Surpresas
16 Um final... ou não
Notas iniciais
Ciborgue e Mutano estavam mais nervosos que antes. Tinham ouvido o choro e, por isso, agora tinham seus ouvidos praticamente grudados à porta da enfermaria.
“Ouviu alguma coisa?”
“Não! Estão falando baixo demais!”
Assim, a porta se abriu e os dois quase caíram para dentro do quarto. Por sorte conseguiram recuperar o equilíbrio a tempo.
“O que vocês pensam que estão fazendo?!” Ravena dizia ao fechar a porta.
“Rae! Foi mal, a gente tava... meio que... curioso!...”
A desculpa do metamorfo fez com que ela levantasse uma das sobrancelhas e desse um suspiro. Devia estar pensando em como eles eram patéticos.
“Está bem... eu falo. É menina.”
Mutano quase caiu no chão ao ouvir aquilo e ao ver Ciborgue pulando e rindo da cara dele sem parar.
“Não! Outra derrota não!”
“Não sei por que tá tão surpreso, eu sempre venço!”
Diante daquela situação, Mutano não respondeu nada. Apenas pensou nos planos terríveis que o titã metálico prepararia para ele. Afinal, a aposta valia tudo!
“Mas e o Robin?” Ciborgue perguntou assim que recuperou o fôlego.
“Está lá com as duas. Como Estelar acabou desmaiando no parto, ele resolveu ficar na enfermaria.”
“E a gente pode ir lá?”
“Acho que ainda não, Mutano. Se ela acordar daqui o pouco, os dois poderão finalmente se entender. Melhor deixa-os a sós por mais um tempo...”
“Bom, enquanto isso que tal um lanche?” Ciborgue correu para a sala comum, sem ao menos esperar uma resposta. Sem escolha, Ravena e Mutano o acompanharam.
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Robin estava sentado ao lado da maca onde Estelar repousava. Mas agora observava sua filha, quase tão adormecida quanto a tamaraniana naquele momento.
E pensar que cheguei a ter raiva dessa criança...
Robin estava feliz, mas não muito. Só de lembrar que (segundo ele, claro) ela teve uma filha de outro já perdia um pouco de seu ânimo. Sorte que seu amor por Estelar conseguia superar esse mau pensamento.
Foi aí que ele segurou uma das mãos dela e trouxe para perto de si.
“Ainda bem que tudo deu certo...” Ele disse, quase sussurrando. Era como se quisesse que ela o ouvisse. Uma forma de demonstrar que sempre podia contar com sua ajuda. Uma coisa que devia há muito tempo.
Mas algo o surpreendeu depois de pronunciar aquilo. Ele sentiu a mão delicada da tamaraniana apertar levemente a sua. Parecia uma resposta a o que dissera segundos atrás. Surpreso, Robin se virou e acabou encarando um par de olhos verdes se abrindo lentamente.
“Robin... o que... aconteceu?” Estelar dizia pausadamente e num tom que mais parecia um sussurro. Estava fraca demais para falar mais alto.
“Você conseguiu, teve uma filha linda.”
“Uma filha?...” Só agora ela tinha notado a menina que dormia no seu lado direito. Estelar quis pegá-la e traze-la pra si. Mas não podia. Não conseguia se mover muito devido à grande fraqueza. Mas pelo menos pôde acaricia-la.
“Olha... Star... *suspiro* sinto muito sobre o que aconteceu na praça. Eu não queria dizer aquelas coisas pra você. Fui um ignorante mesmo.”
“Tudo bem, Robin. Eu entendo...” Ela sorria ao ver que ele estava mudado. Não era mais o mesmo obcecado que a magoou oito meses atrás. Agora tinha voltado a ser o verdadeiro Robin. “Mas eu apreciaria se me respondesse... uma coisa.”
“O que?”
“Você acreditou mesmo que eu tinha te deixado? Que eu tinha encontrado... outra pessoa?”
“Por quê? Você não encontrou?”
Ela o olhou tristemente, enquanto acenava de forma negativa.
“Então... como explica a gravidez??”
“Robin, você foi o único que eu amei em toda a minha vida... devia ter lhe contado.”
“O-o que está querendo dizer?” Ele ficou nervoso com a pergunta que fizera. Não poderia ser o que ele estava pensando, poderia? Por isso acabou lembrando do que Mutano havia falado pelo comunicador pouco antes de Penumbra desaparecer:
“Se precisa tanto de ajuda então peça pro pai dessa criança!”
“E o que acha que eu tô fazendo agora?!”
Talvez fosse apenas um modo de falar. Mutano não era o brincalhão da torre? Então! Mas Robin decidiu parar de pensar um pouco e ouvir o que Estelar lhe diria.
“Bem... na verdade, eu tentei dizer naquela tarde. Mas você estava enfurecido demais e não me deixou pronunciar uma palavra sequer.” Ela deu uma pequena pausa, como se quisesse poupar as forças que tinham restado. Agora não olhava mais para Robin. Olhava para a filha. Mesmo que tivesse visto que o rapaz voltara ao normal, tinha medo de sua reação com o que estava prestes a dizer.
“Mas, Star, o que você queria me dizer de tão importante?”
“Que... esperava um... filho seu.” Ela agora o encarou. Disse as palavras num tom quase impossível de ser ouvido. Tinha dúvidas se queria que Robin as ouvisse.
Mas ele ouviu.
