Survivor

12 Capítulo 12 - Memórias


Notas iniciais
Twilight não me pertence, eu apenas me divirto fazendo as personagens sofrerem... Isso não quer dizer que você é bem vindo para copiar a minha fic por aí...
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28 páginas de... hum não sei como classificar. Me digam, vocês.
Boa leitura!

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Bella Cullen

"Memórias
Não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu
Nem quero saber

Eu vou despedaçar você
Todas as vezes que eu lembrar por onde você já andou sem mim..."

Memórias – Pitty

http://www.youtube.com/watch?v=lqXgcXeAJ8M

Eu fechei meus olhos e respirei fundo, logo em seguida forcei um sorriso e finalmente consegui quase relaxar ao ver que Emmett estava sorrindo de volta pra mim.

Eu não poderia ser mais grata a Emmett, por tudo o que ele tem feito por mim e pelo meu bebê. Talvez ele faça tudo apenas porque o meu bebê é também um Cullen, mas eu tento não pensar muito nisso.

Estávamos no pequeno e humilde consultório do Dr. Alvarez, esperando que ele retornasse com o meu novo médico e o resultado de alguns exames que ele tinha solicitado. Como sempre Dr. Alvarez estava sendo muito gentil e me garantiu que eu provavelmente me daria muito bem com o Dr. James Stunner.

Fingi não ver no momento em que Emmett se remexia, talvez pela milésima vez, em sua cadeira.

Emmett insistiu, quando soube que eu estava grávida, que eu contasse tudo ao restante da família Cullen, mas eu neguei veementemente. Tudo o que eu menos preciso agora, é Carlisle me dizendo o quão "esperta" eu tentei ser ao dar o golpe da barriga no seu filho, ou ainda, e essa era a hipótese que mais me dava medo, vê-lo tentando tirar o meu bebê de mim. Eu certamente não conseguiria seguir em frente se isso acontecesse. O meu bebê era o único motivo que me mantinha viva, era por ele que eu tentava todos os dias, me reerguer. Era uma tarefa difícil, na verdade eu a julgava praticamente impossível, mas eu ainda tentava ao menos prosseguir, apenas por ele.

Já conformado com a minha decisão Emmett jurou que não contaria nada a ninguém, nem mesmo a Edward, se um dia ele aparecesse novamente, e a apesar de meu coração se despedaçar toda vez que eu pensava nele, eu já acreditava que ele não voltaria mais, e mesmo que ele voltasse, eu não gostaria que ele ficasse sabendo de qualquer forma sobre o nosso filho, eu mesma queria dizer tudo a ele.

- Eu ainda acho que isso é um absurdo! – Emmett me disse balançando a cabeça negativamente.

Eu não respondi nada. Sabia muito bem sobre o que ele estava falando, mas não estava disposta a discutir isso, mais uma vez.

- Você poderia ter a melhor assistência possível... – ele continuou quando percebeu que eu não ia dizer nada. – e, no entanto, prefere estar aqui.

Eu entendia o ponto de vista dele. Acho até que ele tinha razão, mas isso não me faria mudar de opinião. Eu não contaria nada aos Cullen, muito menos pediria a ajuda deles.

- Jasper é um grande obstetra... – Emmett continuou a falar e isso só estava me deixando ainda mais nervosa.

Sentindo as minhas mãos começarem a tremer, eu voltei a respirar fundo. Lembrar que cada um deles poderia ter me ajudado desde o inicio só me magoava ainda mais.

- Já falamos sobre isso Emmett. – interrompi tentando fazer minha voz soar firme. – Você conhece os meus motivos e além do mais eu não teria como pagar por um pré-natal com o Dr. Jasper Hale, ou qualquer atendimento no hospital dos Cullen.

Tenho certeza que Emmett percebeu o desprezo na minha voz ao mencionar a sua família, mas eu não me importava com isso. Era bom que ele entendesse, de uma vez por todas, que eu não fazia parte da família dele.

- Isso não é problema. – ele respondendo, resolvendo ignorar a forma como eu tinha falado.

- Você já tem gastado demais comigo!

- Você pode ter acesso a tudo, sem que eu precise pagar nada, afinal de contas você também...

- Não. Eu Não sou uma Cullen. – exasperei irritada. Precisei parar por uns segundos tentando recuperar o fôlego e controlar as lágrimas que já estavam querendo transbordar. – ou já se esqueceu que seu irmão não chegou a me dar o nome dele.

Eu não conseguia mais pronunciar o nome de Edward. Eu ainda o repetia em meus pensamentos a todo o momento, mas falá-lo em voz alta, só me causava mais dor.

Emmett apenas balançou a cabeça.

Eu voltei a focar a minha atenção em qualquer outra coisa.

- Mas o seu bebê é. – ele voltou a falar depois de alguns minutos em silencio.

Isso doeu mais do que Emmett poderia imaginar.

É claro que o meu bebê era um Cullen, e tirar isso dele, me quebrava tanto quanto não ter Edward ao meu lado. Mas o que eu poderia fazer? Se Edward não voltasse, eu não poderia fazer nada além de dar ao meu bebê apenas o meu nome.

- O meu bebê será um Swan, como eu, apenas isso. – respondi com a voz embargada, e foi provavelmente isso que fez com Emmett desse a discussão por encerrada.

Continuamos em silencio, exceto pelo barulho do pé de Emmett tamborilando no chão.

Eu podia jurar que ele também estava nervoso com essa consulta. Eu não cheguei a dizer a ele tudo o que Dr. Alvarez me disse na primeira vez em que eu estive aqui, mas ainda sim, eu podia perceber que Emmett percebia que tinha algo errado. Bom ele é um pediatra, então, ele certamente sabe que em uma gravidez normal eu faria muito mais do que apenas ficar trancada no meu quarto o dia inteiro.

É claro que ele, também, julgava que isso era porque eu estava depressiva, como ele mesmo me disse algumas vezes. Como sempre eu apenas o ignorava. Eu não estava depressiva. Eu estava morta em vida... Bom, talvez um psiquiatra considerasse isso como um estado depressivo.

Finalmente ouvi quando Dr. Alvarez retornou a sala.

- Desculpem por fazer vocês esperarem tanto... – eu rapidamente levantei a minha cabeça, encontrando um rosto desconhecido, dono de uma voz que eu nunca tinha ouvido. – mas, eu precisei atender a uma emergência e também gastei um tempo dar uma olhada em seus exames antes de nos conhecermos.

Desviei o meu olhar assim que encontrei os olhos verdes azulados do médico parado a minha frente.

- Bella, esse é o Dr. James Stunner... – Dr. Alvarez disse suavemente e caminhou em minha direção. – um ótimo obstetra, apesar de, como você pode ver, ser bem mais novo do eu. – ele então sorriu para mim, daquela forma paternal que sempre me trazia um certo alivio seguido de uma tristeza terrível.

Eu voltei a conduzir o meu olhar até Dr. Stunner e ele sorriu amigavelmente para mim. Eu não pude deixar de reparar que ele ficava muito bem sorrindo, quase tão bem quanto Edward ficava quando sorria torto pra mim... Mais uma vez desviei o meu olhar.

Merda! Eu devia mesmo estar precisando de um psicólogo,quem sabe até um psiquiatra. Como Dr. Stunner poderia estar me lembrando tanto ele? Uma parte da minha mente me dizia que eles nem mesmo se pareciam fisicamente, tudo o que eu deveria ver ao olhar pro Dr. Stunner era um atraente homem louro, alto, com a barba por fazer e lindos olhos verdes.

Malditos olhos verde! Eram tudo o que eu conseguia ver, verdes como os dele, expressivos e convidativos como os dele.

- É um prazer conhecê-lo... – ouvi Emmett dizer, e vagamente o vi se levantar e estender a sua mão, provavelmente em direção ao meu novo médico, mas eu continuava a olhar fisicamente para baixo, mas especificamente para minha aliança, tentando evitar olhar naqueles olhos novamente. – meu nome é, Emmett Cullen, e essa é a minha cunh...- ele fez uma pausa e depois deu uma risadinha. – minha irmãzinha, Bella.

