Notas iniciais
Oi pessoal! Como estão? O que fazer quando a vontade de postar uma fic é maior que tudo, mesmo não dando conta nem de uma? Pois é, bem triste... To com várias ideias aqui, porém não vou dar conta. Aff Como disse no capítulo anterior, eu mudei o tumblr! Aqui está o link: http://surviving-to-hell.tumblr.com/ Boa leitura!

Shane está dormindo no sofá agora. Limpei sua ferida do melhor jeito que pude, e acho que ele vai ficar bem. Acabei achando alguns cobertores e enlatados enquanto procurava o kit médico, então teremos uma boa noite. O sol já está em seus últimos momentos, e a pequena luz bruxuleante da vela preenche o cômodo de uma maneira reconfortante.

Não tive oportunidade de perguntar a ele quem fez isso, nem o motivo. Há algo diferente em seu olhar, algo diferente nele. E Shane não é o único que está modificado. Algo dentro de mim também desapareceu, como se uma chama houvesse se apagado.

Pego a maleta de alumínio contendo os itens de primeiros socorros e vou até o banheiro no fim do corredor. Estou agitada demais para dormir, então decidi tratar meu corte proveniente do desmaio. Abro a torneira e constato feliz que há água, gelada demais, porém limpa.

A blusa e o casaco masculinos que encontrei no quarto de cima são grandes demais, porém quentes e confortáveis, o que me deixou bem feliz. Concluí que apenas um homem morava aqui, apesar das fotos de uma mulher sorridente espalhadas pela casa.

Tento limpar o corte, mas meus cabelos sujos estão atrapalhando, e provavelmente infectarão o corte novamente. Suspiro pesadamente, me sentindo uma porca por achar desagradável a ideia de um banho. Retiro rapidamente as roupas quentes, pulando nos meus próprios pés ao sentir a água gelada tocar minha pele quando entro debaixo do chuveiro.

Fico satisfeita ao encontrar uma embalagem cheia de xampu, e despejo uma quantidade razoável na palma de minha mão. Esfrego meu corpo com o sabonete gasto, permitindo-me relaxar verdadeiramente pela primeira vez no dia. No fim acabo me sentindo extremamente bem com a limpeza, e desligo o chuveiro só após longos minutos.

Seco-me correndo enquanto meus dentes batem de frio, e só então reparo na escuridão que o cômodo se tornou. Tateio a pia a procura da vela que trouxe comigo, acendendo-a com meu isqueiro. Ele foi o único pertence que ficou comigo, já que estava no bolso da calça e não na mochila. Fiquei alegre por isso, já que ele é bem útil.

Volto para sala após me vestir e sento no chão ao lado de papai, em cima do carpete caramelo. Reflito em acordá-lo para comer, porém chego à conclusão que o sono é necessário para sua recuperação. Como sozinha uma lata de sopa enlatada, pensando em mamãe e nos outros.

Acabo improvisando uma cama com dois cobertores ao lado de papai, com medo de deixá-lo sozinho. Sem que eu permita, sinto as lágrimas que tanto tentei reprimir escorrendo pelo meu rosto. Choro até adormecer, pensando em tudo que aconteceu nas últimas horas e no futuro incerto.

–----------- ↜ ↝ -------------

Acordo com o barulho de algo se quebrando, e levanto assustada. Vejo o sofá vazio e o desespero toma conta de mim ao notar que papai não está em nenhum lugar dentro do meu campo de visão.

– Pai? – chamo, começando a ir em direção à cozinha. Encontro Shane apoiado na pia de alumínio com a cabeça baixa. Reparo nos cacos de vidros aos seus pés, o motivo do barulho. – Está tudo bem?

– Sim, estava tentando pegar um copo de água – responde enquanto paro ao seu lado. Resolvo não perguntar o motivo de o copo ter caído, colocando a mão em sua testa e encontrando ela quente.

– Você está com febre! Por que não me chamou? Eu podia ter pegado pra você – digo exasperada, apoiando seu corpo.

–Não queria te acordar, parecia cansada ontem. – Franzo os lábios com a resposta, tocada pela sua genuína preocupação.

–Vamos, vou te levar para uma cama decente.

Guio-o pelo corredor até o quarto de visitas, apoiando parte do seu peso. Há uma cama de casal e um pequeno guarda-roupa ao lado da janela que dá para o quintal, de onde provém a luz da manhã. Ajudo Shane a se acomodar, correndo na sala e pegando um dos cobertores que achei.

