Surprises of Fate
33 Capítulo 32 - Advice and more advice
Notas iniciais
POV DAMON
— Cara, eu já te disse não tem pra que todo esse desespero. Alguma hora isso iria acontecer Damon, ou você iria esconder pra sempre Elena e seu filho da sua família? —Finn fala pacientemente do outro lado da linha, e toda aquela paciência dele estava me deixando ainda mais nervoso.
— Finn, você sabe como eu sou, em algum momento eu vou enlouquecer com toda essa pressão e fazer uma besteira enorme, por fim magoando a Elena — suspirei. Eu tinha certeza absoluta que em alguma hora eu iria acabar magoando muito ela, não porque eu quero, mas sim por conta desse meu jeito inseguro e impulsivo.
— Damon presta atenção ok? Vou falar pela última vez; Você vai ser um ótimo pai, amar essa criança incondicionalmente e, sem dúvida alguma, um ótimo companheiro para Elena. Você a ama amigo, e isso não adianta negar, possa ser que você não saiba expressar isso para ela, mas todo mundo que convive com vocês dois sabem o quanto vocês se amam. Então para com essa neurose, curte esse momento da tua vida. — Enquanto Finn fazia seu discurso de sempre, eu massageava minha têmpora esquerda em busca de aliviar pelo menos um pouco aquela dor de cabeça horrível que me incomodava. — Pensa nisso que eu te disse Damon. Agora eu vou sair com a minha garota, você deveria conversar com a sua e quem sabe sair também.
— Tudo bem Finn, obrigado. — Encerrei a chamada, jogando o celular na mesa longe de mim.
Abaixei minha cabeça na madeira fria da mesa do meu escritório e tudo que aconteceu nesses dias veio como uma avalanche sobre mim. Conheci os pais da Elena a menos de duas semanas, são pessoas adoráveis não só eles como toda a família Gilbert, mas o pai dela e o irmão sabiam como deixar qualquer um sem argumentos ou até mesmo sem reação nenhuma e a conversa que Grayson teve comigo em um momento daquele dia não saia mais da minha mente.
FLASHBACK ON
Estávamos todos no mercado de uma cidade vizinha a Mystic Falls, já que segundo Jeremy só ali tinha alguma bebida que prestasse. Elena ficou em casa com a sua mãe e sua tia, e apenas os homens vieram comprar todos os suprimentos que era necessários, eu estava um pouco desconfortável por não ter tanta intimidade com o senhor Gilbert e Jeremy e a minha salvação era Alaric que em todo momento estava comigo e na maioria das vezes era a pessoa que me salvava do meu sogro e do meu cunhado.
—Damon, venha me ajudar a escolher um bom vinho — senhor Gilbert me chamou, muito simpático por sinal o que me deixou um pouco apreensivo.
Seguimos para a área dos vinhos e olhávamos em silêncio os anos e as safras de algumas garrafas em busca da melhor, como meu pai é um amante de vinhos e eu desde menino o ajudei a montar sua adega, conheço um pouco sobre isso.
— Damon, eu percebi que minha filha gosta muito de você, pra falar a verdade de todos os namorados que ela levou para nos apresentar, com certeza você é o que ela ama. — ao escutar aquelas palavras, desviei meus olhos do rótulo do vinho que eu estava lendo e encarei o senhor em minha frente — E por esse motivo, eu acho bom você não a magoar e cuidar muito bem dela, tanto dela como do meu neto.
Se eu já estava totalmente nervoso com essa visita, agora não restavam mais dúvidas que a qualquer momento eu iria desistir de tudo e como um covarde, fugir.
— Claro senhor Gilbert, estou tentando dar o meu melhor para ela.
FLASHBACK OFF
Depois daquela situação totalmente constrangedora eu não sabia como agir e acabei sendo uma pedra de gelo com a Elena naquele mesmo dia. Tudo isso para mim é uma grande novidade, tanto no quesito de está em um relacionamento sério a ponto de conhecer toda a família da mulher e ainda mais no quesito paternidade, eu queria me adaptar a essa situação como a Elena está se adaptando e eu a admiro demais por isso já que como eu ela não tem noção nenhuma sobre como criar uma criança, mas apenas o amor incondicional que ela tem pelo bebê, o enorme instinto materno vai fazer dela a melhor mãe do mundo. Mas e eu? Um homem de trinta anos — prestes a completar trinta e um — que até seis meses atrás nunca tinha tido um relacionamento sério e queria correr apenas em escutar o nome paternidade, um homem que a única experiência de vida que tem com uma criança é com a sobrinha que ele sabe que não depende dele para nada, por isso é tão apegada a ela e a ama mais do que a própria vida.
E, o que realmente me apavorava era isso; um ser tão pequeno e indefeso totalmente dependente de mim, que qualquer atitude minha em relação a ele vai influenciá-lo pelo resta da vida.
Meus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta do meu escritório, e em seguida o rosto da minha morena apareceu.
