Surviving On The Hell - Gay Romance
17 Um Novo Começo
Notas iniciais
Eron não conseguia mexer um único musculo de seu magro corpo. O mesmo estava completamente dormente e mesmo que ele tentasse reunir o máximo de suas forças, a tarefa de mexer um dedo sequer parecia impossível. O moreno escutava a voz de Pablo um pouco distante lhe chamando, porém ele não conseguia entender muito bem suas palavras queriam dizer.
De repente, com um solavanco e uma forte dor em seu peito, ele consegue retomar, ou em parte, os movimentos em seu corpo. Uma falta de ar se fez presente e ao tentar respirar rapidamente o moreno engasgou e começou a tossir à medida que tentava recobrar a respiração e normalizar a mesma.
Ele olhou à sua volta vendo os garotos encharcados e com os olhos arregalados lhe encarando. Jordan e Brandon estavam em pé, um pouco mais afastados, enquanto lhe encaravam surpresos, porém ainda assim aliviados. Já Pablo estava de joelhos ao seu lado. O loiro também lhe olhava aliviado, mas tinha algo diferente, não só nele como também no branquelo e no oriental...
Era como se eles estivessem chorando...
― Tem alguma coisa queimando? ― O moreno perguntou confuso ao sentir o cheiro característico inundar suas vias respiratórias.
Os garotos não sabiam como responder a questão do moreno, o que o deixou ainda mais confuso com o silencio. A chuva ainda caia e parecia que em pouco tempo iria piorar.
Pablo se levantou e saiu andando e sem rumo. O mesmo queria apenas se afastar de todos e esfriar a cabeça. Eron ficou confuso com isso, mas não teve tempo de raciocinar direito, pois Brandon logo correu em sua direção, se ajoelhando ao seu lado e abrindo a maleta que o oriental fora buscar a pouco tempo.
― Você está bem? Como está se sentindo? ― Brandon perguntou preocupado pegando uma gaze na maleta e limpando o rosto do moreno.
― Eu estou, eu acho. ― O mais novo estranhou a atitude do branquelo. ― O que aconteceu? ― Indagou confuso.
― Você foi atingido por um raio. ― Jordan falou mais tranquilo ao constatar que Eron estava a salvo.
― Como é que é? ― Eron se exaltou exasperado, fazendo menção de ficar em pé, porém Brandon o segurou.
― Calma aí campeão. ― O branquelo pediu. ― Você teve uma parada respiratória e ficou mais de cinco minutos praticamente morto. Eu cheguei a perder as esperanças. ― Suspirou ao explicar.
― E o que aconteceu? ― Eron soou assustado.
― Depois eu te explico. Agora o importante é conferir se a sua parada respiratória não prejudicou sua coordenação motora ou até mesmo prejudicou alguma função de seu cérebro ou sistema nervoso. ― Brandon disse preocupado apalpando os membros do mais novo. ― Você consegue sentir isso? ― Perguntou enquanto apertava seus braços e pernas.
― Consigo. ― Eron respondeu encarando os movimentos.
Jordan deixou o branquelo fazer as verificações no moreno e caminhou em direção ao loiro para ver como o mesmo estava, mesmo sabendo que ele seria a ultima pessoa que o maior gostaria de ver nesse momento.
― Pablo... ― Jordan chamou com cautela.
― Ele está bem? Algum dano colateral? ― Pablo perguntou visivelmente nervoso ao menor que ficou surpreso por ele não lhe ter lhe expurgado dali.
― O Eron está bem. Aparentemente ele não teve nenhum dano colateral. ― Jordan respondeu e conseguiu ver o rosto de Pablo ficar mais aliviado com a notícia.
Os dois ficaram em silencio, um silencio que para Jordan era desconfortante e incomodativo, enquanto que Pablo nem se importava, não tirando os olhos de Brandon e Eron que estavam mais a frente.
― Pablo... ― O oriental iniciou inseguro chamando a atenção do loiro que tinha o olhar perdido. ― Eu não... ― Ele nem teve tempo de terminar, pois o loiro o interrompeu.
