15:15;

Seria tudo tão mais fácil se Lisanna fosse uma vadia sem coração, porque, dessa forma, Lucy poderia ficar e lutar por Natsu.

Mas, não. Ela tinha que ser uma das pessoas mais legais e gentis da guilda. Sempre simpática e sorridente com todos. Nem para ser uma cretina ela servia.

Lucy suspirou e engoliu alguns palavrões que ameaçavam sair por seus lábios delicados. Era bobagem ficar pensando nos dois. Ela já fizera sua escolha. Iria sair dessa história antes que se machucasse ainda mais.

Pelo menos sua dignidade estaria intacta.

A maga celestial estava sentada em um dos duros bancos da estação de trem de Magnólia. Pelo canto do olho, ela olhou o relógio e percebeu que ainda faltavam quarenta e cinco minutos para seu trem partir.

Faltavam quarenta e cinco minutos para ela dizer adeus ao seu passado. Dizer a deus a Natsu Dragneel.

Lucy começou a rir histericamente enquanto duas lágrimas escorriam por sua bochecha esquerda. Até mesmo ela admitia que era a pessoa mais dramática que conhecia.

Não é como se ela fosse dizer adeus permanentemente a Natsu Dragneel. Os dois eram membros da Fairy Tail e faziam parte do mesmo time. Lucy só iria passar um tempo fora; algumas semanas ou até mesmo meses, para tentar se livrar dos sentimentos que formavam um nó em sua garganta. Quando ela se recuperasse voltaria aos seus amigos e a sua vida.

Ela suspirou e pegou em sua bolsa um romance que pegara emprestado de Levy há algum tempo. Lucy não teria muito que fazer em quarenta e cinco minutos.

**

15:30;

-Mira, você pode me dar mais um sanduiche? – Gray Fullbuster e Natsu Dragneel disseram em perfeita sincronia.

Os dois se encararam, o ódio transbordado por seus olhos.

-Claro – Mirajane sorriu aos dois e se virou para preparar os pedidos.

-Eu pedi primeiro! – Eles disseram em unisom. – Não pediu coisa nenhuma!

Mira sorriu. Os velhos Natsu e Gray.

-Natsu! – Levy Mcgarden disse, sem fôlego enquanto se aproximava. – Gray! A Lucy está aqui?

Gray olhou para a baixinha a sua frente enquanto tomava um gole de sua água.

-Não, – ele respondeu. – Para dizer a verdade, não a vi o dia inteiro.

-E você, Natsu? – Levy parecia preocupada.

O Dragon Slayer do fogo franziu as sobrancelhas.

-Não, – ele respondeu sinceramente.

Natsu não a vira desde o incidente constrangedor que eles tiveram no dia anterior. Provavelmente ela estaria enrolada em seu cobertor pensando na melhor desculpa que poderia dar por ter dito as coisas que dissera a ele.

Lucy sempre se decuplava. Natsu odiava isso, mas ela sempre se desculpava.

Todas as vezes que ela o tocava em lugares que simples amigos não se tocavam, ela se desculpava. Sempre quando ela o lançava algum olhar que durava mais do que um olhar amigável deveria durar, ela se desculpava.

Lucy sempre se desculpava.

Será que ela não percebia o quanto Natsu queria tudo aquilo?

-Ela deve estar na casa dela – Natsu disse, indiferente.

Levy mordeu seu lábio inferior. Como ela iria contar a eles o que vira?

-Oee, - Gray disse, enquanto Mirajane entregava seu novo sanduiche. – Levy, por que você está tão nervosa?

Levy cerrou os punhos.

-É a Lucy – ela disse séria. – Eu acho que ela foi embora.

Gray arqueou as sobrancelhas e Natsu deixou sentiu um calafrio percorrer seu corpo.

-O que você fez, cabeça esquentada? – Gray perguntou, também sério, a Natsu.

**

15:45;

Estava tudo revirado no chão, como Levy dissera.

Natsu entrou no quarto de sua garota preferida, tomando todo o cuidado para não pisar em nenhuma das pequenas peças de roupa espalhadas pelo chão. Ele fechou a porta atrás dele e sorriu, um sorriso torto e triste.

Era irônico o fato de a única vez em que Natsu Dragneel entrava apropriadamente pela porta, Lucy não estava lá para vê-lo.

-Lucy, onde você está? – Natsu murmurou, enquanto pulava algumas roupas minúsculas que estavam no chão.

Ela fora embora, isso era óbvio. Mas, para onde, Natsu não sabia.

Ele até podia imaginá-la pegando uma mala em seu guarda roupa e escolhendo quais peças de roupa levar. Aquelas que não serviriam para sua viagem, ela jogaria sem piedade no chão, apenas focada em encher sua mala.

Natsu grunhiu. Por quê? Por que ela deixaria a guilda? Por que ela o deixaria depois do que ele dissera?

Será que Lucy não percebia o quanto ele precisava dela?

Ele abruptamente deu um pulo, cerrando seus punhos. Natsu encontraria Lucy. Ele a encontraria para deixar claro que ela não podia fazer o que fez. Para deixar claro que ela não podia brincar com os sentimentos dele daquela forma. Para deixar claro que ele estava nervoso, e ele odiava ficar nervoso.

Quem ela pensava que era para irrita-lo daquele jeito?

Mal Natsu sabia, quando pulou a janela do quarto, seguindo o rastro de cheiro inconfundível que Lucy deixara na rua, que ele teria apenas quinze minutos para encontra-la.