— Você não vai almoçar? Vai ficar tudo frio... — falou tão baixo que quase não a escutei.
— Vou — levantei-me da cadeira e fui em sua direção — Já almoçou? — coloquei uma mecha do seu cabelo para trás e ela apenas balançou a cabeça em negação.
Seguimos para a sala de jantar em silêncio, permanecendo desse mesmo modo durante toda a refeição. Elena mal tocou na sua comida e eu sabia que tudo isso era pelo ocorrido de hoje mais cedo e aquilo me preocupava já que eu sei que mais do que nunca ela precisa se alimentar, mas optei por ficar em silêncio, pois não queria arriscar ter uma discussão com ela. Assim que terminamos — aliás, eu — ela retirou nossos pratos e os lavou e seguiu sem se pronunciar em direção do meu quarto, preferi deixá-la sozinha já que como eu talvez ela quisesse pensar.
Sentei no sofá e a imagem da minha mãe nos convidando para as “festividades” da semana que vem não me saiam da mente, eu pedia ajuda aos céus para tomar uma decisão sensata e agir de maneira correta.
— Damon... — Elena me chamou e ao virar em sua direção pude ver que ela estava com uma pequena mala que tinha trago para cá, aquilo me fez levantar rapidamente e encará-la tentando buscar respostas. — Eu vou embora. Isso já passou dos limites, nós causamos muitos problemas hoje — falou com uma mão apoiada na sua barriga redondinha. — Eu vi como você ficou, e eu não quero que isso aconteça novamente.
— Lena, por favor... Fique. — me aproximei dela e segurei seu rosto em minhas mãos — Eu gosto muito de você, demais. E o bebê eu estou me esforçando para me adaptar, você não entende que isso é tudo muito novo para mim? Eu queria muito ter esse seu instinto, mas...
— Entendo perfeitamente você Damon — falou calmamente — Mas vamos dar um tempo certo?
— Tempo? Eu não quero tempo algum Elena! — falei exasperado — Eu gosto de você meu anjo, você não entende isso? — voltei novamente para perto dela e encostei minha testa na dela. Eu podia sentir sua respiração desregular em meu rosto, a nossa proximidade era enorme e aquilo deixa tanto ela como eu desesperados um pelo outro.
— Damon eu não estou terminando com você, mas precisamos de um tempo para pensar nisso tudo que aconteceu hoje e pra isso precisamos está longe um do outro porque caso contrário não iríamos pensar em nada a não ser transar feito loucos — acabei sorrindo ao escutar aquilo dela, ela retribuiu abrindo seu melhor sorriso para mim — Mas eu realmente preciso pensar, conversar com alguém...
— Tudo bem, mas não se afaste completamente. Por favor. —beijei sua testa — Quer que eu te leve?
— Não precisa, eu pego um táxi.
Chamei um táxi para ela e em poucos minutos o carro estava parado em frente a minha casa. Peguei sua bolsa e caminhei lentamente pelo jardim com ela ao meu lado, nos despedimos brevemente com apenas um abraço forte já que na minha tentativa de beijá-la ela me evitou e aquilo já me deixou totalmente angustiado, pois eu sabia que a partir daquele momento ela iria passar a me evitar de todas as formas possíveis.
*
POV Elena
Ao perceber que eu já estava distante da casa do Damon, eu pude me deixar relaxar e absorver todas as informações e acontecimentos daquele dia. Nunca imaginaria que a mãe do Damon em algum momento pudesse chegar na casa dele de forma repentina e me pegar daquela maneira na cozinha da casa dele e descobrir de uma forma nada legal que eu sou a namorada dele e, que ela vai ser avó. Ali eu pude perceber que Damon não tinha a menor pretensão de contar à família que estava namorando e que em breve iria ter um filho, — se é que ele já admitiu pra si próprio que vai ter um filho — e de certa forma isso me deixou um pouco desnorteada, talvez por ter acreditado que ele já estava aceitando e que em pouco tempo a sua forma de agir iria mudar, mas o meu pensamento regrediu novamente para a estaca zero onde eu não sei como vai ser a próxima ação do Damon.
Caroline tinha viajado para Londres e eu necessitava conversar com alguém que me entendesse perfeitamente e Cary era a opção perfeita para aturar minhas lamurias. Liguei rapidamente para ele, e por sorte ele já estava saindo do trabalho e topou na hora passar no meu apartamento ao escutar minha voz triste e a constatação vinda de mim mesmo que eu precisava urgentemente de um colo amigo.
O táxi parou em frente ao prédio e apenas me despedi do senhor que dirigia já que Damon tinha pagado a corrida assim que entrei no carro mesmo com os meus protestos afirmando que eu mesma poderia pagar, mas como sempre ele me ignorou totalmente. Ao entrar no hall cumprimentei brevemente o porteiro do dia com um sorriso nada animador e ele me devolveu um ainda pior o que me fez rir internamente deduzindo que ele estava tendo um dia tão bom como o meu, para não dizer ao contrário. Meu apartamento estava do mesmo jeito que eu e a Car tinha deixado hoje de manhã, como ele permaneceu fechado o perfume doce da loira ainda era forte e aquilo me fez querer vomitar mesmo que essa época já tenha passado.
