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1 Único
Notas iniciais
Mais um dia de gravações havia iniciado, e Masaki se dirigia ao camarim do Arashi, ainda meio sonolento, mas disposto como sempre.
- Ohayou minna-san! – disse ao entrar no local. Em uníssono obteve a resposta dos outros membros da banda e de alguns funcionários que estavam cuidando do figurino e a maquiagem para o programa daquele dia.
A voz que mais havia se destacado para Aiba era, claro, de Sakurai Sho. Poucos naquele ambiente sabiam, mas os dois mantinham uma relação secreta há quase cinco meses.
Tudo em Sho se destacava para Aiba. Quando mantinha uma postura séria de apresentador de telejornal ou quando mostrava seu lado imaturo de ‘aborrecente’ birrento. Seus defeitos eram o que lhe deixavam perfeito. O que podia dizer? Estava apaixonado, e, diga-se de passagem, há anos.
- Está atrasado, Aibaka. – resmungou Matsujun numa cadeira, enquanto uma maquiadora terminava de passar-lhe o pó. A resposta que recebeu foi uma almofadada na cabeça vinda de Sho, que fez a moça quase fazê-lo comer a esponja do pó.
- Deixa de implicar com ele! Por mais que durma, esse dorminhoco ainda consegue chegar na hora! Te invejo Aiba-chan. – O sorriso que o mais velho lançou para Masaki fez os pelos de seus braços de eriçarem.
- Na hora não, está quatro minutos atrasado, e ainda precisa passar maquiagem!
- Jun-kun, menos ne? – Disse Nino que estava no sofá do camarim pendurado ao pescoço do líder do grupo, ambos já maquiados e esperando o restante dos membros ficarem prontos.
- Só sei que se fosse eu o ‘atrasado’ estariam me recriminando, mas como é o Aibaka-chan todos perdoam. – Disse interpretando o encrenqueiro e saudoso Doumyouji , que logo foi substituído por um sorriso largo em seu rosto. – Sabe que estou brincando ne Aibaka?
O mais novo levantou-se e correu até Masaki, agarrando-o pela cintura, num abraço caloroso.
- Ne... da próxima vez quem vai te dar uma almofadada serei eu! – deu um cascudo no caçula e todos no camarim começaram a rir.
~~~~~
- E... corta! – Gritou o diretor do VS Arashi. Mais um programa estava encerrado, pronto para edição.
Os membros do Arashi cumprimentavam a equipe, enquanto se dirigiam para o camarim. Todos ficaram conversando coisas aleatórias entre si sobre a gravação. Todos menos Aiba. Este permaneceu quieto no sofá desde que adentrou ao local, dando apenas alguns pequenos sorrisos. Mas isso, claro, não passou despercebido ao namorado, que sentou ao seu lado e lhe perguntou baixinho, para não preocupar os outros, se estava tudo bem.
- Hai Sho-chan, daijoubu!
- Eu te conheço... e você não está dizendo a verdade! – discretamente passou a mão pelas costas do mais novo, acariciando a região. – Vamos almoçar juntos, daí você me conta, ok?
Aiba assentiu. Para que outra pessoa seria melhor desabafar sobre aquele assunto do que Sho?
Chegaram ao restaurante no carro de Sho, adentraram disfarçados, pediram um prato simples, e logo foram atendidos.
- Etto... não sei como começar. – Disse pegando o copo d’água e levando-o até a boca.
- Que tal do começo?
- Que resposta clichê, Sho-chan. – Riu um pouco, antes de concentrar-se para finalmente falar. – Eu estou... preocupado.
- Com o que, meu amor? – Conteve-se para não pegar na mão do mais novo, pousada sobre a mesa.
- Com nós dois.
- Nós dois? O que tem de errado? Eu fiz algo que você não gostou? – os olhos do mais velho arregalaram-se, estava começando a entrar em pânico.
- Calma Sho-chan, não é isso! – Riu do desespero a toa do namorado. – Na verdade estou preocupado com as fãs...
- Eh? Explica melhor, o que uma coisa tem a ver com a outra?
- Tudo! Estou com medo da reação delas a nosso respeito.
- O que, você quer assumir que estamos juntos? — Os olhos continuavam arregalados.
- Não Shobaka! Impossível... o que eu quero dizer é: o que elas pensariam se soubessem que somos um casal?
- Ah, então é isso! – Suspirou. – Bem Aiba-chan... eu não sei te responder isso. Talvez algumas aprovassem, outras se revoltassem...
