Surviving the Supernatural

2 Nicholas, está me achando com cara de idiota?


Notas iniciais
Como eu escrevi no primeiro capítulo, a partir de agora a narração será por parte da personagem principal.

20 de julho de 2014

Andar pelas ruas de Nova York é difícil, principalmente quando se carrega um cinto com armas "super maneiras" por baixo da roupa ao lado de um garoto que não para de falar.

Mathew havia resolvido me enfiar em Nova York para caçar uma bruxa em uma das ruas mais movimentadas de todas. Já havia trombado com quatro pessoas e ainda não havia chegado na casa da bruxa. Ainda tinha que aguentar olhares tortos das pessoas para minhas roupas e meus cabelos roxos.

—Mathew, posso jogar alho na cara de alguma dessas pessoas? É tão irritante aguentar elas olhando minhas roupas e meu cabelo—Sussurrei para Mathew, atrapalhando sua fala.

—O que esperava? Você que não quis usar as roupas que eu havia pego pra você—Disse Mathew fingindo um ar sério.

—Aquelas roupas horríveis e desconfortáveis? Senti vontade de jogar fogo em cima delas—Revirei os olhos, tentando localizar a casa—Espere. Não é aquela casa ali?—Disse apontando para uma casa tradicional, mas com plantas mortas no jardim da frente e tábuas nas janelas, como se estivesse abandonada—Rápido! Vamos!—Exclamei correndo até a casa, certificando-me de que não nos olhavam.

Peguei uma de minhas granadas de água benta e preparei-me, arrombando a porta e entrando, observando todos os lados e segurando a granada. Vi uma luz no porão e chamei Mathew com a mão. Desci as escadas com cuidado e vi a bruxa. Esperei até ver que estava totalmente distraída e joguei a granada nela, correndo e pegando seu livro de feitiços. Queimei-o e joguei-o na bruxa, junto a outro fósforo. Observei-a queimar até Mathew me puxar pelo braço até o andar principal, correndo junto a mim até o jardim, após ouvir as diversas pragas em outras linguas que nunca iam se concretizar.

—Essa foi fácil demais—Disse Mathew olhando a casa—Melhor corrermos, antes que venham nos interrogar.

—Vamos. Preciso passar em um lugar agora, mas podemos nos encontrar naquele café em que passamos na estrada—Falei indo até a rua e andando até o cemitério da cidade.

Entrei no cemitério e vi as várias pessoas que choravam perante os túmulos. Aproximei-me de dois túmulos mal conservados após ter comprado flores em uma barraquinha. Me ajoelhei e coloquei as mãos sobre eles e senti meus olhos marejarem enquanto lembrava-me da noite da morte de meus pais. Passei algum tempo lá, até perceber minhas lágrimas sobre os túmulos. Coloquei as flores em cada um dos túmulos e levantei-me, tentando limpar minhas lágrimas. Não percebi para onde estava indo, até trombar em um garoto que me segurou.

—Hey. Está tudo bem?—Perguntou olhando para mim. Me perdi por algum tempo o olhando, já que ele era bonito—Estava chorando? Não vou te soltar se não me responder

—Em primeiro lugar: Eu posso me soltar de você em apenas um golpe; Em segundo lugar: Sim. Eu estava chorando, mas de que te importa?—Falei me soltando dele e voltando a andar, até ele segurar meu braço e me virar.

—Pode me dizer pra que tanta pressa?—Perguntou ele, olhando nos meus olhos.

—Tenho que encontrar um amigo. Mas quem é você?—Pergunto tentando parecer dura e fria.

—Sou Nicholas. E você?—Perguntou ele me olhando.

—Alicia. Agora me deixe ir. Estou atrasada—Falei me soltando novamente e andando, sentindo que ele me seguia.

—Bom... Tchau Alicia. Quem sabe nos encontramos por aí, olhos azuis—Disse ele virando a esquina.

Suspirei e andei até o café, entrando levemente brava, o que atraiu o olhar de Mathew. Sentei-me na mesa em que ele estava e peguei o café que ele havia pedido para mim, bebendo-o com uma expressão séria até demais.

—O que aconteceu, esquentadinha? Tentaram lutar com você no meio da rua?—Riu Mathew a olhando.

—Não, meu caro garoto idiota. Trombei com um garoto que quis me segurar duas vezes—Respondi deixando o café na mesa.

—Que fofo—Riu Mathew forçadamente—Era tão bonito quanto eu?—Perguntou ele, com um tom que me fez revirar os olhos.

—Está com ciúmes, Matt?—Perguntei usando o apelido que ele mais odiava.

—Claro que não. Sou apenas seu amigo. Assim você me ofende—Disse ele com uma expressão mais idiota que ele mesmo.

—Assim você me faz querer vomitar. Por favor, não faça mais essa cara para mim—Disse tomando o resto de meu café.

—Parece que precisamos ir se quisermos chegar em um hotel vazio—Disse Mathew se levantando e deixando uma gorjeta, enquanto eu pagava os cafés.

—Vamos. Preciso tirar esse cinto logo...—Falei saindo de lá e olhando Mathew.

