Survivor
18 Capítulo 18 - Momentos desesperados pedem medidas
Notas iniciais
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Momentos desesperados pedem medidas desesperadas
"Eu não posso achar um jeito para descrever isso
Está lá dentro,
tudo que eu faço é esconder
Eu desejo apenas que isso vá embora
O que você iria fazer,
se você soubesse?
Eu sinto como se estivesse sozinha
Por mim mesma eu preciso tornar-me conhecida
Minhas palavras são frias, eu não quero que elas machuquem você
Se eu mostrar a você, eu não acho que você entenderá
Porque ninguém entende
Toda a dor que eu pensava que eu conhecia
Todos meus pensamentos se voltam para você
De volta para o que nunca foi dito
De um lado para o outro dentro da minha cabeça
Eu não posso lidar com essa confusão
Eu sou incapaz, venha e me leve embora"
Take me away – Avril Lavigne
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Bella Swan
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Depois que Edward havia me beijado, beijo esse que eu correspondi – o que só me fazia sentir ainda mais fraca. Cheguei à conclusão que eu precisaria tomar uma decisão o mais rápido possível.
Eu não poderia negar o sentimento que ainda nutria por ele, muito menos a extensão e força desse sentimento. Ou a forma como eu ainda era dependente dele.
Então eu precisava decidir se engoliria o meu orgulho e amor próprio e aceitaria Edward de volta mesmo correndo o risco de ser machucada novamente, mas para isso eu ainda deveria lembrar que dessa vez eu não seria a única a sair ferida. E Jenny, era o que mais importava nessa escolha.
Ou eu começaria a fazer algo, de fato, que se não tirasse Edward completamente da minha mente, pelo menos, o afastaria fisicamente de mim.
E foi depois de pensar muito em todos os prós e contras que eu decidi que eu faria Edward se afastar, nem que para isso eu precisar mentir e fazê-lo acreditar que eu realmente não o amava mais.
É exatamente por isso que eu estou parada de frente a portaria do meu prédio, vestindo algo escolhido por Alice, esperando que James chegue e me leve para jantar.
Eu sabia que qualquer uma das duas decisões me feriria no final. Afinal, Edward ficaria decepcionado? Eu não sei bem como ele ficaria quando soubesse que eu resolvi aceitar as investidas de James e, é claro, que ele saberia. Já que eu pedi a Alice que ficasse com Jenny por algumas horas e depois de ela me fazer um turbilhão de perguntas eu disse que tinha um encontro com James. Ela pareceu um pouco chateada com isso, mas logo em seguida correu para o meu quarto e me fez prometer que eu deixaria que ela me arrumasse.
Por um momento eu pensei que ela tentaria me deixar mais feia do que eu estou. Não que eu sempre tenha me visto como o patinho feio. Eu tenho consciência das minhas qualidades e do que despertou a atenção de Edward, quando nos conhecemos. Mas, com tudo o que eu passei nos últimos meses, eu, agora, estava longe de ser a mesma mulher atraente que um dia o conquistou.
Se é que eu realmente o conquistei.
Mas olhando para o tubinho preto que eu usava e passando os dedos pelos meus cabelos negros que estavam incrivelmente brilhantes, eu percebi que Alice poderia voltar a ser uma boa amiga, mesmo depois que Edward estivesse fora da minha vida.
...
Eu estava começando a ficar nervosa e em duvida se tinha tomado a decisão certa, e o fato de continuar pensando em Edward a todo o momento só piorava tudo.
Eu senti meu pé começar a tamborilar no chão e cogitei a idéia de voltar correndo para o apartamento e esquecer essa idéia maluca.
Eu sabia que esse encontro seria no mínimo constrangedor.
Não era segredo que James desejava ter algo mais do amizade comigo, e por mais que ele fosse realmente atraente e ele é, assim como é um cavalheiro a moda antiga. Irresistivelmente apaixonante. Eu provavelmente me apaixonaria por ele, se não estivesse tão obcecada por Edward.
Pelo menos eu fui bem clara quando liguei para James e levantei a possibilidade de nos vermos.
Também não era segredo para ninguém, mesmo que eu tente me enganar com relação a isso, que eu ainda estava ligada a Edward. E, eu fiz questão de deixar isso bem claro para James.
