Surprises

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Well, bem fluffy e simplezinha :3 ~Escrevi na madrugada do niversário do Shin <3 q Enfim, espero que gostem!!

- Omedetou, Shin-san.

Ele parecia tão longe. Sempre bonito e sorridente rodeado de amigos. Eu apenas observava.

Maldita timidez, essa minha. Por que eu não tinha coragem de falar com ele? Encolhi-me no canto do corredor, atrás do armário, enquanto segurava nervosamente o pequeno embrulho em minhas mãos.

Era tão mais fácil no jardim de infância. Eu não tinha tanta vergonha de me aproximar das pessoas importantes para mim. Mas será que ele se lembrava?

Costumávamos ser da mesma turma, nos sentávamos lado a lado na sala e conversávamos horas a fio sobre todos os assuntos do mundo! Mas ao entrarmos no colegial nos separamos, e acabamos perdendo contato com o passar do tempo. Shin fez novos amigos e se tornou popular, e eu me vi cada vez mais distante dele.

E a cada dia que o via longe, mais falta seu sorriso me fazia. Aquele sorriso que eu sabia que ele só dirigia a mim.

Eu percebi que o que sentia por aquele menino gentil de cabelos cor de mel era muito mais que eu admitia ser. Ele ficou tão bonito... Mas eu não conseguiria ter aquele sorriso de volta. Faltava-me coragem.

E lá estava eu, no dia de seu aniversário de 17 anos, escondido atrás de um armário, tentando inutilmente criar a tal. Um simples “Feliz Aniversário” que ele pudesse ouvir! Eu só precisava me aproximar e chamar seu nome. E é claro, entregar o presente.

Não ia dar certo. Logo, logo ele iria embora, e minhas chances de comunicação direta estariam arruinadas.

Foi então que aconteceu:

- Ivu-kun? – Meu coração deu um salto ao ouvir sua voz a meu lado. Escondi rapidamente o embrulho em minhas costas, sentindo minhas maçãs do rosto esquentarem.

- S-Shin-san... Oi. – O loiro olhava assustado para mim. Eu estava considerando seriamente a hipótese de me enfiar no buraco mais próximo.

- Oi! Quanto tempo, ne... – Ele sorriu, sem graça. – O que está fazendo aí, escondido?

- N-n-nada! Eu, eu só estou... guardando um negócio que esqueci aqui e ... – Agachei-me e peguei minha mochila rapidamente do chão, enfiando o embrulho com cuidado para que ele não visse. – E você?

- Bem, eu pensei que tivesse esquecido algo no armário – Disse, oferecendo a mão para me ajudar a levantar. – Mas pelo visto não. Nee, você vai agora? Os outros pelo visto foram embora sem mim.

- V-Vou sim. – Nessas horas eu queria que minha franja não fosse tão curta e repicada; Meu rosto deveria estar parecendo um pimentão.

- Bem, se importa se eu te acompanhar? – Ele desviou o olhar, constrangido, e então eu sorri.

- Claro que não.

Saímos do colégio, caminhando calmamente pela rua, lado a lado. Olhava fixamente para o chão, tentando organizar meus pensamentos, o que estava sendo extremamente difícil. Era minha chance, não podia agir como um retardado justo agora.

- Então... Como você está? – Shin puxara assunto, de novo. Olhei para ele, encontrando acidentalmente seu olhar. – Faz um bom tempo que não nos falamos, não é? Me desculpe.

Seu rosto estava sério, os olhos castanhos claros me pareciam tão sinceros. Sorri radiante; aquelas simples palavras me deram um pouco de confiança.

Mas eu não podia me precipitar.

- Estou bem, obrigado por se preocupar. – Mantive o sorriso. – E você?

- Também. – Ele sorriu. Um sorriso lindo, mas que ainda não era aquele sorriso.

Alguma coisa o perturbava, eu pude perceber em sua expressão. O que seria?

Precisava de mais tempo. Logo iríamos para caminhos diferentes, e tudo voltaria a mesma coisa. Droga, o que eu ia fazer?

Mas Shin parecia ler meus pensamentos. O loiro parou, apontando para uma pequena confeitaria na esquina da rua.

- Quer tomar um café? Não tenho hora para voltar, hoje.

Assenti alegremente. Entramos e continuamos a conversar, apreciando os doces e o café quentinho. Era difícil descrever minha alegria ao ver que ele não mudara nada. Continuava gentil e divertido como quando o conheci, era quase surreal.

- Eu senti falta disso, sabe. – O loiro disse, olhando através da janela o sol que começava a se pôr. – Achei que não fosse mais querer falar comigo.

- Eu senti o mesmo. – Disse timidamente, atraindo seu olhar. – Senti sua falta, Shin.

Seus olhos que pareciam de caramelo faziam minhas mãos tremerem. Seus lábios se repuxaram num sorriso tenro, deixando-o ainda mais bonito à luz avermelhada que invadia o local.

Peguei minha mochila, retirando o embrulho plano e entregando, hesitante. Estava ficando tarde, seria agora ou nunca.

- F-Feliz Aniversário. Espero que goste.

Ele olhou para mim, surpreso. Desfez o embrulho e viu um álbum de fotografias, decorado e colorido.

- E-eu fiz a mão. Como não sabia o que te dar... – Desviei o olhar, constrangido.

Shin abriu-o, encontrando apenas uma foto. Era a única que tinha guardada de nós dois quando tínhamos uns 10 anos. Sorríamos alegremente, com poses engraçadas.

Foi então que ele sorriu radiante. O meu sorriso, o que eu tanto amava.

- Foi o melhor presente que já recebi. Muito obrigado, Ivu-kun.

- Eu te amo.

Vi seus orbes se abrirem de surpresa, e então me dei conta do que tinha dito. Meu rosto ardeu, enquanto espancava-me mentalmente. Por que eu tinha que estragar tudo?

Levantei por impulso, saindo desembestado do café, com um único “Desculpe” como despedida.

“Sou um completo idiota, mas que merda!” Minha mente remoia insistentemente aquela frase, e aquilo só me fazia sentir pior.

Ia virar a rua quando senti uma mão quente me segurar pelo braço. Olhei para trás e vi sua figura novamente, mantendo aquele sorriso doce. Desviei meu olhar de seu rosto, focando-me no chão de novo.

- Eu pensei que tivesse se esquecido do meu aniversário. – Disse, com o olhar cheio de significado.

Eu não respondi. Não tinha o que dizer, apenas queria abraçá-lo. Shin nunca precisou de palavras para me fazer entendê-lo. Senti sua mão me puxar cuidadosamente, e me deixei afundar o rosto em seu peito. Envolvi seu tronco com meus braços, ao mesmo tempo em que estava seguro nos seus.

Aquele foi, definitivamente, o melhor, o mais surpreendente aniversário de todos. E o primeiro de muitos.

Naquele dia cheio de presentes, o pôr-do-sol me trouxe seus lábios, e a luz da lua a primeira despedida alegre. Alegre por saber que não nos separaríamos mais. Bom, talvez não por um bom tempo.

O álbum que lhe dei de presente logo ficou cheio, eu tive que fazer outro no natal. E faria mais mil, se fosse preciso. Nunca ele estivera tão perto, e eu nunca me senti tão corajoso e confiante.

Enquanto o tempo passa lento, as coisas podem mudar tão rapidamente, ne?

Notas finais
That's it ~e aí, o que acharam? *w*
Reviews são amor e b29;
chuu ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!