– O que você está sentindo? Dói muito? – pergunto parando ao seu lado. Levanto suas blusas, revelando seu tórax bem definido e o curativo. Removo-o e encontro o corte começando a cicatrizar, aparentemente saudável.

– Sinto-me fraco, mas fora isso está tudo bem, doutora – responde ele claramente tirando com a minha cara. Ignoro sua provocação e pergunto novamente se ele tem certeza, deixando-o irritado com minha insistência.

– Não entendo da onde está vindo a febre – murmuro, checando sua temperatura mais uma vez. – Vou procurar alguns analgésicos.

– Não saia de casa, Emma – ordena com a mesma autoridade de sempre. Olho nos seus escuros por um tempo antes de responder.

– Certo.

–----------- ↜ ↝ -------------

Certifico-me de deixar um enlatado e uma jarra d’água em sua cabeceira antes de partir para minha busca. Ontem já havia procurado por remédios e não encontrei nenhum, logo terei que desobedecer a papai. O morador com certeza não era muito preocupado com suas dores.

Lembro-me de ter visto uma farmácia na rua de trás quando estávamos passando, e imagino que lá deva ter o que preciso. Estou morrendo de medo, contudo papai precisa de remédios para melhorar e eu sou a única que pode ajudar nisso. É o que repito para mim mesma na tentativa de reunir coragem.

Pego a arma de Shane, junto com minha faca. Checo a munição e vejo que há quatro balas na arma fora as que estavam no bolso da blusa, que são mais dez. Teremos que achar mais munição; essas provavelmente não serão suficientes para passar o inverno.

Saio na rua, acelerando o passo ao ver que está tudo limpo. Vejo o cadáver do infectado que papai matou ontem caído no chão, cheio de vermes e mosquitos. Desvio o olhar enojada, prendendo a respiração para evitar o cheiro pútrido do beco.

Coloco somente a cabeça fora do muro, espiando a rua. Vejo figuras se movendo perto do cruzamento a alguns quilômetros, visualizando também a placa da farmácia a poucos metros de onde estou. Reflito por alguns segundos se devo voltar, com o coração acelerado dentro do peito. Seja macho, Emma, ordeno a mim mesma.

Dou uma última olhada no beco antes de iniciar meu caminho pela beirada das construções, controlando minha respiração. Mantenho meu corpo abaixado, utilizando os carros como empecilho de visão para os infectados. Paro em frente à farmácia, observando a fachada de vidro quebrada. Bem, pelo menos não preciso abrir a porta.

Entro pelo buraco no vidro, pisando nos cacos que estão no chão e preparando minha faca. O comércio é minúsculo, e tenho visão total dele graças às prateleiras baixas. Tenho que ser rápida, então puxo a mochila das costas e vou até a sessão dos analgésicos e anti-inflamatórios. Jogo tudo que posso dentro da bolsa, aproveitando e pegando algumas vitaminas e barras de cereais.

É claro que eu não poderia me dar tão bem. Quando estou de saída, cinco infectados saem da floresta em frente à farmácia, e não demoram a me ver parada em frete ao comércio.

– Merda, merda, merda – praguejo baixo ao vê-los começando a caminhar e minha direção. Olho rapidamente para o fim da rua, vendo que a horda continua no cruzamento. Seria idiotice ir correndo pelo beco e levá-los direto a papai, então volto para dentro da farmácia.

Maldito vidro quebrado. Malditos infectados. Maldito apocalipse.

Corro até os fundos da farmácia, forçando a porta de madeira. Os gemidos estão mais altos agora, anunciando que eles estão prestes a entrar. Finalmente a porta abre, revelando um corredor mal iluminado que leva para algum lugar misterioso. Trato de entrar logo nele, fechando a porta atrás de mim. Infectados não abrem portas, correto? Mas esmurram-nas até quebrarem, e foi isso que começaram a fazer.

Praguejo novamente sentindo a faca escorregar em minhas mãos trêmulas. Começo a avançar pelo corredor, e logo saio em uma pequena cozinha velha. Há um cadáver sentado à mesa, que logo revive ao sentir meu cheiro.

Ele avança em minha direção, derrubando a cadeira em que estava sentado. Ele usa um jaleco ensanguentado, que inevitavelmente me lembra às fantasias de halloween. Antes que ele consiga me atingir, corro em sua direção e perfuro seu crânio com toda minha força. Ton – o nome no crachá – cai aos meus pés e uso seu jaleco para limpar minha faca cheia de sangue.