― A chuva esta ficando muito forte e o magrelo disse que a nossa cabana não iria aguentar e eu concordo com ele. Separe uma mala com roupas secas e o cobertor que ainda está seco dentro da tenda, e em outra mala você coloca os copos de agua restantes e um pouco de frutas. ― O mais novo falou sério, começando a caminhar em direção aos dois à sua frente.
Brandon ainda fazia algumas verificações no moreno para ter certeza de que o mesmo estava fora de perigo quando é surpreendido pelo loiro.
― Ele está bem? ― Pablo perguntou ao branquelo que suspirou.
― Aparentemente sim. Mas não creio que esteja cem por cento. ― Brandon respondeu sério.
― Hey... ― Eron chamou, porém os dois não lhe encararam.
― Acha que ele pode andar? ― Pablo perguntou novamente.
― Não sei ao certo, mas acho que repouso seria a melhor opção no momento. ― O branquelo explicou.
― Oi? ― Eron chamou de novo.
― A gente não pode ficar nessa chuva. Não vai ser bom pra ele e nem pra gente, já que um resfriado ou até mesmo uma pneumonia não cairia bem, ainda mais pra mim e pro Japa que já pegamos friagem ontem de noite. A nossa tenda não vai aguentar e precisamos agir enquanto as gotas ainda estão fracas. ― Pablo anuiu pensativo. ― Eu pedi para o Japa separar duas malas, uma com roupas secas e a outra com comida.
― Vocês querem por favor prestar atenção em mim e parar de falar como se eu não estivesse aqui? ― Eron elevou seu tom de voz, chamando a atenção dos dois.
― Vai ajudar o Japa que eu fico aqui com o magrelo. ― Pablo falou para Brandon que concordou e seguiu em direção à Jordan que arrumava o que o loiro havia lhe pedido.
Eron ficou irritado por estar sendo ignorado, porém se acalmou um pouco quando o loiro se agachou ao seu lado com um sorriso sem graça nos lábios.
― Você deu um susto na gente sabia? Eu deveria te bater por quase me matar do coração. ― Pablo falou num tom de quase brincadeira, fazendo Eron sorrir sem graça.
― O que aconteceu? ― Eron indagou curioso.
― Você foi atingido por um raio e parou de respirar. A gente achou que você tinha partido. ― Pablo respondeu sem graça, sem conseguir olhar nos olhos do moreno.
― Isso eu sei. Eu quero saber o que aconteceu quando eu tinha “morrido”. ― Eron brincou, fazendo aspas na palavra.
― É melhor a gente falar disso depois. ― Pablo desconversou incomodado. ― Consegue ficar em pé? ― Estendeu a mão para o moreno, enquanto se levantava para ajudá-lo.
Eron se segurou na mão do maior e tentou se levantar, porém suas pernas lhe traíram e ele quase foi ao chão no processo, se não fosse pelo outro lhe ajudando.
― Eu não consigo. ― Eron bufou incomodado.
― Eu percebi. ― Pablo falou preocupado. ― Acho que é só fraqueza, logo você deve ficar bem.
― Mas a chuva não vai esperar não é mesmo? ― Eron revirou os olhos.
― Não se preocupe com isso. ― Pablo deu um sorriso de canto.
Jordan, que já havia colocado uma roupa seca embora não fosse ajudar muito por causa da chuva, e Brandon se aproximavam dos dois, cada um com uma mala em suas mãos. De longe os dois viram a quase queda de Eron deixando Jordan preocupado com o fato, enquanto Brandon suspirava já sabendo que isso poderia acontecer.
― O sistema nervoso dele pode estar um pouco sobrecarregado por conta da carga elétrica do raio. Em algumas horas ele vai estar subindo em arvores de novo. ― O branquelo brincou para aliviar a tensão.
― O que a gente vai fazer? ― Jordan indagou.