Robin emudeceu. Estava surpreso demais para expressar algo para ela. Talvez se perguntando o porquê de não ter enxergado isso antes. O silêncio durou alguns minutos, mas parecia ser eterno para uma pessoa que acabara de descobrir sua paternidade. Também era assim para quem tinha revelado algo tão marcante e não sabia a reação do outro, se seria boa ou ruim.
Estelar continuava acariciando a pequenina, esperando alguma resposta de Robin. Este ficava apenas olhando para o chão e imerso em pensamentos.
Como não percebi isso antes? Ao invés disso, acabei culpando a pessoa que mais amo!
“Estelar...” Ele começou, voltando a olhar aqueles olhos esmeraldas. “I-isso é sério? Eu sou pai?”
Ela acenou positivamente, mas continuava evitando seu rosto. Achava que ele não tivesse gostado da notícia. Porém, foi surpreendida quando Robin segurou sua mão firmemente e começou a falar.
“Sabe... essa foi a melhor notícia que já tive na minha vida!”
“O-o quê?” Ela não acreditou.
“Eu achava que tinha te perdido pra sempre. Mas o que aconteceu mesmo foi nos aproximarmos ainda mais!! Imagine só, nós temos uma filha!”
Agora era a vez de Estelar emudecer. Não esperava que ele reagisse de uma maneira tão boa. Seus pensamentos ruins sobre ele deixaram sua cabeça assim que o herói começou a brincar com as mãos da filha. Parecia ser sonho, do qual ela não queria acordar mais.
Era difícil acreditar que tudo fazia parte da realidade.
“Robin...” Ela sorriu. “É bom ter você de volta.”
Robin devolveu o sorriso e se aproximou dela. Estelar não podia erguer sua cabeça devido à fraqueza que ainda não passara, então deixou Robin fazer o resto. Depois de meses sem se ver, sem conversar ou sequer rir juntos, os dois finalmente trocaram um beijo apaixonado.
“Uh... estamos atrapalhando?” Mutano dizia pela porta semiaberta. Ravena estava bem atrás.
Como reflexo, os dois se afastaram rapidamente e coraram um pouco.
“Erm... há quanto tempo vocês dois estão aí?”
‘Desde o ‘Estelar... isso é serio? Eu sou pai?’...” Mutano respondia em tom falsete, rindo enquanto observava a vermelhidão tomar conta do rosto do rapaz. “Fala sério, isso tava pior que a novela das oito!”
“Por quê, Mutano, você assiste??” Agora era a vez de Robin abrir um sorriso enquanto via o metamorfo se encolher.
“E-eu? Claro que não! Eu não assisto novelas!”
“Vamos parar com esse assunto inútil e nos preocuparmos com algo importante?” Ravena sugeriu.
“Por exemplo...”
“Se os dois já decidiram o nome dela.”
Eles se entreolharam. Com tudo o que havia acontecido nos últimos minutos os dois nem tiveram tempo para pensar sobre isso.
“Na verdade não... eu nem faço idéia de possíveis nomes para darmos...” Estelar disse.
“E eu menos. Nunca pensei que seria pai... agora.”
“Ah, qual é? Não deve ser tão difícil escolher um nome...” Mutano começou. Apresentava uma pose de quem era experiente no assunto. O que era obviamente uma mentira...
“E o que você tem a nos dizer, Mutano? Nomes que ouviu da novela?”
“Ah Robin, não começa!”
Nesse instante, Ciborgue entrou no local. Ainda mastigava o lanche que devorara há poucos minutos.
“O que tá acontecendo aqui?” Ele perguntou assim que engoliu.
“Nós estamos tentando decidir um nome para a pequenina...” Estelar a pegou e a deitou no colo. Parte de sua força estava voltando. Uma vantagem dos tamaranianos era sua recuperação rápida, muito útil num planeta que vivia de guerras. Precisavam disso. Era o único jeito de sobreviver. “Até agora não pudemos pensar em nada.”
“Bom, como no futuro ela vai ser uma titã, tem que ter um nome à altura de uma super-heroína...”
“Tipo Diana?” Mutano pensou alto.
“É, mas poderia ser um nome mais original, gênio!” Ravena o calou. Tinha um olhar que poderia cortar sua alma em dois, mas isso já não era muito incomum da parte dela.
“Sabe... eu pensei em algo... mas não sei se concordariam comigo.”
“Pode falar, Star.”
“Que tal... Mar’i?”
“Mar’i...” Robin olhou de Estelar para a menina. Pensava no que sua amada acabara de sugerir. “Ela se parece com Mar’i...”
“Então... você concorda?”
“Uhum. É um nome lindo pra uma menina linda... assim como a mãe.”
Estelar sorriu e ficou um pouco sem jeito diante do elogio de Robin. Ao olhar para a filha, e ver que já estava acordada, percebeu que o nome combinava mesmo com seu rosto e seus belos olhos verdes.
“Então está bem, seu nome será Mar’i!”
Os outros concordaram que era um bom nome para ela. A partir daí, a torre não seria mais o mesmo lugar monótono de antes. A bebê trazia alegria sem limites para os titãs todos os dias e... uma dor de cabeça de vez em quando...
Estelar e Robin deviam muito a Mar’i, pois agora estavam mais apaixonados que antes e nunca, eu repito, nunca mais se separaram. Às vezes ocorria uma pequena briga, mas eles não chegavam a provocar outro caso parecido como o do início dessa fic. Sequer ocorria alguma ameaça de começar tudo aquilo de novo.
Mas finalmente, tudo acabou bem para os titãs. E mesmo com Penumbra à solta, nada mais os intimidava...
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