Eu continuei com a minha cabeça baixa mesmo ouvindo Emmett pigarrear.

Não era uma atitude muito sociável e nada educada, mas eu sabia bem que se eu o olhasse mais uma vez, provavelmente eu cairia em mais uma das minhas crises de choro.

Houve alguns segundos de um silencio absurdamente constrangedor e dessa vez eram os meus pés que tamborilavam no chão.

Emmett voltou a se sentar do meu lado e eu pude ver pelo canto dos meus olhos que ele estava constrangido.

- Acabei de ver todos os resultados dos seus exames Bella... – A voz firme do Dr. Stunner soou na sala e eu arrisquei olhá-lo, felizmente ele estava concentrado olhando um dos muitos papeis em sua mão. Ele se sentou em sua cadeira e por um momento me olhou serio, antes que eu tivesse tido tempo de desviar o olhar, depois abaixou sua cabeça, voltando sua atenção aos exames. – Pelo o que eu posso ver através do seu hemograma, você não tem seguido as recomendações do Dr. Alvarez...

Eu abaixei a minha cabeça e uni as minhas mãos, focando toda a minha atenção na minha aliança, novamente.

- Aliás, você nem sequer começou um pré-natal, mesmo eu tendo dito a você o quanto isso era necessário, principalmente no seu caso. — Dr. Alvarez completou.

Eu elevei o meu olhar até encontrar o de Emmett, que parecia ter um grande ponto de interrogação em sua testa.

- Você prefere que conversemos a sós? – Dr. Stunner perguntou, notando que eu não estava nem um pouco confortável.

Eu me remexi na minha cadeira e abaixei a minha cabeça, desviando o meu olhar do de Emmett.

- Eu não vou sair Bella. – Emmett falou firme ao meu lado.

- Emm... – comecei a falar ainda de cabeça baixa. – você já tem feito bastante e eu sou muito grata por tudo, de verdade, mas você não precisaria estar aqui e... Bom, eu me sentiria melhor em conversar com o Dr...

- Eu não vou sair Bella. – ele repetiu.

- Bella... – Dr. Alvarez me chamou e eu levantei a minha cabeça. – Não podemos discutir o seu caso na frente de outras pessoas sem a sua permissão, como você sabe muito bem. – eu voltei a abaixar a minha cabeça, me sentindo envergonhada. Eu sabia que ele estava se referindo ao dia em que eu pedi que ele não contasse nada a Edward.

Dr. Alvarez provavelmente estava se perguntando onde ele estava agora e eu, bom, eu estava me perguntando se não deveria ter deixado que ele contasse...

- Mas se me permiti dizer, eu acho que mais alguém, além de você, deveria estar a par de tudo. Seria o melhor, querida.

E lá estava ele, falando novamente como um pai falaria, ou ao menos como eu imaginava que um pai falaria.

Eu olhei novamente para Emmett.

- Eu já disse que não vou sair e você vai me contar tudo, agora.

- Tudo bem Emm. Você pode ficar, mas desde já eu vou dizer: guarde as suas perguntas para depois e tente não agir como se fosse o dono da razão, estamos entendidos?

Ele balançou a cabeça concordando, mas me olhou de uma forma que eu sabia que queria dizer, que ele agiria exatamente como eu não gostaria que ele agisse.

- Certo... – Dr. Stunner começou a falar. – Antes de qualquer coisa, nós precisamos fazer um novo ultrassom, mas acho que já podemos ficar aliviados por nada de mais grave ter acontecido, até agora, levando em consideração a forma negligente com que você tem levado a sua gravidez Isabella...

E assim, Dr. James continuou falando sobre todos os detalhes que ele conhecia da minha gravidez com o auxilio do Dr. Alavrez. Emmett ouvia absolutamente tudo com bastante atenção. Se eu não tivesse me sentindo ainda pior por saber que eu poderia ter matado o meu bebê, ao me permitir chegar ao estado em que estou. Eu ficaria admirada em perceber que Emmett, poderia sim, ser muito maduro e atencioso quando necessário. Eu poderia até chegar a ter orgulho dele, se não estivesse tão focada em me odiar por todos os erros que eu vinha cometendo desde o dia em que eu conheci Edward.

- Nós realmente não sabíamos... – Emmett respondeu a algum comentário do Dr. Alvarez, e eu me vi despertar. O fato de ele ter dito "nós" claramente significava, ele e Edward, e isso foi exatamente o que me fez despertar.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu rapidamente levei minha mão até a minha bochecha, tentando secá-la antes que eles vissem, mas antes mesmo de eu voltar a retirar a mão do rosto, percebi que eles tinham parado de falar e me olhavam.

- Se você estiver pronta, podemos fazer o ultrassom e depois discutimos como faremos para prosseguir com o pré-natal e quem sabe até dar inicio a outro tratamento...

Apesar de ter dito as ultimas palavras em um tom claramente amigável, eu sabia que Dr. James estava sugerindo que eu procurasse algum tipo de atendimento psicológico.

Eu também já tinha falado sobre isso com Emmett. E esse era apenas mais um esforço que eu não estava disposta a fazer. Eu sabia o que eu precisava para voltar a ficar bem. Ter Edward de volta. Não seria nenhum psicólogo, psiquiatra ou o que fosse que me faria ver isso de forma diferente.

...

Durante o ultrassom Dr. James chegou à conclusão de que eu já estava indo para o 5ª mês da minha gravidez.

Fiquei aliviada por ele me dizer que aparentemente meu bebê estava bem, abaixo do peso e isso aumentava e muito a chance de eu ter ainda mais complicações na hora do parto, mas aparentemente bem.

Eu perguntei se podíamos ouvir o coração dele bater, e ele respondeu sorrindo que sim.

Foi como uma nova carga de vida. Eu nem mesmo tentei conter as minhas lágrimas. Senti quando Emmett apertou a minha mão e ao olhar rapidamente para ele, pude ver que ele sorria lindamente.

Eu apertei a mão dele de volta, aliviada por tê-lo ali, mas logo em seguida soltei a sua mão, voltando a me sentir frustrada.

Como eu queria que ele, estive aqui, ouvindo o coração do nosso bebê, se emocionando com isso, talvez sorrindo como Emmett estava sorrindo agora e talvez, beijando a minha testa como ele costumava fazer e...

- Quer saber o sexo? – Dr. James disse animado.

- Uauuu aposto que é um meninão. – Emmett falou animado.

- Já podemos ver? – perguntei me sentindo um pouco animada também.

- Eu acredito que sim... – Dr. James voltou a deslizar o aparelho pela minha barriga já saliente. – Já escolheu o nome?

- Edward! – eu respondi prontamente e fiquei aliviada em perceber que não doeu tanto dizer, talvez porque eu estava me referindo ao nome que seria do me bebê.

Emmett apertou ainda mais a minha mão e eu respirei fundo.

Se o meu bebê não teria o Cullen, ele teria ao menos o Edward.

- E se for uma menina? – Dr. James perguntou sorrindo.

- É uma menina? – Emmett perguntou fazendo uma cara engraçada.

Eu pensei por um instante, eu não tinha pensado em nomes, eu nem mesmo tinha pensado em colocar "Edward" até que Dr. James me perguntou sobre isso. Eu não tinha a menor ideia e mais uma vez meu coração apertou porque eu queria que ele estivesse aqui, para me ajudar a escolher, para me dizer quais nomes ele gostava e o que significavam para ele.

Eu fechei meus olhos, tentando reprimir toda a dor que eu senti com essa simples pergunta e tudo o que consegui foi ser assombrada por mais uma memória.

Flashback

- Eu estou tão nervosa! – exclamei deixando minha cabeça tombar no ombro de Edward, assim que nos posicionamos nos nossos assentos, no avião que nos levaria até Washington. – E se eles não gostarem de mim? – perguntei apertando forte a mão dele.