― Vamos ter que procurar um abrigo para escapar da chuva. Vamos levar essas duas malas com a gente e deixar as outras aqui mesmo. Quando tudo melhorar e a chuva parar a gente volta pra cá ou então a gente vem buscar essas aqui para levar ao novo local. ― Pablo explicou.
― E como vamos achar um abrigo debaixo dessa chuva? Se com o tempo bom isso já é difícil, imagina agora? ― Brandon comentou preocupado.
― Eu já pensei nisso também. A gente tem aquele avião que a gente achou antes de chegar nas arvores com as frutas. Precisamos andar uns vinte minutos até chegar lá. Vai ser uma boa, pois tem acentos estofados, não entra chuva e nem vento e estaremos seguros e confortáveis até a tempestade passar. ― O loiro falou fazendo os três arregalarem os olhos.
― Você quer ir naquele avião? Isso não é perigoso? ― Brandon falou receoso.
― Não é como se ele fosse cair ou afundar no oceano. ― Pablo retrucou irônico. ― É seguro, não tem corpos ou ossos lá e vai servir por hora. ― Continuou em seguida.
― E como vamos fazer com o Eron? Ele não pode andar e a minha perna ainda não está boa. ― Jordan avisou apontando para a mesma.
― Bem... Quanto ao magrelo eu levo ele nas minhas costas. Como ele vai estar com as mãos livres, ele pode levar uma mala em cada mão. Já quanto a você... O Brandon te ajuda. ― Pablo deu de ombros.
― Vocês tem certeza que essa é a melhor ideia? ― Brandon disse receoso.
Antes que Pablo pudesse responder ou retrucar o branquelo, trovão soou alto, acompanhado de um forte relâmpago que cegou os garotos momentaneamente, o que os deixou anda mais apreensivos.
― Se você tiver uma ideia melhor, fala logo. ― Pablo ralhou impaciente.
Os garotos ficaram em silencio, apenas um olhando para o rosto do outro esperando alguma iniciativa, porém esta não veio e Pablo deu-se por decidido.
― Vamos logo. A chuva está ficando mais forte. ― O loiro disse pegando Eron um pouco desajeitado e o levando até suas costas como se fosse brincar de “cavalinho”.
Jordan e Brandon entregaram as malas que eles seguravam para Eron, que as pegou cada uma com uma mão, e assim os quatros adentraram para dentro da floresta na rota que eles utilizaram no dia anterior quando foram pegar as frutas.
Mesmo Eron estando com as duas malas e pendurado nas costas do mais novo, com ele apenas segurando o corpo do menor pelas pernas, Pablo andava rapidamente, enquanto o branquelo e o oriental seguiam ele em seu ritmo.
― Está tudo bem? ― Brandon indagou preocupado ao oriental que fazia uma careta enquanto andava desajeitadamente o mais rápido que podia.
― Minha perna está doendo um pouco. ― O oriental explicou sem graça.
― Será que as madames podem parar com o bate-papo UOL e andarem mais rápido? A chuva está mais forte cacete. ― Pablo falou com mau-humor.
― Sobre nas minhas costas. ― Brandon suspirou, vendo que não teria alternativa alguma.
― Tem certeza? ― O oriental falou preocupado. ― Eu não sou muito leve. ― Explicou em seguida.
― E eu não sou tão fraco assim. Vai ser melhor e assim a gente anda mais rápido. ― Brandon insistiu.
Jordan concordou e o branquelo o levou até as costas, da mesma maneira que Pablo carregava Eron, e em seguida começou a caminhar novamente, tentando alcançar Pablo que mantinha um ritmo rápido.
― Ainda bem que as arvores estão marcadas. ― O loiro anuiu pensativo.
― Você está bem? Quer descansar um pouco? ― Eron disse preocupado.
― Eu quero que você desencoste esse pinto de Jegue das minhas costas. ― Pablo revirou os olhos. ― Pelo menos você não está pelado. ― Deu de ombros em seguida.
― Besta. ― Eron disse sem graça.
