes eu posso ver claramente que ela age assim, apenas por você.
- Eu não vou permitir que você destrua o meu filho!
- Acho que Edward já é grande o suficiente para saber o que é bom ou não para ele.
- Se você é realmente tão inteligente quanto ele diz, vai aceitar a minha oferta. Você sabe que é o melhor a se fazer... Você não tem nada, nem ninguém aqui. E sejamos realista, um dia Edward vai se cansar e ver a grande burrada em que ele se meteu e você estará completamente perdida. De certa forma, eu estou até te ajudando...
- Já chega! – eu caminhei até a porta e a abri. – Se isso era tudo o que você tinha para me dizer... saia já da minha casa!
- Você não pode me colocar pra fora da casa do meu filho!
- Essa casa também é minha, desde que o seu filho escolheu a mim, e acho que já está mais do que na hora de você aceitar isso.
- Não tente me desafiar ou você vai sair perdendo.
- Está me ameaçando agora, Carlisle?
- Não tente medir forças comigo menina!
Eu abri ainda mais a porta.
- Muito obrigada pela sua visita, meu querido sogro, mas acho que já passou da hora de se retirar.
Carlisle veio até a minha frente e me olhou atentamente.
- Você vai se arrepender por isso!
Então, ele simplesmente saiu e eu bati a porta com todas as forças que eu tinha.
FIM DO FLASHBACK
- Carlisle jamais agiria assim. – Edward se levantou da cama e me deu as costa. – Meu pai é um homem integro Isabella, nem mesmo você tem o direito de tentar desonrá-lo dessa maneira.
- Eu sinto muito, se estou destruindo a imagem de homem perfeito, que você criou para o seu pai Edward. Mas integro é algo que ele não é!
- Aonde você quer chegar com tudo isso? – Edward voltou a me olhar, e eu pude ver que pela primeira vez, desde que essa discussão começou, ele estava chorando.
- Eu estou apenas... apenas. – meu coração se apertou ao vê-lo chorar. Tudo o que eu sempre tentei evitar, era que Edward soubesse assim, como Carlisle realmente é. – Estou apenas, te dizendo tudo o que estava entalado na minha garganta durante todo esse tempo. Seu pai nunca me achou digna de ser uma Cullen. – eu soltei um soluço e me encolhi na cama. – e pelo visto você também não, já que nem o seu sobrenome você me deu oficialmente.
- Um sobrenome que você está deixando bem claro, o quanto odeia. Talvez meu pai estivesse certo durante todo esse tempo...
Edward pegou o seu jaleco que estava jogado em cima da cama, foi até a mesa ao lado e apanhou sua carteira, celular e bipe.
- Talvez nós realmente tenhamos cometido um grande erro aqui.
- Aonde você vai? – perguntei tentando me levantar, ao ver ele caminhar em direção a porta.
- Sair da sua vida... – ele me olhou e meu coração foi arrancado do meu peito, ao perceber que ele estava mesmo decidido a fazer isso. – Se você acha que tudo o que eu fiz foi te destruir, eu não tenho outra escolha a não ser permitir que você reconstrua sua vida, do jeito que achar que deve, sem nenhuma interferência minha.
- Você não pode! – minha mão foi de encontro ao meu ventre, no momento em que eu consegui me colocar sentada na cama. – eu não tenho mais ninguém a não ser você...
- Não se preocupe. – a voz dele agora estava totalmente fria e sem emoção. – eu dei a minha palavra ao seu pai que não lhe deixaria desamparada e vou cumprir com a minha promessa. Você pode ficar com o apartamento, pelo tempo que quiser e se decidir permanecer em Washington, essa será a sua casa. Eu não vou voltar, sinta-se a vontade para fazer com todas as minhas coisas, o que bem entender.
- Edward, você não pode... eu... eu ainda tem algo para dizer...
- Não Bella. Você já disse tudo o que tinha para dizer... E você conseguiu me destruir ao deixar claro que em nenhum momento conseguiu enxergar o quanto eu te amo.
Ele simplesmente voltou a me dar as costas e antes mesmo que eu conseguisse dizer mais alguma coisa, ele bateu a porta e saiu.
Eu usei todas as minhas forças para conseguir me levantar e depois de muito sacrifício, eu consegui chegar até a sala e a encontrei vazia.
Eu me sentei ao chão, recostada ao sofá, olhando diretamente para a porta da sala, esperando que por algum milagre, ele voltasse.
- Droga Edward! Você não pode! Não agora, você não pode! Volte... volte... volte pelo menos para eu posso te contar.
Eu não sei por quanto tempo fiquei ali, apenas chorando e rezando para que Edward voltasse.
O desespero foi tomando conta de mim e com muito esforço eu me levantei, fui até a porta.
Eu queria sair pelas ruas à procura dele.
A minha dor era tanta, que nesse momento, tudo o que eu queria era ele ao meu lado, cuidando de mim e do nosso filho.
Consegui abrir a porta, mas quando fui dar o primeiro passo tudo começou a rodar e a escuridão me tomou.
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CONTINUA...
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