- Não fica com medo não. – uma vozinha fina chamou a minha atenção.

Eu e Edward olhamos imediatamente para o lado e nos deparamos com uma linda menininha loura, com os olhinhos azuis brilhantes, nos encarando sorrindo.

- Eu também não gosto de voar... – ela disse sorrindo. – mas mamãe sempre diz que tudo bem, que não preciso ter medo e eu também sempre trago o Sr. Pepis comigo. – ela disse nos amostrando um ursinho de pelúcia.

Eu sorri pra ela.

- Se você quiser, eu posso te emprestar ele... Você quer?

Ela então pulou da sua cadeira e parou bem a nossa frente, oferecendo o seu ursinho para mim, o que fez com que eu e Edward sorríssemos de volta pra ela.

- Ahh obrigada querida, mas eu não estou com medo de voar, só um pouquinho nervosa. – ela abaixou a cabeça um pouquinho e eu puder ver ela fazer um biquinho lindo. – e eu tenho certeza que o Sr. Pepis gostaria muito mais de viajar com você, não é mesmo Sr. Pepis? – falei apertando o bracinho do ursinho.

- Ohh ele não responde... – ela me disse dando os ombrinhos.

Foi impossível não sorrir para ela.

- Qual o seu nome? – Edward perguntou sorrindo para ela.

- Jennifer, mas eu só gosto de Jenny.

- É um bonito nome Jenny. Sabe esse é o nome que eu gostaria de colocar na minha filha um dia, o que você acha?

- Legal! – ela gritou pulando.

Fim do Flashback

- Jennifer. – respondi percebendo que a minha voz estava falhando.

- Então, digam "Oi" a pequena Jenny. – Dr. James disse enquanto apontava para a tela do computador.

Jenny, minha pequena menininha, a razão da minha existência.

As lágrimas me cegavam, só que dessa vez eram lágrimas de alegria.

...

Dr. James nos conduziu, agora até o seu consultório que ficava um andar a acima do consultório do Dr. Alvarez, eu me sentia um pouco entorpecida, e não consegui esconder a dificuldade que tinha para recuperar o fôlego, depois de dar apenas alguns passos.

Eu procurei ouvir com bastante atenção tudo o que Dr. James me dizia, todos os riscos que eu estaria correndo, mas principalmente sobre todos os riscos que minha pequena estaria correndo.

Eu precisei lutar contra a raiva que começou a se apossar de mim. Raiva de mim mesma, porque ainda ser tão dependente do amor de Edward, e por mais que eu ainda sentisse tudo desmoronar ao apenas me lembrar do nome dele, eu pude sentir a raiva que eu também já sentia dele. Eu ainda queria com todas as minhas forças que ele voltasse, mas não sei se seria capaz de perdoá-lo.

- Eu estou apenas repetindo tudo o que Dr. Alvarez já havia lhe dito... – Dr. James disse firmemente mantendo seus olhos em mim a todo o momento, como se esperasse que algo ruim acontecesse.

Eu podia entender porque ele me olhava assim. Eu não estava no meu melhor estado físico. Meu cabelo estava uma grande bagunça negra, presa em um coque desajeitado e frouxo, preste a desmoronar no meu rosto abatido e repleto de olheiras sob meus olhos que estavam constantemente vermelhos. Eu vestia, como sempre, uma das camisas de Edward e uma das calças que Emmett havia comprado pra mim.

Roupas para gestantes. Eu revirei os olhos ao lembrar. Roupas que eu ignorei completamente até hoje, quando peguei a primeira calça que avistei. Emmett não ficou muito satisfeito ao me ver vestida assim, mas aparentemente decidiu que não seria uma boa ideia discutir isso.

-... Você precisa de uma alimentação adequada e mais do que nunca, repouso absoluto. – a voz de Dr. James tomava os meus ouvidos e por mais que eu tentasse focar-me apenas nela, eu ainda travava uma guerra interna com todas as minhas lembranças, os meus sonhos, o meu desejo e acima de tudo com a saudade esmagadora que parecia me sufocar.

- Eu realmente acho que no seu caso, a melhor opção seria que você se internasse até o parto.

Subitamente ergui minha cabeça e o encarei por longos minutos. Ele não poderia estar falando a serio. Eu não poderia ficar tanto tempo longe do apartamento... E se...

Eu só percebi o quanto as minhas mãos tremiam e que eu já voltava a chorar quando Emmett agarrou as minhas mãos e dizia alguma coisa que eu simplesmente não conseguia entender.

Eu apenas ouvia parcialmente o que Dr. James Stunner dizia, em meio à confusão que estava a minha mente.

- Bella, você não tem feito nada do que deveria, nada está adiantando. E como seu médico é meu dever te deixar ciente o quão perigoso é para você e para a sua filha continuar se afundando desse jeito nessa depressão. Você precisa compreender que nesse momento, isso seria o melhor. Aqui, você teria atendimento médico 24 horas, uma alimentação adequada, além de um bom atendimento psicológico a qualquer momento...

- Eu não preciso de um psicólogo. – falei tentando me colocar de pé, mas antes mesmo que eu desabasse, Emmett estava ao meu lado, me colocando sentada novamente.

- Bells... Se acalme um pouco, ok? Já falamos sobre isso... Você sabe que a verdade é que você precisa sim de um acompanhamento psicológico, é muita coisa pra lidar ao mesmo tempo e...

- Não! Nem mesmo você entende! Tudo o que eu preciso é dele.

Eu já estava soluçando e se antes eu mal conseguia conversar sem que o ar faltasse, agora eu sentia como se meus pulmões fossem explodir.

Eu fechei meus olhos, tentando me controlar. Eu sabia o que eu deveria fazer, mas eu simplesmente não conseguia. Inconscientemente levei minha mão até a minha barriga, tentando encontrar apoio, qualquer coisa que me acalmasse, que me trouxesse de volta, que me fizesse deixar todo esse pânico e desespero de lado...

Ainda de olhos fechados eu senti uma leve pontada na minha barriga e tudo ao meu redor simplesmente congelou. Eu abri meus olhos lentamente, e mesmo com a visão embaçada, encarei a minha barriga maravilhada. Eu conseguia sentir a minha bebê se mexer, eu conseguia ver que ela estava ali, viva dentro de mim.

Levei a minha mão esquerda até onde um pequeno montinho se formava por debaixo da camisa de Edward, que eu vestia como se fosse a minha armadura e fiquei ali, parada olhando pra minha mão, ainda com a aliança que ele me deu no meu dedo anelar, junto a minha barriga e o pequeno serzinho que estava me mostrando que eu precisava fazer algo, que eu precisava arranjar um jeito de continuar...

E foi exatamente nesse momento que eu percebi, que apesar de ainda amar Edward com todas as minhas forças, não seria a volta dele que me manteria viva, mas sim o meu bebê. Minha Jenny seria o que me traria de volta a vida.

Eu precisei de muito esforço para respirar fundo.

Logo em seguida ergui novamente minha cabeça e olhei firmemente para o Dr. James.

- Quais seriam as minhas opções Dr. Stunner? Todas elas...

- A melhor delas, seria que você se internasse. – ele respondeu cauteloso.

Eu me mantive firme.

- E as outras? Quero dizer... Existem outras, não é?

Eu ainda precisava me manter em casa, eu sabia que era uma loucura sem tamanho. Sabia que não adiantaria ficar trancada naquele apartamento, esperando que ele voltasse de uma hora pra outra, isso provavelmente nunca aconteceria. Mas eu ainda precisava me agarrar a esse fio de esperança, e a todas as coisas dele, que ainda estavam lá, do mesmo jeito que ele deixou, era como se tudo aquilo, de alguma forma, não me deixasse enlouquecer de vez, mas eu precisava cuidar dela, eu precisava me assegurar, que não importar o quão despedaçada eu estou, Jenny ainda nasceria bem.

- Eu não sei... Mas se eu... Se eu fizer absolutamente tudo... Tudo o que você disser e prometer me cuidar e tudo mais, eu ainda poderia ficar em casa?