- Tenho medo que elas deixem de nos apoiar se um dia desconfiarem! Elas são muito importantes para mim, e para o Arashi! – O mais novo começou a lacrimejar.
- Aiba-chan... – Sho entrelaçou uma de suas pernas na do amante por debaixo da mesa. – Aconteça o que acontecer, eu nunca vou te deixar, está bem? Com ou sem o apoio das fãs.
- Arigatou Sho-chan. Mas, sabe, acho que nunca terei essa resposta. Afinal, aos olhos da nação, nosso relacionamento seria uma coisa suja e impura ne?
- Eu e você sabemos que nosso amor não é algo sujo. Pare de pensar sobre isso. – Sussurrou, formando um sorriso malicioso em seus lábios, enquanto seu pé escalava a perna de Aiba vagarosamente – Agora impuro... fala sério, não tem como pensar em algo puro enquanto eu to te imaginando de quatro e nu na minha cama.
- S-Sho-chan! – Masaki, que estava rindo enrubescido, quase gritou, chamando a atenção dos que estavam em mesas mais próximas.
Sho só conseguia rir descontroladamente da reação do namorado. Era adorável quando ficava com vergonha. Sentiu um alívio por ter conseguido trazer um sorriso de volta àquele rosto preocupado.
Felizmente não foram reconhecidos. Puderam terminar a refeição e voltar à empresa sem problemas.
Caminhavam enquanto conversavam sobre uma ou outra tomada do VS daquele dia. De repente, Sho parou e observou cuidadosamente o corredor, e para sua felicidade, não havia mais ninguém naquela área da empresa, a não ser ele e Masaki.
- O que foi, Sho-chan, por que parou?
Sem avisar, o mais velho prensou Aiba contra a parede, encaixando seu corpo na frente do dele, lambendo e chupando o pescoço do mais novo, que mal conseguiu conter os gemidos que teimavam em escapar de sua boca.
- Sho-chan, aqui? – Aiba arfava, relutando contra o mais velho. – Você perdeu o juízo??
- Perdi no momento em que te conheci – sussurrou no ouvido do moreno, para depois mordiscar o lóbulo de sua orelha.
De repente, os dois ouviram vozes femininas aproximando-se de onde estavam. Sakurai rapidamente adentrou em uma sala próxima de onde estavam sem desgrudar do mais novo, e fechou a porta atrás de si.
Por sorte, aquela sala era uma espécie de depósito, por isso, não havia ninguém lá no momento. O mais velho não perdeu tempo e voltou a beijar Masaki fervorosamente, segurando firme seu cabelo e apertando-lhe a cintura, trazendo-o para si, enquanto as mãos do mais novo passeavam por cima de seu casaco, com a intenção de tirá-lo o mais rápido possível.
Em meio ao calor e a empolgação, estavam andando enquanto se beijavam. Sho, na intenção de encontrar algo para deitar Aiba em cima, acabou empurrando-o contra uma caixa grande de papelão, mas ela acabou amassando, espalhando seu conteúdo pelo chão
- Sho-chan! – Aiba, caído por cima de milhares de papéis velhos, caiu na gargalhada, ao observar a cara de frustração do rapper. – Controle um pouco esses seus hormônios, olha só o que você aprontou!
Sakurai estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar, e ficou observando a bagunça que fizera.
Mais vozes foram ouvidas no corredor. Sabia que teria de sair dali com Aiba o mais depressa possível, afinal, que explicação dariam se fossem pegos numa sala de despensa?
- Amor, quando eu der o sinal, você sai. Eu sairei depois, para não levantar suspeitas. – disse ajeitando carinhosamente a blusa e o cabelo de Masaki.
Logo, avisou quando ele poderia sair e o namorado obedeceu. Ainda teriam alguns comerciais para gravar naquele dia, por isso, sabiam para onde deveriam ir agora.
Esperou alguns minutos para poder sair. Enquanto isso, ficou observando aquele monte de papéis espalhados. Não resistiu e foi saber do que se tratavam.
Tinham contas antigas da empresa, alguns recibos e scripts. Mas alguns papéis chamaram mais a sua atenção. Eram mais decorados, alguns coloridos, com corações e desenhos.
Pegou uma das cartas que tinha um envelope roxo. Não resistiu e abriu, ficando impressionado com seu conteúdo.