Andamos até o centro da cidade, onde parecia ser o único local com hotéis vagos, mas com ruas lotadas. Andei tentando não tropeçar nos cadarços de meus tênis, que se desamarraram. Após um tempo andando, me distraí e tropecei em meus tênis, mas não caí graças a alguém que me segurou. Olhei o rosto da pessoa e bufei ao ouvir sua voz.

—Olá, olhos azuis—Sorriu Nicholas, olhando-me—Não aguentou esperar até eu te ver algum outro dia?

—Poderia me soltar antes que eu vomite em cima de você ou te dê um golpe que te desmaie?—Falei fingindo uma voz doce, que fez ele me soltar.

—Claro, olhos azuis—Riu ele, desfazendo o sorriso ao olhar Mathew—E... Esse é o seu amigo?—Perguntou ele, o que me fez revirar os olhos, mas sem poder responder porque Mathew cortou minha fala.

—Sim. Sou o melhor amigo da Lizzie—Disse ele utilizando o apelido que eu mais odiava, depois do que Nicholas inventou—Sou Mathew. Mathew Winchester.

—Sou Nicholas. Nicholas Johnson—Disse Nicholas com um toque de ciúmes na voz.

Bufei ao ver os dois se fuzilando com os olhos. Revirei os olhos e vi as pessoas que não se importavam com nada do que estava acontecendo. Logo eles se matam aqui, pensei enquanto revirava meus olhos, pelo que sei, idiotice tem limites...

—Vocês dois poderiam se comportar normalmente antes que eu atire os dois em algum lugar bem longe?—Bufei me colocando no meio dos dois.

—Calma, esquentadinha—Riu Mathew me olhando—Vou deixar vocês dois conversando enquanto procuro um hotel—Disse ele saindo na direção de um dos hotéis próximos de lá.

—E então olhos azuis, Lizzie, esquentadinha...—Riu Nicholas me olhando—Sei que devo ter te dado uma péssima primeira impressão, mas e se fôssemos até algum lugar qualquer dia?

—Se eu disser que sim você me deixa em paz?—Perguntei cruzando os braços.

—Claro que sim. Mereço um beijo como garantia?—Disse ele se aproximando de mim com os olhos fechados, o que me fez revirar os olhos.

—Nicholas, está me achando com cara de idiota?—Perguntei empurrando seu rosto para trás.

—Claro que não, olhos azuis—Riu ele—Que tal se eu te encontrasse no cinema amanhã a noite?—Disse ele sorrindo.

—Okay. Pode ser—Falei revirando os olhos—Agora você pode me deixar em paz, não é?

—Só me passa seu número de telefone. Por favor—Sorriu ele retirando um celular no bolso, movimento que me fez tocar em meu cinto por impulso.

—Okay...—Falei o número para ele, torcendo para não deixar meu celular sumir tão cedo. Ele me passou o número de seu celular e me deixou finalmente sair.

Procurei Mathew por três hotéis diferentes, até encontrá-lo em um que parecia ter poucas pessoas, pelo pequeno número de carros na garagem. Aproximei-me dele, que estava sentado na recepção, e cutuquei seu ombro, assustando-o.

—Alicia! Já falei pra não fazer mais isso. Vamos. Já arrumei um quarto—Disse ele sorrindo e se levantando, entregando-me uma chave e indo até o elevador.
Entramos no elevador e vi Mathew apertar o botão do segundo andar, o que me fez soltar um sorriso.

—Está com saudades de lá, não é?—Perguntou Mathew sorrindo—Vamos voltar logo. Prometo­­—Sorriu ele segurando minha mão—A propósito, só pude reservar um quarto, pois senão ficaria caro demais. Tem algum problema?

—Claro que não—Falei rindo levemente o olhando—Durmo no seu quarto desde os cinco anos.

—Verdade. Vamos logo—Disse ele ao ver o elevador abrir.

—Ah, amanhã vou sair a noite, okay?—Falei indo até a porta do quarto 25 e abrindo a porta.

—Com aquele idiota? Nicholas, não é?—Falou ele enciumado enquanto eu jogava meu cinto sobre a cama e me deitava.

—Dá pra parar de ciúmes? E sim. É com ele mesmo—Falei o olhando pegar algumas roupas na mochila e entrando no banheiro.

—Ciúmes? Só quero te proteger, esquentadinha. Sou seu único amigo além de Markus—Falou ele abrindo o chuveiro após fechar a porta.

—Claro que não está com ciúmes...—Falei rindo, até ouvir meu celular tocar. Observei o nome do contato e li Nicholas. Suspirei e atendi—Não aguentou esperar até amanhã ou percebeu que posso te machucar se fizer qualquer coisa?

—Apenas quis ouvir sua voz, olhos azuis—Riu ele do outro lado da linha—Você vai mesmo estar no cinema amanhã, não é?

—Óbvio que vou. Não correrei o risco ­­­de ter que trombar com você novamente, meu caro garoto idiota—Falei sorrindo ao usar o apelido que havia dado para Mathew.

—Também te adoro, olhos azuis—Sorriu ele do outro lado da linha—Preciso desligar. Até amanhã a noite.

Desliguei o celular após me despedir dele e coloquei o celular na cômoda ao lado da cama. Esperei Mathew sair do banho e levantei-me, pegando minhas roupas e indo até o banheiro, tomando meu banho e trocando de roupas, dormindo logo após deitar-me.