Eu ouvi atentamente todos os prós e contras da minha permanência em casa, e me assustei ao perceber que existiam muito mais contras, mas me mantive firme.

Ao ver que eu não me renderia, Dr. James me passou todas as instruções e tanto Emmett quanto eu, ouvíamos a tudo com toda a nossa atenção.

- Você precisa estar ciente de que o repouso deve ser absoluto, nada de se levantar ou tentar caminhar sozinha... – ele fez uma pausa e suspirou antes de continuar. -... Infelizmente é assim que tem que ser. – Dr. James continuou ao notar o meu bico de insatisfação. – ou seja, você não deveria ficar sozinha, nem por um momento. Você está mais fraca do que deveria e eu preciso ser honesto com você. Você pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento, mas precisamos prolongar a sua gravidez o máximo possível, sua bebê está bem, mas dificilmente resistiria se nascesse agora, compreende isso? Bella, você entende os riscos?

Eu apenas balancei a minha cabeça concordando.

Emmett se remexeu inquieto.

- Eu vou cuidar para que ela fique o mínimo possível de tempo sozinha... – ele me olhou como se perguntando se eu tinha certeza e acredito que o olhar que eu devolvi deixou claro que eu não mudaria de ideia.

- Me desculpe Emm... Mas essa é uma decisão minha.

- Uma decisão idiota. Você sabe que se Edw...

Ele se calou antes de terminar a frase, mas eu sabia o que ele diria. "Se Edward estivesse aqui, ele jamais concordaria com isso." Mas naquele momento tudo o que eu pensei foi: dane-se o que Edward faria, ele não está aqui.

Mantive a minha cabeça erguida.

- Na verdade, você não deveria ficar sozinha, nem por um minuto... Pode ser nesse minuto que as contrações apareçam, e como eu já disse, há qualquer sinal de contração você tem que vir imediatamente ao hospital, precisamos começar o seu parto, antes que a sua bolsa estoure.

- Eu posso providenciar uma enfermeira para quando eu não estiver. – Emmett falou visivelmente cansado. Eu o olhei incrédula. – Você não decidiu que vai ficar em casa?

Eu abaixei a minha cabeça envergonhada por estar dando tanto trabalho e despesas a ele.

- Seria o melhor. — Dr. James concordou. – Bella você precisa se comprometer com isso, se alimentar como eu disser que deve, fazer repouso e não hesitar a vir ao hospital se qualquer coisa estiver fora do comum. E... – ele hesitou por um instante. – continuar se afundando assim, não vai ajudar em nada, pelo contrario. Você precisa dormir, dormir bem, repouso não é só ficar deitada o tempo todo, precisa se manter calma, tudo o que você sente, o seu bebê também sente, e isso tudo o que você tem descarregado sobre si mesma, só faz mal a vocês duas. – ele fez mais uma pausa, mas logo em seguida, sorriu daquela forma para mim e meu coração voltou a apertar. – Eu vou deixar o número do meu celular pessoal com você, não hesite em me ligar, não importe a hora ou o motivo, okay?

...

Eu já estava de volta ao meu quarto, mais uma vez jogada na cama, tentando assimilar tudo.

Emmett providenciou para que todos os meus medicamentos ficassem ao meu lado, na mesinha de cabeceira e também trouxe o telefone para o quarto, assim eu poderia falar com ele ou com o Dr. James quando ele não estivesse aqui.

Era bom ter Emmett por perto, ele estava se esforçando para que eu ficasse bem.

Era incrível ver o quanto ele parecia ter amadurecido, ou talvez nós é que nunca tivéssemos notado que ele nunca foi o crianção que todos julgavam.

- Então... Eu vou precisar ir até o hospital e providenciar algumas coisas... Mas eu prometo que volto logo e também vou providenciar ainda hoje a enfermeira. – ele falou depois de verificar que eu tinha tudo o que precisaria ao meu alcance.

- Emmett não precisa se preocupar tanto. Você tem a sua vida e não é justo que abra mão dela por minha causa. Eu prometo que vou ligar se alguma coisa estiver errada, mas não quero que fique preso aqui, comigo, quando poderia estar fazendo qualquer outra coisa.

- Mas eu não quero fazer qualquer outra coisa... Além do mais, quero ficar aqui e começar desde já a estragar essa menininha aí... – ele respondeu colocando a mão sobre a minha barriga.

Como se percebesse o que tinha acabado de acontecer, senti no momento em que Jenny se mexeu fazendo com que Emmett sorrisse.

- Acho que ela gosta de mim...

- É claro que gosta! – respondi. – ela já sabe que você é o melhor tio e padrinho que ela poderia ter...

- O que você disse? – ele perguntou com os olhos arregalados, sentando ao meu lado na cama. – padrinho? Eu vou mesmo poder ser o padrinho dela? Jura Bells? Ahh eu nunca tive um afilhado... Eu vou poder brincar com ela? E levar ela pra passear?

- Calma Emm... Você tá me confundindo. – o interrompi antes que ele não parasse mais de fazer perguntas. – é claro que você vai poder fazer tudo isso... Então, você aceita?

- Claro que eu aceito! – ele respondeu me dando um abraço, e logo em seguida se curvou sobre a minha barriga e a beijou também. – Viu só Jenny? – ele começou a falar e eu não consegui deixar de sorrir timidamente. – eu vou ser o seu padrinho, e vou fazer um monte de coisas legais com você, quando você nascer...

Eu fiquei por um momento vendo Emmett repousar a sua mão sobre a minha barriga e gargalhar toda a vez que Jenny a chutava, ouvi atentamente cada uma das muitas coisas que ele dizia a ela e eu não consegui evitar de me sentir despedaçar mais uma vez. De dor, tristeza, saudade e também raiva.

Isso não estava certo. Era ele quem deveria estar aqui, fazendo todas essas coisas.

Eu me virei na cama, ficando de costas para Emmett. Mas conseguir reprimir as minhas lágrimas, eu não choraria mais, não na frente dele.

Ele se aproximou e sem dizer mais nada deu um beijo na minha testa.

- Eu já volto, qualquer coisa é só me ligar.

...

Como havia prometido Emmett voltou logo, e trouxe consigo a Sra. Dinky.

- Elise trabalhou no nosso hospital por muito tempo... – Emmett me disse depois de nos apresentar.

- Na verdade, desde que você era só um bebezinho. – ela sorriu para Emmett e depois olhou pra mim. – eu já me aposentei, mas não consigo ficar em casa sem fazer nada, então eu tenho trabalhado como enfermeira particular e quando Emmett me disse que precisava de ajuda, eu fiquei muito feliz em ajudar... Seria ótimo ver um novo Cullen vir ao mundo.

- Não me leve a mal... – disse entre os dentes. – Mas a minha filha não será uma Cullen.

- Oh, claro me desculpe! – ela disse baixinho.

- Tudo bem... Me desculpe! – pedi sincera. – eu não quis ser grossa, mas já que estaremos juntas por um tempo, quero que saiba que Jennifer não terá esse nome. Ela terá apenas o meu nome.

...

Elise estava sempre comigo quando Emmett não estava, o que não era muito tempo. Eu estava começando a me perguntar como ele estava fazendo para dá contar de todos os seus pacientes e de Rosalie estando tanto tempo comigo. Na verdade, ele dormia a maioria das noites aqui.

O que de certa forma, foi bom para que eu conseguisse, ou menos, tentar me focar na decisão de seguir em frente por Jenny. Eu nunca chorava na frente dele ou de Elise, não importa o quão triste eu estava, eu tentava não deixar transparecer, é claro que sabia que eles conseguiam perceber, mas não falávamos sobre isso.

Os dias foram passando e eu inevitavelmente estava me sentindo mais cansada, apesar de estar seguindo a risca todas as recomendações do Dr. James.

Eu ainda me negava a usar qualquer outra coisa que não fosse as blusas de Edward, ou retirar a minha aliança. Mesmo com Elise fazendo questão de todos os dias, me amostrar os "lindos" vestidos que Emmett tinha comprado para mim, me dizendo que eu ficaria uma grávida linda vestindo algo mais feminino.

