Notas iniciais
Não, a fic não vai acabar. Não, não desisti de escrever. Não, a culpa não é totalmente nossa. Boa leitura!

Ablon ficou espantado ao ver aquele homem em sua frente. Como ele havia chegado ali tão rapido? Ele encarou Ablon, como se quisesse fazer algo, mas apenas o encarava e não dizia nada. O garoto já suava frio, e serrava os punhos para que não tremessem. Ele respirou fundo, fechando os olhos e depois focando sua visão no homem em sua frente. Começou a encara-lo da mesma forma.

– C-como chegou aqui tão... Rápido? – sua voz saiu com total insegurança e medo, enquanto engolia em seco.

Um sorriso irônico se formou nos lábios do homem. Foi aproximando-se de Ablon vagarosamente, com uma faca prateada em uma das mãos. Apoiou a mão no ombro de Ablon, o que fez o garoto congelar e prender a respiração por um longo tempo. O sorriso irônico permanecia nos lábios do homem.

– Cuidado garoto, eles estão atrás de nós. – sua voz rouca ressoou nos ouvidos de Ablon.

O garoto apenas assentiu ao ouvir isso. Sirenes podiam ser ouvidas ao longe. O homem praguejou. Prendeu a faca junto ao cinto e, com um rápido movimento, socou o estômago de Ablon, que sem fôlego caiu no chão. O garoto tossiu, tentando recuperar a completa postura. Levantou devagar, mas o homem já não estava mais lá. Deixara para trás apenas algumas folhas sendo arrastadas pelo vento.

Ao levantar-se com certa dificuldade, olhou para o fim do quarteirão em que estava. Avistou os feixes de luz azul e vermelho das sirenes. Apoiou a mão em sua testa, tentando expulsar a tontura. Caminhou devagar em direção às sombras de um beco, usando a parede como apoio para impedir que caísse e pensando no que o homem havia lhe dito. "Eles estão atrás de nós.". O que isso queria dizer? Quem estava atrás dele? Algo o incomodava, a mesma sensação de quando viu Alexis. Aquele homem... Havia algo errado.

Caminhou mais alguns passos, ainda sem fôlego. Sua visão estava turva. Uma grade alta barrava a passagem do beco. Ablon respirou fundo. A grade era pouco mais alta que ele, porém com lâminas nas pontas. A ideia que lhe passou pela cabeça era maluca, mas não voltou atrás. O garoto tomou distância e olhou para trás. Viu alguns guardas passarem pela entrada do beco. Para sua infelicidade, um dele o detectou.

– Aqui no beco! Um garoto. – ele alertou aos outros que passaram.

Ablon não poderia esperar. Tentou manter-se acordado e começou a correr. Antes de perceber já saltava sobre o portão, estando alguns centímetros mais alto que as lâminas. Aterrissou rolando do outro lado, sumindo em meio às sombras e a alguns latões. Seu corpo doía como se houvesse quebrado seus ossos em pedaços. Tentou arrastar-se, mas sua visão escureceu.

[...]

Seus olhos abriram lentos e gradativamente. A escuridão indicava que já era noite. Seus ossos doíam, e ao tentar levantar sentiu uma pontada em sua perna. Ablon apoiou-se em uma lata que caira ao seu lado, e a usara como suporte para levantar. Tossiu algumas vezes, sentindo um ardor em seus pulmões.

Mapeou em sua memória o que havia feito antes de tudo. Ainda sentia-se atordoado, e não se lembrava de tudo com clareza, mas sabia que tinha de sair dali. E foi o que fez, saindo de tal beco onde estava e buscando o caminho de casa.

[...]

Ao chegar em casa, andando com certa dificuldade, abriu a porta e entrou, meio rastejando e meio caminhando. O garoto foi parado por sua mãe, que desceu as escadas com certa velocidade. Seu olhar preocupado recaiu sobre ele, enquanto ela corria para abraça-lo. O garoto percebeu que suas mãos tremiam.

– Mamãe? O que foi? – Ablon contaminou-se com o nervosismo dela.

– Onde esteve essa tarde? Por que demorou tanto para vim embora? – Seu tom parecia irritado, mas tinha mais alguma coisa. Ela não o encarava nos olhos, encarava o chão, e seus cabelos castanhos caiam sobre seu rosto, impossibilitando-o de encara-la diretamente.