Ele garantiu que não se importava e que no mínimo teríamos uma noite interessante. Mas, ainda assim, eu sabia que essa noite se resumiria em uma palavra: estranha.
O carro de James parando a minha frente me despertou e eu respirei fundo endireitando a minha postura e andei apressadamente em direção ao carro, eu pude ver que James estava soltando seu cinto de segurança e provavelmente viria abrir a porta para mim, então eu me apressei e abri eu mesma a porta do carona e imediatamente me sentei.
Eu não precisava que ele começasse a fazer as mesmas coisas que Edward costumava fazer quando saiamos juntos. Isso só pioraria as coisas.
– Oi. – disse me odiando por sentir meu rosto queimar.
– Olá Bella. – ela falou animado e voltou a se posicionar no banco.
Ele se inclinou em minha direção e eu sabia o que ele tentaria, mas beijá-lo não era algo que eu estivesse disposta, ainda. Talvez mais tarde quando eu já estivesse alcoolizada. Então, eu virei o meu rosto e ele acabou beijando a minha bochecha.
Eu sorri fracamente para ele.
– Eu pensei em um lugar perfeito para te levar. – James começou a falar. – Tenho certeza que você vai gostar e fica a menos de 10 minutos daqui.
Eu assenti, mas sabia que provavelmente odiaria o restaurante. Já que seria bem possível que ele estivesse me levando para um dos muitos restaurantes que eu costumava freqüentar com Edward, já que ficava tão próximo de casa.
Quando chegamos, eu tive certeza que a noite seria um fracasso.
– Um restaurante brasileiro para uma brasileira de coração.
Era o mesmo restaurante brasileiro onde Edward e eu costumávamos freqüentar quase semanalmente nos nossos primeiros meses juntos.
Ele costumava dizer que era para não esquecermos do lugar que nos uniu.
Eu quis gritar que nenhuma lugar poderia ser pior do que isso. Mas, o sorriso no rosto de James me deixou extremamente constrangida. Então, eu tentei sorrir de volta e agradeci.
Tudo ficou ainda pior quando percebi qual seria nossa mesa.
Eu estava começando a desconfiar que ele tinha pegado uma lista com Edward sobre o que fazer para fazer me lembrar dele a noite inteira.
Mas, como isso seria impossível. Eu balancei minha cabeça e toquei docemente no braço do maitre que nos acompanhava.
– Não podemos ficar com alguma mesa aqui dentro? – pedi baixo.
James me mandou um olhar confuso e eu tentei explicar.
– Está um pouco frio lá fora. – disse tentando não soar tão desesperada.
– Desculpe, senhora – o maitre respondeu educadamente. – Mas, essa foi a mesa que o Sr. reservou e é a única que temos disponível essa noite. E bom, é a nossa melhor mesa.
Eu conseguir impedir um suspiro frustrado e dei os últimos passos em direção a linda mesa que ficava em um espécie de varanda, separada das demais.
O vento frio bateu no meu rosto, balançando meus cabelos e eu fechei meus olhos com força quando pude ver claramente a imagem de Edward na minha frente.
Esse encontro foi uma péssima idéia.
– Nós podemos ir a outro lugar. – James falou no meu ouvido.
– Tudo bem. – disse me adiantando e puxando minha própria cadeira, antes que ele fizesse.
James continuou parado ao meu lado e eu quase me senti culpada.
Ele retirou o seu blazer e colocou sobre os meus ombros. E se sentou na cadeira a minha frente.
– Eu pensei que seria uma boa idéia. – ele disse um pouco desanimado, depois que o maitre e o garçon responsável pela nossa mesa saíram com nossos pedidos. – Me garantiram que era a mesa mais romântica do restaurante.
– É muito bonito. E bem romântica sim. – disse percorrendo o meu olhar pelo local reservado em que estávamos. – Vê aquelas flores? – perguntei apontando para parede de hortênsias que cercavam a varanda. – É uma tentativa de reproduzir um dos locais mais românticos do Brasil.
– Deve ser muito bonito. – ele disse sorrindo.