- Eu não vou a lugar nenhum mesmo Elise, que diferença faz... Quem vai me ver? – era o que eu sempre respondia.

- Talvez o Dr. James... – ela sempre respondia a mesma coisa, desde que as ligações do Dr. James se tornaram quase que diárias. Eu evitava atendê-las, não porque não gostasse de falar com ele, na verdade eu até conseguia me sentir um pouco melhor, acho que talvez estivéssemos nos tornando amigos, se eu desse alguma abertura para isso, mas a verdade é que eu não tinha a menor vontade de falar com absolutamente ninguém e todas às vezes em que o telefone tocava eu não conseguia deixar de sonhar com a possibilidade de ser uma ligação dele. Então, na maioria das vezes era Elise quem o atendia, ela parecia estar gostando disso. – Falando nele, ele já ligou hoje...

Eu a olhei com cara feia e como sempre ela apenas deu os ombros e se retirou. Mas no dia seguinte, após me trazer o café da manhã, ela voltou a me amostrar todos os vestidos e até me fazia sorrir com os seus comentários.

- Esse aqui – ela falou me amostrando um vestido florido, extremamente chamativo. – Oh, Céus! Esse não... Homens realmente não sabem comprar.

...

A minha barriga já estava bem maior e até mesmo as camisas de Edward estavam ficando pequenas.

Agora mais do que nunca eu precisava de ajuda para me levantar e voltar a me sentar, e até mesmo para conseguir achar uma posição em que ficasse mais fácil respirar.

- Hoje você tem que vestir alguma coisa decente... – Elise falou entrando no quarto depois que Emmett havia saído com a bandeja de café da manhã. – Hoje você vai sair e alguém vai ter ver... – ela piscou pra mim.

Eu revirei os olhos.

- Qualquer coisa serve, é só mais uma consulta do pré-natal.

- Olhe só pra isso? – ela apontou pra minha barriga que estava tampada por uma camisa completamente repuxada. – E além do mais, já deve ter acabado o estoque de camisas, porque você não me deixa lavar nenhuma delas...

Eu fechei meus olhos e me deitei de lado, tentando aspirar o cheiro dele na camisa que eu vestia, esse era o motivo que eu nunca deixava ninguém lavá-las. Eu precisava do cheiro dele.

Eu já quase não conseguia sentir, mas ainda sim, saber que ele tinha sido o último a usar, já me tranquilizava.

- Tenho certeza que ainda tem um monte... Eu mesma cuidava de todas as roupas dele, sei muito bem que camisas é o que não falta.

- Muito bem, muito bem... Mas vamos fazer isso ficar um pouquinho melhor, ok? Só hoje Bella, não custa nada...

- Isso foi o mesmo que você disse no mês passado... – falei lembrando de todo o discurso que ela usou há um mês, quando eu estava me arrumando para a minha segunda consulta com o Dr. James.

- E você não me ouviu.

Eu continuei deitada na cama, a vendo remexer no closet e depois de vários minutos ela parou de frente para mim segurando uma saia preta, que eu tinha certeza que não caberia em mim e uma das blusas sociais de Edward.

Eu pensei em reclamar e mais uma vez me negar, mas por fim decidi que não faria diferença. Ela me ajudou a me vestir e no fim, a roupa realmente tinha ficado muito melhor do que tudo o que eu estava usando nos últimos meses.

Elise deixou os três primeiros botões da camisa aberta, deixando o meu colo de fora, os meios seios que já estavam um pouco maiores ficaram um pouco mais valorizados – segundo ela -, a saia serviu perfeitamente o que me fez lembrar que eu não estava ganhando peso como deveria — o que certamente seria mais um motivo de bronca do Dr. Sturnn, ou James, como ele vinha insistindo que eu o chamasse – Elise manteve a barra da blusa por dentro da saia, deixando um pouco de espaço livre pra minha barriga, que não ficou tão apertada quanto ficava quando eu usava as blusas comuns. Ela ajeitou o meu cabelo e o colocou pra trás usando uma fita verde, que caia pelas minhas costas.

- Ahh bem melhor assim, combinou com os seus olhos... – ela falou apontando para o meu cabelo e eu dei de ombros. Não me importava com nada disso.

- Uauu quem é você e o que fez com a minha cunhadinha? – Emmett entrou no quarto e passou por Elise, piscou para ela e se sentou ao meu lado.

- Já falei para parar de me chamar assim... – respondi mal humorada.

Ele ignorou o meu comentário e se voltou para Elise.

- Como conseguiu esse milagre?

Eu bufei.

Elise apenas sorriu pra Emmett e logo em seguida saiu do quarto nos deixando a sós.

- Então, está pronta para irmos?

- Só preciso dos meus...

- Sapatos? – ele completou como uma pergunta, já segurando as minhas sapatilhas e me ajudando a calçá-las.

- Isso é tão constrangedor... Ter que pedir ajuda para absolutamente tudo.

- Você sabe que eu não me importo...

- Ainda sim, não é a sua obrigação... – eu parei por um minuto, pensado se essa seria uma obrigação dele, cheguei à conclusão que não, mas ainda assim, não consegui deixar de sentir a minha raiva aumentar um pouco mais... Ele deveria estar aqui. – e provavelmente você tem coisas mais importantes para fazer.

- Estou cuidando da minha paciente predileta... – ele respondeu e alisou a minha barriga.

Eu me afastei um pouco. Não é como se eu não quisesse que ele tocasse a minha barriga, mas eu não podia deixar de sentir como se ele estivesse tentando ocupar um lugar que não era dele.

- Desculpe... – Emmett disse me estendendo a mão. – acho que agora podemos ir, certo?

...

A consulta com Dr. James foi como todas as outras... Fizemos um novo ultrassom, e ele felizmente me garantiu que Jenny estava bem. Ele me pesou e mais uma vez reclamou que eu não tinha ganhado peso, apesar de estar seguindo a risca toda a dieta que ele me passou, e mais uma vez ele voltou a insistir que eu me internasse, agora que a possibilidade de que Jennifer nasça a qualquer instante está ainda maior, já que como ele mesmo me explicou, em uma gravidez como a minha é muito comum que o parto aconteça antes dos 9 meses e como eu já havia completado sete, ele temia que eu pudesse entrar em trabalho de parto a qualquer instante.

Mais uma vez eu me neguei e ele desistiu da discussão visivelmente contrariado.

- Por favor Bella, fique atenta a qualquer sinal de que alguma coisa está errada e lembre-se que estou a sua disposição.

Eu assenti e Emmett me ajudou a levantar. Eu levei muito mais tempo para conseguir caminhar até a porta e antes mesmo de chegar até lá, já me sentia sem fôlego. Ouvi no momento em que o celular de Emmetr apitou, mas ele continuou a me apoiar e o ignorou. Eu me escorrei na porta e fiz um sinal com a cabeça para que ele retornasse a ligação.

Dr. James rapidamente veio até o nosso encontro.

- Tudo bem, eu a ajudo... – ele falou gentilmente passando o braço pela minha cintura, tentando me dar algum suporte. Eu estremeci ao sentir o toque dele. Nenhum homem, além de Emmett, havia me tocado desde que... Eu respirei fundo e naquele momento tudo o que eu queria era conseguir andar como todas as outras pessoas, sem precisar da ajuda de ninguém e principalmente sem sentir toda essa avalanche de sentimentos que me atingiu no momento em que Dr. James enlaçou a minha cintura. – Pode apoiar o seu peso em mim.

- Dr. Stur...- comecei a dizer.

- Você pode me chamar só de James... – ele sorriu pra mim e eu odiei a proximidade dos nossos rostos e odiei mais ainda a reação idiota do meu coração que parecia querer sair do peito de tão rápido que batia. Por que ele me lembrava tanto ele? E por que essa lembrança estava ao mesmo tempo me machucando e de alguma forma, me mantendo sã? – Se preferir, eu posso carregá-la.

