Supremacia

2 Amiga da perfeição


Notas iniciais
Oi, oi, como vão?? Mais um capítulo fresquinho. Vale lembrar que dos links da música que dão um climinha para o capítulo: Primeiro: https://www.youtube.com/watch?v=SONH0e-28ow Segundo: https://www.youtube.com/watch?v=QZG9t9-6Pqs

“A escuridão parece muito confortante junto ao cheio intenso do que me parece ser terra molhada, quase nostálgico, mas é curioso que não sinto estar sobre a terra, na verdade não sinto muita coisa... apenas essas pontadas... pontadas constantes e sussurros... uma mancha vermelha.”

— Não era para ter acontecido dessa maneira.

Vultos caminham por todos os lados com seus olhos firmes na criatura adiante, ao mesmo tempo que dois se agacham e protegem algo. Nenhum da a devida atenção para a extensa mancha em seus pés.

— Os ferimentos estão por todo o corpo – a seca voz saiu forçada – Mesmo que quiséssemos não podemos ajuda-la e tão pouco você, apenas fazer esse sofrimento durar mais – sussurra.

*Tsc* – Sentimos muito, senhor...

— Iuno! Não foi culpa nossa – exclama a voz irritada.

— Ele está certo. Mesmo que você tenha conseguido tirá-la a tempo, ainda assim nós chegamos tarde.

— Ninguém teve culpa – a grossa voz ecoou pelo extenso salão cercando os presentes – Concluíram a missão. Nenhum de vocês fez menos do que deveria.

— Senhor... Era nosso dever e estávamos cientes da fragilidade do corpo humano. Elas estariam bem se tivéssemos agido mais rápido – insiste.

Um breve sussurro emana junto as gotículas de sangue.

— Ela...ela é minha responsabilidade – inspirou intensamente – Vocês não controlam os eventos, sequer poderiam – o sorriso manchado é visto – Nosso maior problema é que ela não acredita estar viva... então posso sentir seu espírito morrer a cada segundo.

Todos observam uma silhueta sangrar como nunca antes.

***

Frondoso é o céu que lá fora amanhece nu, límpido e como que delicadamente pintado por um sutil azul. Os raios do sol tocam com leveza cada gotícula de orvalho e sua silhueta vai se completando ao horizonte, despertando novamente a vida. Ao mesmo tempo dois grandes eventos acontecem na contramão no interior da onipotente Torre de Vor, o lar da Supremacia. Vor abriga salões gloriosos, de bibliotecas gigantescas a cozinhas deslumbrantes; seus cômodos acomodam diversas criaturas inumanas, cada qual com seus afazeres e responsabilidades e, não raro, alguns visitantes; e é dentro do enorme salão Ignis que corações pulsam unanimes em um único tom, entre as misturas de desespero e ansiedade, são sete calorosas almas e duas que se esfriam aos poucos. Em dois pontos alguns feixes luminosos emanam de pequenas e delicadas mãos, eles soltam partículas brincalhonas pelo ar e distraem os apaixonados pela magia da cura. São as sacerdotisas.

— É a primeira vez que te vejo nesse estado – a adocicada e contente voz quebra o silêncio na alma de Marok.

— Você nunca parece se abalar – o grosseiro aperta sua mão observando as madeixas loiras de sua mulher voaram delicadas.

Em um canto do salão quatro almas admiram ao longe a beleza da vida ser reconstruída átomo por átomo.

— Senhor Meifil... desculpe, mas como a senhorita Solarium conseguiu transferir os ferimentos da Kila para si sem conectar a ela?

— Tudo bem – sorri para a curiosa de cabelos coloridos – Ela se conectou brevemente, tempo suficiente para reverter o estado daquela garota. Contudo ao conectar duas almas não se deve parar antes do previsto, o efeito perverso sempre virará contra o mais forte, que na lógica é capaz de suportar enquanto o mais fraco se recupera – seus preocupados olhos miram a mulher deitada ao chão e um caloroso ar sai de suas narinas.