– É sim. Eu não conheço pessoalmente. – fiz uma pausa quando percebi que estava a ponto de dizer que essa era a viagem que eu Edward pretendíamos fazer quando estivéssemos estabilizados. – Eu só conheci o Rio de Janeiro e São Paulo. Eu ainda não sei como eles conseguem manter as essas plantas florescendo aqui.
– Oh! Você já conhecia esse restaurante.
– Me desculpe. Eu estou falando demais.
Felizmente o garçom chegou com nossos pedidos.
Comemos em um silencio incomodo e constrangedor e eu não via a hora de ir embora.
Eu pensei em pedir uma caipirinha para conseguir seguir com os planos, mas me lembrei que ainda estava amamentando, então tudo o que eu bebi foi suco de laranja.
– Então, do que você mais sente falta da época em que morava no Brasil?
– Da independência. – respondi imediatamente. – Eu podia ser o que quisesse e tinha um emprego muito bom, eu era reconhecida no meio... Eu sinto falta de poder trabalhar no que eu realmente era boa.
– Como você veio parar aqui? – James perguntou distraidamente e eu precisei balançar a minha cabeça espantando a lembranças e a dor que a pergunta me trouxe.
Eu deslizei meu polegar pelo meu dedo esquerdo anelar, onde deveria estar a minha aliança, se as coisas tivessem acontecido como planejadas e dei de ombros.
– As coisas acontecem sem que você perceba direito como. – respondi não querendo trazer o fantasma de Edward à tona.
James pareceu perceber que não era um assunto sobre o qual eu gostava de falar, então voltamos ao silencio constrangedor.
O jantar estava terminando e de longe ganhava como o jantar mais esquisito que já tive, ganhando até mesmo de um único jantar/encontro que tive com Jacob quando éramos bem novos e ainda morávamos em Nova York. Foi quando percebi que eu e Jacob sempre seriamos somente amigos. Na ocasião caímos na gargalhada e tudo ficou bem no final da noite.
Hoje, eu não via como conseguiria fazer o mesmo com James.
E, por outro lado, eu ainda queria seguir com o plano. Mas não sabia como.
Quando seguimos para o carro, James foi mais rápido e finalmente conseguiu abrir a porta do carro para mim.
Eu me acomodei no banco de couro do seu carro esporte e ele ficou por alguns segundos me olhando como se quisesse dizer algo, mas não soubesse como.
Então, antes que eu consegui visualizar Edward mais uma vez, fiz algo realmente estúpido.
Eu o puxei em minha direção e colei nossos lábios.
No momento em que a boca de James posou sobre a minha, eu senti um imenso nojo de mim mesma. E lembrei do beijo de Edward e por mais que eu tentasse o contrario, as lagrimas começaram a se acumular em meus olhos que continuavam arregalados.
Eu pude ver que James mantinha seus olhos fechados e logo ele abriu um pouco seus lábios.
Eu tentei com todas as minhas forças tirar Edward da minha mente e retribuir o beijo de James. Mas, eu me sentia tão suja em estar fazendo isso, que menos de 20 segundos depois eu já o estava empurrando para longe de mim.
– Me desculpe! – pedi com um soluço. – Eu não consigo.
Ele se inclinou um pouco mais sobre mim e deslizou seus dedos por meu rosto enxugando as lagrimas que escorriam. Deu um beijo em minha cabeça e fechou a porta do meu lado do carro.
Eu respirei fundo tentando me acalmar até que ele estivesse dentro do carro.
Eu não disse nenhuma palavra e nem mesmo olhei para James no caminho de volta para o meu apartamento.
– Erhh Bella... – ele falou visivelmente desconfortável. – obrigado pela companhia.
– Me desculpe James. Isso foi um erro sem tamanho. – disse me sentindo fracassada.
– Mas e o seu plano de esquecer Edward?
– Isso nunca vai dar certo. – disse dando os ombros e sentindo as lágrimas voltarem. – Eu não consigo. É muito mais forte do que eu. Eu sinto muito.
Eu me apressei em sair do carro e caminhei de cabeça baixa em direção a entrada do prédio.
Eu ouvi no momento em que James saiu com o carro e então levantei a minha cabeça. Apenas para congelar e sentir meu corpo tremer ao encontrar a pessoa parada, recostada nas grades que cercavam o prédio onde eu morava.