― Está tudo bem aí atrás? ― O loiro deu um grito para os dois na sua cola, porém não desviando o olhar de seu caminho.
― Estamos vivos. ― Brandon respondeu um pouco cansado pelo esforço.
― Não fazer mais do que a obrigação. ― Pablo comentou sério, porém só Eron havia escutado.
Já haviam-se passado aproximadamente uns quinze minutos de caminhada, e os garotos haviam chegado na clareira do dia anterior. Pablo parou abruptamente, esperando Brandon e Jordan se aproximarem, para então perguntar.
― A gente desceu essa parte antes de encontrar o avião, certo? ― Ele perguntou forçando a memória.
― Foi. Acho que o Avião fica uns cinco minutos daqui, até menos. ― Jordan respondeu pensativo.
― Você vai ter que me colocar no chão. ― Eron pediu ao loiro.
― Por quê? ― Pablo indagou confuso.
― Eron tem razão. Se ontem que estava sol e o solo estava seco já estava escorregadio, imagina com essa chuva forte. Não vai dar pra descer com eles nas costas. ― Brandon explicou seriamente.
― Eu estou com frio. ― Jordan comentou por cima, sentindo seu corpo arrepiar de acordo que o vento gelado soprava fortemente.
― Todos estamos. ― Pablo falou. ― Embora eu e o Brandon e você estejamos de roupa, elas estão molhadas e o magrelo estar de cueca não ajuda muito. ― Continuou em seguida.
― Então é melhor a gente se apressar, pois já estamos chegando. No avião, a gente se troca e se aquece. ― Brandon se pronunciou, colocando Jordan no chão, assim como Pablo que fez o mesmo com Eron.
O moreno, ao descer no chão, esforçou suas pernas para que as mesmas sustentassem o peso de seu corpo e mesmo com um pouco de dificuldade, ele teve êxito na tarefa, o que foi um alivio para os outros três. Pablo pegou uma das malas que estava com o menor e com a mão livre apoiou no corpo dele para ajuda-lo a descer o pequeno barranco escorregadio para voltarem à rota do avião.
Com um pouco de dificuldade, eles conseguiram descer sem nenhum problema e logo em seguida, os dois esperaram por Jordan e Brandon que tentavam fazer o mesmo. Quando estavam quase no final do barranco, Brandon escorregou e acabou caindo, levando o amigo ao chão no processo.
Pablo, ao ver a cena, começou a rir da situação enquanto era repreendido por Eron que se preocupou com os dois.
― Vocês estão bem? ― O moreno indagou ao ver os amigos se levantarem com uma careta no rosto.
― Sinceramente? Eu já estive melhor. ― Brandon suspirou frustrado.
― Eu digo o mesmo. ― O oriental respondeu emburrado.
― Que bom. Agora vamos logo. A chuva está ficando um pouco mais fraca e essa é a nossa chance para nos apressarmos. ― O loiro advertiu se recompondo do ataque de risos.
Os garotos seguiram rumo ao avião, porém agora eles andavam num passo mais tranquilo. Eles tremiam de frio o que aumentava a preocupação de Brandon por conta de uma possível hipotermia, mas logo eles estariam à salvo da chuva e principalmente secos.
Não demorou muito e eles já haviam chegado no avião caído. Os quatro olharam incertos para o grande item e depois se entreolharam, porém antes de alguém fazer algum tipo de protesto, Pablo entrou no buraco que havia na lateral do mesmo com Eron em seu encalço, sendo acompanhado pelos outros dois.
― Bem... Vai servir por hora. ― O loiro suspirou.
― Eu não estou me sentindo bem. ― Eron disse se sentando numa das poltronas e relaxando no processo, sentindo falta daquele “conforto”.
― Vamos trocar de roupa. Se ficarmos molhados desse jeito, o risco de ficarmos doentes vai ser ainda maior. ― Brandon advertiu sério.
― Você trouxe toalha? ― Pablo indagou ao oriental.