– Desculpe – murmuro sem nenhum motivo lógico, me sentindo mal de repente. Matá-lo assim, tão rapidamente, afetou-me de uma maneira estranha. Desde quando eu, Emma, mata infectados sem nem um tombo?

Interrompo minhas reflexões ao notar que os sons dos esmurros estão cada vez mais altos, e trato de me por em movimento. Corro até a porta de metal ao lado da pia, rezando para que ela dê no beco. Testo a maçaneta e vejo que está trancada, me desesperando por um momento até lembrar-me do morto Ton.

Volto até o lugar onde ele está caído, debruçando sobre o corpo e começando minha busca por seus bolsos.

– Eca! – digo enojada ao encontrar a chave, puxando ela de dentro do ferimento na área de um dos bolsos com pedaços do que parecem ser órgãos.

Testo todas às três chaves antes de encontrar a correta – sempre a última –, a tempo de ouvir o som da madeira se rompendo. Saio para dentro do beco ofegando, fechando a porta de metal atrás de mim e passando a chave pela fechadura do lado de fora.

O barulho alto de algo batendo na porta em minha frente faz com que eu pule de susto, por pouco não soltando um grito que seria minha morte. Demoro alguns segundos para me convencer que a porta está trancada e que eles não poderão passar por ela.

Faço meu caminho de volta para casa assustada, porém incrivelmente feliz. Eu consegui! Quase não posso acreditar que acabei de ir sozinha buscar suprimentos e não morri! Entro dentro de casa sorrindo, minha alegria sendo incrivelmente infantil até para mim.

– Emma? – A voz de papai me assusta, e deixo cair às chaves no chão. Abaixo para pegá-las, apertando-as em minhas mãos enquanto levanto o olhar em sua direção. Shane está parado em frente à porta do banheiro, me encarando com uma expressão brava. – Onde você estava?

– Oi pai – digo baixinho, abaixando a cabeça; provavelmente minhas atitudes já me denunciaram. Merda.

– Não acredito que você saiu! – ralha.

– Desculpe! Mas você realmente precisava daqueles remédios – respondo quase revoltada. – E eu os consegui!

– Você podia ter morrido lá, Emma! – Shane ignora o que eu acabei de dizer. – Sabe que estamos em um lugar desconhecido, é perigoso! Você sequer sabe atirar direito!

Cerro os dentes com força, minha mandíbula se contraindo dolorosamente. A felicidade antes dentro de mim já se foi, dando lugar à raiva e à frustração. Por que não pode ficar grato?

– Estranho você se preocupar só agora – minha voz é como ácido quando digo isso, e faço questão de jogar sal na ferida antiga. Vou em direção à cozinha, passando raivosa por Shane, que continua em silêncio.

Abro a mochila, despejando o conteúdo dela em cima da mesa de madeira. Várias caixinhas e potinhos brancos se espalham pela superfície, revelando que consegui pegar muitas coisas.

Shane – que agora parece ignorar totalmente seu estado inválido – entra pela cozinha, provavelmente pronto para continuar a discussão. Seu olhar cai sobre a mesa, e vejo a surpresa atravessando eles. É claro que ele não disse nada, seu orgulho sendo muito grande para dar o braço a torcer.

– É melhor você deitar – sugiro com a voz baixa, pegando um botinho em cima da mesa. – E tomar dois desses.

Sinto seu olhar sobre mim, mas não ouso olhar em sua direção enquanto estendo a embalagem para ele. Shane pega o remédio de minha mão, virando-se para ir embora. Não antes de dizer aquilo que já previa:

– Você está de castigo pelo resto da vida! – Reviro os olhos, fazendo um biquinho nada maduro. Desde quando ele age igual à mamãe?

Suspiro pesadamente, de repente sentindo uma tristeza enorme dentro de mim. Puxo meus joelhos até meu peito, abraçando minhas pernas enquanto meu choro baixinho preenche o cômodo vazio.

My black eye casts no shadow
Your red eye sees nothing
Your slap don't stick
Your kicks don't hit
So we remain the same
Love sticks
Sweat drips
Break the lock if it don't fit

Notas finais
Tradução: Meu olho roxo não tem sombra O seu olho vermelho não vê nada Os seus tapas não ficam Os seus chutes não acertam Então, nós permanecemos os mesmos O amor gruda O suor escorre Quebre a tranca se ela não funciona O que acharam? Sugestões??? Esse capítulo não foi tão legal/emocionante, porém necessário. Enfim, espero que tenham gostado! Beijossss PS: Lembrando que eu não tenho nenhum conhecimento médico, então o que está acontecendo com o Shane não é verídico. É total ficção!