– Bella. – ele cumprimentou com falsa educação. – Será que podemos conversar?
– O que você está fazendo aqui?
– O encontro foi proveitoso?
– Eu não tenho que lhe dar satisfações. – disse recuperando os meus movimentos e tentando passar por ele e finalmente chegar em casa.
– Eu quero conversar sobre a minha neta.
Eu ri sem humor algum.
– Não tenho nada o que conversar com você, Carlisle.
– Sabe Bella... – Carlisle começou com seu habitual ar superior. – Eu estive pensando, e percebi que Jenny deveria estar tendo condições de vida bem melhores...
– Minha filha tem tudo o que precisa.
– Não graças a você. – ele retrucou e eu senti um bolo se formar na minha garganta.
– O que você quer afinal de contas?
– Você sabe que comigo, Jenny teria acesso as melhores escolas, melhores roupas e tudo o que o dinheiro pode comprar.
– Só por cima do meu cadáver.
– Não precisaria tanto. Basta que eu consiga a guarda dela.
– Você não pode fazer isso. Ela é minha filha e você não tem direito algum de...
– Se você e Edward ainda estivessem juntos, eu dificilmente ganharia essa causa. Mas... – ele disse sorrindo para mim.
Eu quis pular em seu pescoço.
– Você está me ameaçando? – gritei chamando atenção do porteiro. – Você não vai tirá-la de mim. Nem você, nem ninguém.
– Sra Cullen, algum problema? – o porteiro perguntou se colocando próximo a Carlisle.
– Sra Cullen? – Carlisle repetiu debochadamente.
– Peter? – chamei e o porteiro imediatamente me olhou. – Tire esse homem daqui, chame a policia se necessário.
– Tudo bem, tudo bem. – Carlisle falou levantando as mãos. – Mas não se esqueça do que eu falei.
– Fique longe de mim e da minha filha. – gritei parando a sua frente. – Eu não vou permitir que você se aproxime dela.
Eu segui para dentro do prédio e Peter veio logo atrás de mim.
– Se esse homem aparecer novamente, me avise imediatamente. E ele nunca poderá entrar.
...
Eu cheguei ao meu apartamento com as mãos tremendo e a cena que encontrei na minha sala de estar só fez com que meu estomago se embrulhasse ainda mais.
– Alice – disse exasperada. – você pode me explicar o que essa mulher está fazendo na minha casa, com a minha filha no colo?
– Bella, eu posso explicar.
– Com certeza. – falei pegando minha filha nos braços e quase fuzilando, com os olhos, a mulher que destruiu tudo o que eu tinha com Edward.
– Eu posso falar Alice. – ela falou me encarrando. – Bella, eu tenho muito o que te contar.
– Você pretende começar me contando como foram proveitosas as noites em que você passou com Edward enquanto eu ainda era a mulher dele?
– Tanya, talvez não tenha sido uma boa idéia. – Alice falou puxando Tanya pelo braço.
– Eu entendo a raiva que você sinta por mim. – ela disse calmamente. – No seu lugar eu também sentiria.
– Então, por favor, se retire. – disse apontando a porta da sala. – Edward está no antigo apartamento de Emmett, caso você queira relembrar os velhos tempos. É claro, que dessa vez, você não será mais amante.
– Eu nunca fui amante de Edward.
– E como você chama uma mulher que tem um caso com um homem comprometido?
Jenny se agarrou em meu pescoço e eu sorri pra ela.
– Bom, isso não faz a menor diferença agora. A minha noite já foi horrível o bastante, eu não preciso de mais um conflito.
Eu caminhei com Jenny no colo em direção ao corredor que me levaria até o quarto.
– Espere. – Tanya falou segurando o meu braço livre. – pelo menos ouça o que eu tenho a dizer.
– Por favor, Bella. – Alice pediu pegando Jenny do meu colo. – você vai ver que muita coisa vai ser explicada.
Eu cruzei meus braços e Tanya soltou um suspiro pesado.
– Eu nunca tive um caso com Edward. – ela repetiu. – Mas eu tentei.
Antes que eu percebesse minha mão voou em direção ao rosto de Tanya, provocando um estalo.
– Alice, tire Jenny daqui. – falei apreciando a marca da minha mão no rosto da vadia parada na minha frente.
