Surpresas
8 O estranho
Ravena entrou na sala comum às pressas. Com Ciborgue na garagem e Robin dando uma volta, só Mutano estava lá. Pelo jeito tinha acabado de acordar de uma soneca que tirara à tarde, pois estava cambaleante e com olhos semiabertos.
“Mutano, você sabe onde Robin foi?”
“*bocejo*Erm... ele foi pra algum lugar??”
Ravena se segurou para não bater no metamorfo.
“Ah, deixa! Vou ver se o Ciborgue sabe...”
“Escuta, Rae, por quê você tá procurando ele?”
“Eu acho que alguém está nos espionando... agora a pouco eu vi uma sombra por trás de mim, mas quando me virei... sumiu!”
“Não foi só impressão sua??”
“Não! Eu senti a presença de alguém nessa torre. Alguém com péssimas intenções...”
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Jumpy City não era uma cidade ‘perfeita’. Antes dos titãs aparecerem era um lugar com crimes e desastres freqüentes, e por isso ela ainda tem suas marcas... como uma fábrica abandonada no lado leste. Um dia, esse lugar foi cenário de uma guerra entre gangues e resultou num enorme incêndio. Agora só restou a estrutura de ferro e algumas paredes queimadas.
Mas o lugar não era tão abandonado como a maioria pensava. De repente, uma sombra em forma de serpente entrou no lugar, se arrastando pelo chão e pelas paredes, até entrar pela fresta de um pequeno alçapão.
Havia uma câmara embaixo, por qual a sombra continuou a trajeto pelo chão. Quando ela parou em frente a um painel, começou a girar em círculos, e liberar um rapaz vestido de negro. Este a absorveu com as mãos rapidamente.
Ele tinha o desenho de um crânio no peito. Alguns detalhes do uniforme eram azul-marinho, como listras nas botas, na máscara e nas luvas.
“Os bobocas finalmente se tocaram.” Ele dizia enquanto ligava os monitores. Neles, apareciam várias imagens da torre titã, por dentro e por fora. “Ando observando há um tempo, só esperando que Robin se recuperasse pra fazer o serviço. Agora que está melhor, vai poder falar tudo!”
O rapaz tirou a máscara e começou a pensar. Ele tinha longos cabelos loiros e uma cicatriz enorme na bochecha direita. Mas também tinha dois olhos distintos, um era verde e o outro era azul.
“Mas antes de pôr meu plano em ação, preciso descobrir qualquer coisa que force o idiota a desembuchar de vez!!”
Logo, as imagens tiveram uma forte interferência. Não era mais possível vigiar a torre.
“Droga!!” Ele socou o painel. “O que houve?!!”
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Ciborgue examinava no seu quarto uma pilha de pecinhas. Pareciam bolas de gude, mas menores e com garras minúsculas por trás.
“E aí, cara?” Mutano perguntava atrás do robô. Ravena estava ao seu lado.
“Ravena tinha razão, andam nos espionando! Alguém fixou essas coisas em cada mísero canto da torre.”
“Mas o que são?” Ravena perguntou.
“Câmeras. Minúsculas, mas muito potentes. Até no seu quarto tinha uma dessas!”
“Mas se alguém implantou por toda a torre, por que nenhum alarme disparou??”
“Não sei Mutano, mas pensei sobre o que Ravena falou hoje, sobre ser perseguida no corredor... daí olhei o que a câmera da torre registrou lá.” Ele apertou dois botões em seu computador e a tela logo mostrou a filmagem.
Ravena andava lentamente pelo corredor, nada de incomum.
“Tá, ela anda, e daí?”
A resposta de mutano veio logo. Uma sombra apareceu na parede sob a forma de... alguém. Estava perseguindo a titã no mesmo ritmo e, quando Ravena se virou, ela pareceu ter se infiltrado na parede e desaparecer.
“Sinistro...”
“Isso explica o uso de poder desconhecido que o computador da torre registrou nos últimos dias.”
“Mas por quê estaria nos vigiando?” Ravena perguntou, escondendo a surpresa que teve ao ver a gravação.
“Deve querer algum segredo, alguma fraqueza nossa. O que me preocupa é que já faz um tempo que ele anda xeretando por aqui.”
“Defina ‘tempo’.”
“Tipo assim... um mês!”
“Um mês?! Cara, isso é muito tempo!” Mutano exclamou.
“Descobriu agora, gênio? Nesse tempo daria pra descobrir até o nome do seu macaquinho de brinquedo...”
Mutano achou melhor não retrucar. Sabia que sempre perdia para o sarcasmo da empata.
“Queria ver a cara do Robin ao saber disso. Acho que ele ia resolver esse mistério num piscar de olhos ou-”
“Ou botar a culpa no Slade, ficar zangado, se trancar na sala do crime e ignorar o mundo.” Mutano interrompeu Ciborgue, que logo olhou para Ravena. Esta concordou. Os três não queriam outra crise do líder depois de tanto tempo.
“De qualquer jeito ele vai ter que saber, mas se ele botar a culpa no Slade e começar toda aquela história, vamos amarra-lo na maca da enfermaria de novo até que mude de idéia!”
“Talvez não precise, Ciborgue. Acho que, com essas imagens, Robin não acreditaria que fosse Slade. Ele não tem esse poder... pelo menos não que eu saiba...”
“Mas afinal, cadê o Robin?”
“Sei lá, ele saiu pra esticar o braço e não voltou até agora!”
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