**

16:50;

Faltavam apenas dez minutos para o trem de Lucy partir.

A loira fechou o livro que estava lendo, guardando-o calmamente em sua bolsa e começou a andar até sua plataforma.

Ela iria sentir falta dessa cidade quando estivesse fora. Lucy amava Magnólia em todos os sentidos: ela amava a aura amigável das pessoas; o clima quente, porém não seco; os restaurantes; as cores vibrantes da cidade; e, principalmente, sua guilda, Fairy Tail.

Lucy suspirou. Não valia a pena ficar pensando sobre o que ela iria sentir falta. O melhor que ela poderia fazer era pensar em seu futuro. Um futuro longe de Natsu Dragneel, fisicamente e emocionalmente.

-Lucy!

Ela parou abruptamente quando ouviu alguém – não, quando ela o ouviu – gritar.

Seu corpo congelou. Como ele a descobrira? Ela não havia contado a ninguém que iria viajar. Como ele sabia?

Contudo, Lucy sabia que não deveria se preocupar com essas questões por enquanto. Sua prioridade agora se resumia a seguinte pergunta: o que ela diria?

Lucy não havia ensaiado nada para dizer. Seu plano era entrar no trem e ir embora. Não havia Dragon Slayers no plano. Afinal, ele era a razão de ela estar deixando a cidade.

Por que Natsu sempre tinha que bagunçar seus planos?

-O que você está fazendo aqui, Natsu? – Lucy perguntou, um pingo de acusação em seu tom de voz.

Natsu levantou as sobrancelhas.

-O que eu estou fazendo aqui? – Ele repetiu as palavras dela. – A pergunta é: o que você está fazendo aqui?

Lucy respirou fundo, pronta para dizer algo como “eu estava pensando em ir à praia e colocar meus pensamentos em ordem”, mas Natsu a interrompeu.

-Você não pode fazer isso, Lucy! – ele continuou. – Não pode fazer isso comigo!

Dessa vez, foi Lucy quem arqueou as sobrancelhas.

-Como é que, é? – ela disse, dando um passo na direção dele.

-É isso mesmo – ele respondeu, também dando um passo na direção dela.

Natsu correra o caminho todo até Lucy, deixando seu cabelo levemente mais bagunçado e uma fina camada de suor em seu peito.

Ela não teve coragem de dizer nada, porque, o que ela diria? Ela mal conseguia respirar enquanto Natsu a olhava daquela maneira.

-Lucy – o Dragon Slayer disse, seu tom de voz lembrava o de uma criança emburrada. – Por quê? Por que você sempre tem que complicar as coisas? Por que você não pode simplesmente deixar tudo fluir naturalmente?

-Natsu – ela tentou dizer, sua voz mais suave, mas Natsu ainda não terminara.

-Por que você tenta controlar tudo e todos? Por que você não pode simplesmente...

-Natsu!

-...relaxar e perceber que você é muito melhor do que pensa que é? – Natsu continuou. – Por que você não percebe que quando eu te chamo de gorda, eu quero dizer que você tem a bunda mais bonita que eu já vi? Seja lá o que você esteja comendo, não pare, porque, acredite, você tem o corpo mais bonito da guilda.

Lucy corou.

-Por que você não entende – Natsu continuou seu discurso improvisado — que ninguém além de mim iria querer uma garota bizarra que nem você? E, por que você não entende que –

Natsu parou de falar.

Ele parou de falar porque os lábios de Lucy pousaram sobre os seus.

No começo, ela não sabia ao certo o que fazer. Não só porque ela não era o que podemos chamar de experiente, mas também porque Lucy estava surpresa demais em sentir que Natsu respondia ao seu toque – ele a estava beijando de volta.

Natsu não pôde deixar de perceber que os cheios lábios rosados da garota se encaixavam perfeitamente nos seus.

Ela se encaixava perfeitamente nele.

Era como se o coração de Lucy se contorcesse dolorosamente dentro de seu peito. Suas mãos tremiam e suas pernas pareciam bambas.

Quando Natsu passou um braço por sua cintura e aprofundou o beijo, Lucy permitiu que seu corpo relaxasse, passando seu próprio braço pelo pescoço do amado.

-Por que você nunca me contou antes? – Ela sussurrou sem fôlego, assim que se separaram.

Natsu deu de ombros.

-Eu contei – ele disse docemente. – Você só não prestou atenção.

Lucy queria protestar, mas quando Natsu a puxou para mais um beijo urgente, algo impressionante aconteceu.

Ela parou de pensar.

Lucy Heartfilia não estava raciocinando o mundo ao seu redor, como sempre raciocinava. E, ela tinha que admitir, não raciocinar era a melhor coisa que já havia experimentado em sua vida.

Talvez ela devesse fazer isso mais vezes. Afinal, Lucy percebeu, as melhores coisas da vida podem passar despercebidas se pensarmos demais.

Notas finais
Bom, é isso. Para dizer a verdade, esse não é o final que eu planejava dar a essa fic, mas quando eu estava escrevendo as palavras simplesmente fluíram sozinhas...
Espero que tenham gostado! *-*
Agora, eu queria deixar um recadinho: não importa se você está lendo isso em 2013 ou em 2058. Por favor, deixe um review. É sério, gente, deixem suas marquinhas aqui. Vocês não tem a menor ideia de como comentários me deixam feliz! ^^
Bom, agora vou voltar a fic do meu otp: Laxus X Ultear. Talvez eu escreva mais fics NALU em breve...
Beijos;
Wine ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!