– Mas, Bella...
– Está tudo bem, Alice. – Tanya falou massageando o rosto. – Eu provavelmente mereci isso.
Meu coração estava acelerado e minha mão coçava para batê-la novamente.
– Eu estive apaixonada por Edward... – Tanya voltou a falar, mas teve a brilhante idéia de se afastar de mim. -... por muito tempo e Rosalie me convenceu que eu deveria lutar por ele.
– Então, você decidiu que não tinha nada demais em se tornar a amante dele?
– Eu não queria ser a amante dele. Eu queria tomar o seu lugar. Rose me disse que você era apenas um passatempo para Edward e eu... eu pensei que ainda teríamos uma chance. Nós estávamos juntos antes de ele ir para o Brasil. Nós íamos nos casar.
– Eu não tenho culpa se ele não te amava. – falei não querendo receber a culpa por ela não ter tido o seu amor de conto de fadas.
Eu também não tive um e a culpa era dela e de Rosalie. E de Edward.
– Você está certa. – ela disse e eu a olhei confusa. – Eu não tinha o direito de interferir. Edward escolheu você e ele te ama. Na época eu não vi isso, estava desesperada por tê-lo de volta, mas ele deixou tão claro que era você quem ele queria. Eu não deveria ter insistido.
Eu continuava a olhar para a mulher na minha frente sem saber o que falar ou fazer.
– Assim como eu não deveria ter dito tudo o que eu disse naquele banheiro.
– Você sabia que eu estava lá?
– Rosalie sabia... – ela respondeu se afastando um pouco mais. – Ela me contou depois que saímos. Ela sabia que eu não concordaria se soubesse antes... Eu sinto muito o que eu quase provoquei. Você tem todo o direito de me odiar.
– Como vocês duas... isso é tão baixo!
– Eu só soube de tudo, agora que voltei a cidade... Eu fui visitar Rosalie e ela me contou sobre o fracasso que está o seu casamento com Emmett e eu achei tão estranho, Emmett sempre a amou muito. Então ela me contou que depois do casamento você e Edward se separaram e que ele tinha ido embora. E que Emmett a culpava por isso. Mas, foi Alice quem me contou toda a verdade por trás da estória de Rosalie e eu me sinto muito culpada por ter causado tudo isso a vocês.
– Mas e o tal beijo? Eu lembro muito bem que você descreveu, e com detalhes, um beijo.
– Eu fantasiei. Eu realmente beijei Edward, mas ele não retribuiu em momento algum.
Então ela me contou sobre um jantar próximo ao hospital em que ela havia insistido e Edward tinha aceitado.
Eu senti minha raiva aumentar.
Eram tantas coisas que Edward escondeu de mim. Eu não o conhecia como pensava.
Tanya me contou que Edward disse a ela que me amava que não arriscaria me perder. Que não existia possibilidade de eles ficarem juntos e que era melhor que ela ficasse longe dele.
A raiva ainda estava dentro de mim, mas uma pequena parcela de culpa começou a crescer.
Eu não dei oportunidade a Edward de se explicar.
Por outro lado, ele nem mesmo tentou fazer isso.
Quando Tanya acabou de falar, eu estava ainda mais confusa.
Eu havia sido injusta ao acusar Edward, dizendo que ele tinha me traído. Mas, ele nem mesmo tentou negar... e para ser bem sincera, que diferença isso poderia fazer agora?
Depois de ele ter ido embora e de tudo o que senti durante os meses em que passei rezando para que ele voltasse.
Não era a suposta traição de Edward que me impedia de voltar para ele. Era toda a dor que ele me causou.
Eu me joguei no sofá da sala e deixei que as lágrimas escorressem o quanto quisessem.
Tanya foi embora com a promessa que não apareceria mais e com o pedido que eu ao menos tentasse ouvir Edward.
Eu não prometi nada a ela.
...
Alice voltou a sala com Jenny adormecida em seus braços.
– Por que eu simplesmente não posso ter um momento de paz? – perguntei mais para mim do que para ela.
– Bella... – ela começou, mas eu a interrompi.