- Não! – me apressei em discordar. – Só... Por favor, só me ajude a chegar a aquelas cadeiras no corredor.

Emmett abriu a porta para nós e esperou até que Dr. James me ajudasse a me sentar em um das cadeiras que ficavam ao lado da porta do seu consultório. Eu vi no momento em que algumas outras mulheres, grávidas como eu, que esperavam a sua vez para prosseguirem com o pré-natal, me olharam e eu abaixei a cabeça tentando esconder a minha vergonha.

- Você vai ficar bem? – Dr. James perguntou baixou, tão próximo do meu ouvido que eu pude sentir a sua respiração.

Eu apenas assenti.

- E Bella... – ele falou ainda no mesmo tom de voz. – Você está linda hoje. -Ele, então, sorriu novamente pra mim e voltou para dentro do seu consultório.

Eu levantei o meu rosto, procurando por Emmett, e o encontrei do outro lado do corredor, falando ao telefone, ele logo veio até mim, ao notar que eu estava sozinha.

- É a mãe de um dos meus pacientes... – ele me falou, afastando o celular do ouvido por uns segundos. – vai ficar bem sozinha por alguns minutos? Só enquanto passo algumas instruções...

- Tudo bem, Emm.

Ele se baixou e beijou a minha testa, passou a mão levemente pela minha barriga e novamente voltou a sua atenção para o telefone celular.

- Vocês são lindos juntos... – uma das pacientes do Dr. James, que estava sentada ao meu lado, disse suavemente.

Eu a olhei esperando que ela continuasse.

- Você e o seu marido... – ela olhou para Emmett, que continuava ao telefone, mas não tirava os olhos de onde eu estava. – ele não tira os olhos de você.

Eu desviei o meu olhar e sem conseguir evitar, as malditas lágrimas estavam de volta.

- Ele... ele não é o meu marido. – respondi apertando a minha aliança.

- Oh.. me desc...

- O que houve? – Emmett perguntou apreensivo se ajoelhando a minha frente.

- Me desculpe, eu sinto muito. –a mulher ao meu lado voltou a falar.

Emmett levou a sua mão, até as minhas e delicadamente me fez soltar a aliança que eu apertava como se nada mais existisse.

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Música pro post

Addicted – Kelly Clarckson

http://www.youtube.com/watch?v=ngr95z2T6Po

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" É como se você fosse uma droga
É como se você fosse um demônio que eu não consigo encarar”

Eu só conseguia perceber que as minhas lágrimas aumentavam ao mesmo tempo em que uma dor absurda crescia no meu peito a cada segundo.

Eu tinha uma vaga ideia de que Emmett permanecia ao meu lado, e tentava falar comigo, mas eu não conseguia enxergar nada que não fosse o rosto dele, ou ouvir qualquer outra coisa que não fosse a lembrança da voz dele.

Edward!

Edward!

Edward!

Não importa o quanto eu tentasse eu continuava a me afundar mais e mais...

" É como se eu estivesse presa
É como se eu estivesse fugindo de você todo o tempo

É como se a única companhia que eu procuro
fosse miséria por todos os cantos

Era impossível lutar contra a saudade esmagadora que sentia e muito menos contra a dor que essa saudade me trazia, mas também estava ficando cada vez mais difícil reprimir a crescente raiva que havia dentro de mim.

- Eu o odeio! Odeio! – eu me ouvi repetir.

"É como se você fosse um sanguessuga
Sugando a minha vida
É como se eu não pudesse respirar
sem você dentro de mim

Logo em seguida, senti quando Emmet me pegou no colo. Eu não lutei contra ele, ou tentei me esconder de vergonha. Apenas deixei que minha cabeça tombasse em seu ombro e continuei ali chorando tanto que chegava a soluçar e repetindo incansáveis vezes o quanto eu o odiava, talvez, tentando convencer a mim mesma disso.

Dor.

Dor.

Dor.

Era a única coisa que eu sentia. Muito mais dor emocional do que física.

" É como se eu não pudesse ver nada
Nada além de você
Eu estou viciada em você
É como se eu não conseguisse pensar
sem você me interromper
Você tomou conta de mim

Mesmo insistindo em dizer repetidas vezes que eu odiava Edward, o meu coração insistia em dizer o contrário.

Eu não conseguia me tranquilizar. Minhas mãos iam da minha barriga para minha aliança constantemente. Eu queria gritar! Soltar tudo o que estava engasgado na minha garganta, mas todas as vezes que eu tentava a minha voz falhava. As únicas palavras que eu conseguia dizer eram: — Eu o odeio! – mesmo contrariando o meu coração, que contra a minha vontade batia com dificuldade desde o maldito dia em que ele foi embora.

Ele foi embora. Começou a ecoar na minha mente. Foi embora, sem nenhuma explicação. Sem me dar qualquer justificativa, qualquer noticia...

"É como se eu não fosse mais eu

É como se eu estivesse perdida

Não sei quanto tempo tinha passado. Mas eu já podia sentir o meu corpo trêmulo sobre a cama macia, que a minha mente entorpecida reconheceu imediatamente como sendo a nossa cama. Eu ainda podia sentir o calor dele ali, o cheiro dele...

- Bella? Querida você precisa se acalmar...

- Bells... Bells por favor, você tá me deixando preocupado...

"É como se eu estivesse desistindo devagar
é como se você fosse um fantasma me assombrando
Deixe-me em paz

Eu não conseguia responder. Eu nem sequer conseguia parar de chorar. Eu já estava completamente sem ar, todo o meu corpo tremia violentamente, minha cabeça parecia pesar uma tonelada, mas as lágrimas simplesmente não tinham fim. E eu continuava a vê-lo através das minhas memórias.

Malditos fantasmas que não me deixavam em paz.

- Emmett, talvez seja melhor ligarmos para o Dr. James.

- Bells? Por favor, irmãzinha... Droga, Bella, pensa na Jenny... Na sua pequena...

Jenny.

Edward!

Jenny!

Edward!

Meus pensamentos iam de um ao outro, sem me darem tempo se quer para respirar.

Eu já tinha passado de todos os meus limites. Eu só queria que tudo isso tivesse um fim logo. Eu queria não ter que lutar mais, eu queria não ter que fingir mais, eu não queria ter que sobreviver mais, mas acima de tudo eu não queria amá-lo mais.

Por que Edward? Por que está fazendo isso tudo comigo?

- Eu o odeio! – gritei mais uma vez.

Mas meu coração idiota respondeu com uma pontada tão forte que eu precisei ofegar inúmeras vezes até conseguir novamente voltar a respirar.

"Eu estou viciada em você
Eu preciso de uma dose..."

Eu senti no momento em que Emmett me envolveu em um abraço, e ficou ali apenas acariciando a minha barriga e dizendo suavemente no meu ouvido:

- Tudo bem Bells... Eu acredito que você o odeia.

O problema era quem nem mesmo eu conseguia acreditar.

Emmett me abraçou mais forte e ficou em silencio por algum tempo, enquanto eu continuava a chorar. Então ele simplesmente se colocou ajoelhado ao meu lado na cama e mais uma vez voltou a sua mão até a minha barriga e como se não lembrasse que eu continuava ali, ele começou a falar suavemente com Jenny. Eu senti como se fosse morrer.

- Tudo bem Jenny... Seu pai é um completo idiota, mas você não precisa se preocupar com isso porque eu e sua mãe estamos aqui... – ele fez uma pausa e deu um falso sorriso. Mesmo sem perceber meus soluços pareceram diminuir. – é... ela só tá um pouquinho nervosa... – ele voltou a falar como se estivesse respondendo a alguma perguntar. Eu quis gritar e mandar que ele parasse, mas eu só fechei meus olhos, e apesar de ainda sentir as lágrimas rolarem pelo meu rosto, numa palavra ou som saia da minha boca. – Viu? Ela já está se acalmando... Eu acho que nós devíamos comemorar, o que acha? Ahh claro... Brincando é claro! O que sugere? – Emmett fez mais uma pausa e eu instintivamente abracei a minha barriga e rolei na cama, tentando lutar contra o turbilhão de lembranças, sentimentos, dor que me atingiam. Senti no momento em que Jenny se mexeu, e pude sentir seu pezinho contra a minha barriga. – Ohh não... Eu não acho que brincar de chutar seja uma boa idéia agora. – Emmett falou com seu rosto tão próximo da minha barriga que eu quase senti a sua respiração. Como se ela tivesse sido capaz de entender o que ele disse, ela simplesmente parou de se mexer e eu abri os meus olhos pesados, encontrando o olhar atento de Emmett e Elise sobre mim.