― Só tinha uma seca, a outra estava no varal e molhou com a chuva. ― Jordan respondeu abrindo uma das malas que e pegando a mesma. ― Vai querer se secar primeiro? ― Perguntou em seguida estendendo o item para o maior.
― Não. Dá ela para o magrelo que ele está precisando mais. ― Pablo deu de ombros, surpreendendo os outros três. ― O que foi? ― Ele pediu confuso por conta dos olhares estranhos sobre si.
― Não é nada. ― O oriental desconversou entregando a toalha para Eron.
O moreno logo se secou e passou a toalha adiante. Enquanto os outros se secavam, Eron pegou sua troca de roupa e ficou olhando ao seu redor, sentindo as maçãs de seu rosto ficarem vermelhas por conta da vergonha.
― O que foi magrelo? ― Pablo perguntou curioso.
― Não tem lugar para me trocar. ― Eron respondeu sem graça.
― E daí? Se troca aqui mesmo. ― Jordan falou indiferente.
― Agradeço, mas não. ― Eron deu um sorriso amarelo.
― Qual é Eron, a gente já viu o tamanho do seu pinto, não precisa fazer charminho. ― Jordan revirou os olhos.
― Dispenso. ― O moreno disse com um sorriso amarelo.
― Eu também. ― Brandon falou sem graça.
― E eu. ― Pablo disse óbvio. ― Tem a cabine de um banheiro ali atrás. Se troca lá. ― Pablo apontou para o fundo do avião. ― Só cuidado com a porta, é perigoso você ficar preso lá dentro. ― Continuou em seguida.
O moreno assim fez, seguindo em direção ao banheiro do avião para trocar de roupa. O cheiro no local estava forte e desagradável, mas serviria no momento para o que ele queria fazer. Depois de seco, Brandon entrou logo em seguida e por fim Pablo, enquanto Jordan se trocava entre os assentos, sem se importar se os outros lhe olhavam ou não. Todos já estavam secos e devidamente vestidos, pelo menos como podiam, já que algumas roupas ou ficaram folgadas ou um pouco apertadas, mas já era melhor do que ficar com a roupa molhada ou até mesmo apenas de cueca.
― Agora que está todo mundo bem, eu vou lá pro fundo. ― Pablo disse analisando a segurança de todos.
― Por que não fica aqui com a gente? ― Jordan perguntou confuso.
― Dispenso. ― O loiro deu um sorriso sem humor.
― Pablo, espera. ― Brandon o chamou preocupado.
― O que foi? ― O maior arqueou as sobrancelhas sem paciência.
― Eu estive pensando numa coisa e queria falar com vocês sobre isso. ― O branquelo falou chamando a atenção de Eron e Jordan.
― E o que é? ― Pablo falou se aproximando.
― Eu acho que a gente deveria mudar o nosso acampamento pra cá. Aqui me parece ser mais seguro e caso as coisas saiam do controle, como aconteceu com a chuva de hoje, a gente vai estar protegido. ― Brandon alegou seriamente.
― O quê? ― Jordan soou surpreso.
― Você ficou louco? Nem pensar. Aqui é temporário e vamos apenas passar um tempo enquanto tiver chovendo. ― Pablo respondeu ríspido, cruzando seus braços diante de seu peito. ― Temos que ficar lá na praia, pois as chances do resgate nos encontrar lá é maior. ― Explicou.
― Pensa bem. Será a nossa melhor opção aqui. Fora que aqui não ficaremos expostos, estaremos aquecidos e não precisaremos dormir juntos já que tem várias poltronas. ― Brandon insistiu.
― Não rola. Se quiserem ficar aqui, problema é de vocês. Eu vou voltar pra praia sozinho quando a chuva passar. ― Pablo discordou dando de ombros.
O loiro bufou e seguiu rumo ao fundo do avião, se isolando dos outros três. Eron pensou em ir lá e falar com o maior, enquanto Jordan tentava absorver a ideia do branquelo e este tentava manter a calma diante da atitude infantil do Pablo.