– Eu não posso perdoá-lo,Alice. É muito mais do que um suposta traição. Ele escondeu tantas coisas, mentiu, foi embora... ele me machucou demais. Mesmo que ele não tenha me traído, eu valia tão pouco que ele nem se importou em me falar do casamento do irmão. Entenda que, sinceramente, no final das contas, eu nunca fui a mulher dele, pelo menos não pra ele.
Tentava conter as lágrimas que teimavam em sair ao lembrar daqueles dias.
Até hoje não deixava de me perguntar o que teria acontecido se não tivesse acordado um pouco mais cedo ou se não tivesse ido à sala. Ele teria me contado sobre o casamento? Provavelmente não. Provavelmente teria sido somente mais um dos seus intermináveis plantões.
Provavelmente eu ainda seria seu bichinho de estimação
Eram tantas as coisas em que Edward e eu havíamos fracassado que eu não conseguia enxergar a mínima possibilidade de conseguirmos seguir em frente, juntos.
Não existia mais espaço para nós.
Por mais que me despedaçasse, essa era a realidade. Nem mesmo o amor absurdo e desmedido que eu sentia por ele seria capaz de consertar todos os erros que foram cometidos.
Mesmo que eu tentasse, eu jamais conseguiria aceitar todas as ausências e desculpas dele novamente. Eu nunca mais me sentiria bem quando ele saísse para um plantão ou quando ele demorasse em voltar para casa.
Eu não sei se seria capaz de voltar a confiar em Edward. Mesmo que esse fosse o meu maior desejo.
Eu queria que tudo não houvesse passado de um pesadelo. Queria abrir os meus olhos e encontrar Edward deitado ao meu lado, na minha cama, no meu apartamento no Brasil. Eu queria que naquele momento, ele tivesse ficado no Brasil comigo
Fui para a cama com aqueles sonhos de uma vida tranqüila no Brasil, onde eu e Edward estaríamos juntos e felizes.
...
Acordei cedo, como em todos os dias me preparando para mais um dia com meu anjinho e imaginando que não seria muito difícil retomar a minha rotina. Mas ao me assustar com o enorme urso de pelúcia sentado no sofá da sala percebi que o dia não seria assim tão fácil.
A frente do urso havia um envelope num papel pesado. Observei atentamente os detalhes do brasão Cullen que selavam o mesmo e não pude deixar de temer o conteúdo do envelope.
Havia apenas um papel timbrado dentro. O papel de um escritório de advocacia, onde estava escrito:
"Para minha querida neta ir se acostumando aos luxos de sua nova vida ao meu lado.
Carlisle Cullen"
Minhas mãos começaram a tremer conforme eu lia cada palavra. Eu ainda não acreditava que Carlisle seria capaz de realmente tentar me tomar Jenny, e essa constatação agora, me despertava um medo absurdo, maior do que tudo o que já senti.
Eu fiquei parada de frente para o urso com o cartão preso aos meus dedos trêmulos tentando encontrar alguma forma de evitar que isso acontecesse. Mas nada do que eu conseguia pensar era bom e forte o suficiente para impedir Carlisle Cullen de fazer o que bem entendesse.
De repente, as palavras dele voltaram a minha cabeça, como um estalo.
"Se você e Edward ainda estivessem juntos..."
Eu não podia pensar em mais nada naquele momento. Se, estar com Edward era o preço a pagar pela segurança de Jenny, eu pagaria, mesmo que isso me destruísse um pouco mais a cada dia.
Sem pensar muito sobre o que eu estava fazendo, apanhei o telefone e disquei o numero de Edward, que ainda estava vivo em minha memória, e escorreguei meu corpo pelo sofá, me jogando no chão frio, ainda fitando o urso que Carlisle tinha enviado.
Não esperei que Edward atendesse. Ainda trêmula, pedi a Elise que ficasse com Jenny enquanto seguia rumo ao apartamento de Emmett. Por mais ridículo que aquilo pudesse parecer, precisava do conforto e do apoio de Edward para não surtar de vez.
Não faço idéia de como consegui chegar ao antigo apartamento de Emmett. Tudo não passava de borrões a minha frente, clareando apenas quando Edward abriu a porta, ainda com cara de sono, enquanto me dava um abraço confortador permitindo que eu chorasse sem parar em seu peito.