Voltei a rolar na cama e lutei para respirar fundo. Depois usei todas as minhas forças para tentar me sentar. Rapidamente Elise me apoiou e antes mesmo que conseguisse me sentar, comecei a tirar a blusa.

- Bells? – Emmett me chamou.

Eu o ignorei.

- Tire isso de mim. – falei olhando pra Elise. – Tire isso! Jogue tudo fora, queime faça o que quiser... Eu não quero mais nada que me lembre ele. Eu o quero morto! Morto pra mim...

Nem ela ou Emmett disseram nada. Elise apenas me ajudou a tirar a camisa de Edward, e no momento em que eu a vi se virar para sair do quarto, levando-a consigo, meu coração voltou a apertar.

- Merda! – murmurei cansada.

Eu me encolhi um pouco, mas logo senti quando ela parou novamente ao meu lado na cama e colocou a camisa de volta ao meu lado.

Eu nem sequer pensei por um segundo e a peguei de volta a apertando com todas as minhas forças.

- Eu te odeio! – repeti mais uma vez, sufocando minha voz no pano macio da camisa, tão baixo que eu mesma quase não ouvi.

Em seguida eu voltei meu olhar pra Emmett.

- Por favor, me deixei sozinha...

- Bells, eu não acho que seja uma...

- Por favor! – repeti.

Ele então se levantou e saiu do quarto seguido por Elise.

Eu apertei um pouco mais a camisa em minha uma de minhas mãos e levei a mão livre até a mesa de cabeceira e alcancei o telefone.

Pela primeira vez liguei para James.

Eu não contei a ele, sobre minha crise, sobre como eu estava confusa, sobre como eu estava terrivelmente cansada. Mas foi renovador perceber que ele ficou feliz em saber que eu estava ligando sem nenhum motivo especifico. Conversamos apenas sobre Jenny. Eu falei sobre como ela parecia entender tudo o que Emmett dizia a ela, sobre como ela respondia chutando a minha barriga, sobre como ela era o que me mantinha sã.

A minha voz estava um pouco rouca, e minha consciência gritava comigo, me dizendo que eu estava agindo muito errado... Mas pela primeira vez em muito tempo eu não estava me importando com mais nada que não fosse me sentir bem.

- Eu fico feliz que você tenha ligado, Bella. – ele me disse assim que eu decidi que já estava calma o suficiente para encerrar a ligação.

- Eu peço desculpas, se o atrapalhei...

- Ohh nada disso. Mesmo não me dizendo o que aconteceu, posso perceber pela sua voz que algo aconteceu, mas não imagina o quanto eu fico contente em saber que falar comigo de alguma forma a ajuda.

- Obrigada Dr. James! – falei e assim como não dei nenhuma explicação para ter feito a ligação, encerrei a mesma.

As horas se passaram, e, muito, mas muito lentamente, eu ia me acalmando. De tempos em tempos Elise e Emmett apareciam no quarto para verificar como eu estava. Assim que desliguei o telefone, recoloquei a camisa de Edward em meu corpo, como um soldado que coloca seu escudo. Aquele era meu escudo. O resto do cheiro de Edward era o que mantinha minha sanidade. Durante muitas vezes naquele dia, vi o celular de Emmett tocar, com uma frequência maior do que o normal, mas, a dor que consumia meu peito me impedia de ao menos perguntar sobre seus problemas, afinal, era no mínimo estranho que ele passasse a maior parte de seu tempo fora do hospital comigo, enquanto Rosalie esperava por ele em casa. Emm nunca entrou em detalhes sobre o que aconteceu entre ele e Rose, mas, desde que Edward foi embora, ele praticamente se mudou para o apartamento comigo.

...

Elise tinha acabado de levar um prato com sopa para mim, quando o telefone tocou. Automaticamente, esperei que alguém atendesse, mas, como ninguém fez até o terceiro toque, peguei o aparelho.

- Alô. – tentei falar com a voz o mais forte possível, pois, ultimamente ela não passava de um sussurro.

– Alô... Quem está falando? – apenas ouvia uma respiração ao fundo — Olha, quer dizer logo o que quer?... – apenas a ruidosa respiração permanecia.

– Alô... – Voltei a repetir. Mas, por um instante, meu coração apertou e pensei que talvez fosse Edward do outro lado da linha.

– Ed...Edward é você?... Edward... – O silêncio que permanecia do outro lado da linha, era sufocante para mim, e eu já estava novamente inquieta, completamente entregue a todas aquelas sensações... a todo aquele desespero.

- Edward é você, não é? Eu sei que é... — as lágrimas que tentei a todo custo segurar escorriam livremente por meu rosto — Você tem que voltar Edward... por mim... por nós... –, e, a cada palavra, os soluços contidos se faziam mais presentes — Edward... – eu lutei contra os meus pulmões que pareciam queimar e respirei fundo, me preparando para o que eu faria. Eu... eu precisava dizer... minha razão gritava que deveria apenas desligar o telefone e esquecer tudo, mas meu coração dizia que era ele, e eu precisava dizer, eu não aguentava mais... eu precisava dele aqui comigo, mais do que eu gostaria de admitir. -... Eu estou grávida... Por favor, por favor, volte... – minhas mãos tremiam e agora, eu mal conseguia segurar o telefone – Me perdoe, por favor... Eu não podia ter contado a você sobre Carlisle do jeito que contei... Me perdoe... apenas volte – Nesse momento senti uma forte pontada nas costas e não consegui conter um gemido.

- Bel... Bella...

- Por Deus Edward – outra pontada e outro gemido, desta vez mais alto – volte — A dor tomou conta de mim. Tudo começou a girar. Tentei me apoiar na mesinha do telefone, mas cai no chão inconsciente, com o telefone ao meu lado.

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Edward Cullen

"A última vez que nos falamos,
A noite que eu parti
Queima como uma luz
atrás da minha cabeça
Eu devo estar chapado
Para dizer você e eu
Não era pra ser

Oh, porque eu duvidei de você?
Você sabe que eu morrerei sem você aqui

Eu sei que não existe vida depois de você."


Life after you – Daughtry

http://www.youtube.com/watch?v=Cvm2OYF2p7E&ob=av2e

A duvida tomava conta de mim, O que estaria acontecendo com Bella para ela precisar de ajuda para se levantar?

Pensei em ligar para Emmett de novo, perguntar o que estava acontecendo, mas suas palavras foram bem claras:

"Isso é tudo o que posso te dizer sem que ela me odeie também... Não vai ser fácil... Mas você precisa voltar."

Essa era uma das principais características de Emmett. Ele poderia ser infantil, e agir como um irmão-urso, mas também podia ser extremamente responsável. De fato, Emmett era muito mais maduro que eu em muitos pontos. Ele se mostrou mais interessado do que eu com os problemas de Bella, quando morávamos juntos. Não é que eu não me importasse, mas, estava tão preocupado em atender aos caprichos loucos de Carlisle que não me sobrava tempo nem para cuidar de Bella. E cada dia que se passava, ela ficava mais só naquele apartamento.

"Durante todo esse tempo você apenas me usou como um enfeite. Algo para mostrar o que o grande cirurgião Edward Cullen tem para se exibir por aí... Eu estava sozinha! Ah mais isso já faz parte da minha vida não é? Durante todo esse tempo eu fiquei sozinha... Noites e dias sozinha e você se divertindo as minha costas. E eu aqui sempre te esperando de braços abertos todos os dias... Te amando, dando a você todo o meu amor, o meu carinho... E quando eu realmente preciso de você, eu não posso contar. Porque você não pode ser o médico comigo."