Eron viu Brandon caminhar em direção ao loiro e o seguiu, assim como Jordan. Provavelmente os garotos acabariam brigando e ele teria que intervir.
― Pablo vamos conversar. ― Brandon insistiu.
― Não quero. ― O loiro disse seco.
― Tudo bem. ― Brandon falou suspirando. ― Mas não creio que queira ficar aqui parado olhando a noite chegar apenas em silêncio. Qual é, não tem nada demais em conversar com a gente.
― Eu estou bem em silêncio, obrigado. ― O loiro resmungou.
― Pra que isso Pablo? Não sabe quando vão vir nos resgatar, não pode se afastar da gente pra sempre. ― Jordan disse sem paciência. ― Eu achei que a nossa convivência estava começando a melhorar, mas você sempre arruma uma desculpa para colocar uma barreira entre a gente.
― Por que vocês insistem? Já não provei o suficiente que nós não damos certo em um convívio? O que mais tenho que fazer para vocês se tocarem? ― Pablo perguntou irritando. ― Eu já te falei magrelo. Eu disse que era melhor vocês ficarem longe. ― O loiro falou olhando para Eron que abaixou o olhar.
― Primeiramente você deveria parar de ser um idiota e ver que estamos no meio de uma ilha desconhecida e que provavelmente todos pensam que estamos mortos! ― Brandon se alterou, elevando seu tom de voz. ― Você não tem opção Pablo, você não pode escolher a dedo quem será seu amigo aqui dentro, porque não há mais ninguém além de nós, conforme-se com isso. ― Continuou com os braços cruzados
Eron assistia a discussão dos garotos com preocupação. Ele gostaria de dizer alguma coisa para amenizar tudo, mas ele se sentia tão inseguro quanto Pablo sobre esse assunto de resgate.
― ELES NÃO ACHAM QUE ESTAMOS MORTOS, ELES NÃO PODEM! ELES VÃO VIR NOS BUSCAR, VOCÊ VAI VER, ELES VÃO VIR NOS BUSCAR! ― O loiro praticamente berrou, levantando-se com tudo e apontando o dedo indicador na direção do branquelo.
― Quem pensaria na possibilidade de haver alguém vivo? O avião passou por uma turbulência horrível, vários raios o atingiu e depois ele caiu de uma altura que eu me pergunto como ainda pode existir sequer pedaços desse avião, então não crie expectativas. ― Jordan também se alterou.
― VOCÊS NÃO SABEM DE NADA. ELES VÃO DESCOBRIR, VÃO DAR UM JEITO, EU NÃO POSSO FICAR AQUI, EU NÃO POSSO! ― O loiro começou a se desesperar, andando de um lado para o outro em sinal de nervosismo.
Pablo começou a passar as mãos pelo cabelo desgrenhado e desidratado. Ele sabia que no fundo os garotos poderiam estar com toda a razão, mas ele não queria acreditar naquilo, não queria mesmo.
― E SE ELES NÃO VIEREM? O QUE VAI FAZER? NÃO SEJA IDIOTA PABLO! NÓS PRECISAMOS UM DO OUTRO SE QUISERMOS SOBREVIVER! ― Jordan berrou de volta e o mais novo balançou a cabeça negativamente.
― CALEM ESSAS MALDITAS BOCAS! EU NÃO POSSO VIVER EM UMA ILHA, ISSO É UM PESADELO! ― Pablo começou andar em círculos, ficando ainda mais nervoso. ― COMO MINHA FAMÍLIA DEVE ESTAR? ELES VÃO PIRAR! COMO VAI FICAR MINHA VIDA? EU NÃO POSSO, EU NÃO CONSIGO SUPORTAR ISSO!
Pablo berrava como se estivesse tendo uma conversa consigo mesmo. O loiro se sentia decepcionado e indignado por estar naquela situação. Por que as coisas tinham que ser assim? Seus olhos começaram a arder e ele tentou de todas as formas prender as lagrimas, mas não conseguiu.