“Jun-san, você é meu ichiban e eu te admiro muito, mas para de dar em cima do Oh-chan, ele é do Nino-chan!”
- São cartas... – disse ao terminar de ler – de fãs?!
E não foi só uma. Sakurai abriu várias cartas semelhantes a essa, todas cheias de palavras doces e apoiando qualquer tipo de relação entre os membros.
Uma lágrima quase escapou de seus olhos, Sakurai apenas recolheu algumas das cartas, tentou organizar a bagunça, e saiu apressadamente da sala, sem ser notado por ninguém no corredor.
~~~~~
Uma semana havia se passado desde o ocorrido, já era uma manhã de Natal com neve e um frio de cinco graus negativos em Tokio. Sho acordou com o despertador lhe tirando de seus sonhos mais profundos.
Cinco horas. Correu até o banheiro, tomou banho e vestiu-se o mais agasalhado possível. Não se permitiu tomar café da manhã, não teria tempo para isso.
Dirigiu aceleradamente até o apartamento de Aiba, quase batendo em um ou dois veículos à sua frente no caminho. Precisava chegar antes do namorado acordar. Queria fazer uma surpresa. De Natal e de aniversário.
Chegou ao prédio onde o mais novo morava, e impacientemente, esperou pelo elevador.
Tirou a chave do apartamento do bolso e girou-a cuidadosamente na fechadura, temendo fazer qualquer barulho, e devagar foi abrindo a porta. Sigilosamente, foi até o quarto de Masaki, que estava com a porta fechada. Lentamente abriu-a e viu seu amado ressonar esparramado de barriga para cima em sua cama de casal.
Sorriu.
Caminhou até ele e sentou-se no colchão. Acariciou-lhe os cabelos bagunçados e aproximou-se um pouco mais de seu pescoço.
- Está nevando lá fora agora, mas eu quero te fazer suar aqui dentro, Aiba-chan. – sussurrou enquanto dava uma lambida na região.
Aiba quase deu um pulo da cama, assustado com a surpresa do namorado.
- Sho-chan? – esfregou os olhos, encarando-o com um sorriso nos lábios. — Não sabia que você estaria aqui quando eu acordasse!
- Por que a idéia era ser uma surpresa! – abraçou-o ternamente. – Tenho algumas coisas pra te mostrar.
Sho retirou alguns envelopes do bolso, atirando-os em cima da cama.
- O que é isso? – Aiba olhava confuso para tantos envelopes coloridos e enfeitados.
- Abra cada um deles, e descobrirá.
E assim, Masaki fez. Foi abrindo um por um, lendo seus conteúdos.
“Ohmiya, please keep fighting!”
“Não tenham medo de ser quem vocês são, eu estarei com vocês sempre!”
“Necessito de mais fanservices, por favor, nos mostrem o seu amor uns pelos outros!”
“Sabe o que eu quero de presente de Natal? Um beijo entre Sho-san e Aiba-san! Será que o papai noel”
A última carta fez o coração de Aiba quase saltar do peito. Ele olhou para Sho com os olhos cheios d’água, prestes a escorrer pela face.
- Sho-chan... onde você achou isso?
- Lembra-se de que semana passava estávamos nos agarrando numa sala de despensa da empresa? – Masaki assentiu. – Pois bem... naquela caixa que derrubamos cheia de papéis aleatórios... foi lá que achei essas cartas. Acho que estavam as escondendo.
- Mas... escondendo?
- É óbvio que ninguém quer que saibamos que nossas fãs apoiam qualquer tipo de relação entre nós, pois como você disse, é algo “sujo e impuro” – fez um gesto com as mãos, colocando claramente aspas nas palavras.
- Então... nossas fãs... – uma lágrima riscou seu rosto.
- Nos apoiam e nos amam, não se importando com a nossa opção sexual. Claro, não devem ser todas, mas uma boa parte, sim. Então eu ach-
Aiba pulou no pescoço do namorado, abraçando-o fortemente, sentindo os braços musculosos dele circularem sua cintura em resposta.
- Não consigo dizer o quanto estou feliz Sho-chan! Esse foi o melhor presente de aniversário/natal que você poderia me dar!
- Eu? Esse presente foram as fãs que lhe deram, eu apenas entreguei – Olhou-o maliciosamente de cima a baixo. – O meu presente, eu vou te dar agora.
A neve aumentava lá fora, talvez o Natal fosse ser o mais frio em muito tempo. Mas não naquele quarto.
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