Ela estava certa, quando me disse tudo isso. Não que eu a tivesse usado como um enfeite. Deus sabe que não. Mas eu.. eu realmente a deixei sozinha, eu não compri o que prometi a Charlie, quando disse que cuidaria dela, cuidaria dela, melhor do que ele. Eu fui, apenas, o pior para ela...

"- Não foi isso o que eu ouvi durante aquele casamento. Enquanto eu chorava de dor, eu ainda fui obrigada a ouvir as duas comemorarem pelo lindo jantar romântico que vocês tiveram. Ou você vai negar isso também?”

Eu deveria apenas, ter me acalmado, ter deixado que ela também se acalmasse e ter explicado a ela tudo... melhor do que isso, eu deveria ter dito tudo, desde o início. Eu deveria ter contado a ela, sobre esse jantar, maldito jantar, eu não deveria jamais ter aceitado participar.

“Talvez você tenha achado que toda a minha humilhação era muito pouca... Mas sabe quem contribuiu para que ela ficasse ainda maior? O seu querido papai Carlisle.

-Chega! – Gritei exasperado. Como ela podia por o nome de meu pai no meio – você está passando dos limites...”

Como eu pude ter sido tão cego? Como eu pude acreditar que Carlisle, estivesse acima do bem e do mal, como eu pude colocá-lo acima de nós?

“- Não Edward. Vamos lá... Vamos por tudo em pratos limpos. Deixe-me te contar quem é a sua família de verdade.

- Deixe minha família fora disso ou vamos chegar a um ponto em que não terá mais volta.”

Eu quis defender a minha família, o único problema, foi não ter percebido a tempo, que Bella era a minha única família de verdade, a única que valia a pena.

“- Oh nós já chegamos nesse ponto há muito tempo. Quando o seu querido pai teve a coragem de vir até aqui, nessa mesma casa, me oferecer dinheiro para sair da sua vida.

- Carlisle jamais faria isso!

- Mas ele fez...

- Carlisle jamais agiria assim... – Meu pai é um homem integro Isabella, nem mesmo você tem o direito de tentar desonrá-lo dessa maneira.

- Eu sinto muito, se estou destruindo a imagem de homem perfeito, que você criou para o seu pai Edward. Mas integro é algo que ele não é!

- Aonde você quer chegar com tudo isso?”

Como eu não enxerguei o mal que todos estavam fazendo ela? Como não percebi o mal que eu estava fazendo a ela?

“- Eu estou apenas... apenas... estou apenas, te dizendo tudo o que estava entalado na minha garganta durante todo esse tempo. Seu pai nunca me achou digna de ser uma Cullen... e pelo visto você também não, já que nem o seu sobrenome você me deu oficialmente.

- Um sobrenome que você está deixando bem claro, o quanto odeia. Talvez meu pai estivesse certo durante todo esse tempo..."

Ainda não consigo acreditar que fui estúpido ao ponto de brigar com ela por Carlisle. De não acreditar em suas palavras, e de, ainda dar razão a ele no fim de tudo.

E a preocupação com o que poderia estar acontecendo com Bella tomava minha mente, ainda mais com a convivencia com Claire, pois, aquela menina, que não tinha nenhum laço com minha Bella, se mostrava cada vez mais parecida com ela. Uma alma de guerreira em um corpo de menina.

Devo admitir que, de inicio, achei loucura da parte dela não aceitar a internação, mas, pelo menos assim, consegui mais uma atividade para quando estivesse fora do hospital. E, em uma tarde na casa dela, suas palavras entraram fundo em minha alma, aquelas palavras não pareciam ser ditas por ela, mas por uma outra pessoa: pela minha Bella.

Ela disse a seguinte frase:

"Sim, sim, é uma situação complicada, e, sem Seth, não sei se teria forças para suportar tudo... afinal, eu já não tenho pai nem mãe, e ter que encarar tudo sozinha... se isso acontecesse, eu provavelmente enlouqueceria."

Ter de enfrentar tudo sozinha.

Claire não falava apenas do bebê, mas de tudo. Da vida, da escolha de uma carreira, compartilhar emoções...

Eu esperava sinceramente que Emmett estivesse cuidando de Bella, mas, no fim das contas, Bella estava só. Porque eu a deixei só. E, sua voz fraca, que ouvi quando liguei para Emmett, me atormentava.

Eu já não estava mais agüentando de dor, culpa e saudade. Minhas mãos passavam constantemente pelo celular, tentando controlar o impulso de ligar para ela ou de pegar o primeiro avião de volta e implorar por seu perdão. Mas, eu não tinha o direito de fazer isso. Não depois do que Carlisle fez.

Não é como se ela não fosse boa o suficiente para ser uma Cullen, mas, os Cullens que não mereciam um anjo como ela.

Creio que nem eu faria a serie de sacrifícios que ela fez por mim. Na verdade, não só por mim, mas por todos nós.

A verdade é que eu conseguiria retomar minha carreira no Brasil, se ela decidisse ficar lá, mas ela, para permitir que eu seguisse o sonho de Carlisle, abandonou tudo e veio comigo. Para acabar sendo tratada como um peso morto ou um ser inferior pelos Cullen.

Eu precisava ouvir sua voz, uma vez apenas. Mesmo que seja por poucos instantes, numa gravação da secretária eletrônica. E, nesse desespero, disquei a famosa combinação de números do apartamento, para ouvir sua doce voz na secretaria eletrônica.

Primeiro toque...

A ansiedade tinha tomado o lugar de toda a minha razão.

Segundo toque...

Estava cada vez mais claro, em minha mente, que eu necessitava dela. Eu precisava de Bella, tanto quanto, eu precisava de ar.

Terceiro toque...

- Alô... – Sua voz me pegou de surpresa. Eu não esperava falar com ela. Eu não sabia como deveria agir... eu deveria falar com ela? Mas sua voz... a sua voz era tão melodiosa quanto conseguia lembrar, mas estava estranhamente fraca — Ed...Edward é você?... Edward...

Uma enxurrada de emoções passavam por dentro de mim, apenas de ouvir por alguns instantes sua voz. Como um oásis no deserto. Era como se estivesse em casa novamente.

- Edward é você, não é? Eu sei que é... — Você tem que voltar Edward... por mim... por nós... — suas palavras eram carregadas de dor e saudade. Uma saudade que eu também sentia, mas que não podia diminuir.

-... Eu estou grávida... Por favor, por favor, volte...

- Me perdoe, por favor... Eu não podia ter contado a você sobre Carlisle do jeito que contei... Me perdoe... apenas volte.

E, naquele instante, foi como se um trator passasse sobre mim.

Grávida?

Um filho meu...

Era meu sonho se tornando realidade, Bella carregando um filho meu. Mas sua voz está tão fraca, praticamente um sussurro.

Até que ouvi um gemido, mas não era qualquer gemido, era o seu gemido.

-Bel...Bella

-Por Deus Edward, volte.

Ouvi mais um gemido, desta vez mais alto que o anterior e um baque surdo no chão.

- Bella? Bella? — comecei a gritar no telefone, procurando uma resposta, mas apenas o silencio era ouvido.

Deus, o que será que aconteceu com Bella? Teria alguem para socorre-la?

Chamei mais uma vez e ninguém respondeu, então, resolvi ligar para a única pessoa que poderia ajuda-la: Emmett.

Enquanto ouvia os toques do telefone, o desespero tomava conta de meu ser. Qualquer coisa poderia ter acontecido com Bella. Ela poderia estar ferida, o bebê poderia estar ferido também.

Eu não me perdoaria se algo, qualquer coisa, acontecesse a eles.

CONTINUA...

Notas finais
Olá? Como estão?
Muito obrigada por todos os reviews. Vocês são incriveis!
xoxo