– Bella... — ele falou aumentando seu aperto em volta de mim. — Por que não me diz o que aconteceu?
Eu não conseguia formar frases coerentes para descrever o tamanho do medo que eu estava sentindo de Carlisle e do conforto que sentia pelos braços protetores de Edward ao meu redor.
Eu podia sentir o calor de sua pele contra meu rosto e seu cheiro tomando minha consciência, me entorpecendo. Ali era onde queria estar.
Conforme a onda de pânico ia diminuindo, fui tomando consciência de tudo ao meu redor. Os cabelos desalinhados que ele tinha, seu peito nu sob meu rosto, sua calça preta do pijama perigosamente baixa, seus pés descalços, suas mãos passeando pelas minhas costas, tentando me acalmar...
Tudo ficou visível demais para mim.
Edward fazia com que aqueles toques fossem tão naturais, tão nossos... Como se nunca tivéssemos nos afastado... como se eu estivesse em casa agora.
Eu sabia que não podia continuar com isso. Eu estava perigosamente próximo de simplesmente me entregar novamente, mas eu precisava me focar no motivo que me trouxe até aqui, até ele.
Relutante, eu me afastei de Edward e o olhei com meus olhos embaçados.
– Carlisle esteve em casa ontem... – falei entregando o cartão que encontrei junto com o urso a ele. – ele quer a guarda de Jenny.
Seus olhos escureceram pelo que reconheci como fúria. Seus dedos amassaram o cartão com raiva.
– Ele... ele o que?
–Ele quer a guarda de Jenny... Ele acha que não tenho nada a oferecer a ela. – respondi sentindo um aperto se formar no meio peito só de pensar na possibilidade de perda o meu anjo.
– Ele não tem esse direito. — Edward falou serio.
– Mas, — voltei a falar lutando contra o medo e raiva que sentia por Carlisle. — parece que ele já começou. — apontei para o cartão amassado na mão de Edward. — é um cartão de uma firma de advocacia, Edward.
Edward ficou em silencio por alguns instantes, como se ponderasse o que iria falar a seguir.
Quando seus olhos voltaram a encontrar os meus, havia um brilho de raiva e... esperança?
– Ele não pode fazer nada Bella... – ele disse pegando minhas mãos, ainda trêmulas, entre as suas. — principalmente se estivermos juntos.
Era basicamente o que Carlisle havia insinuado. Se Edward e eu estivéssemos juntos... Mas será que isso seria o suficiente para afastar Carlisle de uma vez? Ele ainda poderia tentar, se quisesse...
Como se lesse meus pensamentos Edward continuou — Se estivermos juntos, ele não terá justificativa nenhuma para tentar qualquer coisa... O pai vai estar com ela e você ama Jenny mais que tudo.
– O que você quer dizer exatamente com "estarmos juntos"? — perguntei hesitante.
Eu confesso que no desespero do momento pensei em realmente pedir a Edward que voltasse para o apartamento e que juntos impedissemos Carlisle de nos tomar Jenny. Mas, alguma coisa na forma como Edward falava me dizia que não era exatamente esse o plano dele.
– Podemos nos casar. Assim Carlisle nunca poderia se quer questionar nosso relacionamento.
– O... o que? — eu não podia acreditar que Edward estava mesmo de pé na minha frente, segurando a minha mão e me propondo casamento.
De uma forma nada romântica e era apenas pelo bem de Jenny, mas ainda era um pedido de casamento.
– Edward, não... eu não... não posso me casar com você. Como poderia? Eu não agüentaria me machucar mais... não, eu não posso!
– Você não vai se machucar novamente. Vai ser tudo diferente. Eu prometo! — ele apertou ainda mais a minha mão. — E, é por Jenny.
Eu fechei meus olhos tentando assimilar tudo o que ele tinha acabado de me dizer. Eu não conseguia acreditar que seria diferente. Muito menos que não voltaria a me machucar, mas ele estava certo ao afirmar que era por Jennifer. E por ela, para não perdê-la, eu faria qualquer coisa. Mesmo que isso significasse o meu sofrimento.
– E... e se... se eu aceitasse... — falei tirando minhas mãos das dele e o olhando seriamente. — Eu teria algumas condições a impor.
Notas finais
xoxo
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