Tomei um banho rápido e deitei em minha cama enquanto zapeava os canais da TV, como nada me agradou deixei em um canal de desenho e aquilo me fez rir verdadeiramente pela primeira vez no dia, pois eu sabia que daqui a algum tempo eu iria ser obrigada a assistir esses desenhos várias vezes por dia quando o meu pequeno estivesse um pouco maior. Como de costume, minha blusa estava levantada e modéstia a parte minha barriga redonda estava maravilhosa e o sentimento de realização ao olhá-la sempre era o mesmo, independente da hora, lugar ou momento. A porta do apartamento foi aberta e eu sabia que era Cary já que ele tinha uma cópia da nossa chave, dando total liberdade para ele entrar e sair à hora que bem entender daqui.
— Eu odeio calor, como tem gente que gosta disso? — Cary entrou no meu quarto reclamando enquanto tirava seu terno. Quem o não conhecia quando o via de terno acreditava podia acreditar sem dúvida nenhuma que era um pai de família sério e homens de negócios, o que chegava a ser cômico pensar assim, pois o meu amigo não tinha nada de sério e muito menos de pai de família. — É um horror, todo mundo fica suado e não podemos usar nossos cachecóis chiques ou, sobretudo caríssimos.
— E nem eu minhas botas. — falei fazendo beicinho. Meu amigo abriu os braços teatralmente como se afirmasse que ele estava certo com a sua teoria sobre o calor e seguiu para o meu banheiro.
— Estou melhor — disse enquanto secava o rosto — Mas vamos lá, porque essa carinha triste Lena? Conte-me tudo.
Contei sobre o grande ocorrido de hoje pela manhã e de como Damon ficou desconfortável pela mãe dele ter me visto em sua casa e ainda mais usando apenas uma blusa dele.
— Leninha que coisa, quem ia imaginar que a mulher chegaria assim de surpresa?
— Pois é... Mas eu acabei me iludindo novamente Cary...
— Com o que? Damon novamente?
— Sim... Como eu te disse ele está tão mudado agora, parece ser outro homem, e isso me deixou tão feliz, mas tão feliz que talvez eu tenha sido burra o suficiente para pensar que ele já estava adaptado ao nosso filho e tudo isso veio ao chão hoje pelo modo que ele falou do bebê para a Edna. — suspirei — Aliás, antes mesmo disso, quando eu pensei que ele ao chegar do trabalho iria perguntar se eu tinha descoberto ou não o sexo do bebê, mas ele só ficou sabendo que não teve como saber quando a mãe dele perguntou a mim se eu já sabia...
— Damon Salvatore é um caso sério Lena... Mas eu tenho certeza que ele uma hora vai perceber a merda que está fazendo, seja por bem ou por mal.
— Eu realmente espero que seja por bem sabe? Porque se for por mal, consequentemente eu também vou sofrer com isso.
— Essa semana o deixe um pouco de lado Elena, você está de férias e isso vai facilitar um pouco, pois você não vai precisar vê-lo todo santo dia. Quando ele ligar o ignore, e nesses dias passe pouco tempo em casa porque com toda a certeza do muno depois de um dia sendo ignorado ele vem aqui então você já sabe... Minha casa está aberta e o Alef está louco pra te ver então junte o útil ao agradável, passe um tempo lá em casa, de preferência só venha para cá para dormir — falou rindo— Estou falando sério e isso também vai ser bom, porque não é seguro uma grávida ficar só em casa.
— Céus, eu já disse o quanto eu te amo Cary? Você é o melhor amigo do mundo, ninguém pode ser comparado a ti.
— Para sua vadia, fiquei até emocionado — fingiu que secava lágrimas me fazendo rir alto.
— Aproveite, não são todos os dias que eu estou falando sobre o meu amor por você.
— Tudo bem já entendi, agora vai fazer pipoca para nós que no caminho eu aluguei aquele filme que você estava querendo ver e eu estou com fome.
Deixei meu amigo espaçoso ajeitando tudo no quarto e segui para a cozinha. Com toda a certeza do mundo eu iria seguir os conselhos do Cary, ele sempre acerta quando a coisa é no departamento amoroso e eu confiava nele de olhos fechados.
Passei o fim de tarde com o meu amigo que sabia distrair alguém como ninguém e fazer qualquer um se sentir renovado, e depois de muita insistência dele e do Alef — que antes tinha um ciúme horrendo de mim com o Cary, mas depois que soube que eu estava namorando e grávida de outro, se tornou outra pessoa — resolvi passar a noite na casa dos dois, pois segundo eles seria uma tremenda irresponsabilidade me deixar sozinha em casa. Como ainda não tinha desfeito a mala de mão que tinha levado para casa do Damon, levei aquela mesma e em poucos minutos eu já estava a caminho da casa do meu amigo.
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