Ele a encarava com desconfiança, e ao mesmo tempo preocupação. Sua mãe nunca ficara tão nervosa apenas por ele demorar a chegar. Era de costume os atrasos dele, pois sempre ia para a casa de Cassius depois da aula. Ablon olhou em volta, procurando alguma movimentação de Alex, mas ela não estava lá. Provavelmente estaria no quarto. Ele encarou sua mãe, tentando decifrar seu olhar.

– Eu falei que hoje seria o “Passeio ao zoológico” da cidade – Disse ele fazendo aspas com as mãos.

Ela apenas apertara mais seu ombro.

– Eu liguei para a escola, e eles disseram que vocês já tinham chegado a mais de duas horas! Onde você esteve durante esse tempo? — Sua voz estava tremula.

“O que esta acontecendo hoje?” pensara ele. “Por que estão todos assim?”. Ela apertava seu ombro cada vez mais, o que já estava machucando. Levantou a cabeça e o encarou friamente, seu olhar possesso de preocupação e raiva.

– Vá para o seu quarto! Você não ira sair o fim de semana, esta de castigo. — Seu tom agora era firme, e aparentemente segurava o choro.

Ablon a encarou, incrédulo, enquanto ela simplesmente afastava-se e subia as escadas.

– O QUE FOI QUE EU FIZ? –Seu grito ecoou na casa, o que fez sua mãe encara-lo por cima dos ombros, irritada. Ele não se intimidou. – Isso não é motivo para eu ser castigado! O que esta acontecendo com você?

– O que foi que você fez? – seu tom soou sarcástico. Ela virou-se pra ele. Nem mesmo sua aparência cansada tirava sua beleza natural. – Você acabou de gritar comigo, estava enrolando na rua... Quer que eu pense que não esta usando drogas, ou que o gover... – interrompeu-se antes mesmo de terminar a frase, mas continuou firme. – Você esta de castigo, Ablon. Suba imediatamente.

Ela subiu, e desapareceu no topo da escada, deixando para trás um Ablon furioso e indignado. Ele arremessou sua mochila sobre o sofá e subiu as escadas, pisando firme.

[...]

Seu corpo ainda doía quando chegou ao topo das escadas e caminhou até seu quarto. Ao entrar, trancou a porta atrás de si e foi até o banheiro de seu quarto. Encarou seu reflexo pálido no espelho, tocando os hematomas e arranhões em seu rosto com a ponta dos dedos.

O estrago daquele salto havia sido maior do que imaginara. Não se lembrava exatamente do por que daqueles machucados. As memórias eram apenas imagens borradas em sua mente. Lembrava-se apenas de um homem com velocidade descomunal, e depois de ter sentido como se estivesse voando e ai sua visão havia escurecido.

O garoto sentia-se muito mal. Retirou a roupa suja que vestia e entrou debaixo do chuveiro quente. Deixou que a água morna molhasse todo seu corpo, e levasse consigo o sangue daquelas feridas. Ficou ali durante longos minutos, de olhos fechados e mente ao longe. Desligou o chuveiro, enxugou-se e vestiu-se com roupas largas, para que tivesse a liberdade para mexer-se sem sentir tanta dor.

Pegou seu notebook e sentou-se na cama, encostado na cabeceira. Ainda estava com raiva e ao mesmo tempo preocupado com o comportamento de sua mãe. Sua mente explodiu em curiosidade, e ele ligou o note. Buscou na internet textos relacionados à super velocidade. Sentiu-se frustrado enquanto buscava os resultados, sempre relacionados à super heróis da ficção cientifica. Porém, algo em meio de tudo aquilo chamou sua atenção. Era um artigo de jornal, que dizia sobre o governo. Abriu o link e começou a ler.

“O governo alega encontrar pessoas que possuíam a capacidade de correr em velocidades absurdas...”.

Sua mão começou a tremer, sua cabeça começou a doer. Um flashback o atingiu, a mesma imagem do sonho que o atingia todas as noites.

Notas finais
O que acharam? Se não acompanha a história, e não sabe quando ela atualiza, clique em "acompanha esta história" logo abaixo do capitulo. ^-^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.