O maior não se lembrava de quando havia chorado dessa forma, talvez quando achou que Eron iria morrer ou talvez só quando era criança e pensava ter uma longa e bela vida pela frente, porém se enganou.
As lagrimas vieram com facilidade e ele levou suas mãos para seus olhos, apertando-as na região fortemente, até que alguns soluços começaram a escapar. O mais novo só queria acordar em seu quarto e suspirar aliviado ao perceber que tudo havia sido um grande pesadelo. Mas estava acontecendo, todos poderiam achar que eles estavam mortos, todos poderiam achar que não sobrou um vestígio sequer do avião.
Pablo se sentia sem chão até então, porém sentiu um conforto inexplicável quando seu corpo foi envolvido por braços quentes e delicados, que lhe apertaram e o fez chocar contra o corpo dele. Era Eron... Novamente o mais velho o estava abraçando e lhe transmitindo conforto e calma com o gesto.
O moreno apertou o abraço, acariciando de leve as enormes costas do loiro, sussurrando em seu ouvido que tudo ficaria bem. O rosto de Pablo foi involuntariamente para o pescoço do menor e ele estava muito fraco para empurra-lo para longe, coisa que só faria porque Brandon e Jordan estavam presente. Na verdade ele nem sabia se queria empurra-lo mesmo diante dos dois.
Repentinamente os braços do loiro pareceram criar vida própria e envolveram os ombros de Eron, apertando os mesmos com suas mãos. Ele só queria descontar sua angustia naquele abraço, queria que toda essa dor e desespero saísse de si.
Pablo só queria poder ter total controle da situação assim como eles. Por que aqueles três não se desesperava também, o loiro pensava? Por que eles era tão calmos diante a tudo isso? Por quê? O loiro se sentia desnorteado e Eron parecia completamente equilibrado, embora fosse apenas aparência e o menor estar tão nervoso quanto ele, porém não transmitindo. Pablo só queria ter ao menos um pingo de sua tranquilidade e domínio próprio quanto o moreno, Jordan e Brandon.
O oriental e o branquelo assistiam a cena com dó. Uma hora ou outra eles sabiam que aquele muro de concreto que o loiro havia erguido acabaria desmoronando. Era compreensível. Embora Pablo fosse quase um gigante, ele tinha apenas dezenove anos e era um recém adulto, embora suas atitudes e birras correspondessem à uma criança.
― Hey... ― Brandon disse chamando a atenção do loiro. ― Nós vamos ficar bem, okay? Eu prometo que nós vamos sair dessa. ― Completou em seguida.
― Só precisamos ficar juntos. ― Jordan falou em sequência.
Pablo apenas encarava os dois sem conseguir responder, ele parecia não conseguir digerir tudo que estava acontecendo. O loiro não conseguia entender por que o abraço do Eron era o que estava lhe mantendo de pé naquele momento.
Ele já havia se sentido sozinho muitas vezes, mas desta vez era diferente. Antes ele era cercado de pessoas na qual passava momentos de farra , já agora, não havia ninguém ali, só três garotos que até então ele nem ao menos havia ido com a cara, com exceção do moreno, mas que eram os únicos no qual ele poderia contar no momento, embora o mesmo odiasse isso.
O loiro virou o rosto sentindo sua visão embaçar novamente, e Eron puxou o mesmo bruscamente para poder encarar seus olhos para finalmente se pronunciar.
― Não pense em fazer nenhuma besteira, confie em mim, nós vamos ficar bem. ― O moreno disse e arrastou sua mão até sua nuca, fazendo com que Pablo ficasse arrepiado com o toque de a mão gelada do mais velho em contato com a pele de seu corpo.
― Você está bem? ― Brandon perguntou preocupado.
― Estou. ― Pablo falou se separando do abraço de Eron.
― Tem certeza? ― Jordan insistiu incerto.
― Sim. ― O loiro respondeu seco, revirando os olhos.
― Você vai continuar de implicância com a gente? ― Brandon suspirou.
