Surreal World
1 Prólogo
Notas iniciais

21 de novembro de 2011
Minhas lágrimas caiam no chão frio da enorme suite. Minha cabeça estava apoiada nos meus joelhos, afim de não ser vista por rostos falsos com olhares de pena. Eu odiava esse sentimento. E odiava ainda mais meu padrasto.
O corpo sem vida da minha mãe estava deitado sobre a cama, com um lençol branco cobrindo-a da cabeça aos pés. Levantei-me e dei-lhe uma última olhada antes de dois enfermeiros entrarem e colocarem-na em uma maca e a levarem de perto de mim. Sua pele, que outrora fora tão branca como a neve, agora tinha um tom morto. Seus lábios, que sempre foram tão vermelhos, estavam roxos. Seu corpo estava magro, esquelético, na verdade. Pensei no seus olhos azuis intensos, como os meus, que jamais veria novamente. Mais lágrimas desceram. Não suportei meu próprio peso e desabei no chão. Não aguentaria viver com aquele velho ganancioso. Minha vida, agora, estava acabada.
–Lia?- Ouvi uma doce voz.
–Mad!- Tentei forçar um sorriso. Tentativa falha. Ela correu até mim e me abraçou apertado, derramando mais lágrimas ainda.- Shiii! Calma Mad, nós vamos ficar bem. Eu vou dar um jeito...
–Lia, como vamos viver assim? Não podemos ficar com ele.- Seu tom de voz me desconcertou. Medo. Ela sentia muito medo.
–Vamos, levantem daí! Não podem ficar chorando o tempo todo, não vai adiantar, ela morreu. Não volta mais
–Como pode falar isso?- Perguntei me levantando- Maddison tem apenas 10 anos, acabou de perder a mãe. Está traumatizada. Como pode pedir para simplesmente esquecer?
–Ah, cale a boca, sua vagabunda! Você não sabe de nada. É apenas uma adolescente de 16 anos tentando ter poder sobre mim. Você é menos de idade, Thalia Grace. Não pode fazer nada contra mim!
Sai correndo. Não aguentaria muito tempo com aquele cara na minha frente. Ele me dava nojo. Entrei em meu quarto e tranquei a porta. Me despi e tomei um banho quente. Me ajudava a esquecer dos problemas por um tempo. Vesti meu pijama e me deitei na cama, esperando por Maddison. Não aguentei esperar por muito tempo. Deixei o sono me dominar.
...
Era três da manhã. Eu tinha acordado com o barulho de coisas quebrando. Olhei para a cama ao meu lado. Mad estava dormindo serenamente. Uma sensação de alívio percorreu meu corpo. Não consegui dormir de novo. Calcei meus chinelos e fui até a porta, abri e caminhei lentamente até a origem do barulho. De uma porta, o escritório de Joseph, pra ser mais exata, saia um fio de luz. A porta estava entre-aberta. Olhei pela fresta e me deparei com muito vasos quebrados, papéis pelo chão e um Joseph em pé, em frente a sua escrivaninha. Seus olhos focaram nos meus. Corri. Era, com certeza, a coisa mais esperta a se fazer. Mas não fui muito longe. Um mão agarrou meu braço e me jogou dentro de um quarto qualquer da grande casa. Olhei pela fechadura da porta. Em frente aquele quarto se localizava um pequeno almoxarifado. Vi Maddison entrando nele com uma rapidez inexplicável. Joseph entrou logo atrás. Levantei-me e procurei uma arma pelo quarto todo. Sempre tinha um revólver pelo meio daquela mansão. Achei um dentro de um gaveta. Abri a janela e saltei pra fora, descendo pelo cano até o chão. Entrei dentro de casa e, em passos rápidos, me direcionei para o almoxarifado. Eu o avistei parado em frente a porta. Apontei a arma para sua cabeça.
–O que acha que está fazendo, sua vadia? Vai atirar?- Ele perguntou, debochado
Tirei a arma da sua cabeça e mirei no seu braço. Atirei. Uma lâmpada explodiu e um grito foi ouvido. Maddison!
–Mad! Mad! Fala comigo!- Pedi segurando ela nos braços- Por favor Maddison, responde. — Eu soluçava
–Você a matou, querida. Você sempre faz merda, na sua vida e na de todos a sua volta. Sempre!- Ele me deu um tapa
Eu tentei correr, mas não consegui sair do canto. Soltei a arma no saiu e sai do pequeno quarto, ás pressas. Fui até o tumulo da minha mãe, recentemente feito. Desabei, agora eu não tinha mais ninguém. Não tinha mais condições para viver. Minha vida estava, definitivamente, destruída.
Ouvi uma sirene.
–Ali está ela! — Gritou, provavelmente, um policial
Olhei pra trás. De fato era. Ele andou em minha direção.
–Calma, menina. Não queremos te machucar.- Acho que minha aparência estava bem horrível, pois ele hesitou um pouco.
Me senti um pouco tonta. Tudo ficou escuro e minha última visão foi uma agulha sendo tirada de mim e o sorriso vitorioso de Joseph Williams...
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