— Iuno você não consegue ver o que a Kila está pensando? Se ela está consciente para começar de novo? – a garota se debruça sobre o jovem a sua frente.

Sem incomodo algum e pacientemente ele diz – Ela está vagando por onde nós um dia vagamos. Esse é um lugar único, é diferente para cada um que por lá caminha. Não posso ver ou sentir o mesmo que ela. Então, não sei o que responder. Sinto muito Mika.

— Tenho certeza de que deu o seu melhor! – anima saltando para perto de outro – Eu só espero que ela fique bem para a Sol também ficar.

— Ela foi corajosa. Do jeito que falavam sobre os humanos... confesso não ter acreditado quando a vi salvar Kila – murmura o jovem com enormes machados presos as suas costas.

Meifil calmamente fecha os olhos e se alegra com eles – Parece que você ainda não acredita muito em nós, jovem Aklon. A Sol a salvou porque acredita no potencial dela, graças aos seus relatórios.

Seus olhos surpresos brilharam diante Meifil, e ele continua:

— Ela acredita no potencial que você disse ter visto na Terra. Sol não teria problema em dar a vida para salvar essa desconhecida... Quando se conectou ela brilhou como bilhões de sóis, ao mesmo tempo que enormes ferimentos apareciam por seu corpo.

— Kila... ela nunca foi verdadeiramente ambiciosa por essa vida – comenta Mika.

Enquanto tantas vozes procuravam motivos para o imóvel corpo não ter recuperado sua vitalidade o tempo passava rapidamente. A cada instante a forte Suprema enfraquecia e os poderes mágicos das sacerdotisas deixavam de funcionar. Seus pobres olhos cansados que ainda lutavam para não perderem o olhar vago da garota de sua vista, para a ver até o fim, para jamais a abandonar ali.

— Kila, por favor, se dormir vai te fazer descansar está tudo bem em fechar os olhos – murmura exausta – ficarei ao seu lado, bem aqui, eu posso suportar e espero que confie em mim... não sofra...

“Essa voz... sinto como se devesse fazer algo por essa voz, ela quer algo.. eu sinto no fundo do meu coração que ela está aqui...”

Então, calmamente suas pálpebras escorregam ao encontro do fim. Todos engolem em seco e apenas ela sorri.

— Obrigada por aceitar... minha alma... – assim Solarium cai ao chão e toda a magia se dissipa da sala.

Repentinamente um clamor estrondoso é evocado pela garota, uma onda furiosa que estremece o corpo dos observadores e os fazem se afastar. A garota é cruelmente dominada por seu corpo fragilizado que se debate contra si mesmo, ao mesmo tempo que seus olhos se forçam derramando lágrimas por seu rosto ferido e sangue começa a cair de sua boca após travar seus dentes nos lábios.

Apesar da mistura de agonia, dor, o derramar de sangue e o descontrole, sua alma estranhamente brada força e vitalidade. As batidas do seu coração aceleram como um ataque, seus pulmões prestes a colabarem a fazem ofegar e buscar desesperadamente por ar, o enorme sufoco faz as veias saltarem. Ela abre seus olhos como alívio enquanto linhas negras vão saindo de seu peito e desenhando todo o seu corpo. Suas pupilas antes castanhas se tornam negras como a noite e dilatam até o limite para então colapsarem. Ao mesmo tempo que seus cachos vagarosamente são pintados pelo mais puro branco.

O tempo atravessa por cada corpo, por cada criatura que presencia os gritos ensurdecedores da garota, e faz da angústia sua aliada mais lenta. Cada milésimo, cada segundo e minuto, juntos formando a hora mais dolorosa. E no mar de emoções, a amiga da perfeição nunca foi a maior inimiga de todos eles.

Até surgir, por fim, o silêncio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.