― Acho que tenho direito de estar chateado por vocês cortarem a pouca esperança que me restava. ― Pablo respondeu desviando o olhar dos garotos.
― Qual é, a gente só foi realista, não queria que se decepcionasse depois que ninguém viesse nos buscar. ― Jordan respondeu sem graça. ― E você estava precisando de um choque de realidade para parar de ser um babaca. ― Continuou em seguida.
― Tudo bem, não precisa falar essas coisas de novo. ― Pablo falou enquanto abaixava seu olhar para o piso do local.
― Me desculpe ok? Eu não deveria ter falado exatamente daquele jeito, mas você precisava acordar. Isso tudo é realmente sério. ― Brandon dizia e o loiro apenas continuava em silêncio observando os próprios pés. ― Nós precisamos ajudar um ao outro se quisermos sobreviver.
O maior levantou seu olhar até os garotos e os observou por um instante, logo voltando a olhar para frente. Ele parecia pensativo, parecia pensar sobre o assunto, mas no fundo os garotos sabiam que ele não tinha saída e nem opções. Talvez ele finalmente estivesse percebendo isso.
― Posso te fazer uma pergunta Magrelo? ― O loiro disse de repente, chamando a atenção de Eron e dos garotos que olhavam com curiosidade.
― Claro. ― O moreno se apreçou em se responder.
― Por que você me abraçou? ― Ele perguntou e por um momento, Eron não soube explica-lo com todas as letras o motivo, mas ao vê-lo esperar por uma resposta fez com que o moreno ao menos tentasse.
― Eu... Eu só não achei justo deixa-lo tão desnorteado e não fazer nada. Não sei o que pensa sobre mim, não sei qual a impressão eu passei, mas eu não consegui ver você daquele jeito e não fazer nada. Não importa o quanto me ignore, eu não guardo ressentimentos e àquela hora eu sabia que você precisava de apoio, então apenas fiz a primeira coisa que me veio à mente. Eu sei que você lembra que eu te disse que iria te ajudar hoje cedo, e eu só estava colocando isso em prática. ― Eron disse sem graça.
E mais uma vez apenas se ouvia o barulho da chuva do lado de fora no avião. Os garotos o fitaram e ele sorriu fraco balançando a cabeça negativamente.
― Você é realmente inacreditável. ― Pablo sorriu em descrença.
― Isso seria um elogio? ― Eron perguntou curioso.
― Talvez. ― Pablo deu de ombros.
― E sobre termos uma convivência civilizada? Talvez? ― Brandon perguntou e ele suspirou cansadamente.
― Eu realmente não tenho opções. ― O loiro respondeu desanimado.
― Isso foi um sim? ― Eron perguntou esperançoso.
― Mas não pense que nos tornaremos melhores amigos ou coisa parecida. ― Pablo advertiu sério.
― Isso continua sendo um sim? ― Jordan disse empolgado.
― E você, seu japonês imbecil, vê se para de me encher o saco e me tirar a paciência. ― Pablo apontou para o peito do oriental que sorriu.
― Vou considerar isso como um sim. ― Jordan disse sorrindo, fazendo-o revirar os olhos e soltar um sorrisinho de lado.
― Quem sabe...
― Não vai doer se tentar. Vamos começar do zero ok? ― Eron sorriu feliz.
― O que? Não, não é necessário magrelo. ― Pablo revirou os olhos.
― Qual é, vamos lá. ― Eron insistiu fazendo Pablo suspirar impaciente. ― Eu sou Eron James Burton e tenho vinte e um anos. ― O moreno se apresentou.
― Eu sou Jordan Yugieon e tenho vinte e dois anos. ― O oriental falou em seguida.
― Eu sou Brandon Green Cooper, tenho vinte e dois anos. ― Brandon disse em sequência.
― Pablo Montenegro, e eu tenho dezenove anos. ― O mais novo falou sem jeito.
Agora as coisas finalmente começariam a caminhar melhor.
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